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naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

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Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

30.Set.17

A "democracia" e a "autodeterminação dos povos".

naomedeemouvidos

Arrependo-me profundamente de sempre ter “detestado” a disciplina de História, enquanto fui obrigada a tê-la. Era aluna “de ciências” e, das disciplinas “de letras” só gostava de Português. Hoje, e de há alguns anos a esta parte, reconheço a enorme importância da História. E envergonho-me de não saber mais. Se todos soubéssemos alguma coisa de História, talvez não disséssemos tanto disparate, no calor do momento, guiados por construções românticas, incendiando paixões, e embalados pelos “direitos” individuais, que, de tão individuais, têm vindo a ludibriar-nos. Com a cumplicidade, perigosa, de quem era suposto investigar, analisar, racionalizar e informar.

O “direito” do momento é o da “autodeterminação dos povos”. As palavras têm, de facto, um grande poder. É preciso reflectir muito, sempre, e ver um passo à frente para lidar, a seguir, com todas as implicações e consequências dessas palavras. É um exercício esgotante. É mais fácil disparar ao sabor do momento, consoante as modas, acarinhando os “oprimidos” e surfando a, já enfadonha, onda do não menos enfadonho politicamente correcto. Foi assim que se chegou a uma espécie de seguidismo acrítico e acéfalo dos movimentos de “defesa” do que quer que seja, desde que seja moda.

O “povo” catalão quer ser independente do “Estado Espanhol”. E muitos apoiam, pelo menos, o “direito” ao referendo popular, com base no tal outro direito, o da “autodeterminação dos povos”.

Não sei se o cidadão comum, como eu, entenderá toda a dimensão do problema e das consequências do que quer que venha a acontecer amanhã. O que é o direito à “autodeterminação dos povos”?

Parece que o direito à “autodeterminação dos povos”, tal como o conhecemos, aplica-se a territórios que foram ocupados na sequência de uma invasão. A Catalunha foi invadida por Espanha? Os românticos acham que sim. Afinal, foi por um casamento, nada democrático, não sei se romântico, algures no século XV, que a Catalunha passou a fazer parte de “Espanha”.

Parece que também se aplica, o direito à “autodeterminação dos povos”, a territórios onde haja, de forma generalizada, discriminação e falta de liberdade e respeito pelos direitos humanos. A Espanha não é uma democracia? Para os defensores da independência da Catalunha, aparentemente, não. Afinal, o “Estado Espanhol” não respeita a vontade do “povo” Catalão de ser independente. E, os catalães, quererão mesmo ser “independentes” de Espanha, no sentido de se tornarem, de facto, um novo país? Ou esta é apenas uma vontade de grupos, mais ou menos, organizados de independentistas que propor-se-ão fazer tantos referendos ou consultas quantos os necessários para que, finalmente, vença essa sua vontade?

E o papel da imprensa e dos jornalistas, nomeadamente, dos portugueses na sua missão de (des)informar? É intencional, ignorante ou leviano apor o “Estado Espanhol” à “Catalunha”, na narrativa (tantas vezes, inflamada) do conflito, sempre que pretendem mostrar as diferenças de posições? Alguns jornalistas portugueses parecem embevecidos pelo “amor” que os catalães têm pelos portugueses. Afinal, gostam mais de nós do que dos “espanhóis”, não é? E nós retribuímos; afinal, de “Espanha”, nem bons ventos, nem bons casamentos…

Democraticamente, juridicamente, constitucionalmente, o “Estado Espanhol” compreende a região da Catalunha. Os catalães são espanhóis. A democracia tem regras que não se suspendem quando dá jeito. E eu gosto de viver em democracia. Afinal, é “o pior de todos os sistemas, com excepção de todos os outros”.

28.Set.17

A importância de sorrir

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"Sempre que possível, sorria a um estranho na rua. Pode ser o único gesto de amor que ele verá em todo o dia."                                                                                                             Papa Francisco

28.Set.17

Papa Francisco, o (fantástico) herege!

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De há uns anos a esta parte, vivo sem crenças religiosas, de espécie nenhuma. Por nada de especial, só porque sim. E, talvez, porque conheço ateus e agnósticos que têm mais honra, humildade, respeito pelo próximo, etc, etc, etc, num dedo mindinho do que muitos católicos-cristãos e por aí fora, em toda a sua devota vidinha repleta de grandes e pequenos pecados. Até vivo com um, há vários anos. Ateu, quero dizer.

Adiante. Andava eu tão tranquila na minha vida descrente de sobrenaturais endeusados e aparece-me o Francisco, esse Papa “herege”, na boca de alguns teólogos conservadores. E o que fez o Papa Francisco para merecer tal cognome, de homens de Deus, como ele (como ele?)? Parece que escreveu um texto onde manifesta abertura aos católicos divorciados que voltaram a casar, pasme-se! E autoriza os padres a absolverem as mulheres que tenham feito um aborto. E admite a possibilidade de ordenação de homens casados.

Bom, na verdade, os ditos teólogos não chamaram o Papa Francisco de herege. Acusaram-no, apenas, de “espalhar a heresia”. Não é bem a mesma coisa. Todos sabemos que um herege é, assim, uma pessoa contrária aos dogmas de determinada religião e, como tal, que não pratica os seus deveres religiosos. E, também todos sabemos, não há teólogo, cardeal, bispo ou padre que não viva de acordo com os ensinamentos da Igreja Católica ou que deixe, uma vez que seja, de cumprir com todas as suas obrigações e deveres, principalmente, os da castidade, da humildade e da pobreza. Não é? Pois, bem me parecia.

Por isso, compreendo a indignação destes castos representantes da fé católica. Onde já se viu, um Papa que quer abrir as portas da “sua” Igreja aos divorciados, aos homossexuais, aos mais pobres de entre os mais pobres, enfim, a toda essa gente nada “católica”.

O Papa Francisco, com a sua simplicidade e inteligência desconcertantes, e apaixonantes, e hereges!, já veio dizer que ouve muitos comentários “respeitáveis, porque são ditos pelos filhos de Deus, mas errados”. O Papa Francisco foi mais longe e parece que também disse que, o tal texto, para ser entendido, deve ser lido “de cima para baixo”, “começando no primeiro capítulo, continuando para o segundo e assim por diante, reflectindo sempre”. E, com total desplante, parece que ainda acrescentou que a teologia e a filosofia não devem ser “reflexões laboratoriais”.

Eu, que não percebo nada disto, mas tenho opinião sobre tudo, acho que o Papa Francisco terá muitos defeitos, mas há muito tempo que um Papa não me tomava um segundo, sequer, do também muito meu precioso tempo. Como há muito tempo que não ouvia falar de um Papa que tivesse abdicado de tantos “direitos” e mordomias para estar mais perto daqueles que ainda creem na Igreja Católica e que dela mais parecem precisar.

De modo que, continuo a não acreditar muito na Igreja, católica ou não, mas acredito muito nas qualidades humanas deste Papa. É perfeito? Não. Mas alguém é?

27.Set.17

Honestidade

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"Todos nós sabemos o que é uma acção desonesta, mas o que é a honestidade, isso, ninguém sabe."                                                                                                                   Anton Tchekhov

26.Set.17

Guerra e Paz

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"Não se pode conseguir uma paz verdadeira, se se basear a conduta na eventualidade dum futuro conflito."                                                                                                                    Albert Einstein

26.Set.17

O dia depois de amanhã...

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Espanha prepara-se para produzir um mártir na guerra (não sei se com aspas ou sem aspas…) com a Catalunha. Em pleno século XXI, numa democracia europeia de um país desenvolvido, pondera-se gerar um preso político e pretende-se, com isso, esmagar uma vontade que, legítima ou não, grita cada vez mais alto e não parece querer dar tréguas.

Na Alemanha, pela primeira vez depois da segunda guerra mundial, abriu-se a porta a um partido cujo líder (um deles, pelo menos) apela aos alemães para  que “reclamem o seu passado”, enquanto afirma que uma ministra de outro partido deveria ser recambiada para a Anatólia… estendeu-se o tapete vermelho aos representantes do AfD, esse partido (que dizem ser) de extrema-direita, mas que não se identifica como xenófobo, antes se considera uma “alternativa”, essa palavra tão de moda que já não sei bem o que significa.

Entretanto, Kim Jong-Un e Donald Trump continuam a trocar mimos e a brincar aos soldadinhos de chumbo. O primeiro acusa o segundo de declarar guerra à Coreia do Norte e ameaça abater bombardeiros norte-americanos mesmo que em espaço aéreo internacional. O segundo (essa alma que dispara tweets à velocidade da luz, enquanto inventa atentados terroristas na Suécia, confunde a Namíbia com a Nâmbia e evoca a mulher “ausente” que está mesmo ali ao seu lado…) responde ao “homenzinho do foguete” informando-o que “não estarão por aí por muito mais tempo”, um alívio, portanto!

Por cá, as coisas estão bem mais tranquilas. Parece que só temos um candidato racista e xenófobo, a quem (quase) todos os comentadores e cronistas dizem que não se deve dar palco, mas que falam dele todos os dias.

Assim que, nada de novo. É como dizem, tudo está bem quando acaba bem. Oh!, espera…

  

19.Set.17

Subscrevendo Henrique Monteiro: sou do género estúpido...

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A “ideologia do género” é uma expressão que passou a fazer parte do léxico comum. A “disforia do género” também.

No Canadá, um bebé de oito meses (8 meses!) recebeu um cartão de saúde sem definição de género. A “mãe” é uma “pessoa não-binária transgénero” (confuso?) e, na sua traumática experiência, os médicos, quando a própria nasceu, olharam “para os meus genitais e assumiram aquilo que eu iria ser, e essas presunções perseguiram-me a vida inteira”. O bebé terá, por isso, a liberdade de escolher de que género quer ser… Quando quiser e se quiser.

Não consigo imaginar, nem pretendo, o enorme sofrimento que representará para alguém não se identificar com o sexo, com o género?, com que nasceu. Ser um homem refém de um corpo de fêmea, sentir-se mulher aprisionada num corpo de homem. Terrível, seguramente.

A minha ignorância neste tema é tremenda e absoluta. Assumo-o, com toda a franqueza e humildade. Mas não tenho muitas dúvidas quanto à leviandade com que se pretende tratar de coisas sérias, como esta.

Os sexos masculino e feminino não são construções mentais ou experiências académicas. Os médicos não presumem que uma criança é do sexo masculino ou do sexo feminino. A ambiguidade da identidade sexual não é a regra, é a excepção. E a “excepção” não é o certo nem o errado. É a excepção. Simplesmente. Colocar a Assembleia da República a discutir um projecto-lei que, no limite, permite a um adolescente de 16 anos pedir para mudar de sexo e de nome, e processar os pais caso não lho permitam é perigoso e é leviano. Que conhecimento científico têm os deputados, por mais eruditos, para decidir sobre questões da área da saúde e da medicina? A ciência, em geral, e a medicina, em particular, deixaram de ser instrumentos para obter conhecimento através do estudo e da prática? Observar e experimentar para descrever e explicar fenómenos naturais passou a ser obsoleto? As nossas ideologias, os nossos achismos, as nossas modas, vão passar a substituir o método científico? Vamos alterar, por decreto, uma realidade para abarcar todas as liberdades?

A liberdade de escolha e o direito que todos temos de ser tratados com respeito dentro das nossas opções individuais, naquelas que não representam violações do direito do outro, evidentemente, não pode obrigar-nos a negar o que somos. E, fisiologicamente, anatomicamente, somos meninos e meninas, rapazes e raparigas, somos homens e somos mulheres. Não podemos, simplesmente, ignora-lo ou ter vergonha ou receio de o reclamar. A solução para integrar, respeitar e aceitar a diferença não pode passar por uma reeducação em massa, pretendendo que não seja “normal” um menino sentir-se menino, uma menina querer ser menina, uma mulher achar-se fêmea e um homem presumir-se macho.

Não podendo haver, e não devendo haver, um domínio absoluto da biologia sobre a nossa identidade sexual e, sobretudo, sobre a nossa liberdade sexual, deturpar essa realidade e teorizar sobre experimentalismos socio-culturais a “bem” da “liberdade” de uma criança poder decidir que quer mudar de sexo antes de se lhe reconhecer maturidade para votar ou conduzir é assustador.

“Aos 16 anos, toda a gente sabe o que é e o que quer”, afirmou um médico e sexólogo clínico, ao Observador, acerca desta temática. Sabe? Fazendo minhas as palavras de Henrique Monteiro, há dias, no Expresso, devo ser eu, que sou mais do género estúpido…

15.Set.17

Somos prisioneiros e temos medo.

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As carrinhas dos carabinieri alinhavam com os impressionantes blindados militares. As metralhadoras suspensas dos ombros apontavam para o chão, mas os homens agarravam-nas firmemente em posição pronta a levantar e disparar. O aparato militar, muito maior que o policial, era brutal. Nas ruas, nas estações de metro, à porta de qualquer edifício governamental ou de interesse turístico, o que, naquela metrópole, significava, literalmente, em cada canto e recanto. Apenas aquela espécie de pompom que compunha o gorro vermelho dos militares fardados a rigor conferia alguma suavidade à hostilidade do cenário. Um adereço quase infantil num conjunto adverso, agressivo, oponente. Omnipresente.

A sensação de estarem em guerra atingiu-os mais violentamente do que nunca. Uma guerra silenciosa, na maioria das vezes. Uma guerra que, para eles, ainda aparecia apenas nos écrans de televisão ou nas páginas dos jornais. Uma guerra que ainda não os estropiara fisicamente nem lhes roubara nenhum ser querido; mas uma guerra de civilizações, um choque que já não cabia nas páginas do livro do Samuel, antes, irrompera pelas ruas e tomara-as de assalto. Tomara-os a todos de assalto.

O cenário deu forma à prisão das palavras para onde eles, os ocidentais, se foram deixando arrastar ao longo de anos. Esse politicamente correcto que os amputou da identidade e da riqueza da diferença, que os espoliou da paixão de discordar porque não! e concordar porque sim! e os obrigou a um permanente e insípido talvez, a bem de uma paz pálida, oca e chocha, esventrada de cores e de credos.

Que tontos se sentiram! A realidade ria-se deles, escarnecia, às gargalhadas. E, ali mesmo, sem compaixão nem piedade, roubou-lhes a ilusão da liberdade que julgavam ter e impôs-lhes o medo que gritavam não possuir.

14.Set.17

Hoje, é dia das mulheres!

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Não sou “feminista”, assumo. Ainda gosto quando um cavalheiro me cede a passagem no elevador. Mas, já fico furiosa quando pretendem “ajudar-me” a estacionar. Manias. Como qualquer mulher que se preze, vá lá uma pessoa entender-me…

A expressão “empoderamento feminino” não me exorta particularmente. Talvez porque sou uma privilegiada, vivo num país que, apesar de muitos defeitos, ainda é livre, naquilo que a liberdade representa actualmente. E, também, porque nunca o tratamento diferenciado que, evidentemente, já senti por ser mulher foi ofensivo o suficiente para me fazer sentir diminuída como pessoa, o que não quer dizer que não me tenha apetecido já “ir às trombas” a alguém.

Adiante. Mesmo não sendo freneticamente feminista, alegro-me sempre que uma mulher conquista algo mais. Por isso, declaro que hoje é dia das mulheres! De todas, mas, particularmente destas três, que conheci nos últimos dois ou três dias. Ou melhor, conheci parte das suas histórias.

Alexandra é uma jovem de 21 anos que estuda Direito em Inglaterra. Para ajudar uma outra portuguesa residente em Londres há vários anos, uma senhora de 69 que tinha sido ludibriada por consórcio britânico de advogados, a Alexandra arriscou. Aparentemente os “sôtores” apoderaram-se (ou tentaram, até chegar a menina Alexandra!) das 170 mil libras de indemnização que a senhora recebeu, mas não recebeu, na sequência de um acidente que a terá deixado parcialmente incapacitada. A “nossa” Alexandra não se deixou intimidar, encheu-se de conhecimento, dedicação e coragem e enfrentou a “Hansen Palomares Solicitors”. E, sabem que mais? Ganhou. Pois é. A dona Ângela vai poder, finalmente, usufruir do dinheiro a que tem direito, mas que não lhe queriam dar! Grande Alexandra!

E o que dizer da Sabrina? A Sabrina é uma física americana de 24 anos. Devia ser proibido ter 24 anos e, ainda por cima, ser física. Mas não é. E como a Sabrina tem muita lata, aos 14 anos construiu um avião que pilotou pela primeira vez ao 16! É preciso ter descaramento! A Sabrina graduou-se em Física, com a nota máxima, no Massachusetts Institute of Technology e, actualmente, é estudante de doutoramento na Universidade de Harvard. Ou isto é uma daquelas novas e apelativas fake news, ou também é grande, a Sabrina!

Da última mulher, não sei o nome. Mas, esta, é bastante mais velha que as outras duas. Tão velha que já se está nas tintas para a atenção que lhe possamos prestar ou não, mas o que é justo, é justo. Quando o seu esqueleto foi encontrado presumiu-se que era de um guerreiro Viking. Um homem, claro, porque, no mesmo túmulo, foram encontrados os esqueletos de dois cavalos de guerra, uma espada e setas e, já se sabe, as mulheres vikings gostavam mais de ficar em casa a tomar conta dos filhos, a limpar o pó e a cozinhar. Mas, afinal, os testes de ADN vieram confirmar que o guerreiro era mesmo uma mulher.

Já dizia Einstein: “há uma força motriz mais poderosa do que o vapor, a electricidade e a energia atómica: a vontade”!

Um bom dia a todas as mulheres deste mundo!

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