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Erro ou negligência grotesca? E a que nível?

por naomedeemouvidos, em 18.10.19

" “Infelizmente há muitos colegas meus a fazerem ecografia, nomeadamente morfológica – que diagnostica malformações – e que não têm competência para isso. Isso não é uma competência adquirida pelo facto de ter a especialidade, é pós-graduada em relação à especialidade”, afirmou o médico obstetra e presidente da Sociedade, Luís Graça, em declarações à agência Lusa." "

 

"Ao avaliar face de um bebé na ecografia, um médico não detectar a ausência do nariz é “um erro grosseiro”, diz ao PÚBLICO Álvaro Cohen, médico obstetra e coordenador da comissão técnica em ecografia obstétrica do Colégio de Ginecologia/Obstetrícia da Ordem dos Médicos."

 

"O obstetra que não detectou malformações graves num bebé que acabou por nascer sem rosto no início deste mês, em Setúbal, tem quatro processos em curso no conselho disciplinar da Ordem dos Médicos."

 

"Além de quatro processos em curso no conselho disciplinar da Ordem dos Médicos, o obstetra também foi investigado por um caso semelhante em 2011."

publicado às 09:51

A influência do absurdo.

por naomedeemouvidos, em 17.10.19

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Já não bastava o telefonema à Cristina, ao Casillhas, à Fátima, e por aí fora. Não sei se a República aguenta tanto afecto, mesmo acompanhado de sandes e pastéis de Belém...

Marcelo Rebelo de Sousa está como aqueles pais que, de tanto quererem parecer modernos e amigos dos filhos, às tantas, confundem-se nos papéis. Não havia necessidade.

 

publicado às 14:49

De hábitos.

por naomedeemouvidos, em 17.10.19

Espanta-me quando me responde que lê, nos tempos livres. Ainda mais, que confesse também ler jornais e revistas, como a National Geographic.

Desafortunadamente, reservamo-nos, cada vez mais, o direito de não esperar imponderadas surpresas.

Fico feliz por ter perguntado. Por não ter desistido. Por me ter permitido o desassossego da dúvida e o assombro da descoberta.

Às vezes, só preciso de os olhar nos olhos para lhe antever a alma. Preciso de não me esquecer disso. Não posso esquecer-me disso.

publicado às 10:35

Fotografia e não só.

por naomedeemouvidos, em 16.10.19

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De entre os jornais que leio (ou tento), o “The Guardian” tem a melhor galeria de fotografias. Podem ser inspiradoras ou ameaçadoras, deleitosas ou terroríficas, reconciliar-nos com Deus ou com o Diabo, às vezes, na mesma imagem crua, redentora ou demoníaca.

Da vida selvagem à política, de memórias românticas a palcos de guerra, há de tudo. Com arte, beleza, elegância, com sorrisos, com lágrimas, com arrojo ou com humildade. Fotografias, sim, mas não só.

 

publicado às 11:25

Em carne viva.

por naomedeemouvidos, em 16.10.19

A luta pela independência da Catalunha já fez correr muita tinta, e não vai ficar por aqui.

Não se pode ficar indiferente à sentença proferida pelo Supremo Tribunal Espanhol que condenou a penas de prisão políticos catalães, na sequência do processo iniciado pela convocação e realização do fatídico referendo em Outubro de 2017. O referendo foi considerado ilegal, decorreu de forma caótica, num clima de crispação e afronta irracional e com consequências dramáticas e ainda não acabadas de contabilizar. Na altura, Carles Puigdemon estendeu a armadilha a um impreparado Mariano Rajoy, “atirando” velhos e crianças para a frente de batalha, com plena consciência de que, se algo corresse inesperadamente mal, seria bom para atiçar os ânimos ainda mais. No meio da confusão, com muitas dúvidas em relação à fiabilidade dos resultados, o sim à independência ganhou com 90% dos votos, num contraste aflitivo com as manifestações que se seguiram: naquela altura, a Catalunha parecia bastante dividida na vontade de ser independente, em Maio deste ano, 48,6% dos catalães rejeitava a independência da Catalunha frente a "Espanha", e, logo a seguir ao referendo de 2017, foram várias as empresas e bancos que ameaçaram mudar e mudaram as suas sedes para outros locais. Num processo continuamente atabalhoado, Puigdemon prometeu declarar a independência catalã, adiou-a, declarou-a para suspendê-la imediatamente a seguir e, quando se viu encurralado nos seus intentos, fugiu. No culminar deste processo, judicialmente falando, há políticos presos a quem muitos preferem chamar presos políticos, rasgando as vestes em protesto contra a ignomínia.

É sempre difícil encontrar consensos depois de se extremarem posições. Fala-se na necessidade de resolver politicamente o problema, mas, ninguém parece saber muito bem como, porque não é fácil. Os independentistas catalães mais radicais não querem ser confundidos com “espanhóis”. Sentem-se-lhes algo superiores, em vários aspectos, nomeadamente, na língua, na cultura, no trato. Daí que, a questão para aqueles não se prende com ter mais autonomia face à Espanha que desprezam; trata-se de se livrarem dessas amarras que entendem como uma invasão, literalmente. Por muito chocante que seja a condenação dos nove políticos catalães que foram sujeitos a julgamento, qual era a alternativa? Não é apenas na Catalunha que existem vontades independentistas, como conciliar, portanto, as leis de um estado democrático com a violação dessa mesma legalidade democrática?

À vontade de independência catalã, contrapõe-se o “nacionalismo espanholista”, que recusa, dizem, a hipótese de um Estado plural; federal, como o alemão, que é visto por muitos como uma solução para o longo conflito Barcelona-Madrid.  Numa Catalunha bastante dividida entre o sim e o não, é possível que o federalismo seja suficiente para afastar o desejo de independência?

 

É desolador ver como, ultimamente, as manifestações pela democracia facilmente resvalam para a violência mais selvagem. O direito de contestar e ser ouvido subvertido a um campo de batalha campal, onde sobra a destruição pura e bruta, a intimidação, o terror. Barcelona está transformada num cenário de guerra, como já esteve Paris, como já esteve Hong Kong, e ainda não acabou.

 

Precisamente, há alguns dias, o programa “Toda a Verdade” mostrava os bastidores das manifestações pró-democracia em Hong Kong. Abordava-se, também, a forma como os protestos pacíficos deram lugar a actos mais violentos, como a invasão do edifício do Conselho Legislativo e a sua vandalização como consequência do falhanço das acções pacíficas, até aí. Os manifestantes reforçavam a necessidade de vandalizar os símbolos da autoridade política como a única alternativa para se fazerem escutar, ao mesmo tempo, que fixavam cartazes a pedir para não vandalizar os livros da biblioteca, ou, as antiguidades e se apelava ao pagamento das bebidas que se consumissem nos espaços ocupados, porque não eram ladrões. Nada disto diminui, no entanto, o choque com que se olha para aquelas imagens, como não diminui o perigo de mergulhar na barbárie dos ataques violentíssimos de parte-a-parte. Depois de começar, de estar lá, no terreno, de fazer parte, é difícil não seguir o rebanho.

 

Não tenho qualquer simpatia por manifestações violentas de vontades; ainda que democráticas. Acho que nos afastam sempre da urbanidade sana de que precisamos para nos mantermos à tona, não à toa, da enxurrada de escombros que resulta do confronto entre duas partes que, mesmo quando se pretendem cordatas e razoáveis, deixam de ser capazes de se ouvir. A dada altura, deixa, igualmente, de ser necessário procurar entender quem tem razão. Urgente é encontrar uma base de entendimento e, imperiosamente, uma solução, antes que seja tarde demais.

publicado às 10:42

Para não esquecer.

por naomedeemouvidos, em 15.10.19

"Ó mãe, tantas árvores no chão, que tristeza."

 

publicado às 13:58

Catalunha.

por naomedeemouvidos, em 15.10.19

(vou cá voltar)

Catalunha.PNG

 

publicado às 12:22

Ser, parecer e transparecer.

por naomedeemouvidos, em 15.10.19

Se não é assim, parece. E parece mal. É o que dá azo a que transpareça um clima de desconfiança que se pega à pele de todos os que se misturam em política, dos seus actores principais, aos secundários, a que nem escapam os figurantes...ou figurões; mas estes, calhando, não se incomodam.

Se altos (ir)responsáveis políticos, como se diz tão bem, têm por hábito vir queixar-se, lamuriosos, da cronologia cínica de notícias incómodas e/ou escandalosas – que, sim, que é uma jogada do Ministério Público, que, sim, que é um golpe da malfada oposição seja ela qual for –, por maioria de razão, quando idêntica cronologia é desvirtuada sem(?) razão aparente, o povo tem o direito de ficar com a dita atrás da orelha. Seja na sexta às 9, seja noutra altura qualquer em que a bota pareça bater bastante bem com a perdigota. 

 

Rui Rio também já tinha agitado a dúvida. No Twitter, que é onde agora se faz boa política. E o problema é que, inevitavelmente, são muitos os que se questionam se, invertidos os papéis, a coisa seria substancialmente diferente. "Porque será?", para não fugir à retórica.

 

publicado às 10:55

Ódios (in)humanos.

por naomedeemouvidos, em 14.10.19

O Discovery Channel estreou ontem um documentário de seis episódios sobre o "ódio". Ou melhor, sobre o que poderá estar na sua origem, e se esse sentimento, expresso de tantas formas diferentes, é exclusivamente nosso, ou se também pode ser sentido, vivido e exibido por outras espécies. “Why We Hate” foi pensado por Steven Spielberg e realizado por Geeta Gandbhir e Sam Pollard.

Logo na abertura, somos alertados para o conteúdo da coisa. A série explora o conceito de ódio (se assim posso dizer) e, portanto, contém imagens racistas, discursos de ódio e violência. Assim é. Os abraços generosos que começam por encher o écran, escudados na legenda que exorta a nossa capacidade "inigualável de amar e colaborar", rapidamente cedem lugar a representações de intolerância, seja individual ou em matilha, anónimas ou gravadas em dolorosas verdades históricas (que alguns grupos de imbecis alternativos pretendem limpar com recurso a uma espécie de breviário redentor de sofisticadas teorias conspirativas da humanidade). Afinal, por que motivo somos capazes de odiar, às vezes, até à morte?

 

O primeiro episódio centra-se na “origem” dessa “habilidade” para odiar e na capacidade para a exprimir violentamente. Será exclusivamente humana? Brian Hare, um antropólogo evolucionista, propõe-se tentar perceber isso mesmo, procurando pistas no comportamento animal, nomeadamente, observando e interagindo com grupos de chimpanzés e bonobos dentro das suas comunidades. Perturbadoramente parecidos connosco, indistinguíveis a olhos leigos ou mesmo a especialistas pouco treinados, aqueles dois grupos de primatas não-humanos (mais ou menos, já que, em termos genéticos, parece que são 99% humanos), são, no entanto, radicalmente diferentes em termos de comportamento social: os chimpanzés organizam-se numa sociedade muitíssimo mais agressiva, e Brian Hare e a sua equipa foram tentar perceber porquê. Intuitivamente, percebemos que, enquanto humanos, podemos encaixar nos dois extremos: na tranquilidade afável e protectora dos bonobos, ou na violência bruta e territorial dos chimpanzés. Vale a pena ver.

 

O mais assustador é ver o ódio associado a pessoas aparentemente normais. Não é novidade. Cada vez menos, aliás. O rapaz que diz à jornalista que a odeia porque ela é americana. A senhora de meia idade que não se reprime de os mandar para a lixeira de onde vieram e que fiquem por lá, uma outra que diz a um mexicano que o odeia porque ele é mexicano. O homem que veste uma T-shirt com o busto de Hitler, num dia-a-dia banal com as crianças; a menina amorosa que segura um cartaz onde se lê que Deus odeia os homossexuais, e os transeuntes que saem dos carros empenhados em atacar esses mesmos que se manifestam contra os gays, num dia, contra os judeus, noutro. O ódio - como o amor - não parece conhecer barreiras. E, à cabeça de todas as banalidades, a facilidade com que a propaganda despejada já não só e apenas pelas mal-afamadas redes sociais, mas pelos próprios meios de comunicação mais convencionais, é capaz de contaminar o cidadão mais pacato, agrupando frustrações, misérias e desencantos que, subitamente, conduzem a uma escalada de violência massificada pronta a colher a vítima mais à mão, a satisfação da turba esvaziada até ao próximo desabafo; como a adicção a uma droga, em que a dose anterior deixará de ser suficiente para acalmar a crescente corrupção do corpo e, sobretudo, a corrupção da alma.

 

No documentário, inevitavelmente, o bulliyng surge como a expressão presente e mais visível do ódio de que somos capazes contra o outro, contra a sua diferença, que vemos quase sempre como uma ameaça. Entre os testemunhos de adolescentes “fora da norma” e, por isso, vítimas de agressão, impressiona o da menina que passou de vítima a carrasco, de apoucada a popular, espaldada e adorada pelo novo grupo depois de, farta de ser achincalhada, resolver virar o jogo e espancar uma outra miúda da escola, na escola. Cicela Hernandez não estava habituada a esse poder, e o poder deixou-a fascinada. O seu círculo de amigos era, agora, formado pelos miúdos mais populares da escola, que a respeitavam na proporção da sua maldade para com os outros. Este é, aliás, o meu ponto de partida para uma discussão que me desassossega e que, para mim, tem expressão máxima na figura do actual presidente americano. Bem sei que há outros, o mundo está cheio de monstros. Vêmo-los todos os dias, em qualquer lugar. Se nos esquecermos, há sempre alguém inteligente e disponível para nos lembrar: então e o Orbán, então e a Le Pen, então e o Salvini, então e todos esses ditadores que tratamos de não incomodar a troco das boas relações comerciais, diplomáticas e outras desculpas que tais? É possível que seja falta de visão da minha parte, essa visão que se me tolda, inquietando-me o espírito sempre que vejo aquele séquito adulador que, nos comícios de Trump, ri como um bobo e aplaude com deleitoso escárnio as injúrias que o seu formidável presidente gosta de distribuir pelos adversários. O maior palco político democrático convertido num cenário de reality show fedorento, uma orgia ansiada de insultos rasteiros outorgados e celebrados como sinal de uma América maior outra vez. O recreio da escola fina, elitista, o balneário das conversas despreocupadas, onde os poderosos se besuntam na humilhação orgástica dos mais fracos, respaldados pelas claques vestidas a rigor no corpo e na alma. Esse poder glorioso e inebriante de que a jovem Cicela Hernandez não sabia de como abdicar uma vez provado, e de que Donald Trump (e os da sua elegante estirpe) vive, numa paranóia crescente, achando-se invencível e à prova de qualquer limite moral, may Donald bless America. A sua, pelo menos. 

 

Nos últimos dias, a pretexto das diversas reacções que o filme “Joker” tem provocado, muitos são os que têm discutido sobre a verdadeira influência que este tipo de arte pode ter sobre as massas. Há os que acham a sugestão séria e acreditam que é real o perigo que a exibição ostensiva de violência (física e não só), ainda que contida numa forma ficcionada, pode representar para soltar o rastilho, inflamar o pior que há em nós, principalmente, junto dos que se sentem diminuídos, marginalizados e/ou ostensivamente injustiçados. Depois, há aqueles que consideram que a ligação entre as duas coisas é manifestamente exagerada; paranóica, até. Afinal, garantem-nos, já houve outros filmes, outras provocações, e a humanidade não anda, propriamente, a copiar massacres em alucinado frenesim, a converter badaladas estreias e obras aclamadas pela crítica em desgraças reais a cada sucesso de vendas. É certo. Mas, talvez, nunca até estes dias houve tamanho despudor em idolatrar a infâmia. E isso, seguramente, há-de representar um perigo.

publicado às 12:50

???

por naomedeemouvidos, em 12.10.19

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Estou aqui a perguntar-me o que se terá passado na redacção do PÚBLICO...

publicado às 09:15



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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