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IRAs (des)necessárias.

por naomedeemouvidos, em 19.11.18

“ 21Tomando a palavra, o governador inquiriu: «Qual dos dois quereis que vos solte?» Eles responderam: «Barrabás!» 22Pilatos disse-lhes: «Que hei-de fazer, então, de Jesus chamado Cristo?» Todos responderam: «Seja crucificado!» 23Pilatos insistiu: «Que mal fez Ele?» Mas eles cada vez gritavam mais: «Seja crucificado!»

 

24Pilatos, vendo que nada conseguia e que o tumulto aumentava cada vez mais, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: «Estou inocente deste sangue. Isso é convosco.»”

 

    O IRA (para que conste, qualquer semelhança com o “Irish Republican Army” é capaz de não ser apenas uma malévola coincidência…) dedica-se a resgatar animais em perigo e/ou em sofrimento profundo. E, até aqui, nada a apontar. A coisa começa a ficar um pouco obscura quando começamos a dar-nos conta do (por exemplo, aqui) método: parece que actuam à margem da lei (aka, ilegalmente) encapuzados, pelos menos dois são mamutes com mais de 100 kg, alguns são polícias, e estão prontos para tudo, inclusive, para partilhar na internet o nome e outros dados pessoais dos prevaricadores. Afinal, este IRA, tal como o outro, parece-me, “não existe para paninhos quentes”; quem não gosta não come, o que, em linguagem virtual, passou à versão quem não gosta que tire o like lá da página.

      Há quem ache isto, não só generoso e nobre, como necessário, já que, as autoridades, pasme-se!, têm que cumprir a lei e não podem entrar em casa das pessoas sem mandato. Urge fazer-se justiça e essa urgência impõe-se às regras do jogo democrático, que nos tem reféns, esgotados e impotentes.

     Os fins justificam os meios, quando os meios nos são caros, é disso que se trata? Porque, nesse caso, podemos formar e armar de meios pouco lícitos todos os grupos que garantam a nossa própria justiça social. É so escolher, e até podemos organizar catálogos. Primeiro, dos violadores aos pedófilos, dos vulgares ladrões aos elegantes assaltantes de bancos, até chegarmos à caça de todos os que, por azar, estavam no local errado à hora errada. Podemos passar a usar um dístico na lapela que nos identifique (espera…) como os bons e que podemos ir mudando ao sabor das novas políticas, de forma a pertencermos sempre ao rebanho certo e, assim, evitarmos confusões e conflitos violentos. Ou podíamos devolver o Pelourinho às nossas belas praças pejadas de turistas (alguns, seguramente, apreciariam), não na forma de monumento histórico, mas, resgatando-o dessa mesma História para cumprir, novamente o seu  sublime e justo papel. Suspendemos a democracia durante um breve período de tempo, até eliminar todos os pecaminosos vícios dos outros e, quando pusermos ordem na casa, corremos com os justiceiros, reavemos a mesma liberdade que sacrificámos em nome de um bem maior e recuperamos a dignidade hipotecada. Não é assim que se matam, depois de usados, os Bolsonaros?

publicado às 11:44

Anjos e Demónios.

por naomedeemouvidos, em 19.11.18

    Levantou-se já passava das duas da tarde. A noite fora longa e produtiva. Começara, finalmente, a dominar a arte com elegância e, sobretudo, com uma eficiência implacável. Na realidade, não havia muito mérito no seu sucesso. É verdade que já lho tinham assegurado – começara, aliás, por aí – mas, ainda assim, a facilidade com que as pessoas se deixavam manipular por absolutos desconhecidos continuava a surpreendê-lo. Um bom drama era infalível na recolha de simpatias estranhas aos círculos habituais de amigos; a boa figura fazia o resto, quando a situação assim o reclamava. Era melhor do que passear cãezinhos nos parques da cidade, onde tinha que dar a cara muito antes de conseguir qualquer coisa que valesse realmente a pena. Ao contrário do que aparentava a sua personalidade, não se importava de correr alguns riscos, mas, se pudesse minimizá-los, melhor.

    Tomou um duche rápido. Precisava de entregar o projecto antes das 20 h e faltava fazer ainda alguns acertos. Deixara que as recentes distracções lhe tivessem tomado mais tempo do que mandava a prudência, mas não podia permitir-se muitos deslizes, a nível profissional. Afinal, gostava bastante do que fazia; o resto era um passatempo para o qual se tinha deixado arrastar, mas que não pretendia estender mais do que o necessário e sob nenhum aspecto.

    Gostava de manter o escritório na penumbra, mesmo durante o trabalho, pelo que, a única luz naquela divisão vinha dos dois enormes écrans que mantinha permanentemente ligados e de um pequeno, mas vistoso, candeeiro de secretária, que emava uma luz ténue e amarelada. Vivia entre o requinte de um luxo delicado e gracioso, não ostensivamente burlesco ou arrogante; o suficiente para se fazer notar entre os seus pares e esperar alguma deferência por parte de quem tinha serviços para lhe prestar. Ainda assim, muitíssimo distante das historietas de penúria e privação que espalhava na internet, nas páginas e páginas que davam vida a existências alternativas e deprimentes, lançando o isco que melhor servia cada um dos diferentes propósitos daquela espécie de experiência semi-virtual em que se envolvera havia alguns meses. Primeiro, pela curiosidade, depois pela expectativa excitante e pelo gozo; porque podia.

    Para quem observasse de fora, era absolutamente ininteligível. Um homem atraente, distinto, com bom gosto, exibindo um elevado padrão de vida e perfeitamente capaz de suportar algumas extravagâncias comuns entre os do seu meio. Não precisaria de uma vida paralela, escondida nas malhas da darknet. Não tinha nada que ver com aquele grupo de fanáticos falhados que culpavam as mulheres por todas as suas desgraças, nomeadamente, pelo seu patético e auto-infligido celibato. Na realidade, nem sabia bem o que o movia. Começou por ser uma brincadeira; até onde poderia ir? O que estavam, as pessoas, dispostas a partilhar? Rapidamente descobriu que muito; demasiado. Expunham-se como nunca imaginara possível. Falavam de coisas banais, como a família, o trabalho ou os amigos, mas também partilhavam os seus medos e os seus desejos mais profundos e de que, provavelmente, jamais falariam com alguém próximo. Há sentimentos, conflitos, ressentimentos, paixões, mais fáceis de verbalizar a coberto do falso conforto que o anonimato da internet oferece. Era disso que ele se aproveitava. Sabia sempre o que dizer, ou escrever, para moldar o discurso, vergá-lo à sua vontade. A aparente facilidade com que o conseguia empolgava-o. Tanta gente desesperada e outro tanto com uma vontade imensa de praticar o bem. Eram todas marionetas num jogo perigoso, mesmo para os que estavam conscientes do seu papel e da sua participação nele.

    Sentou-se em frente da secretaria meticulosamente organizada e corrigiu ligeiramente a posição impecável do pisa-papéis. Com uma ligeira irritação, pensou que teria de voltar a advertir a nova empregada.

      

    Quando terminou o trabalho, ligou-se a uma das páginas que fora criando ao longo das últimas semanas. Escolheu uma personagem e preparou-se para ir à caça.

publicado às 09:02



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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