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naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

Cego, cego, não era só o amor?

Em tempos não muito distantes, palavras levava-as o vento e dos fracos não rezava a história. Mas, entretanto, chegaram as redes sociais, as palavras permaneceram contra todos os ventos e os fracos, deslumbrados, ganharam espaço e tempo de antena. De indignação em indignação, de pirraça em pirraça, de insulto em insulto, tão mais eloquente quanto mais cobardemente anónimo, ergueu-se, ali, um campo fértil para os frustrados, para os arruaceiros, para os populistas. E, evidentemente, para criminosos das mais variadas e arrepiantes dimensões, mas isso seria assunto para um outro tema e um outro texto. Um outro dia.

É evidente que as redes sociais têm coisas fantásticas, apesar de ainda haver gente, como eu, que dispensa a maioria. A evolução tecnológica, também nesta área, é indiscutível e não pode ser ignorada nem menorizada. Pelo contrário. No entanto, o foco do problema não está nas redes socias, como é óbvio. Está nos seus utilizadores. Basta ver as páginas que recebem mais likes, mais visualizações e possuem mais seguidores. Desfiar um rosário de acontecimentos da nossa vida privada- quanto mais picante e/ou atormentada, melhor- rende muito mais do que falar de temas mais sérios e, claro, muito mais entediantes e sem glamour. E, se há utilizadores mais inofensivos, que se preocupam apenas com as fofocas básicas do dia-a-dia, também há os que preferem intrigas, muito sangue, menos suor e mais lágrimas. É neste meio que pupulam os imberbes que usam as redes sociais e as caixas de comentários de algumas publicações online para vomitar ódios e aliviar, violentamente, o desencantamento emergente dos seus fracassos.

Se, nas redes sociais, é inevitável o tempo de antena que se dá aos néscios, venham de onde vierem, não deixa de me espantar a importância que a imprensa e a comunicação social lhes dedicam com quase idêntico fervor. Os ignorantes são outros, o motivo será o mesmo. Em vez dos likes são os shares e os ratings e nem a imprensa dita de referência lhes escapa.

De share em share, subindo o tom e baixando o nível, jornalistas e televisões- por arrasto, o país em peso- vive o fenómeno Bruno de Carvalho com a avidez dos abutres ao redor da carniça. Incluo, infelizmente (porque vejo regularmente), a SIC Notícias e as suas horas recentes e intermináveis de comentários e análises ad nauseam. Não, os jornalistas e as televisões não criaram o Bruno de Carvalho (ou criaram?), esse, outrora, salvador do Sporting contra tudo e todos. E, sim, os jornalistas e as televisões têm a obrigação e o dever de informar e não devem voltar as costas às notícias do dia. Mas, e que tal voltar as costas a quem os insulta e os destrata dando-se, até, ao luxo de os manter mais de uma hora e meia à espera de uma conferência de imprensa que, mais não foi, do que um monólogo enfadonho, entre a vitimização e a ameaça, a “coragem” saloia e o narcisismo imbecil? O show dos jornais debaixo do braço, com especial destaque para a “morte à nascença dos Brunos de Carvalho” é da mais absurda demagogia. Só, de facto, seres muito pouco inteligentes, profundamente demagogos ou perturbadoramente alienados (Bruno de Carvalho que escolha, é capaz de encaixar em todos) é que poderiam ver naquela frase um desejo literal da morte física de alguém. Nem é preciso ler integralmente o texto de Miguel Sousa Tavares. Basta o título da crónica. Para quem se queixa da descontextualização do seu “foi chato”, é de se lhe tirar o chapéu!

Tal como usar a família, principalmente, as filhas menores para o eterno carpir do seu omnipresente processo de vitimização.

Só mais coisa continua a espantar-me. Como é que gente como o reputado psiquiatra Daniel Sampaio, o médico-cirurgião Eduardo Barroso e muitas outras personalidades que a maioria de nós tem por sérias e inteligentes, só agora se aperceberam do calibre deste senhor. É um pouco ao estilo do “caso” Sócrates. Enquanto é útil, ninguém vê. Afinal, cego, não é só o amor.

P.S. Tão ou mais importante do que saber perder, é saber ganhar. Não sei se o Desportivo das Aves foi ou não foi um justo vencedor da Taça de Portugal. Não percebo nada de futebol e sou portista mais por, desconfio, questões genéticas do que por qualquer outra coisa. No entanto, por muita razão que tenha o treinador do Aves (e eu acho que tem alguma) e por enorme que seja o feito do seu clube, José Mota poderia ter tentado ser ainda maior. Mas compreende-se.

O pior cego...

Diz-se que o pior cego é aquele que não quer ver. Ontem foi um dia “chato” para o futebol português e Bruno de Carvalho está como aquele homem da anedota, que vai no carro, ouve nas notícias que há um condutor em contra-mão na auto-estrada e exclama, “porra, não é um, são muitos!”.

Bruno de Carvalho há muito que já devia ter sido corrido da presidência do Sporting. Corrido, porque, já todos percebemos, ele não vai sair pelo seu próprio pé. Está em negação absoluta. Como na canção, e na sua cabeça demente e deslumbrada, o mundo inteiro uniu-se para o tramar e tudo não passa de um “aproveitamento” (?!), de uma campanha contra o Bruno, porque Bruno é Deus, todo-poderoso, omnipresente, omnipotente, omni-eu-próprio e o meu belo umbigo.

Ontem, em Alcochete, em Portugal!, viveu-se um momento de terrível e absurdo nojo mesmo para os que se estão nas tintas para o futebol e Jaime Marta Soares tem a dizer que, se for caso disso, os órgãos sociais do Sporting reunirão na segunda-feira. O mesmo Jaime que já exigiu a demissão de Bruno de Carvalho- mas, afinal, não- por não ter condições para continuar como presidente do Sporting- mas, afinal, sim. E agora?

Se Jesus conseguir ter todos os seus principais jogadores em campo, no Jamor, no Domingo, terá operado um segundo milagre na mais recente história do clube, depois do episódio do primeiro “post” de Bruno de Carvalho após o jogo com o Atlético de Madrid. De certeza que Bruno de Carvalho é sportinguista? Eu não sou e lamento profundamente a enorme nódoa que este senhor vai deixar naquele clube. Que se vá embora e que não demore. E, se lhe for possível, sem bater com a porta, porque já fez estragos que chegue.

"Me engana que eu gosto"...

“Me engana que eu gosto”, ou, na versão portuguesa e de autoria de João Miguel Tavares, “O Silêncio dos Indecentes”; que deixou de ser silêncio para passar à batata quente de que todos se querem livrar porque, já se percebeu, vai rebentar na mão de muitos. E a indecência mantém-se. Numa alucinação precipitada de acontecimentos e críticas que desembocaram com a desfiliação de José Sócrates (essa figura única e irrepetível) do principal partido do Governo, eis que começam a sacudir-se muitas águas de muitos capotes. Agora, foi a vez de Fernanda Câncio. Que José Sócrates assim, que José Sócrates assado, coitadinhos de todos os que acreditámos nele que ainda acabamos todos a ser tomados por cúmplices. E nós, os outros, tomados por parvos. Outra vez! Os mesmos que, até agora, repetiam à exaustão, para defender o indefensável, que todos são inocentes até prova em contrário e que a justiça se faz nos tribunais, apressam-se na azáfama de se distanciarem o mais longe e o mais rápido possível da tempestade que aí vem. O melhor truque é fingir que não se percebeu nada de nada. Sócrates, esse mestre do engano e da dissimulação, é que a todos ludibriou, não só o país, como o partido, os amigos, as namoradas e por aí fora. Parece que, afinal, o “mau jornalismo” da SIC afectou mais gente do que se supunha. Não bradaram, tantos comentadores iluminados e sapientes, que aquelas imagens não aportavam nada de novo à investigação e contribuíam apenas para a tabloidização “pornográfica” da justiça? Pois é. Às vezes é preciso coragem para tomar uma decisão, ainda que (eventualmente) má, porque pior do que decidir mal é não decidir coisa nenhuma e fingir que não vemos o que se passa à nossa volta. Os ratos começam a abandonar o navio e a coisa não vai ser bonita de ver…