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A matemática fora dos livros.

por naomedeemouvidos, em 19.09.18

     Não tenho o hábito de falar sobre a minha profissão neste blog, apenas porque não foi a pensar nisso que o criei. Mas, como estamos mesmo a começar um novo ano escolar, estava eu a pensar em novas estratégias e a delinear novas formas de abordagem para ajudar os meus explicandos - adolescentes, muitas vezes, desencantados com a Física, Química e Matemática (que horror!!!!!!) - quando me lembrei que ainda não tinha visto nenhum vídeo da Inês Guimarães. Senti-me algo envergonhada, uma vez que o projecto existe há algum tempo e encaixa na minha área de trabalho. Mas, como vale mais tarde do que nunca...lá fui.

     Para quem ainda não sabe quem é a Inês Guimarães, também não vou explicar muito. Vou, apenas, deixar este link, só para espicaçar a curiosidade e porque toda a gente sabe o que é um trinângulo, certo? Ummm... Ah, e dizer que, há cerca de dois anos, creio, a Inês criou o MathGurl, um canal de youtube onde a matemática ganha uma dimensão fora dos enfadonhos manuais escolares e das paredes de muitas escolas.

      Se tem filhos em idade escolar, nomeadamente, 9º ano para cima, mostre-lhe alguns destes vídeos; não dói nada e é capaz de se surpreender.

     Eu, decididamente, vou mostrar alguns dos vídeos do MathGurl aos meus explicandos, partindo, daí, para a tal análise inevitável dos programas escolares, consciente de que posso fazer mais e melhor com esta ajuda.

     E, já agora, porque não dar mais visibilidade ao projecto desta miúda, na comunicação social? Não rende tanto como a Cristina Ferreira, é um facto, mas, se calhar, valia a pena arriscar. Digo eu, que, como a Inês, também só tenho um neurónio...

 

 

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O preconceito (é) de quem vê(?).

por naomedeemouvidos, em 16.09.18

      Já passaram, creio que, cinco dias desde a primeira publicação do tal cartoon de Serena Williams. Como toda a gente já sabe, o autor, Mark Knight, foi severamente acusado de racismo e sexismo e, segundo li algures, sentiu-se mesmo obrigado a suspender a sua conta no Twitter, tal seria a natureza das críticas que começou a receber.

      A primeira vez que vi a notícia sobre o cartoon (penso que logo no dia em que foi publicado), o rótulo já vinha colado. Ainda assim, não reparei, na altura, num pormenor: o facto de a adversária de Serena Williams ter sido retratada como uma mulher loira, apesar de Naomi Osaka ser uma “haitiana-japonesa”. Vi, apenas, o grande plano e a piada do árbitro. Vi, apenas, uma sátira humorística ao comportamento de Serena Williams e não uma tentativa de humilhação a uma atleta pelo facto de ela ser mulher e ser negra.

      Acabei por esquecer todo o ruído à volta do tema, consciente de que Serena Williams é uma atleta de excepção, que foi, muitas vezes, vítima de preconceitos e insultos, que se fez a ferro e fogo, mas que, naquele dia, em particular, esteve muito mal. Acrescia, ainda, o facto aparentemente unânime e, portanto, incontestável de Carlos Ramos ser um árbitro implacável, mas justo e rigoroso, que já castigou severamente outros tenistas, incluindo homens.

      Hoje, ao ler uma outra opinião acerca do assunto, no jornal The Guardian, voltei a deparar-me com a referência ao retrato de Naomi Osaka: demasiado branca e demasiado loira.

      Fui ver, outra vez, o cartoon. De facto, a tenista a quem o árbitro pergunta (candidamente?, impacientemente?, asperamente? – poderia haver aqui espaço para outra discussão) “can you just let her win?”, não se parece muito com Osaka. Qual foi o propósito? Foi intencional? E será este o pormenor que torna o cartoon racista? Porque, a mim, talvez por ingenuidade, não me parece racista que a Serena apareça com os seus traços de mulher negra, mesmo estando exagerados; afinal, não é o que também se faz, num cartoon, exagerar os traços físicos do retratado, seja um cabelo desgrenhado, umas mamas generosas, uns olhos tortos, uma orelhas grandes, um rabo proeminente? E se o cartoonista australiano tivesse, ao contrário, esbatido os traços de mulher negra de Serena Williams, seria acusado de quê?

     Decidi procurar um outro olhar.

    Desde que sou mãe, nunca mais deixei de me surpreender – e deliciar – com a sabedoria pura e bruta das crianças. Menosprezar a sua argúcia e lucidez é um acto de enorme estupidez e arrogância, ainda que, por vezes, o façamos de forma inconsciente e sem segundas intenções. Por isso, chamei o meu filho (11 anos) e perguntei-lhe se ele sabia o que é um cartoon. Respondeu que sim, que era “assim, tipo, um desenho”. Mais ou menos, mas, de momento, chegava-me. Depois, perguntei-lhe se ele sabia com que objectivo alguém desenhava um cartoon. A não ser para se divertir e passar o tempo, não, não sabia. Expliquei, brevemente, que um cartoon podia ser uma forma de crítica e intervenção social e/ou política, como a música, ou a arte em geral, como quando lhe explico a dimensão das mensagens musicadas de Zeca Afonso, por exemplo. Percebeu. Perguntei, ainda, se ele tinha ouvido, recentemente, alguma coisa sobre uma tenista chamada Serena Williams. Não. Então, mostrei-lhe o cartoon e perguntei-lhe o que via e que mensagem achava que estava a ser transmitida. Observou, em silêncio, durante uns segundos. Percebe inglês suficiente para entender o completo significado da frase no desenho, pelo que, não precisou de qualquer ajuda. A seguir, respondeu que o cartoon era sobre “esta” senhora (apontando para Serena Williams), que está a fazer uma birra e, por isso, está com o cabelo todo pfff (gesticulou); partiu uma raquete e a chupeta é porque lhe estão a chamar bebé; por causa da birra”. Pedi-lhe para descrever, fisicamente, as duas mulheres, na imagem. “Esta é mais gorda, esta é mais magra; esta é uma mulher negra, esta é branca.” Curiosamente, não referiu que a mulher branca era loira até eu insistir em mais pormenores físicos, para distinguir as duas. Finalmente, perguntei-lhe a sua opinião acerca da crítica que o autor pretendia fazer, com o cartoon: “à atitude dela”. Uma crítica à atitude de Serena Williams. Olhei para ele, acho que inconscientemente, à espera de mais qualquer coisa e, então, encolheu os ombros e disse-me, com alguma impaciência, “O quê? O que queres que te diga mais?”.

      O que é que há mais, de facto, se tinha sido exactamente isso que eu tinha visto, inicialmente?

      Não pretendo ser ingénua ao ponto de não perceber que, muitas vezes, o diabo está nos detalhes e que há formas bem subtis, por vezes, com rasgos de uma perversa elegância, de insultar, humilhar e desprezar o outro. Seja com base no sexo, na cor, na orientação sexual, na religião, enfim, com base em qualquer diferença que nos incomode ou ameace. E é fundamental estarmos conscientes dessas abomináveis subtilezas para nos podermos defender e, sobretudo, lutar contra todas as formas de discriminação. Mas podemos, ao menos, tentar fazê-lo com inteligência e sem histerismos?

      Não sei se Mark Knight retratou uma Osaka loira para humilhar uma Williams negra, mas sei que muitos, como eu (e o meu filho) viram apenas uma crítica, sem cor, sem raça, sem sexo, à atitude e que haverá sempre alguém que, a coberto de seguidismos acéfalos e modas instantâneas.net, verá sempre ameaças mesmo onde elas não existem.

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"Está dito"; e, normalmente, surge no Expresso...

por naomedeemouvidos, em 15.09.18

            “Meu caro, se fossem poderosos, não iam para a cadeia.”

Diga lá outra vez…?

            João Araújo saiu-se com esta, no programa Expresso da Meia Noite desta sexta-feira. Estava a ser interpelado sobre o sentimento geral, verdadeiro ou não, da população portuguesa acerca do fim da impunidade dos poderosos que parece ter-se colado aos elogios ao trabalho de Joana Marques Vidal. Ricardo Costa afirma, então, e como suposto exemplo, que, nos próximos meses, os portugueses poderão vir a assistir à prisão efectiva de Duarte Lima e Armando Vara e que não estamos habituados a ver “pessoas altamente poderosas” a ter de cumprir pena de prisão efectiva. E é aqui que, enquanto Marinho e Pinto se contorce, na poltrona em frente, franzindo o sobrolho com alguma incredulidade, em tom de “o que é que estás para aí a dizer, Ricardo?”, o algo abrutalhado e muito contundente João Araújo arremessa a supracitada, sem dó nem piedade, com a desenvoltura singela de quem constata o que é óbvio por si mesmo, como uma verdade de La Palice, mas sem erro de interpretação.

            Não sei se fico mais estarrecida com a confirmação descarada que a frase encerra ou com o facto de a sua verbalização não ter provocado uma interpelação assertiva, dos seus interlocutores, sobre o alcance do seu significado. Bernardo Ferrão ainda demora uns segundos a digerir a coisa, suponho, mas não vai além de um tímido “se calhar é isso que Joana Marques Vidal está a conseguir acabar”.

            Vou tomar qualquer coisinha, a ver se me acalmo que, se calhar, é impressão minha e aquilo não é tão grave assim. Como é que diz a Ana Bola? Já me enervei…e também não vou lá com chás nem infusões, palpita-me.

             Ah, e talvez também me choque o veredito prévio e em directo do Ricardo...estou bastante confusa. 

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Mamã, és feminista?

por naomedeemouvidos, em 13.09.18

     “C’um carago!”, como diria o meu pai. Com tanta coisa para me perguntar, e tinha que vir isto! Não podia ser algo mais pacífico, tipo, porque que é que a Terra é redonda, mais ou menos, ou se os meninos podem usar cor-de-rosa e as meninas, jogar à bola? Se sou feminista? OMG! E já sei que o miúdo não se contenta com respostas assim-assim. Desde tenra idade, dizia-me, “mamã, não fales para trás, fala para a frente”, quando percebia que as minhas respostas às suas perguntas mais estapafúrdias, tendo em conta a idade, estavam a “enrolá-lo”. Como quando nunca desistiu de perguntar para onde vai o Sol à noite, até a resposta fazer sentido, naquela cabecinha curiosa. O “vai dormir” nunca o convenceu, “mas, é preciso uma cama muito grande…para onde vai o Sol?”, insistia. Ainda não tinha ele três anos e vi-me obrigada a pegar em duas bolinhas de brincar e “explicar-lhe” o movimento de rotação da Terra. “Vês esta bolinha? É o Sol. Imagina que é uma lâmpada sempre acesa. E, agora, esta é a Terra, que gira, assim, à roda de si mesma, como uma bailarina. Vês? Aqui há luz, ali não há. Agora, aqui é noite, daquela lado é dia”, “Ah!, e agora nós vamos dormir e os meninos do outro lado da Terra, estão a acordar, não é, mamã?”. Nesse dia, também eu recebi uma lição. Nunca devemos subestimar a inteligência das crianças e, sobretudo, nunca devemos tentar enganá-las!

     Mas, estava eu a falar de feminismo. Ele está a olhar para mim; como um inquisidor, de olhos arregalados (se vissem o tamanho dos olhos do meu filho, saberiam quão assustador pode ser…), armado da sua mais intimidatória e obstinada curiosidade de criança.

     A verdade é que eu não sei se sou feminista. Sofro de uma data de pecados de que, aparentemente, as feministas a sério estão isentas. Maquilho-me todos os dias, nem que saia apenas para despejar o lixo ou comprar pão (ok, ok, um dia ou outro, muuuuuuito excepcionalmente, saio de cara lavada). Uso saltos, no mínimo, de 10 cm, a não ser que vá à praia ou perder-me, voluntariamente e maravilhada, pelas ruas das cidades, aldeias ou vilas que gosto de visitar e conhecer nas férias. Tenho as unhas pintadas e mais compridas do que que qualquer tipo de feminismo permite, suponho. Fico furiosa se um homem pretender dar-me lições de estacionamento, mas não se pretender ceder-me a vez ao entrar no elevador. Não admitiria que o meu marido não partilhasse das tarefas domésticas, mas espero que me “proteja” de toques indesejáveis quando utilizamos transportes públicos atulhados. Já estive para levar na tromba, de um homem!, num parque de estacionamento (porque não consenti que me tirasse o lugar), mas sou absolutamente contra todas as formas de discriminação e, portanto, com base no género também. Nem todos os piropos me provocam repulsa ou sentimentos de humilhação, mas todas as formas de aproximações físicas indesejadas e/ou não consentidas dão-me náuseas. Não gosto de ver ninguém a chorar, mas, se for um homem, incomoda-me mais, como se a dimensão do sofrimento masculino fosse insuportavelmente maior. Abomino todas as formas de abuso e assédio, mas não me sinto assediada por uma “boca de rua”, mesmo a mais foleira ou ordinária, embora, finja sempre que não ouço. Já lido mal, muito mal, quando me julgam pela minha aparência, como se a competência e a inteligência fossem inimigas do bom-ar. Adoro as diferenças entre homens e mulheres, mas sou a favor da igualdade. Por isso, acho que sim, sou feminista.

     “Mamã, eu acho que tu não és feminista…”

     WTF! Mas o que é que te andam a ensinar na escola? Olha que te ponho de castigo até atingires a maioridade, ouviste?!

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Mau Feitio: Não é Defeito...É Feitio!

por naomedeemouvidos, em 13.09.18

       “A moderação é uma coisa fatal (...). Nada tem mais sucesso do que o excesso”. De modo que, vários homens e mulheres de sucesso têm, de quando em vez, os seus genuínos e apopléticos excessos. Os atletas e desportistas de topo, por exemplo, manifestam, muitas vezes, esses dramáticos excessos com explosões de personalidade, adrenalina e testosterona, sendo que – estando a Biologia a aproximar-se do género ciência oculta – a última já há muito deixou de pertencer exclusivamente ao género masculino.

      Desde partir raquetas e insultar árbitros, a pontapear ou socar adversários e (porque não??) apertar o travão dianteiro da mota de um outro piloto, em pista e a uma velocidade, assim, parece que, a mais de 200 km/h, vale de tudo porque o mundo da competição não é para meninos. Nem para meninas. Ou, pelo menos, não é para meninos e meninas bem educados; craque que é craque deve possuir, e exibir!, a sua boa dose de mau feitio.

       Mas, como há castigos mais exemplares do que outros, porque os excessos também não são todos iguais, Romano Fenati, piloto italiano de 22 anos, foi suspenso, desclassificado, despedido e perdeu a sua licença de competição, depois de se ter vingado do colega que também já tinha sido mau para ele, durante a prova de Moto2 em San Marino. Agora, Fenati vai voltar a estudar para ver se aprende a arte de como não estragar, de forma estúpida e em poucos segundos, uma carreira promissora.

            Imagino que, como habitualmente, ainda muita água há-de correr. Afinal, exibições violentas de anti-desportivismo são, como muitos dizem, a “imagem de marca” de muitos atletas e ainda se vai defender que o miúdo, coitado, não merece, porque palermas são como os chapéus: há muitos. De preferência, belos, moderadamente limpos, mas eternamente maus.

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   Bem sei que está na moda a eterna e benevolente (às vezes, arrogante) tolerância por todas as formas do que quer que seja, desde a de expressão à da liberdade de debitar cretinices várias, umas inofensivas, outras, nem por isso. De tolerância em tolerância, de opinião em opinião, de liberdade em liberdade, confundindo direitos com embustes e minorias com sofisticados impostores, vamo-nos encarregando de destruir uma civilização que construímos e que a generalidade de nós estima. Infelizmente, para manter essa civilização, há que respeitar um conjunto de regras. Uma delas implica usar a cabeça para pensar com base em factos; para, por exemplo, poder distinguir entre ciência e crendice saloia, mesmo que a última possa ser muito mais apetecível. Observamos, colocamos uma questão, formulamos uma hipótese, fazemos uma previsão baseada na hipótese, testamos a previsão e usamos os resultados para tirar conclusões. Assim avança o conhecimento baseado no método científico. É infalível? Não. Mas é inteligente. Um pouco maçador, por vezes, sem o glamour e o ímpeto apaixonado e apaixonante dos achismos do momento e magnificência avassaladora da vida nas redes sociais. Mas permitiu-nos feitos extraordinários. Não fosse a ciência aliada à tecnologia, muitos dos indignados e defensores acérrimos de todas as formas de opinião não teriam como ocupar as suas maravilhosas (e intermináveis!) horas livres.

   Ora, vem isto a propósito de quê? Bom, de há uns anos a esta parte, a propósito de quase tudo e mais alguma coisa, desde os muito chiques movimentos anti-vacinas à exaltação portuguesa da cultura cigana determinando que uma rapariga de 15 anos não estará abrangida pela escolaridade obrigatória porque, entre outras coisas, “possui as competências escolares básicas, por necessárias, ao desenvolvimento da sua actividade profissional” e à “integração social no seu meio de pertença”. Fantástico. Mas, no momento, vinha a propósito da discussão sobre se uma Universidade prestigiada, como a do Porto, onde, por sinal, me licenciei em Química, deveria ou não dar palco a um conjunto de “pessoas cientificamente muito válidas” que negam que o problema do aquecimento global esteja directamente relacionado com a actividade humana. “É um facto que não existem alterações climáticas provocadas pelo homem”, defende o meteorologista britânico Piers Corbyn. É? Por seu lado, Nils-Axel Mörner não tem dúvidas ao afirmar que o aumento dos níveis da água do mar não tem nada a ver com o degelo dos glaciares, mas com outros factores, como “a velocidade a que a Terra gira”; e, quando confrontado com dados que contrariam a sua versão, responde que (em 2003) “o registo de altimetria de satélite foi misteriosamente alterado de forma a sugerir um aumento abrupto do nível do mal de 2,3 milímetros por ano… Isto é um escândalo”, embora não haja qualquer prova deste “escândalo” conspirativo. É verdade que muitas destas pessoas têm formação académica; são geógrafos, engenheiros, professores universitários. Mas também já ouvi gente com formação em Química, que é a minha área, falar na memória da água para defender os benefícios da homeopatia, por isso…

   Mas, deve ou não deve a Universidade do Porto, ou outra qualquer Universidade de referência, promover conferências como esta? Eu penso que não. Não que eu seja a favor de calar vozes discordantes, como acusam muitos dos nossos mais ilustres intelectuais, mas porque, como dizia, há uns tempos, Barak Obama, numa conferência, “se eu disser que isto é um púlpito e vocês disserem que é um elefante, começamos a discutir por onde?” Pois.

     Afirmar que uma maçã é uma pêra ou que uma azinheira não é uma árvore, que o branco é preto ou que o preto é branco, não é opinião, não é liberdade de expressão, é o absurdo da imbecilidade e não serve como ponto de partida a uma discussão séria.

   Criticar as políticas de Israel é uma opinião que pode e deve ser discutida, negar o holocausto é estúpido. Manifestar preocupação com possíveis efeitos secundários de vacinas pode e deve ser discutido, negar o enorme avanço em termos de saúde que os planos de vacinação representam é, no mínimo, grosseira ignorância. Discutir até onde a actividade humana afecta o efeito de estufa é uma opinião que pode e deve ser discutida, negar que essa actividade contribua para o aquecimento global é idiota e lamento que a “minha” Universidade tenha dado espaço à promoção dessa idiotice.

   Ao promover, acriticamente, todas as formas de expressão, começámos a confundir o que não pode ser confundido e a comparar o que não é comparável, dando lugar a um histerismo em massa, amplamente difundido pelas redes sociais onde tudo se propaga a um ritmo vertiginoso. E, se são admiráveis a facilidade e a rapidez com que podemos consultar um livro de referência, um artigo competente, uma imagem icónica, um estudo sério, uma notícia cor-de-rosa, um mexerico de famosos ou as últimas tendências de moda, é assustador a lavagem cerebral a que nos permitimos por recusarmos dizer basta com medo de sermos acusados de intolerância.

   Há uma forma boa, ou útil, de censura? Não sei. Talvez a discussão devesse começar por aí.

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Istambul Como A Recordo

por naomedeemouvidos, em 31.08.18

    Arrastava-se há alguns minutos na fila para passar o controlo de passaportes quando reparou nela, pela primeira vez. Um fantasma negro, como um corvo, coberta da cabeça aos pés, de luvas pretas, completamente tapada, irreconhecível. Nem mesmo um fugaz vislumbre dos olhos. Um violento e opressivo Niqab, mais esmagador do que a burka, como nunca tinha visto, nem mesmo no Marrocos mais remoto, que conhecia bem. Convivera, já, com mulheres de Niqab e luvas negras, sauditas, na maioria, onde a beleza profunda dos olhos encarcerados se assumia (muitas vezes) muito mais tentadora e acirrante do que um vulgar colo desnudo. Mas nunca tinha visto aquele tipo de vulto ignoto, sem pele, sem olhos, sem identidade, naquele vai-e-vem constante de gente, entre voos e escalas, empunhando passaportes manejados como leques na esperança de afastar o calor sufocante, apesar dos aparelhos de ar condicionado ligados.

    Usou da relativa vantagem da sua posição na fila de espera e da disposição alternada dos guichés de polícia para espreitar – com o pudor e a descrição possíveis – aquela sombra negra. Afinal, estavam numa zona de controlo de fronteira. Preparavam-se para se mostrar e fazer-se reconhecer e aprovar pelos funcionários, alguns frouxos e desesperadamente lentos, que escorriam pelas cadeiras em poses desleixados e pouco formais. Como o faria ela? Reparou em como foi mudando de corredores, evitando ser atendida por um homem, nunca se afastando muito, no entanto, por sorte, do local em que se encontravam. Em algum momento, teria de entregar o passaporte e mostrar o rosto e não poderia expor-se senão a uma outra mulher.

    Faltavam, ainda, três pessoas para a sua própria vez quando a austera desconhecida alcançou o respectivo posto de controlo. Virou-se, discretamente, para o marido, de costas para a cabeça da fila, para poder observá-la claramente. A mão enluvada, negra, entregou o passaporte árabe à mulher atrás do balcão, que o recolheu com uma ligeira irritação. O denso manto negro que a cobria não era, como já suponha, uma peça única. Levantou, primeira e ligeiramente, o hijad aparentemente compacto que a cobria da cabeça até um pouco abaixo dos ombros, de forma a deixar apenas os olhos a descoberto. A seguir, baixou um segundo véu que lhe cobria o rosto desde a linha inferior dos olhos até cerca de um palmo e meio abaixo do queixo, revelando, por fim, o rosto redondo e imaculado, mas por breves momentos; o relance repentino do fundo de um prato sem poder ver-lhe a borda. Demorou uma ínfima fracção de tempo. Muito menos do que o suficiente para que a agente de segurança turca pudesse garantir, com absoluta certeza, que a face fantasmagórica que acabara de emergir, precipitadamente, na sua frente, correspondia à fotografia do passaporte que ainda segurava na mão direita. Ainda assim, deixara-a passar sem mais delongas ou reparo. Perdeu-lhe o rasto quando, ao chegar a sua vez de atravessar o detector electrónico, o monstro de metal desatou a berrar, estridente, com as frenéticas luzes vermelhas a piscar em espasmos ritmados e acusadores, obrigando-a a sujeitar-se a uma daquelas revistas demasiado próximas e incómodas. Aceitou-a de forma resignada, como uma espécie de castigo pela sua atrevida contemplação, instantes antes.

 ••

    Contra todos os vaticínios prévios – lidos, sugeridos, soprados, comentados, anunciados – não se rendeu à cidade imediatamente. A magia da metrópole fervilhante, o pulsar irrequieto das ruas a transbordar, a mistura desassossegada de culturas, a profusão inebriante de cheiros, a ostentação mais sensual do que religiosa dos diferentes véus emoldurando rostos belíssimos e artisticamente maquilhados, o encanto luminoso do Corno de Ouro e a inclemência sofisticada do Bósforo rasgando a cidade entre dois continentes, não se abateram sobre ela logo aos primeiros dias. Algures, entre (algum)a simpatia forçada e seca de muitos serviços, a dificuldade de uma comunicação fluida mesmo numa língua dita universal, o inconveniente, porém, óbvio roubo do telemóvel na carruagem atolada do metro e o estrondoso desencanto da mítica Mesquita Azul e os seus seis minaretes, tardou em deixar-se seduzir pela lendária e histórica cidade de Constantino, antes, Bizâncio, actual Istambul, a intrépida cidade dos gatos. Estava, no entanto, decidida a contrariar as primeiras (más) impressões.

    Voltara as costas à Mesquita Azul. Interessante, mas não arrebatadora. Viriam mais; mais ousadas e sedutoras, até, como as imperiais Sehzade Mehmet Camii e Süleymaniye Camii. Entre o põe e tira de lenços e saias compridas, numa cacofonia absurda de cores e estilos que a acompanharia durante todas as visitas às inúmeras e magníficas mesquitas da cidade.

•••

    Avançou, resoluta, para a entrada principal da imponente Basílica de Santa Sofia. No interior do magnífico templo da sabedoria divina – três vezes ressuscitado, sobrevivente a quatro impérios – ancestrais mosaicos bizantinos (ou o que deles resta) com representações de Cristo, da Virgem e dos Arcanjos, convivem, agora, em paz aparente com o gracioso mihrab, apontando a Meca, e os mahfilis dos muezins, desde que passou a servir de centro de oração para os seguidores do Islão.

    Admirou os quatro impressionantes painéis circulares exibindo a elegante caligrafia árabe, evocando Alá e Maomé e passagens e versos do Corão. Os candeeiros colossais em quedas vertiginosas, suspensos do tecto, num equilíbrio perfeito e impossível, debruando um quadro de urnas de mármore e tapetes flamejantes. Uma basílica e uma mesquita, numa metamorfose de diferentes estilos e várias fés, passada de império em império, opulenta, esplêndida, cobiçada e adorada por todos na sua majestosa natureza singular. Mosaicos geométricos, mosaicos com figuras, ouro, prata, vidro, terracota, pedras coloridas, mármore branco de Mármara, rosa, de Afyon, amarelo, do Norte de África, colunas da Anatólia e da Síria, do Egipto e do Templo de Ártemis em Éfeso. Uma profusão frenética de luzes e cores, múltiplos reflexos irrequietos, repartindo histórias, um colosso de arquitectura e de resistência teimosa e sobranceira.

    De uma das janelas do segundo andar, voltou a olhar o popular contorno da Sultan Ahmet Camii, com os seus insolentes, quase profanos, seis minaretes. Recordou os hipnóticos arabescos da Cúpula, repousando sobre grossos pilares, os famosos azulejos, sobretudo azuis, de Iznik e a primitiva e singela Fonte das Abluções – onde, actualmente, os fiéis muçulmanos já não lavam os seus pés impuros – perdida no imenso pátio exterior coberto de mármores de Ilha de Mármara.

    Enquanto se encaminhava para a saída, deslumbrou-se, uma vez mais, com a representação de Cristo entre o imperador Constantino IX e a imperatriz Zoé, com o mosaico de Maria sustendo o Menino e ladeada pelo imperador João II e pela imperatriz Irene, com a beleza da Virgem Maria e João Baptista com Cristo Pantocrator.

    No exterior, tomou o caminho da cisterna. Preparava-se para mergulhar nas profundezas do bairro de Sultanahmet, no ventre de Ayasofya, acudindo ao chamamento encantado da intemporal Yerebatan Sarnıcı, o mais assombroso depósito de água da época bizantina. Sem o romantismo, é certo, do barco a remos de James Bond, em Da Rússia com Amor, nem a urgência da ameaça moderna e algo tosca do Inferno de Dan Brown, mas profundamente misterioso e de uma beleza impressionante.

  Perdeu-se entre as magníficas colunas de mármore, envolvida pela rigorosa e deslumbrante simetria das linhas harmoniosas, subindo vertiginosamente nove metros acima do solo. Àquela hora, a ténue luz amarela, de dezenas e dezenas de lâmpadas na base das colunas, emprestava à bizarra estrutura uma presença fantasmagórica, avermelhada e irrequieta, que cortejava descaradamente os pasmados visitantes. Esquecida durante anos pelo Império Otomano, vingava-se, agora, atraindo em melódica surdina, como as sereias de Homero, os incautos turistas que para sempre sucumbiam ao seu encanto.

    Deambulou entre as colunas, pelos túneis, ouviu o ranger suave da madeira e o choro desesperado e exausto dos escravos, derramado, em atormentadas formas, pela coluna das lágrimas e chegou, enfim, às duas colunas suportadas pelas excêntricas cabeças de Medusa, uma invertida e a outra esmagada sobre a sua face direita e sob o peso do pilar, ambas de olhos bem abertos e ameaçadores, convertida, ela própria, em pedra pelo reflexo maquiavélico das águas... ou talvez não.

(continua)

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Bullying de Carvalho

por naomedeemouvidos, em 18.08.18

   A telenovela Bruno de Carvalho vs Sporting continua. Mais um dia totalmente dedicado a essa tão miserável quanto arrebatadora personagem, dona e senhora de uma habilidade inabalável e insuperável para manipular tudo e todos, com a comunicação social à cabeça. Hoje, o país continua refém dos transtornos emocionais de um reles desordeiro.

   Porém, pecadora, me confesso. Nunca tinha visto (eventualmente, também em Donald Trump) um psicopata em acção, ao vivo e a cores, e estou absolutamente fascinada. Com aquele fascínio tremendamente mórbido que qualquer um de nós pode sofrer momentaneamente, mas não menos vergonhoso; pode ser a contemplação, pausada e macabra, de um acidente de automóvel, a esmagadora estupefacção perante a horrível derrocada das míticas Torres Gêmeas, o crepitar assassino e voraz, implacável, das chamas de Pedrogão, ou o bullying grotesco e insano do senhor Bruno de Carvalho.

   Bruno de Carvalho deve ser, suponho, um apaixonante caso de psicopatologia. Mas, na verdade, o mérito não é exclusivamente seu. Está assessorado, por um lado – e de forma competentíssima – por jornalistas, televisões, amigos e inimigos, ex-apoiantes e vassalos e, por outro – e de forma perigosíssima! – por advogados cheios de expediente, que manipulam, com elegância e douta maestria, as minudências da lei, ou a ausência dela, e todo o tipo de outros subterfúgios jurídicos e assim-assim. Entre estatutos, notas de culpa, destituições, providências cautelares, tudo e mais alguma coisa que sirva para iludir e ludibriar, sem qualquer intenção de promover a verdade e a legalidade. Não têm vergonha?

   Dá-me um certo asco ver como alguma suposta Justiça e alguns dos seus ilustres agentes promovem este circo, absolutamente deplorável, de verdades meias e delírios completos que vão talhando ao sabor dos acontecimentos e dos desvarios de um homem absolutamente alucinado. Não servem a Justiça. Antes, servem-se dela como de uma prostituta, adulada ou proscrita, consoante melhor servir os interesses do cliente.

   Bruno de Carvalho está para o Sporting e para os sportinguistas como os maridos violentos estão para as suas vítimas: dominando pelo medo, controlando pela agressão, intimidando pela humilhação, amando com selvajaria, desejando com ódio, até à aniquilação total do objecto da sua doentia cobiça. No fim, lamentar-se-á a morte e todos tentarão fingir que não foram cúmplices, ou porque nunca viram, ou porque, oportunamente, optaram por deixar de ver. O folclore clubístico não deve tirar o sono, a não ser, eventualmente, aos adeptos mais emocionais. O circo mediático com o apoio de alguns advogados “brilhantes” e “prestigiados” na promoção da desordem, do ódio, da intolerância, do insulto fácil e desassombrado devia assustar-nos a todos.

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Especulação Imobiliária, Sim ou Não?

por naomedeemouvidos, em 16.08.18

   Uma grande amiga minha diz, com alguma graça e sempre que acha que bebeu um golinho para lá da conta, “agora, já estou só para perguntas de sim e não”.

   Um destes dias senti-me mais ou menos assim, mas sem o golinho a mais, até porque era ainda manhã cedo e o meu pequeno-almoço costuma ser bastante mais pacífico e saudável e, claro, profundamente mais aborrecido. Aconteceu ao reunir-me com um agente imobiliário para tentar perceber melhor as condições de um novo projecto em construção, muito próximo da zona onde vivo, e, daí a achar que um de nós não estaria no pleno uso das suas faculdades mentais, foi um instante.

   Diga-se, em pleno e rigoroso abono da verdade absoluta, que já imaginava que estaríamos a falar de valores assim um nadinha para o elevado (no fim da reunião, o adjectivo que me ocorria era mais assim para o obsceno…); no prédio onde vivo há cerca de 20 anos, o preço de um T3 aumentou mais de 100%, nos últimos 4-5 anos. De modo que, imaginei que uns apartamentos novos, de uma tipologia superior, classificados como sendo de luxo, pudessem estar um pouco acima do orçamento previsto, mas, não há nada como perguntar e conhecer para decidir. Ou, mais exactamente, neste caso, para perceber que devo ser miserável e substancialmente mais pobre do que pensava.

   O projecto ainda não saiu do papel (o empreendimento estará concluído em finais de 2020), pelo que, toda a qualidade e excelência aparentes não são, ainda, possíveis de comprovar a não ser confiando, ou não, na reputação da empresa de construção responsável pelo mesmo. Quanto à localização, penso que pode vir a ser um amargo de boca, porque, sendo no coração de uma bela vila portuguesa altamente valorizada, a fachada principal do empreendimento fica virada para uma escola secundária cujas instalações são provisórias vai para uns trinta anos, se não estou em erro. Se calhar, é desta que a escola fecha portas, definitivamente, não sei. O caso é que um T4, duplex, com boas áreas, (mini-)piscina privada (embora o empreendimento tenha piscina colectiva) e dispondo de entre três a oito(!) lugares de garagem pode custar entre um milhão e setecentos mil euros e dois milhões e oitocentos mil euros. Preços excelentes, neste momento, e com tanta procura que já não são muitos os apartamentos disponíveis, neste momento. Na realidade, o ideal é termos uma decisão entre hoje e amanhã, porque, agora está disponível, mas daqui a pouco, pode já não estar…o que, aliás, já me tinha sido eloquentemente mencionado na conversa telefónica prévia. Foi nesta fase que me lembrei das perguntas de sim e não da minha amiga. Com a diferença que, no  momento da reunião, nenhum dos dois estava ébrio; eu é que estava pobre, pelos vistos, e, ao contrário da embriaguez, amanhã talvez ainda não me tenha passado.

   Descontando a típica conversa de vendedor, quem é que decide, de um dia para o outro, se compra ou não um apartamento cujo valor pode chegar aos quase três milhões de euros? Teremos mesmo mercado para alimentar esta loucura ou estaremos, antes, a vender o país a retalho apenas a quem puder pagar mais?

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Negócio da China? Não, é mesmo Português...

por naomedeemouvidos, em 10.08.18

   Ah, como é bom fazer negócios com o Estado Português! Qual negócio da China, qual carapuça! Sejamos nacionais ou estrangeiros, o que rende é celebrar (e como!) contratos com as nossas Finanças, a nossa Segurança Social, os nossos Presidentes de Câmara e por aí afora. Do parque automóvel privativo e improvisado da Madona ao prédio de Alfama que Robles adquiriu à Segurança Social a preço de saldo, das chorudas rendas da EDP aos incautos empréstimos concedidos pela CGD a distintos Donos-Disto-Tudo, do BPN ao Novo Banco, somos prodigiosamente beneméritos!

   Se dúvidas houver (ainda) no que toca ao altruísmo do Estado Português na gestão dos seus (nossos!) negócios, basta ler a notícia do Público, desta sexta-feira. Vale a pena. Parece que, além de termos vendido ao desbarato o Novo Banco ao Lone Star, depois de termos injectado milhões de euros a tentar salvar o que outros pilharam despudoradamente como ladrões de galinheiro, ainda resolvemos deixar um bónus, não fossem os senhores americanos duvidar da hospitalidade lusa. São 50 milhões de euros em moedas raras, fotografias contemporâneas, pintura, mapas portulanos e livros quinhentistas, escreve a Cristina Ferreira. A jornalista, não a entertainer. Mas também podia ser hilariante, não fosse quase burlesco. Quem é amigo, quem é?

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IDADE_Tem dias. ESTADO CIVIL_Muito bem casada. COR PREFERIDA_Cor de burro quando foge. O MEU MAIOR FEITO_O meu filho. O QUE SOU_Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa. IRMÃOS_ Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo. IMPORTANTE NA VIDA_ Saber vivê-la, junto dos amigos e da família. IMPRESCINDÍVEL NA BAGAGEM de FÉRIAS_Livros. SAÚDE_Um bem precioso. DINHEIRO_Para tratar com respeito.

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