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naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

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Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

13.Jul.17

GalpGate

naomedeemouvidos

Faz-me sempre uma enorme confusão como é que pessoas com responsabilidades políticas defendem, sem corar e sem rir à gargalhada, práticas que, não sendo propriamente ilegalidades judiciais, são, sem dúvidas, ilegalidades éticas e, por vezes, morais.

Vem isto, de momento, a propósito do já chamado “Galpgate”. A saber, o senhor ex-secretário de estado dos assuntos fiscais aceitou que a Galp lhe pagasse viagens (parece que duas) para ver jogos da selecção portuguesa no Euro 2016, além dos respectivos bilhetes. Parece que, na altura, o fisco teria um contencioso com a Galp na ordem dos 100 milhões e, também parece, que esse valor vai agora nos 240 milhões. Ora, dentro das competências do senhor ex-secretário de estado dos assuntos ficais (eu escrevia em letras maiúsculas, mas, aparentemente, o cargo não merece tanta deferência), também parece que lhe caberia a ele a gestão deste contencioso. Mas quem é que, no seu perfeito juízo, vai imaginar que exista aqui algum conflito de interesses? Pois. É como quando alguém nos deve muito dinheiro e depois nos convida para jantar uma bela mariscada: nós aceitamos (parece que é tradição), mas ficamos na mesma à espera que nos paguem a dívida. Duplo pois.

 

Também gosto que, sem se engasgarem, estes senhores se entretenham a discursar de forma elaborada, abusando das figuras de estilo e dos comentários jocosos e, muitas vezes, roçando o insulto. Tudo isto, nas bancadas do parlamento (eu escrevia em letras maiúsculas, mas… pois) ou nas comissões de inquérito, com o único objectivo de protelar e desviar atenções daquilo que verdadeiramente importa.

 

Rocha Andrade insiste que não cometeu nenhum ilícito (e, de forma enfadada, entre o arrogante e o paternalista, lá vai “respondendo” às perguntas incómodas da não menos incómoda deputada Cecília Meireles, numa comissão de inquérito que, em abono da verdade, não tem que ver com este tema). Ilícito, talvez não, mas como é que diz aquele ditado? “À mulher de César não lhe basta ser honesta, deve PARECER honesta.” Pois.

 

A Galp, por sua vez, também não cometeu qualquer ilícito. Parece que é “tradição” ou “prática tradicional” convidar governantes para o futebol. E sem esperar nada em troca, apenas por amor à pátria, bom, à selecção, mas parece que é a mesma coisa. Pelo que, estamos todos muito mais descansados. Viva o futebol e venha lá, mas é, outro campeonato!