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naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

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Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

04.Ago.17

(Outro!) Acidente com aeronave

naomedeemouvidos

Ultimamente têm sido frequentes os incidentes e os acidentes com aeronaves. Já depois da recente tragédia na Caparica, ouvi mais duas notícias, a última das quais, na Suíça onde três pessoas morreram.

Quando, destes acidentes, resultam mortes completamente alheias à situação, à compaixão para com as vítimas e as suas famílias junta-se, demasiadas vezes, a revolta popular. Os ânimos exaltam-se, todos têm algum juízo a fazer e logo uma turba isenta de pecado, com as almas mais limpas que a de Nosso Senhor Jesus Cristo, reclama o justíssimo olho por olho, dente por dente, vida por vida. A tragédia a somar à tragédia, como se daí resultasse algum consolo para quem perdeu os seus entes queridos de forma tão absurda.

Evidentemente, urge encontrar respostas, apontar responsabilidades e exigir castigo. Se alguém perder o controlo do seu carro, subir um passeio e matar outro alguém, não pode sair impune, à mercê apenas(?) da sua própria expiação e arrependimento, mesmo que a sentença própria nos martirize mais, por vezes, do que a do tribunal. Exige-se, naturalmente, a justiça dos homens, proporcional ao acto. E é neste “proporcional” ao acto que a sociedade se divide amiúde, mais ou menos freneticamente. A falta de altruísmo será crime? Todos somos capazes de pensar no outro antes de pensarmos em nós próprios? O piloto do cessna 152, na fatídica quarta-feira passada, pensou em salvar a sua vida, independentemente das consequências para a vida dos outros? E, se o pensou, foi cobarde?

Actos de heroísmo não estão ao alcance de qualquer um. O que leva alguém a pôr em risco a sua própria vida para salvar a de outrem? Quem tem o sangue frio, o desapego de pensar, em escassos segundos, se fizer a) morro eu, se fizer b) posso matar alguém, logo, escolho a)?

Gosto de pensar que todos temos o nosso quê de grandiosidade moral que nos permite tomar decisões de vida ou morte em prol dos outros, em algum momento da nossa vida, mas, não, isso não está ao alcance de todos.