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Bem ou mal, tudo o que aqui está escrito é da autoria de naomedeemouvidos, salvo citações e/ou transcrições devidamente assinaladas, embora, alguns textos "EntreLetras" se baseiem em lendas ou histórias conhecidas.
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"Conhecimento é poder." Thomas Hobbes (?)
Há quem não goste da designação. Acham que pode ter conotação negativa. Eu não acho que seja possível designar-se de outra maneira. Como também não acho que o “contrato” não venha a contemplar regalias financeiras para a mulher que escolha transportar, como se de mercadoria se tratasse, um filho para depois o entregar a uma família que o irá criar.
Os defensores da chamada “gestação de substituição” (é impressionante a ginástica linguística, vulgo eufemismos, que fazemos para não ferir susceptibilidades, sempre a bem do odioso politicamente correcto) afirmam que os casais que não podem ter filhos “naturalmente”, têm o direito a fazê-lo por esta via. E os “outros”, que não concordam, que não acham “natural” que uma mulher gere e carrega no seu ventre um ser que, por contrato e por decreto, não há-de criar como filho, são egoístas porque não se compadecem com o sofrimento daqueles casais. E o sofrimento das crianças? Quem garante que as crianças geradas por contrato, nascidas por contrato, trocadas por contrato estarão a salvo de sofrimento?
Laurinda Alves escreve, hoje, no Observador, uma crónica bastante interessante e assertiva sobre o tema, onde cabem muitas mais interrogações do que aquelas que a autora levanta e, só essas, já dão bastante que pensar.
Vamos imaginar uma mulher que, a troco de nada a não ser de amor pelo próximo, aceita gerar uma criança para depois a entregar àqueles a quem a tal se propôs. Essa mulher, tão generosa, tão dotada de amor pelo próximo, tão compadecida do sofrimento daqueles pais que não podem completar a sua felicidade de outra forma, essa mulher, dizia, não terá um enorme amor pela criança que gerou? Vai conseguir “entregá-la” e esquecer os 9 meses em que cuidou dela, da sua saúde, do seu bem-estar? E se essa mulher for parente próxima da outra mulher impedida de gerar e parir, uma irmã, uma prima, uma tia? Como vai essa mulher conviver com aquela criança? Como vai vê-la crescer, dar os primeiros passos, dizer a primeira palavra, viver o primeiro dia da escola, sofrer pelo primeiro amor?
E a criança? Vai saber que aquela “irmã”, “prima”, “tia” é a sua mãe biológica?
E se, por outro lado, tudo vier a correr mal e a criança chegar a ter problemas graves, de saúde, de exclusão social, etc, etc, etc, os pais amorosos não vão esquecer-se da grande e generosa dádiva e descarregar a sua enorme frustração naquela que gerou aquele filho? Já sei, já sei, a gestação de substituição só pode ter lugar “com recurso aos gâmetas de, pelo menos, um dos respectivos beneficiários, não podendo a gestante de substituição, em caso algum, ser dadora de qualquer ovócito usado no concreto procedimento em que é participante.” Como se usássemos sempre e exclusivamente da razão para compreender e suportar todas as rasteiras que a vida nos vai proporcionando!
E, se tudo é tão “normal”, “natural” e “ético”, legislado e legislável, por que não se estende a lei também aos casais homossexuais? Também há-de chegar, claro. A esses casais e a todos quantos, entretanto, acharem que estão a ser discriminados por serem brancos, pretos, amarelos às pintinhas, côr-de-burro-quando-foge, semi-homem, semi-mulher, assim-assim e tudo, mas mesmo tudo o que se vier a inventar depois. E digo-o apenas como a constatação de um facto, nada mais. Há-de caber naquele “só é possível (…) nos casos de ausência de útero, de lesão ou de doença deste órgão que impeça de forma absoluta e definitiva a gravidez da mulher ou em situações clínicas que o justifiquem”, exímios que somos em encontrar, na lei, a palavra ou a expressão que mais se adequa à nossa situação, assim haja o dinheiro necessário para pagar ao advogado mais "competente".
Todos os casais têm o direito a ter filhos, a bem da sua felicidade plena. E, exactamente, que direitos têm as crianças?
"Dai-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei o mundo!" Arquimedes
"Há uma pergunta que me parece dever ser formulada e para a qual não creio que haja resposta: que motivo teria Deus para fazer o universo? Só para que num planeta pequeníssimo de uma galáxia pudesse ter nascido um animal determinado que iria ter um processo evolutivo que chegou a isto?" José Saramago
Ultimamente têm sido frequentes os incidentes e os acidentes com aeronaves. Já depois da recente tragédia na Caparica, ouvi mais duas notícias, a última das quais, na Suíça onde três pessoas morreram.
Quando, destes acidentes, resultam mortes completamente alheias à situação, à compaixão para com as vítimas e as suas famílias junta-se, demasiadas vezes, a revolta popular. Os ânimos exaltam-se, todos têm algum juízo a fazer e logo uma turba isenta de pecado, com as almas mais limpas que a de Nosso Senhor Jesus Cristo, reclama o justíssimo olho por olho, dente por dente, vida por vida. A tragédia a somar à tragédia, como se daí resultasse algum consolo para quem perdeu os seus entes queridos de forma tão absurda.
Evidentemente, urge encontrar respostas, apontar responsabilidades e exigir castigo. Se alguém perder o controlo do seu carro, subir um passeio e matar outro alguém, não pode sair impune, à mercê apenas(?) da sua própria expiação e arrependimento, mesmo que a sentença própria nos martirize mais, por vezes, do que a do tribunal. Exige-se, naturalmente, a justiça dos homens, proporcional ao acto. E é neste “proporcional” ao acto que a sociedade se divide amiúde, mais ou menos freneticamente. A falta de altruísmo será crime? Todos somos capazes de pensar no outro antes de pensarmos em nós próprios? O piloto do cessna 152, na fatídica quarta-feira passada, pensou em salvar a sua vida, independentemente das consequências para a vida dos outros? E, se o pensou, foi cobarde?
Actos de heroísmo não estão ao alcance de qualquer um. O que leva alguém a pôr em risco a sua própria vida para salvar a de outrem? Quem tem o sangue frio, o desapego de pensar, em escassos segundos, se fizer a) morro eu, se fizer b) posso matar alguém, logo, escolho a)?
Gosto de pensar que todos temos o nosso quê de grandiosidade moral que nos permite tomar decisões de vida ou morte em prol dos outros, em algum momento da nossa vida, mas, não, isso não está ao alcance de todos.
"O dinheiro faz homens ricos, o conhecimento faz homens sábios e a humildade faz grandes homens." Mahatma Gandhi
Começo por dizer que, normalmente, não perco tempo com futebol. Acho obsceno o dinheiro que se move nessa espécie de submundo, a alienação dos adeptos, a violência, a falta de desportivismo, enfim, a quase total ausência de razão. No entanto, raramente, muito raramente, vibro com a alegria que o futebol também pode trazer, de facto, como aconteceu com a nossa vitória no último europeu de futebol. E, muito menos raramente, admiro quem se dedica a 110% à profissão que escolheu, seja ele um cantoneiro ou um desportista de topo, porque acredito que se nos pagam para desempenhar uma determinada tarefa devemos desempenhá-la com brio.
Dito isto, tenho uma enorme admiração pelo que Cristiano Ronaldo representa como profissional. A dedicação, a competência, o esforço físico, o espírito de sacrifício, o querer sempre mais e melhor são características que o distinguem, com diferença, da maioria dos colegas de profissão, independentemente de o apreciarmos como pessoa. Cristiano Ronaldo é um atleta fora de série e na base desse fenómeno está, sem dúvida, ele próprio, a sua teimosia, a sua resiliência e a sua vontade, essa que, como dizia Einstein, é mais forte do que o vapor, a electricidade e a energia atómica! Se não fosse a vontade de Cristiano Ronaldo, ele não teria chegado onde chegou, não haverá sobre isso a mínima dúvida. O que conseguiu não está, de facto, ao alcance de qualquer um. E por isso, por ter atingido o que muitos nem sonham, fica-lhe mal a arrogância descabida de achar que é pelo seu nome ou pelo seu “brilho” que deve prestar constas, quando essas contas lhe são exigidas por quem de direito.
Convenhamos, porque não somos todos parvos, que todos sabemos a parafernália de esquemas que pululam de forma mais ou menos regular, mais ou menos lícita ou mais ou menos amoral, para que alguns possam pagar menos impostos. Alguns, evidentemente, porque tais esquemas também só estão ao alcance de alguns, neste caso, não tanto pela mão do prestígio ou da glória. O que não sabemos, efectivamente, é em qual dos esquemas é que Cristiano Ronaldo estará envolvido. Pode ser um esquema perfeitamente legal; mas o senhor, por mais notável e heroico que seja, não está acima de suspeita e, desde logo, não está acima da lei. Vir dizer que é pelo seu “brilho” que o perseguem e, portanto, pela “inveja” que se tem aos “ricos”, já não pega, a não ser aos lorpas. Como muito bem já disse noutras ocasiões, quem não deve não teme. Se Cristiano não deve, que se cale, que se mantenha firme na sua defesa, mas não se arme em Deus, nem se julgue acima dos “reles mortais”, embora, a bem da verdade, seja fácil embriagar-se nessa fama que o carrega ao colo: basta ver o circo que se montou à porta do tribunal em Madrid para ouvir o craque que nem se dignou a aparecer…
"A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro." Platão
Nicolás Maduro transformou a Venezuela num palco de guerra civil. As imagens de violência, de destruição, de total caos nas ruas de Caracas são desoladoras.
Embriagado pelo poder a qualquer custo, Nicolás Maduro criou, a ferro e fogo, todas as condições para submeter um país inteiro aos seus caprichos, não olhando a meios para alcançar o poder absoluto, encabeçando uma gigantesca farsa cujo repúdio quase providencial se materializou na ironia simbólica do não reconhecimento do seu “Cartão da Pátria” pelo sistema electrónico: “A pessoa não existe ou o cartão foi anulado”, devolveu seca e implacavelmente a máquina quando Maduro se preparava para dar, em directo, mais uma lição ao mundo. Não surpreenderá, assim, que ele fale numa participação de mais de 40% e a oposição nos meros 12 %...
A sucessão de mortes, nomeadamente, dentro de elementos da oposição mostra a determinação sanguinária do ditador, porque de um ditador se trata, com tudo o que um ditador tem de mais negro. Hugo Chávez não deixava de o ser, também, mas Maduro não tem o carisma do seu antecessor. Chávez tinha a simpatia do povo e a fidelidade do “seu” exército. Quanto tempo durará o apoio do exército a esta espécie de usurpação?
Nicolás Maduro esmaga o seu povo sem dó nem piedade, enquanto fala numa “luta pela paz”. Qual paz? Que paz pode ser alcançada eliminando, como moscas, todos quantos se lhe opõem, oprimindo violentamente quem dele discorda, empurrando para a miséria os seus semelhantes, obrigando crianças a vasculhar no lixo numa procura desesperada de algo com que matar a fome?
Muitos alegam que a oposição nunca reconheceu verdadeiramente a legitimidade de Hugo Chávez para comandar os destinos da Venezuela e, portanto, não querem reconhecer a “legitimidade” de Maduro para continuar a governar o país. Até pode ser verdade. Mas o desfilar de horrores a que temos vindo a assistir deveria ser suficiente para duvidar das verdadeiras intenções por trás da urgência de Maduro na sua “Constituyente”.
Às sansões impostas pelos Estados Unidos, nomeadamente, o congelamento de todos os bens de Nicolás Maduro sob sua jurisdição e a proibição a todos os cidadãos ou entidades norte-americanas de negociar com o presidente venezuelano, Maduro responde que não tem medo de nada. Nem de Deus, tem medo! A Deus, apenas ama. Ama tanto, imagino, como se ama a si mesmo, ébrio que está com o poder absoluto que se prepara para abraçar num delírio selvagem e sangrento que não deixará pedra sobre pedra.
Idade - Tem dias.
Estado Civil - Muito bem casada.
Cor preferida - Cor de burro quando foge.
O meu maior feito - O meu filho.
O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.
Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.
Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.
Imprescindível na bagagem de férias - Livros.
Saúde - Um bem precioso.
Dinheiro - Para tratar com respeito.
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