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Paschae

por naomedeemouvidos, em 19.04.19

"Afastando-se rapidamente do sepulcro, cheias de temor e de grande alegria, as mulheres correram a dar a notícia aos discípulos." 

 

Não creio (já não) num Deus omnipresente, omnipotente, omnisciente, criador do Céu e da Terra, que se fez homem no seio de uma virgem, que padeceu e foi sepultado, que ressuscitou ao terceiro dia para subir aos Céus e sentar-se à direita do Pai, aguardando o dia em que há-de vir, em sua glória, para julgar vivos e mortos e restabelecer o seu reino sem fim. Creio, no entanto, no poder dos símbolos, na grandiosidade dos rituais e, sobretudo, impressiono-me com a capacidade de acreditar, com a força da fé sincera e abnegada que move multidões de devotos.

 

Talvez não seja a melhor dessas manifestações, mas, talvez porque, há muitos anos (tantos!), vivi intensamente a semana da Páscoa em Málaga, entre amigos ligados às tradições cristãs, as procissões da Semana Santa em Espanha nunca me deixam indiferente. Por vezes, sinto-me algo perdida, tentando conciliar a fé que rejeito com a emoção das tradições que me fascinam. Por hiprocrisia, ignorância ou leviandade. Tanto faz. Não procuro explicações, contrições, nem perdão, nem remissão. Espanto-me, duvido, peco, absolvo-me, levanto-me e volto a maravilhar-me. 

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publicado às 11:14

Não há tragédias (mais) dignas.

por naomedeemouvidos, em 18.04.19

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cheias no Irão, Abril, 2019

 

Afinal, o que tem mais valor: uma vida humana ou um monte de escombros? Hoje, acordei um pouco cínica, de modo que, diria que depende do tipo de vida e do tipo de pedra. E, a não ser que venha a ser confrontada com alguém que optou por livrar-se de qualquer réstia de vida dita civilizada em prol da vida de outros e da preservação mártir e abnegada da Natureza no seu estado mais puro, diria ainda que não sei se é legítima a comparação que alguns pretendem fazer (o que é completamente diferente de dizer que não há direito a fazê-la).

 

A vida está cheia de tragédias difíceis de suportar. Se é verdade que "todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos", não é menos verdade que nascer na Coreia do Norte não é o mesmo que nascer nos EUA ( apesar da amizade fofa e recente entre o Little Rocket Man e a sua nova alma gêmea); nascer em Portugal, não é o mesmo que nascer em Moçambique e nascer em Moçambique, não é o mesmo que nascer no Iémen. Posso continuar e dizer, até, que nascer rico não é o mesmo que nascer pobre e, mesmo para nascer pobre, há que ter sorte. Já disse que hoje acordei cínica. Não sei, por isso, como fazemos para sermos justos. E santos. Choramos com a fome das crianças dos outros, enquanto servimos um suculento bife do lombo aos nossos filhos? Criticamos quem doa milhões à recuperação de património, mas não – ou não no mesmo valor – às vítimas das tragédias naturais, enquanto praguejamos contra a falta de combustível para as mini-férias da Páscoa? Indignamo-nos com a importância dada ao património histórico enquanto nos afadigamos entre selfies memoráveis nas nossas viagens de férias?

 

Não há como não concordar com quem se enfurece com os milhões doados a Notre-Dame enquanto há tanta gente no mundo a passar fome. Como não há como não concordar com quem aponta a bondade pífia de quem disponibiliza parte do seu salário para restaurar escombros, mas não para ajudar as vítimas do implacável ciclone Idai. E, já agora, com todas as vítimas que, todos os dias, morrem estupidamente nos conflitos sangrentos que pululam na Síria, no Iémen, nos Territórios Palestinianos, e mais e mais, muitas delas crianças. O sofrimento das crianças é uma das tragédias que mais me afronta. Olho para uma criança devastada pela fome e pela guerra e penso no meu filho. O meu filho é uma criança privilegiada. Como é que faço? Torturo-o em nome de todos os outros que sofrem? Privo-o de qualquer futilidade indecorosa, quando comparada com o que outros meninos não têm? E, onde está o limite? Quantas são as extravagâncias que lhe posso permitir? E que extravagâncias podem ser essas, quando há crianças que não têm, sequer, o que comer? Chegará, sensibilizá-lo – e acompanhá-lo – a doar presentes no Natal, aos meninos que têm menos do que ele? Negar-lhe mais um brinquedo, em nome de todas as crianças que não podem, sequer, brincar? Fazê-lo perceber a importância da solidariedade com os mais favorecidos e incentivá-lo, pelo exemplo, a praticá-la? Será que é suficiente mostrar-lhe a realidade de outros meninos e meninas, enquanto conversamos sobre todas as injustiças da vida e agradecemos por nos termos uns aos outros; por termos tido a sorte de não nascer na maior das privações?

 

Tenho uma admiração imensa por todos aqueles que são capazes de abdicar do seu conforto para levar um pouco de esperança aos que sofrem mais do que aquilo que podemos imaginar do lado de cá do sofá. Não sei como o conseguem. E pasmo com a capacidade de sorrir daqueles, meninos e meninas, homens e mulheres, que não têm nada, enquanto me pergunto que nada é esse, afinal. Quanto aos puros, não sei se chegam a causar-me pena.

 

 

Entretanto, na Madeira, quase três dezenas de pessoas perderam a vida num trágico acidente. Apesar das emissões em directo, ad nauseam, e do pesar ensaiado dos vários relatos jornalísticos, não fui capaz de sentir a mesma comoção que me assaltou quando vi, há dois dias, as imagens da Nossa Senhora em chamas. Imagino que isso deve fazer de mim alguém bastante miserável. Resta saber se ainda me é permitido sentir empatia pelos que perderam os seus entes queridos; apesar de serem todos, creio, alemães. Hoje, acordei bastante cínica.

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publicado às 15:17

Um vazio de ideias.

por naomedeemouvidos, em 17.04.19

Parece que é um artigo de opinião...

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publicado às 19:08

Greves e Fugas ao Fisco.

por naomedeemouvidos, em 17.04.19

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Não sei se andava demasiado distraída, mas, não vi chegar esta greve. Quando reparei, o caos já estava instalado: filas imensas para escorrichar o que sobrava dos tanques de armazenamento, horas e horas de emissão para repetir à exuastão, como é habitual, os mesmos discuros. Ou, talvez não. A dada altura, creio ter ouvido alguém do sindicato do momento acusar - em directo, ao telefone - um dos responsáveis da ANTRAM de um esquema de fuga ao fisco. Porque é que isso parece não ter causado mossa intriga-me e alarma-me tanto ou mais do que a greve propriamente dita...sou mesmo parva.

 

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publicado às 13:44

Símbolos e outras inSignificâncias.

por naomedeemouvidos, em 17.04.19

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Sempre que se perde um símbolo, há parte de um nós que morre. Não importa se o símbolo arde, se desfalece, se se desmorona, se é esventrado e violentado por ignorância bruta, há uma parte da Humanidade que sucumbe. Seja Notre-Dame, os Budas de Bamiyan, a cidade de Palmira, o Museu Museu Nacional do Rio de Janeiro, ou o Museu de Mossul, há uma parte da nossa História que agoniza, que se perde irremediavelmente. Para o luto, pouco importa às mãos de quem, em nome de quê, acidentalmente, intencionalmente, por incúria, ou por alucinado radicalismo. Perdemos todos, choramos todos, morremos todos. Há pedras com alma, livros com vida, com os quais construímos a nossa identidade, para lá do nosso próprio eu. Quando aqueles sangram, perde-se mais do que o que ali se esvai em tormentos.  Se não soubermos de onde viemos, como saberemos quem somos e para onde vamos?

 

E há sempre os tontos que gostariam de apagar a memória, a deles, mas, sobretudo, a nossa, a que é de todos e de ninguém em particular. Adaptar os livros de História, borrar os parágrafos incómodos, embelezar as chagas, eliminar as tragédias, purificar o nosso passado comum. Edificar uma sociedade plástica, higienicazinha, artificial, igualitária à sua imagem e semelhança. Esses são os maiores dos hipócritas. E os mais perigosos. 

 

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publicado às 10:51

Notre-Dame.

por naomedeemouvidos, em 15.04.19

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Hoje era o dia de Macron se dirigir ao país, numa tentativa - seria a segunda vez, creio - de esvaziar os protestos do movimento "gilets jaunes" que, há mais de vinte sábados consecutivos, mantém Paris a ferro e fogo; quase literalmente, em alguns deles. Numa coincidência dramática, algo macabra, quase de mau agoiro, Notre-Dame arde, e o pináculo da catedral acabou por ruir. É desolador, para mim, que conheço a cidade (que adoro) e aquele monumento em particular, “apenas” como turista. Não imagino como seja, este momento, para os franceses. Não. Na realidade, perdemos todos.

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publicado às 19:42

A idade dos porquês.

por naomedeemouvidos, em 15.04.19

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“Porque é que países do Leste Europeu estão a ultrapassar Portugal em termos de desenvolvimento? Porque é que Portugal está a crescer menos do que a Espanha, do que Chipre e do que a Irlanda? Porque é que as previsões de crescimento da Grécia são superiores a Portugal?”

 

As interrogações carregadas e com um ligeiro toque de escândalo são de Cavaco Silva, em entrevista à Rádio Renanscença.

Pasmo sempre com a capacidade de indignação mais ou menos (in)contida dos políticos reformados. Ou de alguns, pelo menos. Daqueles que, depois de largarem os cargos onde raramente fazem o que podem pelo país sem esmorecer jamais na demanda de fazer mesmo o que não podem pelos seus, vêm insurgir-se contra todos os pecados de onde beberam e que os próprios ajudaram a construir e a perpetuar…A idade dos porquês abespinhados tem, para aqueles, dois momentos: ou quando estão na oposição, ou quando se reformam. A previdência e a omnisciência falha-lhes sempre que estão em posição de fazer a diferença. 

 

É verdade que o serviço público não se esgota nos cargos. E que a obrigação de criticar, de apontar o que se julga errado e de contribuir para a discussão pública não se esvazia, nem deve, no exercício do poder. O que é lamentável, miseravelmente, é o rasto que esta gente, entretanto, vai largando, sem sentir vergonha das consequências. É nesse sentido que temos tendência a considerar - às vezes, injustamente - que "são todos iguais". Mas, a verdade, é que já nem parece haver uns mais iguais do que outros.

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publicado às 15:22

Se não têm pão, que comam brioches...ou mangas.

por naomedeemouvidos, em 12.04.19

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Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Tereza Cristina.

 

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publicado às 20:07

Imparcialidades e Imbecilidades.

por naomedeemouvidos, em 12.04.19

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“Antes de ser magistrada judicial, a Veneranda Juíza Desembargadora é mulher e certamente mãe, o que leva a que o horror e a aversão inata ao ato de incesto confessado pelo arguido (…) e o facto de acusar a sua filha de o ter seduzido, provoquem no seu espírito, incontestavelmente, uma especial e mais gravosa oscilação na neutralidade exigida perante o mesmo. (…) Os autos incluem-se na percentagem muitíssimo marginal e excecional dos processos em que é humanamente impossível a uma juíza mulher e mãe ser tão imparcial quanto um juiz homem”.

 

Não li o original, mas, de acordo com várias fontes, o texto acima consta de um requerimento redigido pelo advogado Pedro Proença e remetido para o Tribunal da Relação de Lisboa, na sequência do recurso interposto pelo seu cliente condenado em primeira instância pelo crime de violação agravada e posse de arma proibida. A vítima é a própria filha do cliente do dr. Proença. Em tribunal, o homem já confessou ter tido relações sexuais com a filha, mas acusa-a de o ter seduzido e afirma que houve consentimento. O seu advogado considera que a especificidade do crime e o facto de a juíza, venerandíssima, ser mulher e certamente mãe, pode tolher o discernimento da senhora, que não poderá, seguramente, humanamente, ser tão imparcial quanto um homem, por acaso, juiz, tal como a visada.

 

Só para ter a certeza de que percebi tudo muito bem, o dr. Proença manifesta preocupação – vamos dizer assim – pelo facto de uma profissional com mais de 30 anos de carreira poder ser incapaz para julgar o que está dentro das suas competências pelo facto de ser mulher, eventualmente mãe, presume o senhor doutor. O mesmo que, no entanto, se insurge contra a decisão – e fundamentação – editorial da TVI que dita o seu afastamento do cobiçado e sacrossanto cargo de comentador daquela estação. Porquê? Ora, antes de mais, porque o competentíssimo advogado repudia que se trate como criminoso “o arguido que ainda beneficia da presunção da inocência porque não houve ainda trânsito da decisão em julgado”. Já o senhor doutor pode presumir – e com grande à-vontade – que as juízas mulheres que se calhar também são mães, reunidas ambas condições, assim mesmo, as duas juntinhas, não sejam, dizia eu, capazes de julgar imparcialmente actos de violação de um pai contra uma filha. O resto do povo tem, por maioria de razão e serenidade, obrigação de não considerar culpado um homem que, para efeitos de presunção de inocência, já foi condenado em tribunal. Sim, acho que percebi bem.

 

Por outro lado, o senhor advogado afirma que “o respeito incondicional pela igualdade de género em qualquer contexto e profissão” faz “parte integrante” dos seus valores e que o que consta do requerimento nada tem a ver com questões de “discriminação em função do género”. Sou capaz de acreditar. Talvez tenha só a ver com aquele leque (por vezes, obsceno) de ardilosos embustes com que conspurcam e mutilam a aplicação da lei os mesmos que juraram defendê-la. Pois, olhe que não, sôtor, certamente que não…

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publicado às 18:33

Mais do que mil palavras...

por naomedeemouvidos, em 12.04.19

"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos."

Artigo 1º_DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

 

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Uma criança filipina deitada num colchão que flutua no rio Pasig, que já foi declarado biologicamente morto na década de 1990. A fotografia é do português Mário Cruz e ganhou o terceiro lugar na categoria "Ambiente" do prémio World Press Photo 2019.

 

 

 

 

 

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publicado às 15:12



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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