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naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

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Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

19.Set.17

Subscrevendo Henrique Monteiro: sou do género estúpido...

naomedeemouvidos

A “ideologia do género” é uma expressão que passou a fazer parte do léxico comum. A “disforia do género” também.

No Canadá, um bebé de oito meses (8 meses!) recebeu um cartão de saúde sem definição de género. A “mãe” é uma “pessoa não-binária transgénero” (confuso?) e, na sua traumática experiência, os médicos, quando a própria nasceu, olharam “para os meus genitais e assumiram aquilo que eu iria ser, e essas presunções perseguiram-me a vida inteira”. O bebé terá, por isso, a liberdade de escolher de que género quer ser… Quando quiser e se quiser.

Não consigo imaginar, nem pretendo, o enorme sofrimento que representará para alguém não se identificar com o sexo, com o género?, com que nasceu. Ser um homem refém de um corpo de fêmea, sentir-se mulher aprisionada num corpo de homem. Terrível, seguramente.

A minha ignorância neste tema é tremenda e absoluta. Assumo-o, com toda a franqueza e humildade. Mas não tenho muitas dúvidas quanto à leviandade com que se pretende tratar de coisas sérias, como esta.

Os sexos masculino e feminino não são construções mentais ou experiências académicas. Os médicos não presumem que uma criança é do sexo masculino ou do sexo feminino. A ambiguidade da identidade sexual não é a regra, é a excepção. E a “excepção” não é o certo nem o errado. É a excepção. Simplesmente. Colocar a Assembleia da República a discutir um projecto-lei que, no limite, permite a um adolescente de 16 anos pedir para mudar de sexo e de nome, e processar os pais caso não lho permitam é perigoso e é leviano. Que conhecimento científico têm os deputados, por mais eruditos, para decidir sobre questões da área da saúde e da medicina? A ciência, em geral, e a medicina, em particular, deixaram de ser instrumentos para obter conhecimento através do estudo e da prática? Observar e experimentar para descrever e explicar fenómenos naturais passou a ser obsoleto? As nossas ideologias, os nossos achismos, as nossas modas, vão passar a substituir o método científico? Vamos alterar, por decreto, uma realidade para abarcar todas as liberdades?

A liberdade de escolha e o direito que todos temos de ser tratados com respeito dentro das nossas opções individuais, naquelas que não representam violações do direito do outro, evidentemente, não pode obrigar-nos a negar o que somos. E, fisiologicamente, anatomicamente, somos meninos e meninas, rapazes e raparigas, somos homens e somos mulheres. Não podemos, simplesmente, ignora-lo ou ter vergonha ou receio de o reclamar. A solução para integrar, respeitar e aceitar a diferença não pode passar por uma reeducação em massa, pretendendo que não seja “normal” um menino sentir-se menino, uma menina querer ser menina, uma mulher achar-se fêmea e um homem presumir-se macho.

Não podendo haver, e não devendo haver, um domínio absoluto da biologia sobre a nossa identidade sexual e, sobretudo, sobre a nossa liberdade sexual, deturpar essa realidade e teorizar sobre experimentalismos socio-culturais a “bem” da “liberdade” de uma criança poder decidir que quer mudar de sexo antes de se lhe reconhecer maturidade para votar ou conduzir é assustador.

“Aos 16 anos, toda a gente sabe o que é e o que quer”, afirmou um médico e sexólogo clínico, ao Observador, acerca desta temática. Sabe? Fazendo minhas as palavras de Henrique Monteiro, há dias, no Expresso, devo ser eu, que sou mais do género estúpido…

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