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Vou, mas volto.

por naomedeemouvidos, em 09.08.19

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É possível que, nos próximos dias, não consiga publicar aqui qualquer texto. Mas, volto.

Obrigada a todos os que por aqui se perdem.

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publicado às 11:04

O meu filho nasceu no Porto, no hospital de São João, quase, quase, no fim de Dezembro de 2006. Tão próximo do fim, que passei o ano internada. A cesariana deixou-me mais anémica do que já sou em dias correntes, e não podia com um gato pelo rabo, que é como quem diz, num dos dias quase deixei cair o meu filho. Valeu-me uma amiga que acabava de entrar para me ver, porque – por nenhum motivo em especial – nesse curto momento, estava sozinha.

Escolhi o Porto por motivos óbvios para quem leu o meu Porto de Abrigo. E o hospital de São João porque o meu filho iria nascer, obrigatoriamente, num hospital público e eu sabia que, à data, aquele hospital, por norma, não usava fórceps nos partos, que era uma sombra que me aterrorizava para lá do racional. De modo que, estava mais ou menos segura de que, se algo se afastasse demasiado da possibilidade de um parto normal – e sublinho normal – a equipa de serviço não arriscaria e a cesariana seria equacionada; como último recurso, sim, mas sem obrigar a mãe e o bebé a um sofrimento desnecessário. Foi o que aconteceu no meu caso. Entre outros factores, o bebé não estava na melhor posição e eu era “demasiado estreita” para que ele pudesse nascer normalmente. Tive um acompanhamento fantástico. Houve momentos mais stressantes, há sempre gente com quem temos mais ou menos empatia, pessoal médico e enfermagem incluídos, mas não tenho absolutamente nada que mereça a pena criticar.

Esta – que é a minha história – devia ser a história de todas as mulheres que estão prestes a parir. Infelizmente, não é. E por motivos que, muitas vezes, estão fora do nosso alcance e para além da ajuda da equipa médica mais competente.

Claro que julgo ser possível, em teoria, que este bebé não tivesse sobrevivido, de qualquer outra maneira. Mas, é esta maneira que, também julgo, nunca devia ter sido possível.

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publicado às 17:47

"Soft Opening" cutural.

por naomedeemouvidos, em 08.08.19

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Apesar de não ser propriamente inexperiente no que toca a viajar, só reparei no termo "soft opening" aquando da leitura deste post, no blogue "casalmisterio". Pensava eu que se aplicava exclusivamente a hotéis, e, aposto, não serei a única. Pois, não é verdade. Ouço que a ministra da cultura acaba de inaugurar uma obra inacabada, onde ainda falta a luz e a "vistoria da Protecção Civil que permita a entrada de público". Graça Fonseca fala da felicidade das pessoas e o senhor presidente da Câmara de São Pedro do Sul explica que na estrada também há acidentes. 

Já o outro senhor alertava para o absurdo que é interpretar leis literalmente...

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publicado às 11:20

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Já ontem me tinha confrontado com esta fotografia e, inevitavelmente, com a história que ela ajuda a contar. E também já tinha lido este artigo sobre os “campos de treino vocacional” onde a China tem em marcha um plano de, acusam, extermínio (cultural, apenas?) da minoria muçulmana uigur. E esta notícia sobre o longo conflito na síria que tem massacrado civis e crianças.

 

Tenho um certo pudor em relação às imagens; todas, por diferentes motivos, mas, principalmente, quando retratam tragédias. E aquela, lá em cima, tem algo de bíblico, que arrepia mesmo os não crentes. Mas há histórias que não podem deixar de ser contadas, mostradas, denunciadas.

Quando de trata de crianças, sinto um certo bloqueio emocional. Penso na minha, e nem sempre consigo gerir bem o conflito interior entre a linha demasiado ténue que separa a sorte do meu filho da realidade dramática de tantos outros meninos. Fingir que não sabemos, de forma intencional ou como uma espécie de negação protectora, pode parecer mais tolerável do que acreditar realmente que há um nós e um eles, e que o nosso soberbo acaso nos confere uma aura de superioridade (absurda) ainda que imerecida. Mas tropecei neste artigo de Henrique Monteiro e voltei aos olhos apavorados do menino rohingya.

Não posso salvar o mundo, nem castigar o meu filho por ter nascido no lado certo dele; mas posso tentar não ficar calada. Mesmo sabendo que é miseravelmente insuficiente.

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publicado às 19:10

Baratas e outras pragas. Pô!

por naomedeemouvidos, em 07.08.19

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Olho com espanto e nojo para a figura do actual presidente dos EUA fingindo sentir compaixão pelas vítimas e familiares das vítimas da mais recente carnificina que atingiu o país. Bobo ridículo conseguiu – como não? – enganar-se no nome de uma das cidades atingidas pela tragédia que o próprio atiça com a leviandade burlesca e própria dos imbecis. Parece que é preciso habituarmo-nos. Os defensores e apoiantes acérrimos de Donald Trump riem, aplaudem, a economia americana cresce e diz-se que o homem tem carisma...pegajoso, mas há quem aprecie. Os outros, afinal, eram, são, um bando de corruptos, hipócritas, malfeitores, abusadores e restantes eteceteras de que Trump também goza, mas, a esse, permite-se.

Entretanto, nesse mesmo Texas atingido a tiro em nome da luta contra a invasão mexicana a que Trump já dedicou 2000 anúncios, dois agentes da polícia a cavalo levaram um prisioneiro negro puxado por uma corda até à esquadra, num “embaraço desnecessário”, mas, “sem qualquer má intenção”. Que alívio.

 

Animado pelo sucesso e glamour do sofisticado andar de cima das américas, o vizinho Bolsonaro, esse Messias desejado, adorado, adulterado, anseia por passar da mímica aos actos de morte encomendada, consentida e perdoada. Os dedinhos em riste – que já deram origem a outro fantoche idêntico, mas devidamente armado – passarão a fazer mira real aos criminosos escolhidos no acaso do momento, pois, como é sabido, todos os polícias são puros, todos os criminosos são abjectos e a gente de bem distingue-se a olho nu, despidos que somos, brancos, santos e bons, de preconceitos de qualquer tipo. Parece que tem que ser assim.

Entre os poucos brasileiros que conheço, não há nenhum que não apoie Bolsonaro. Alguns descaradamente, outros com alguma vergonhada escudada no indiscutível flagelo da criminalidade violenta, no medo de que os filhos morram no caminho que separa a casa e a escola.

Não vou fingir que sou completamente surda a esses argumentos. Na única vez que visitei o Brasil, ouvi - na companhia do meu marido e de uns amigos nossos espanhóis que aí viviam, na altura - um tiroteio a alguns metros do bar em que passávamos um bom serão. Os filhos desses amigos já tinham sido assaltados mais do que uma vez, nesse tal trajecto inocente. Mas, acredito profundamente que há, tem de haver, uma diferença entre o Homem e a Besta, entre a civilização e a barbárie. Não achamos assustadoramente primitivo amputar a mão ao ladrão, condenar o infractor a um castigo igual na forma à do crime cometido, como se pratica em muitos dos países “de cultura inferior”?

 

Por falar em culturas superiores, em Itália, Matteo Salvini agradeceu à Virgem Maria a aprovação do decreto que regulamenta o encerramento dos portos italianos para navios de ONG que socorrem imigrantes no mar e estabelece multas que poderão atingir um milhão de euros no caso de violação desta norma. Salvar vidas é ilegal, graças a deus.

 

Por cá, está tudo muito mais tranquilo. Continuamos reféns das ameaças dos motoristas e do ilustre ex-desconhecido Pardal Henriques, do familygate socialista e do absurdo de interpretar leis literalmente. Toda a gente sabe que as leis devem ser interpretadas alternadamente, consoante quem ocupa os lugares do poder.

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publicado às 12:13

"Beloved"

por naomedeemouvidos, em 07.08.19

“Writing is really a way of thinking - not just feeling but thinking about things that are disparate, unresolved, mysterious, problematic or just sweet.” 

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Toni Morrison

(aqui, também)

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publicado às 10:20

Porto de abrigo.

por naomedeemouvidos, em 05.08.19

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O Porto destes dias não é o mesmo Porto da minha infância e juventude. Ou, não é exactamente o mesmo. Tive um professor na faculdade que insistia em lembrar-nos que todo o progresso tem um custo e esse custo, por vezes, é elevado. Não sei, ainda, avaliar o que o progresso baseado num turismo de massas e alojamento local epidémico irá custar à cidade do Porto. Imagino que o mesmo que já custou a outras tantas cidades, a outros locais, cá dentro e lá fora, onde já pouco sobra da genuinidade e genialidade da gente, do povo que dá cor, vida e alma ao ar que se respira, às pedras que murmuram histórias, às ruas que nos embalam em abraços sentidos. 

 

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Mas, vim encher-me de mimos, rodear-me de outros imensos afectos. Ainda pude, ainda posso. Deixei cá parte de mim. A minha irmã, o meu sobrinho. Os meus pais. Sempre eles, são um pilar robusto, inamovível, que resiste a todas as intempéries. E o meu pai conhece o Porto como poucos. Posso perder-me e encontrar-me em todas as ruelas, as mais escondidas, as mais improváveis, as mais autênticas, onde os mais velhos ainda me chamam menina. No Porto, é possível ser menina toda a vida.

 

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Apesar das obras em série, da proliferação de gruas e da emergência de hotéis a cada esquina, claro que a cidade ganhou com o turismo, nunca se perde tudo. Há zonas, outrora votadas ao abandono, que renasceram, dinamizaram-se e oferecem, agora, mais do que quadros sujos e deprimentes. Em contrapartida, o trânsito parece mais desordenado, caótico, com hordas de turistas, maioritariamente, nacionais e estrangeiros, a cruzar as ruas, em bando, sem qualquer respeito pelos sinais luminosos ou outros, toureando a sorte para desespero de quem conduz.

 

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Em cada canto, a cidade fervilha carregada de memórias que imagino diferentes das das páginas da poetisa, de memórias seguramente diferentes das minhas e, no entanto, há cores e cheiros que perduram, um casario que ainda encanta, que ainda resiste, que vive para além dos contos.

Há a cidade do rio, de onde se mira Vila Nova de Gaia e a Serra do Pilar, em frente ao velho casario que se estende até ao mar, da calçada da Ribeira, o Porto de encantos,  de luzes e sombras, o Porto que desperta e atormenta os nossos sentidos.

 

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Ainda persiste, todavia, um Porto de outrora, o do tempo que se perde ganhando, entre amigos, o Porto que se pega à pele, o que se bebe, o que alucina.

 

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E, depois, há o Porto do património religioso, imperdível, insubstituível, o que arrebata e apazigua, o que exalta e silencia.

 

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O turismo é bem e mal, é anjo e demónio, é salvador e é voraz, cobra o seu preço, impõe as suas regras. Que bom seria se não nos deslumbrássemos para lá da conta que venha a valer a pena pagar.

 

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publicado às 19:17

"Fuzilem-nos."

por naomedeemouvidos, em 05.08.19

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“ - Quando temos 15 000 pessoas a entrar, e temos centenas e centenas, e temos dois ou três agentes de controlo de fronteira, bravos e magníficos. E, não esquecer que não os deixamos, e não podemos deixá-los, usar armas. Não podemos. Outros países fazem-no, nós não podemos. Eu nunca faria isso. Mas, como paramos esta gente?

- Fuzilem-nos!

- Só em Panhandle se sai impune com uma afirmação dessas.”

 

Parece que, ali, a coisa tem graça e merece aplausos.

Entretanto, não sei se já contabilizaram quantos mexicanos foram abatidos a tiro nos dois últimos massacres nos EUA. Quase 30 mortos em 13 horas, numa carnificina instigada pelo ódio que não é de hoje, é certo, mas que, hoje, volta a ter espaço tolerado e tolerável, assente em slogans promovidos pelo mais alto (ir)responsável da nação americana: “lock her up!”, “build that wall!”, “send her back”. Porque não "shoot them!", são só palavras, certo?

 

É absurdo fingir que não há um problema sério com as migrações em massa. Não sei bem como se resolve, mas, preferia que não fosse à custa de nos tornarmos exterminadores em série, escarnecendo de quem foge da miséria ou da guerra, como se a vida fosse coisa que pudéssemos eliminar como as ervas daninhas que empestam a harmonia bela e tranquila do nosso exuberante jardim.

 

Trump nunca usaria armas para impedir os criminosos e violadores mexicanos de entrar nos EUA. Não precisa. Tem quem o faça por ele. Basta pedir. Ou melhor, basta sugerir.

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publicado às 09:36

No Jardim Botânico do Porto.

por naomedeemouvidos, em 30.07.19

Dos dias que escrevem memórias.

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publicado às 16:30

Direitos Humanos à la carte.

por naomedeemouvidos, em 26.07.19

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Mike Pompeo pretende criar, ou criou já, uma comissão para redefinir o que vem a ser isso, afinal, de “Direitos Humanos Inalienáveis”. Ou, que papel representam esses direitos na política externa americana.

Parece que, entre outras preocupações de Mike Pompeo, estão aquelas relacionadas com a boa ou má utilização da palavra direitos e com o sequestro da retórica alusiva a esses direitos quando aplicados, e aplicáveis, a humanos com malignos ou dúbios propósitos. Suponho que a lista dos que “descendem dos Direitos Universais do Homem decretados pela Grande Revolução Francesa de 1789” vá diminuir mais rapidamente do que nem a historiadora Bonifácio previa. Só não sei bem como passaremos a marcar os escolhidos... até porque é algo que nunca se fez antes.

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publicado às 15:53



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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