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Bem ou mal, tudo o que aqui está escrito é da autoria de naomedeemouvidos, salvo citações e/ou transcrições devidamente assinaladas, embora, alguns textos "EntreLetras" se baseiem em lendas ou histórias conhecidas.
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"In all natural disasters through time, man needs to attach meaning to tragedy, no matter how random and inexplicable the event is. "
Nathaniel Philbrick
Acabo de ler um artigo interessante, no Expresso, sob o título “Salazar controlou tudo. Até os ousados fatos de banho das refugiadas”.
Parece que as mulheres estrangeiras que chegavam a Portugal, refugiadas de uma Europa “mais tolerante”, mas em guerra, comportavam-se de uma forma que, no Portugal da época, era, basicamente, indecente. Parece que as senhoras usavam saias curtas, fumavam e, pasme-se!, iam sozinhas para o café! E Salazar, para evitar (mais) atentados ao pudor, regulou sobre algo muito, muito actual: o traje de praia!
Os anos passaram, Portugal mudou e a Europa também. Os costumes já não são o que eram e, agora, somos nós, europeus em geral, os sem-vergonha, pelo que, diferentes líderes europeus se vêem novamente a braços com mais do mesmo: de que forma (principalmente) as mulheres devem expor as suas carnes, no areal e, até, fora dele. De modo que, o tal “politicamente correcto” manda, de momento, que nós tenhamos de respeitar costumes mais decentes do que os nossos, tratando de criar condições para que ninguém se sinta ofendido por ser obrigado a ver mais mamas e coxas do que é suposto e muito temo que, com Salazar ou não, ainda nos vamos ver a todas de burkini. Não foi em Espanha que, recentemente, se sugeriu que as nadadoras-salvadoras vestissem uns calçõezitos, menos consensuais, mas muito mais impolutos?
"Se odeias uma pessoa, odeias algo que faz parte de ti. O que não é parte de nós, não nos perturba." Hermann Hesse
Ao contrário de Ivanka Trump (a próxima presidente dos EUA?, a seguir ao pai), que veio a público dizer que “não há espaço para racismo, supremacia branca e neonazis” (resta saber se estava a ser totalmente sincera), o pai Donald está de baixo de fogo por não ter condenado, com a veemência que lhe é habitual, a marcha fascista que teve lugar em Charlottesville. Donald Trump, o homem sem papas na língua, que usa o twitter como uma G3 em tempo de guerra, capaz de disparar furiosamente contra tudo e contra todos os que se lhe opõem, o salvador da pátria que distribui insultos como chocolates em tempo de Natal, não foi além de uma ligeira “condenação” ao que chamou “demonstração de ódio, intolerância e violência de muitas partes, de muitas partes”.
Donald Trump não condenou positiva e inequivocamente a marcha destes inqualificáveis, grupos nazis, supremacistas brancos, activistas da alt-right e afins, porque partilha de muitas das suas posições. Como dizia hoje, no Público, Miguel Esteves Cardoso, “é possível que Donald Trump não seja racista, mas é improvável.” É altamente improvável aliás, porque todos sabemos que muitos dos elementos desta turba de fanáticos, prenha de nada mais do que ódio, não só ajudaram a levar Donald Trump à sala oval da Casa Branca, como viram na sua eleição uma espécie de consentimento para voltar a sair à caça. É bom não esquecer, também, que apoiantes da alt-right celebraram, à data, a eleição de Trump com a saudação nazi e só isto devia ser suficiente para fazer corar de vergonha aqueles que consideram Trump a alternativa. Em pleno século XXI, morreu(!) uma pessoa numa manifestação contra grupos racistas.
A eleição de Donald Trump, abriu uma caixa de Pandora, permitindo a muitos passar a dizer em público e com aberto despudor o que apenas se atreviam a murmurar à boca pequena e entre os da mesma laia.
Agora, as imagens de elementos do odioso KKK, envergando as suas tenebrosas túnicas brancas com o típico capuz são mais do que simbólicas, são uma premonição do mal que ainda pode vir e o movimento vai, aos poucos, assumindo-se de forma mais visível, depois de ter declarado em público o seu voto em Trump. É certo que o candidato veio rejeitar o apoio, na altura, mas não fará isso parte do espectáculo?
Citado por uma revista americana, um participante na ignóbil marcha de sábado em Charlottesville falava de uma “vitória fenomenal”, ao mesmo tempo que se congratulava com a necessidade que a polícia tivera de recorrer à violência contra eles para os “calar”: “Isto mostra que nós somos uma ameaça inacreditável para o sistema.”
É a supremacia, sim, mas da vergonha.
Tenho uma relação de amor-ódio com as caixas de comentários de algumas publicações. Com algumas daquelas que ainda resistem, diga-se, porque muitos jornais e revistas on-line, como o Público, o Expresso ou a Visão, acabaram com essa espécie de palco de bullying virtual, onde uma assustadora fatia de comentadores coléricos se diverte (imagino eu) a vomitar ódios e insultos contra tudo e contra todos, verdadeiros hooligans do vernáculo mais descarado e despropositado.
O delírio é tal que basta ler duas linhas do que expelem esses ditos “comentadores” para perceber que, na maior parte das vezes, nem se deram ao trabalho de ler o que se propõem “comentar”. Para esta turba maledicente é suficiente olhar para o nome que assina a crónica (ou de quem assina um outro comentário) para dar largas à imaginação e mergulhar numa orgia de enxovalhos, capaz de enervar o escritor mais bonançoso. A crónica mais inócua sobre o tema mais inofensivo é capaz de desencadear a mais indignada das reacções destes verdadeiros cruzados da violência verbal, de modo que, o que começou como uma tentativa de promover o debate, a troca de ideias, a argumentação em torno do conhecimento nas suas diferentes formas entre quem opina e quem lê e crítica, rapidamente se transformou num antro de degradantes ataques pessoais. A tentativa mais bem-intencionada de promover discussões construtivas entre os diferentes interlocutores cai rapidamente para o chamado whataboutery, termo que só há pouco conheci, mas que define na perfeição o exercício a que muitos se dedicam: se eu escrevo um artigo sobre “árvores de fruto”, porque é que não falo de “ervas aromáticas”?, tenho alguma coisa contra as ervas aromáticas?, vê-se logo que sou xenófoba (ah, pensavam que a palavra não se aplicava, não era, vão lá ler comentários…)!
A psicologia é capaz de explicar, pelo menos, em parte a necessidade de alguém vir despejar, a coberto do anonimato ou, pelo menos, sem mostrar a cara, injúrias a torto e a direito. Deve funcionar como um escape, digo eu. Mas, numa coisa, nós portugueses, aparentemente, somos mais justos. Parece que insultamos igualmente e com a mesma intensidade, homens e mulheres, religiosos e não religiosos, brancos e pretos, homossexuais e heterossexuais, nacionais e estrangeiros, novos e velhos, enfim, no que toca à ofensa, somos do mais igualitário que há!
Há mais um capítulo na telenovela Isaltino Morais, o super-autarca que tantos adoram. “A democracia é o pior dos regimes, com excepção de todos os outros” e, democraticamente, muitos eleitores anseiam por validar, com o seu voto, o regresso desse autarca magnífico que tanto fez por Oeiras, enquanto tanto ou mais fazia por si próprio, mas isso não interessa nada. Entre os amigos que conto e que apoiam, incondicionalmente, Isaltino Morais (a amizade é um pouco como o casamento, na alegria e na tristeza…), o maior “elogio” que lhes ouço é, qualquer coisa do género, “pelo menos, este ainda vai fazendo qualquer coisa”. E naquele “pelo menos” já sei o que cabe.
A corrupção mais ou menos escondida, a troca de favores, os cargos por encomenda, o rápido enriquecimento pessoal, a teia de contactos que os faz saltitar entre cargos públicos e privados consoante o vento, dividiu os políticos em duas categorias, aos olhos da população em geral: os que usam os cargos públicos em proveito próprio, exclusivamente, e aqueles que, para além disso, “pelo menos” ainda vão fazendo qualquer coisita pelo povo. Isaltino, aparentemente, encaixa-se nesta última. Após ter sido condenado e ter cumprido pena por crimes de fraude fiscal, abuso de poder e corrupção passiva e branqueamento de capitais, Isaltino Morais apresentou a sua candidatura à câmara de Oeiras, pois, parece que, o “povo” assim o exigia. Aliás, o “povo” nunca deixou de exigir Isaltino como autarca. Foi assim que nasceu a candidatura do (actualmente ex-)amigo Paulo Vistas, em 2013, com o nome “Isaltino, Oeiras Mais À Frente”, na altura em que o ex-autarca se encontrava a cumprir pena efectiva de prisão.
Durante algum tempo, pouco, Paulo Vistas ainda esperava que o “amigo” não se apresentasse como candidato, oh, ingenuidade, pelo que, tirou o “Isaltino” e manteve “Oeiras Mais À Frente”, descartando, pelo caminho, o apoio do PSD.
Eis se não quando, o “povo” de Oeiras (lá está, não se pode suspender a democracia, quando convém) “praticamente exigiu” que Isaltino voltasse a casa! Recolheram-se assinaturas e, bingo!, Isaltino Morais é (ou era, de momento) novamente candidato à sua amada autarquia. E agora entra em cena mais uma daquelas peripécias em que somos exímios, não há remédio: o tribunal rejeita a candidatura do filho pródigo e este, “perplexo”, deixa cair uma suspeita de parcialidade sobre o juíz, afilhado de casamento de Paulo Vistas! Touché! Mas, há mais: parece que a mulher do juíz, por sua vez, trabalha no “laboratório dos serviços intermunicipalizados de Oeiras e Amadora”, seja lá o que isso for.
De modo que, a procissão ainda vai no adro. Mas é sempre reconfortante quando a justiça se põe a jeito para dar crédito a políticos altamente recomendáveis, acabadinhos de sair da prisão por provadas práticas desonestas e violação da lei. De modo que, para alguns eleitores, de tanto ouvirem ou repetirem que todos os políticos são ladrões, é completamente indiferente a ausência generalizada de ética. Aliás, qual ética?
"Coragem é o que é preciso para erguermos a voz; coragem também é o que é preciso para nos sentarmos a ouvir." Winston Churchill
As notícias de violência sobre crianças dão-me sempre volta ao estômago. E, quando envolvem condenações por pena de morte, mexem com as minhas crenças, que nada têm de religiosas.
Nos EUA, uma mulher de 29 anos foi condenada à pena de morte por deixar morrer uma criança (uma prima) de dez(!) anos, fechada numa caixa, exposta a temperaturas superiores a 37 ºC. Parece que a menina roubou um gelado e, pasme-se!, esse foi o seu castigo. Sete intermináveis e sufocantes horas, confinada a uma caixa de plástico, sob um calor assassino. Inacreditável, não é, como alguém pode exercer tanta maldade? Também parece que, anteriormente, a menina já tinha sido obrigada, pela mesma prima e outros “adultos” com quem habitaria, a “beber molho picante, a comer excrementos de cão e a pisar latas de alumínio com os pés descalços”, segundo relata o jornal Público. O que não terá sofrido aquela criança!
A demoníaca mulher foi condenada à morte, mas pergunto-me se essa é uma punição adequada. Por outro lado, o que será “adequado” como castigo exemplar para alguém que é capaz de tamanhos actos de barbárie contra uma menina de dez anos? O que move alguém a exercer tamanha violência sobre outro alguém, ainda mais, à sua responsabilidade? Maldade? Inveja? Loucura? Era aqui que eu gostava de ter aquela fé inabalável na justiça divina, onde todos seríamos (seremos?) chamados à presença desse Deus misericordioso e por Ele julgados, encontrando aí, finalmente, a punição à altura do crime e a recompensa dos justos. Será menos insuportável para quem acredita?
“I know not with what weapons World War III will be fought, but World War IV will be fought with sticks and stones.”
Albert Einstein
O presidente dos Estados Unidos e o líder norte-coreano resolveram brincar aos jogos de guerra. De ameaça em ameaça, dois alienados divertem-se a trocar “mimos balísticos”, olha que a minha ogiva é maior do que a tua, e o resto do mundo encolhe-se, imagino, enquanto reza (os que acreditam) a todos os santinhos para porem alguma ordem nisto.
Enquanto Kim Jong-un está preparado para dar uma “lição severa” aos EUA, Donal Trump ameaça “brindar” a Coreia do Norte com “fogo e fúria como o mundo nunca viu”. Nós é que não estamos preparados para nada disto, digo eu, pelo que, convinha que alguém que perceba alguma coisa disto tomasse as rédeas da situação, ou a humanidade vai acabar muito mais cedo do que previa Stephen Hawking aqui há uns meses atrás…
Idade - Tem dias.
Estado Civil - Muito bem casada.
Cor preferida - Cor de burro quando foge.
O meu maior feito - O meu filho.
O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.
Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.
Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.
Imprescindível na bagagem de férias - Livros.
Saúde - Um bem precioso.
Dinheiro - Para tratar com respeito.
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