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naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

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Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

17.Jul.17

Significado de "normal"

naomedeemouvidos

Normal: conforme à regra ou à norma; regular; habitual; ordinário.” Infopédia.

Vem isto a propósito das recentes declarações de Gentil Martins, numa entrevista ao jornal Expresso. O médico declarou que a homossexualidade é uma “anomalia”. E eu, na minha enorme ignorância, pergunto: não é? O “regular”, “habitual”, “ordinário”, “conforme à regra ou à norma” não é a heterossexualidade?

Quero, com isto, dizer que os homossexuais devem ser “tratados”, “desrespeitados”, “ignorados”, “ostracizados”, ou outras coisas que tais? É evidente que não! Todos temos o direito a viver, civilizadamente, de acordo com as nossas opções, características, crenças, etc. Mas teremos todos de dizer, aceitar, acreditar que o “anormal” é amar alguém do sexo oposto? Ou que é tão “ordinário” ter uma relação homossexual como uma relação “heterossexual”? Vamos todos, por decreto, ser obrigados ter a mesma opinião sobre a homossexualidade? Ou sobre as “barrigas de aluguer”?

As preferências sexuais de cada um só a si dizem respeito. Devem ser respeitadas, mas não têm que ser impostas aos outros. Ter o direito de não achar normal a homossexualidade e ter a obrigação de respeitar e fazer respeitar o mesmo direito a amar alguém do mesmo sexo são posições incompatíveis? Eu acho que não, e não vejo nisso grande motivo para indignações viscerais. Muitos “toleram” a homossexualidade; na realidade, não a consideram em pé de igualdade com a heterossexualidade. É mais uma hipocrisia, um ardil para caberem dentro do politicamente correcto, sem terem que se alongar muito em discussões.

O respeito pelo outro não está condicionado à concordância sobre todos os aspectos que formam a nossa personalidade. O tédio que seria se todos pensássemos da mesma maneira!

Não sei se o dr. Gentil Martins se terá excedido na forma como expressou a sua opinião. É possível que sim. Mas não deixa de ser sintomático do histerismo em que vivemos, que haja mais gritaria pelas declarações públicas de um médico sobre homossexualidade ou barrigas de aluguer, do que pelas vítimas de erros médicos ou de simples negligência, como os que têm vindo a público amiúde nos últimos tempos. Quantas vozes de indignação se levantaram, entre a classe médica, quando o David morreu depois de (creio que) quatro dias à espera de uma cirurgia urgente que nunca chegou a realizar-se, porque era fim-de-semana e não havia uma equipa médica competente no local? Quantos mais se revoltaram, vigorosa e publicamente, quando a Cláudia perdeu o bebé, depois de uma hora e meia à espera de assistência num hospital público?

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