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naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

11.Ago.17

Chamam-lhes "caixas de comentários"...

naomedeemouvidos

Tenho uma relação de amor-ódio com as caixas de comentários de algumas publicações. Com algumas daquelas que ainda resistem, diga-se, porque muitos jornais e revistas on-line, como o Público, o Expresso ou a Visão, acabaram com essa espécie de palco de bullying virtual, onde uma assustadora fatia de comentadores coléricos se diverte (imagino eu) a vomitar ódios e insultos contra tudo e contra todos, verdadeiros hooligans do vernáculo mais descarado e despropositado.

O delírio é tal que basta ler duas linhas do que expelem esses ditos “comentadores” para perceber que, na maior parte das vezes, nem se deram ao trabalho de ler o que se propõem “comentar”. Para esta turba maledicente é suficiente olhar para o nome que assina a crónica (ou de quem assina um outro comentário) para dar largas à imaginação e mergulhar numa orgia de enxovalhos, capaz de enervar o escritor mais bonançoso. A crónica mais inócua sobre o tema mais inofensivo é capaz de desencadear a mais indignada das reacções destes verdadeiros cruzados da violência verbal, de modo que, o que começou como uma tentativa de promover o debate, a troca de ideias, a argumentação em torno do conhecimento nas suas diferentes formas entre quem opina e quem lê e crítica, rapidamente se transformou num antro de degradantes ataques pessoais. A tentativa mais bem-intencionada de promover discussões construtivas entre os diferentes interlocutores cai rapidamente para o chamado whataboutery, termo que só há pouco conheci, mas que define na perfeição o exercício a que muitos se dedicam: se eu escrevo um artigo sobre “árvores de fruto”, porque é que não falo de “ervas aromáticas”?, tenho alguma coisa contra as ervas aromáticas?, vê-se logo que sou xenófoba (ah, pensavam que a palavra não se aplicava, não era, vão lá ler comentários…)!

A psicologia é capaz de explicar, pelo menos, em parte a necessidade de alguém vir despejar, a coberto do anonimato ou, pelo menos, sem mostrar a cara, injúrias a torto e a direito. Deve funcionar como um escape, digo eu. Mas, numa coisa, nós portugueses, aparentemente, somos mais justos. Parece que insultamos igualmente e com a mesma intensidade, homens e mulheres, religiosos e não religiosos, brancos e pretos, homossexuais e heterossexuais, nacionais e estrangeiros, novos e velhos, enfim, no que toca à ofensa, somos do mais igualitário que há!

 

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