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naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

Mais um caso, nada raríssimo...

Rendi-me ao título do dia.  Mais um caso, nada raríssimo, a mostrar que Portugal, na sua essência, continua igual a si próprio. Bem podemos babar-nos (e bem!) com o reconhecimento da nossa hospitalidade (calorosa!), da nossa gastronomia (divina!), dos nossos vinhos (soberbos!), do nosso património imaterial (um PARABÉNS enorme para os artesãos de Estremoz mais os seus deliciosos bonecos), etc, que a imagem de marca do chico-espertismo no seu pior, não desloca. É a nódoa no melhor pano que nos envergonha até à náusea.

Não me vou alongar em grandes indignidades ou acusações contra a senhora-dona-excelentíssima-reverendíssima-(não sei se)-doutora/engenheira Paula Brito e Costa (colocar-me-ia de pé, se a senhora estivesse a olhar). Basta ver o trabalho da jornalista Ana Leal para perceber que, às vezes, o mote é “culpado até prova em contrário”, porque inocentes só mesmo aqueles, parvos!, que vivem sem favores do Estado e a quem o Estado espreme até ao osso quando o dinheiro escasseia e a crise bate à porta. Outra vez.

Mesmo assim, há uma indignação que é devida. Como sempre, salvo as honrosas excepções dos que deram a cara para denunciar os abusos, a maioria daqueles que conviviam de perto com as extravagâncias de sua Alteza Paula Brito e Costa, nunca desconfiaram de nada, nunca viram nada, nunca souberam de nada. Caramba! Eu devia ter direito a receber um prémio Nobel pela minha elevada inteligência, pois estou, claramente, acima da média dos meus compatriotas da pseudo-elite intelectual e capaz de desempenhar cargos de responsabilidade.

A saber, entre os que não sabiam, e só para dar alguns exemplos, o actual secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado que recebeu uma avença de três mil euros mensais da Raríssima, a partir de 2013; a deputada do PS Sónia Fertuzinhos que viajou a trabalho, para a Suécia, a expensas da Raríssimas, viagem essa que, posteriormente, foi paga à associação (o que é sempre curioso); o antigo vice-presidente da assembleia geral da Raríssimas, nada mais, nada menos que o actual ministro da Segurança Social, Vieira da Silva que também é (Portugal é um ovo…de codorniz!) marido da Sónia Fertuzinhos! Pode ainda não ter queimado, mas que cheira a esturro, lá isso cheira.

Como sempre, indignações ensaiadas sucedem-se quando os “escândalos” saltam para a praça pública e as investigações iniciam-se ao ritmo das notícia e dos “likes” e “unlikes” das redes sociais, porque, até lá, raramente alguém sabe de alguma coisa…

Make Israel Geat Again

Há uma frase de Isaac Newton de que gosto particularmente, embora nada tenha a ver com qualquer das três famosas leis da Física: "Tact is the art of making a point without making an enemy".

Ora, todos sabemos que tacto é coisa que o mais recente e alaranjado presidente dos Estados Unidos não tem. De facto, Donald Trump é o elefante da loja de porcelanas e a loja de porcelanas é o mundo ao seu redor. Cada vez que o homem levanta a mão direita para debitar os 4 ou 5 adjectivos que enriquecem o seu léxico, ou para disparar mais um twitte naquele que é o seu de comunicação predilecto, parte-se mais uma peça. Desta vez, a peça partida tem um valor incalculável porque não consta que a paz tenha preço, pelo menos, em termos monetários apesar das modernices das moedas virtuais, como as bitcoins e afins.

Donald Trump é o rufia valente do agarrem-me-senão-vou-me-a-eles e parte do problema é que ninguém o agarra. Já se percebeu. Arrogante e autoritário (e mais uma série de títulos bem menos eufemísticos), manda nos Estados Unidos como manda nas suas empresas, trata todos quantos o rodeiam como trata os seus empregados e, se não concordam, estão despedidos! Espanta-me sempre como é que um homem que parece menos inteligente do que o meu filho de 10 anos (que tem, pelo menos, um vocabulário mais vasto) seja um reconhecido empresário de sucesso, um monstro dos negócios, um magnata não self-made, mas quase e, já lá vai um ano, presidente dos EUA. É fantástico!

O Hamas já apelou, vigorosa, perigosa e apaixonadamente, a uma nova Intifada contra Israel, pelo que, entre os enormes atributos de Trump, também constará para a História, a habilidade de ter feito mais do que o próprio Daesh pelo ódio contra o mundo ocidental. Creio que não será preciso ser grande analista político ou especialista em questões do Médio Oriente para imaginar o que por aí vem. A não ser que a imaginação não chegue.

Donald Trump escolheu colocar-se ao lado de Benjamin Netanyahu. Assim, numa espécie gémea do Make Israel Great, talvez sem o Again, mas definitivamente com a sua bênção. Ao mesmo tempo,  tenta lavar as mãos do desastre que se avizinha assegurando que EUA apoiam a solução de dois Estados “se ambas as partes estiverem de acordo”. Só sou eu a não entender bem o alcance deste raciocínio?

Parece que foi em 1995 que se aprovou, no Congresso norte-americano, uma lei para, efectivamente, mudar a embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém, estipulando 31 de Maio de 1999 como a data definitiva para essa mudança. E parece também que, desde 1995, todos os seis meses o presidente americano em exercício assinava um documento em que suspendia essa transferência.  De modo que, aos fervorosos adeptos e fãs de Donald Trump é fácil fazer o discurso do assim-é-que-é, basta-de-hipocrisias, acabe-se-com-o-Islão, os-muçulmanos-são-todos-terroristas e quem-não-está-comigo-está-contra-mim.

A urgência do politicamente correcto, a imposição por decreto de formas de pensar, a higienização da sociedade dita ocidental, a tentativa de reeducação em massa das populações, onde se pretende abolir os sexos e suspender os géneros, impedir as meninas de gostarem de se vestir de côr-de-rosa e de “quererem ser” princesas e os meninos de serem machos e usar azul, eliminar os estatutos de pai e mãe substituindo-os por gestantes-progenitores-cuidadores, criminalizar o mais inofensivo dos piropos e mais um ror de absurdos, tem feito bastante pela crescente onda de insatisfação das gentes, mesmos das mais pacíficas.

Enquanto continuarmos a confundir aceitar e respeitar a diferença- a nossa e a do outro- com a obrigação de pensarmos e agirmos todos da mesma forma, os “Trumps” deste mundo vão continuar a brotar como cogumelos, a escalada de violência não vai parar de aumentar e o ódio acabará por fazer mais vítimas.