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Eu thanatos, a morte sem sofrimento. Aparentemente, a expressão grega não teria nada que ver com a ideia que temos, actualmente, da palavra eutanásia e, menos ainda, com a discussão (às vezes, irracional) que opõe os “defensores da vida” aos “defendores da morte”. A primeira, à data, referir-se-ia a uma morte tranquila, sem sofrimento, de facto, mas natural. A segunda, nos dias de hoje, está praticamente reduzida à acção de ajudar a alguém a morrer, igualmente sem sofrimento, mas de forma não natural.

O tema, como qualquer tema importante, é legitimamente controverso, consensualmente discutível e, infelizmente, muitas vezes, levianamente debatido.

No último (e recente) Prós e Contras que a RTP promoveu sobre a eutanásia, um enfermeiro presente na plateia usou como termo de comparação para o diferente entendimento que (felizmente) todos temos acerca do sofrimento aquele de que podemos padecer porque o nosso "clube perdeu". Por aqui se vê onde pode chegar o absurdo da argumentação para a defesa incondicional da “vida”. É possível que o senhor se tenha arrependido do que disse assim que terminou a frase, mas, vamos ser sérios?

É absolutamente inquestionável o direito que outro tem de acreditar que, em momento nenhum, se justifica provocar, intencionalmente, a morte a alguém. Haverá sempre quem defenda o não auxílio à morte induzida de outro ser humano, seja qual for a circunstância. Tenho o maior respeito pelos médicos e outros profissionais de saúde que se recusam a facilitar a morte extemporânea de um doente. É, para esses, um dever, deontológico ou de consciência, tanto faz, do qual não querem abdicar. Ainda bem. Nada pior do que sermos obrigados a pensar por cabeça alheia.

A discussão parece, no entanto, resvalar demasiadas vezes para o absurdo.

Vamos chamar as coisas pelos nomes. Estamos a falar de morte, sim. Mas estamos, também, a falar de mais do que matar alguém; porque esse alguém já não vive. Nem sequer sobrevive.

Vamos deixar de discutir o direito de uns e começar a defender o direito de todos? Não estamos a falar de um extermínio em massa de todos os “inadaptados” da sociedade, como muitos querem fazer crer. Não se trata de eliminar os nossos velhos ou os nossos doentes, como se fossem material descartável. Tão-pouco, de erradicar vidas “inconvenientes” com a facilidade com que nos livramos de um vendedor porta-a-porta. Estamos a falar de terminar, sim, com o sofrimento atroz, desnecessário, que diminui o ser humano na sua dimensão de vida, precisamente. Privando-o de dignidade, sim! Que dignidade pode ter alguém que tem que passar a usar uma fralda? Onde está a dignidade de alguém que já só pode ser alimentado por uma sonda? Que dignidade nos resta quando dependemos de outrem para satisfazer as nossas necessidades mais básicas?

Há doenças que há muito mataram o corpo que habitam, mesmo que esse corpo ainda “viva”. Não se diga que cuidar, com toda a dedicação, amor e carinho, de um doente terminal é suficiente para que ele não sofra. Não é! Todos os que já assistimos, imponentes e horrorizados, ao definhar de um ente querido, sabemos como o sofrimento é avassalador. Para o doente, em primeiro lugar, obviamente. E para os seus, evidentemente. E, não, não é por comodismo, porque é uma “maçada” não poder sair para jantar, quanto mais ir de férias. É porque sofremos com ele. Porque o vemos em permanente agonia, que se agrava de dia para dia, hoje menos capaz do que ontem, uma degradação acelerada, alucinante, estúpida e sem marcha-atrás.

A eutanásia é mais do que matar alguém. É respeitar a vida na sua plenitude. Que não se obrigue médico algum a facilitar a morte de alguém. Mas que não se condene nem julgue os que estão dispostos a ajudar um doente terminal a “morrer bem”.

 

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A princípio, eram coisas menores. Uma pequena tarefa, sem importância, que ficava a meio, o escritório numa desarrumação pouco habitual para uma mente metódica, um colarinho desalinhado para um homem que sempre cultivara uma imagem impecável, um desconcertante desvio na estrada num caminho que se conheceu e se percorreu toda a vida.

As irritações passaram de pontuais a permanentes, os conflitos intensificaram-se. Já não era apenas uma maçã oxidada, em agonia, esquecida na beira do prato; uma luz que permanecia acesa, viva, fora de horas, um cordão de sapato desapertado em contraste com o elegante chinelo de quarto, prontos, ambos, a passar a porta; agora, era um carro capotado na estrada, um milagre de vidas salvas e o silêncio ensurdecedor, perturbado, para dar lugar ao choro da criança, denunciador, como um murro no estômago, a suspeita violentamente escancarada.

Da inquietante presunção ao diagnóstico, foi pouco mais que um gemido. Um gemido que, com o passar dos dias, ganhou forma, agigantou-se, varreu todos os sonhos com a violência de uma onda furiosa e inclemente. Ainda assim, a esperança irrompia como um acto de rebeldia. Talvez os tratamentos funcionassem, talvez um medicamento chegasse a tempo, talvez houvesse um milagre. Mas o monstro voraz, o pior e mais agressivo, de todos o mais implacável, depressa se encarregou de dissipar as dúvidas e enterrar todas as ilusões. Operar, impossível. Da descoordenação à mobilidade assistida e dependente, do aprumo ao descontrolo, da contemplação à escuridão mais sombria, uma debandada estridente de sentidos a anunciar o mais temível e degradante dos fins. Apenas aquela lágrima, teimosa, como um derradeiro grito de resistência, um clarão fugaz de clarividência em horrendo contraste com aquele amontoado de pele e osso, outrora transbordante de vida e alegria.

Vendo bem, a esta distância, a morte não se fez esperar muito. E, mesmo assim, foi demasiado. Porque se fez suplicada, a ferro e fogo, num sofrimento diário, constante e atroz. Apesar de todo o carinho, cuidado e amor. Todo o dia. Todos os dias.

A vida é para ser vivida, gritam muitos. Não posso estar mais de acordo. E o que é uma “vida” a “ser vivida”, exactamente?

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Todos gostávamos de ter um amigo como Santos Silva! Esse fantástico e altruísta empresário bem-sucedido, homem “de posses”, pronto a abrir os cordões à bolsa ainda o amigo vai no primeiro “olha…ah…”!

Acompanhar as reportagens da SIC acerca da Operação Marquês tem sido uma espécie de tragicomédia, cá em casa. Alterou-nos a rotina dos últimos dois dias, coagindo-nos, inclusive, a descurar a sagrada hora de dormir do nosso filho. Mea culpa! Mas, até a ele, as justificações tresloucadas de Sócrates para a desmesurada e despropositada ajuda financeira do amigo Silva têm arrancado gargalhadas! É que não é preciso mais, de facto, do que a inteligência e perspicácia médias de uma criança de 11 anos, para perceber que, na vida real, não há amigos assim. Na vida real, não há “amigos” a quem possamos pedir para nos pagarem luxuosas contas correntes ao ritmo de um não-queres-passar-cá-um-bocadinho-e-trazer-aquilo-que-sabes-que-eu-gosto. Para um homem com “dificuldades económicas”, Sócrates tem, ou teve, um nível de vida de fazer inveja a muita classe média-alta por esse país fora.     

As explicações, ora embrulhadas, ora exaltadas, do ex-primeiro-ministro são de um descaramento formidável. O “Zezito” quer convencer-nos a todos que o Silva, simplesmente por desinteressada amizade e pura preocupação com o bem-estar alheio, não só estava sempre disponível para lhe emprestar qualquer quantia de dinheiro, como ainda se dispunha a acatar sugestões sobre investimentos vários, desde a compra de propriedades a obras de remodelação de exclusivos apartamentos parisienses! Mais ainda, a excelsa amizade permitia que essas sugestões chegassem via uma irritada ex-mulher do primeiro, sem que a esposa do segundo tivesse qualquer opinião sobre o assunto; eram “investimentos” do marido.

O mais assustador é que Sócrates e os seus dois magníficos advogados aparentam ter razão num ponto: não há provas-provas- dessas para lá da convicção sensata- que sustentem que, efectivamente, a famosa conta 006 seja dele e não do abnegado Carlos Santos Silva. O desassombrado trio Sócrates-Delille-Araújo socorre-se da falta de “fundamento em factos e em provas” para acusar todos os que não estão com o nosso ex-primeiro de estarem contra ele. Enquanto isso, num genial e irónico golpe de mestre, José Sócrates lá vai acusando de “manha” (diz o roto ao nú!) os procuradores, com muitos e eloquentes “oh, pá” à mistura em discursos mirabolantes que são um verdadeiro insulto à inteligência e paciência dos demais. Mas, não se enganem!, não há nada de mais perigoso e temível do que um  animal feroz ferido…

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Na opinião- não sei se cínica, não sei se sábia- de um meu amigo só há dois tipos de políticos: os corruptos que ainda vão fazendo qualquer coisa pelos outros (extra-amigos-e-família, entenda-se…) e os corruptos que só fazem em prol…da sua prole. Ambos os casos, incluem fazer sempre muito por si próprios, evidentemente.

O caso (mais um!) recente da duplicação de abonos por deslocações é só mais uma obscenidade assim-assim. Nem será bem corrupção, não é? É só uma espécie de esquema. Inofensivo. O povo já nem nota. Só encolhe os ombros e, lá está, rende-se à evidência do são todos iguais. Ainda há quem se escandalize com a devoção a Isaltino, esse que também é Morais e presidente da câmara de Oeiras.

No entretanto, um deputado do BE, desses janotas das duplicações, apresentou a demissão e um pedido de desculpa por ter recibo reembolsos de viagens que não efectuou. Após “reflexão”, chegou à conclusão que “foi uma prática incorrecta”. Talvez a inspiração tenha vindo mais da “prática” se ter tornado do domínio público do que, propriamente, da “reflexão”, mas o povo também diz vale mais tarde do que nunca.

Só me apraz dizer, ou melhor, perguntar mais uma coisa. Onde é que eu me posso inscrever para receber um subsídio ou uma duplicaçãozita deste género? É que pertenço àquela classe de trabalhadores independentes otários, que passa recibos, paga segurança social e que quando não trabalha não recebe honorários. Para cúmulo da estupidez, gosto de gozar de alguns dias de férias com a minha família e, como está bem de ver, não tenho subsídios mesmo dos mais básicos. Mas, isso não impede a autoridade tributária de me enviar as notificaçõezinhas para os meus pagamentos por conta, o aluguer do escritório tem de continuar a ser pago e o raio da Segurança Social também não perdoa…

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Mark Zuckerberg não “sabe” nada nem “ouviu nada” sobre funcionários do Facebook envolvidos no acesso a dados usados pela Cambridge Analytica; acredita que nenhum funcionário seu acede, acederia ou acederá, a dados pessoais alheios, apesar de “teoricamente” o poder fazer; assume falta de “visão” para prevenir um mau uso de algumas (poderosíssimas) ferramentas da sua rede social e, claro, pede desculpa.

Espanta-me sempre a pureza, a ingenuidade, a falta de memória e afins de gente tão iluminada e inteligente, capaz de estar dois ou três ou vinte passos à frente do “seu” tempo- e, com isso, enriquecer (muitas vezes, com mérito, diga-se!) até onde nunca poderiam ter sonhado- sem nunca, mas nunca, imaginarem o que de mais perverso pode brotar do enorme poder que os próprios e as suas empresas detêm. Fantástico, não é?

Já o “nosso” Zeinal Bava tinha perdido a “memória” uma série de vezes, “não sabia, não tinha que saber”, não tinha “responsabilidade” e manifestava certa “dificuldade em dar-lhe esses números” aquando da comissão de inquérito em torno desse fantástico caso-Rioforte, o que lhe valeu o “amadorismo” com que o brindou Mariana Mortágua, na altura, na audição parlamentar. Um pouco à semelhança desse outro brilhante, da finança, Ricardo Salgado. Gestores de topo, excepcionais, premiados, condecorados, reconhecidos, muitas vezes, internacionalmente e, pasme-se!, dotados de uma ingenuidade confrangedora. E constrangedora.

Mark Zuckerberg também “acredita” que o Facebook não recolhe conteúdos de chamadas telefónicas, embora “imagine” que a investigação já iniciada venha a apontar o dedo à Rússia e à China no acesso a dados e perfis dos utilizadores. O Facebook também não vende dados dos utilizadores, mas permite a sua portabilidade, o que é um descanso!

É verdade que, provavelmente, ninguém lê os termos de utilização e de privacidade do Facebook, embora tenham a “oportunidade de o fazer” e, mais provavelmente ainda, muitos dos que utilizam o Facebook são os primeiros a mandar às urtigas a privacidade, porque isso dá poucos likes. De modo que, nas palavras do sábio, mais uma vez, as pessoas são livres de deixar o Facebook. Ou não?

Pelo sim, pelo não, eu pertenço a essa classe de gente esquisita e obsoleta que não tem Facebook…

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The man is not human… É um dos comentários que li na sequência daquele que poderá ser (dizem os entendidos) o melhor golo da carreira de Cristiano Ronaldo.

Não sou fã de futebol. Muito menos, dos seus protagonistas onde cabe um pouco de tudo o que de pior se pode encontrar na sociedade reles: má-criação, agressividade desmedida e, às vezes, criminosa, violência verbal ao nível dos piores arruaceiros, falta de seriedade e de profissionalismo e um nível de intelecto comparável aos twittes desse fenómeno americano que dá pelo nome de Donald Trump. Mas, mesmo para quem não sabe sequer nomear os principais jogadores do seu clube (como é o meu triste e embaraçoso caso), é impossível não reconhecer a qualidade de um profissional como Cristiano Ronaldo. O trabalho compensa e Cristiano Ronaldo é o exemplo, vivo e a cores, dessa máxima que muitos tendem a desprezar. O trabalho compensa, como compensam a dedicação, o sacrifício e a vontade, essa força motriz mais poderosa que o vapor, a electricidade e a energia atómica, segundo esse outro notável, Albert Einstein.

Cristiano Ronaldo é a magnífica encarnação da sua própria força de vontade. Não é apenas o esforço físico, as horas penosas de treino suado e sofrido, a dedicação a uma carreira que será, seguramente, a sua primeira paixão. É a sua colossal vontade. Uma vontade soberba, arrogante, de querer sempre mais, de provar sempre mais, de calar bocas, de mostrar que é capaz, que é o melhor entre os melhores. Essa vontade teimosa e pedante que dá ao not human Cristiano Ronaldo a assombrosa capacidade de transformar as críticas em sucessos, o desdém em triunfos, a inveja em êxitos atrás de êxitos, os insultos em aclamação, batendo recorde atrás de recorde. Não está, de facto, ao alcance de todos.

Ontem, Cristiano Ronaldo fez mais do que protagonizar um golo magnífico: materializou, num breve instante, todas as qualidades que fazem dele um profissional e atleta fora de série. Em poucos segundos, usou e abusou das leis da Física, espantou e encantou, desfilou técnica, destilou elegância e exibiu uma eficiência majestosa, letal e implacável. Mas, fez mais ainda. Soube ser humilde, virtude que nem sempre lhe assiste. Soube agradecer a admiração de todos os que se lhe renderam e, ao lado de Gianluigi Buffon, mostrou o que, afinal, devia ser o futebol: competição sim, mas com graça, desportivismo, excelência e aquele respeito pelo adversário de que só os melhores são capazes. A grandiosidade (também) está nos pequenos gestos.

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"Nada na vida deve ser temido, apenas compreendido." Marie Curie

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Eu Sou Assim

IDADE_Tem dias. ESTADO CIVIL_Muito bem casada. COR PREFERIDA_Cor de burro quando foge. O MEU MAIOR FEITO_O meu filho. O QUE SOU_Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa. IRMÃOS_ Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo. IMPORTANTE NA VIDA_ Saber vivê-la, junto dos amigos e da família. IMPRESCINDÍVEL NA BAGAGEM de FÉRIAS_Livros. SAÚDE_Um bem precioso. DINHEIRO_Para tratar com respeito.

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"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."