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2019

por naomedeemouvidos, em 31.12.18

"A esperança é o único bem comum a todos os homens; aqueles que nada mais têm - ainda a possuem."  Tales de Mileto

 

esperança 3.PNG

imagem aqui

 

 

ESPERANÇA é o meu maior voto para o ano que chega amanhã.

E, obrigada aos que, por vezes, se perdem por aqui.

 

FELIZ 2019

 

 

 

publicado às 09:31

A propósito dos fracos.

por naomedeemouvidos, em 29.12.18

 

    “Um político deve ter a habilidade de prever o que irá acontecer amanhã, na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano. E a habilidade de explicar, depois, por que nada disso aconteceu", Winston Churchill.

    E, no entanto, há políticos a quem falta, não só a habilidade para prever, como a competência para gerir, e a decência para assumir o que podem, seguramente, explicar porque aconteceu, como aconteceu.

    Em entrevista à TSF, António Anselmo, presidente da Câmara de Borba, declarou-se orgulhoso enquanto português. Parece que o senhor presidente de câmara nem sempre se orgulhou de tal e até já duvidou, noutras ocasiões, do Estado. Ninguém diria. Mas não desta vez. E esta é a vez em que o Estado decidiu avançar com as indemnizações às famílias das vítimas da previsível e fatídica derrocada da estrada 255.

borba.PNG

imagem aqui

    Há um tipo de pobreza que enoja. É a pobreza indecente do tipo da do senhor António Anselmo que, para vergonha minha, enquanto portuguesa, é presidente de uma Câmara do país a que chamo meu. O senhor que se orgulha da atitude do Estado, é o mesmo que ignorou o alerta de perigo que a estrada representava, mesmo depois de lhe terem explicado porquê. Segundo esta notícia do Público, de acordo com a acta da assembleia municipal de 27 de Dezembro de 2014, “António Anselmo deixou clara a intenção de organizar uma reunião alargada”, sobre a situação que veio a revelar-se trágica. Mas a reunião não chegou a ser convocada. O senhor Anselmo ainda não olhou para os documentos. Di-lo "sem qualquer tipo de desculpa" e, acrescento eu, sem qualquer tipo de vergonha. Com a mesma aviltante pobreza, pensou que, se realmente “houvesse perigo”, a Direcção Regional da Economia do Alentejo – responsável pelo memorando que alertava para isso – tê-lo-ia “avisado novamente”. Tal-qual. Isto, apesar de, já em 2006, um estudo referir uma fracturação da jazida de mármore por onde serpenteava, inocente, a EN255. O senhor presidente Anselmo parece que também desconhece o estudo. Ninguém lho mostrou. E, orgulhoso que está, mantém a decisão de não se demitir. Hoje, como há pouco mais de um mês, quando a sua ignorância abriu a porta à desgraça que matou, estupidamente, cinco pessoas, António Anselmo afirma que a demissão é “própria dos fracos”. E, fraco, é coisa que o senhor Anselmo não é. Afinal, dos fracos não reza a história, e eu gostava que a história rezasse deste, e não apagasse tragédias como as de Borba. Para que, se não o respeito, pelo menos o pudor e a decência, obrigassem os políticos, entre eles, os presidentes de câmara, a desempenhar os seus cargos com lisura.

    Infelizmente, ao contrário do senhor Anselmo, não estou tão orgulhosa deste estado português. Mas, era capaz de me orgulhar, se os Anselmos da vida política portuguesa desaparecessem do mapa, como por escandalosa incúria fizeram com a estrada de Borba.

 

publicado às 20:04

Outros desejos para 2019.

por naomedeemouvidos, em 29.12.18

    A agência da CGD não está muito cheia, mas, o tempo escorre lento e as senhas, nos modernos e elegantes écrans, arrastam-se ao ritmo dos funcionários que sobram e sobrevivem às horas de serviço. O ano está prestes a terminar e ninguém tem pressa, excepto os que exasperam e desesperam no compasso de espera.

    Alheias às angústias dos crescidos, duas meninas brincam com as mãos, desfiando uma daquelas lengalengas que acompanham com palmas. Uma é negra, muito negra, e a outra é branca, muito branca, tão branca como a bandeira da Polónia, mas, as duas são amigas, brincam, riem e não se vêem diferentes, nessa diferença nojenta e absurda que nos humilha a todos, não só àquele que é diferente.

    Enquanto observo as duas meninas penso nos meus desejos para 2019 e, de repente, todos me parecem fúteis e vazios, indecentes, quase. Naquele momento, desejo apenas que aquelas duas crianças nunca deixem de ser amigas e nunca deixem de se ver assim, sem cor, sem medo, sem ódio. Desejo que possamos, não só, sobreviver aos Trumps, Bolsanaros e seus congéneres, mas remetê-los ao buraco imundo de onde nunca deviam ter saído, rastejando como vermes que são, miseráveis e abjectos. Não rezo. Se rezasse, seria para que este meu desejo se realizasse.

publicado às 12:40

Como Dixit?

por naomedeemouvidos, em 28.12.18

    Volto, então, ao Dixit. Não por publicidade. Não por publicidade ao jogo, pelo menos, mas aos bons momentos que proporciona.

    Deixo o rigor das regras para outros. Vou, apenas, dizer que o objectivo de cada narrador (nada mais do que um jogador na sua vez) deve descrever uma das cartas que possui em mão de forma a que algum dos outros jogadores a identifique, mas não todos, ou não ganhará qualquer ponto. Ou seja, subtil, e não explicitamente. Normalmente, à custa de uma frase curta, ou expressão. A seguir, cada um dos outros jogadores deve escolher, de entre as suas próprias cartas, aquela que mais se aproximar dessa descrição. E, muitas vezes, há várias que se adaptam, o que torna tudo mais interessante.

    Nos conjuntos que deixei, ontem, aqui, houve sempre alguém, mas não todos, a acertar na carta descrita pelo narrador; logo, cada narrador obteve a pontuação máxima.

    Vejam e comparem. E confirmem, se for o caso.

    O meu pai usou a expressão "vias de comunicação" para descrever esta carta:

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O meu filho usou "o principezinho" para descrever esta:

 

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O meu sobrinho, "a sofrer de depressão", para esta:

 

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E, a minha irmã, "enigma", para esta:

 

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Atrevam-se. E divirtam-se.

 

publicado às 20:47

Estórias de Natal.

por naomedeemouvidos, em 27.12.18

    Entre os vários livros que recebi como prendas de Natal consta a Biografia de José Saramago (Joaquim Vieira), oferecida pela minha irmã. Quem me conhece sabe como me fascina a sua obra, muito antes do prémio Nobel. Como aluna do ensino secundário, odiei ser obrigada a ler O Memorial do Convento, como odiei ser obrigada a ler Os Maias. Não sei bem porquê. Talvez por embirração. Mas, como ouvi alguém dizer, o bom da estupidez da juventude é que tende a passar com a idade. Alguma (felizmente, não toda) dessa, passou-me, efectivamente. Não que seja estúpido não gostar de Saramago ou de Eça – são gostos, e ainda(?) temos a liberdade de não gostarmos todos do mesmo –, mas é estúpido seguir a corrente sem questionar a sua (in)utilidade. De modo que, recorrentemente, retorno, de encantada vontade, ao “Ramalhete”, normalmente, nas férias de Verão, e nunca saberei expressar bem o que me maravilha em Saramago. Mas, vinha isto a propósito de uma curiosidade que desconhecia totalmente (que pequena vergonha!) e que descobri ao ler as primeiras páginas da biografia: que o apelido Saramago não era de família, foi acrescentado pelo funcionário do Registo Civil da Golegã (eventualmente, por despeito, por ser nome de erva daninha e a família, mal-amada), sem que ninguém se tivesse apercebido, no momento, da graçola. “Entrei na vida marcado com este apelido Saramago sem que a família o suspeitasse, e foi só aos 7 anos, quando, para me matricular na instrução primária, foi necessário apresentar certidão de nascimento, que a verdade saiu nua do poço burocrático (…)”. A peripécia tem outro detalhe engraçado, mas fica para depois…

    A maneira como nos entretemos na noite de Natal – findo o repasto que começa com o tradicional bacalhau cozido com batata e penca à moda do Porto, que a minha mãe prepara como ninguém e o meu pai tempera como o fazia o meu avô – foi variando ao longo dos anos, mantendo-se sempre, no entanto, a boa-disposição vertida no riso fácil e nas gargalhadas tolas que jorram, inconsequentes e alheias, pelo menos, nessas horas, às desgraças que nos atormentam noutros dias. No meio do disparate tão caótico quanto alegre e prazeroso, o meu filho corre em busca do livro das “piadas secas” e começa a ler, armado de tontos e deliciosos tiques, “um amigo pergunta ao outro, então, já te divorciaste; sim, e já chegámos a acordo quanto à casa, ela fica com um lado e eu com o outro; e com que lado ficaste tu; com o lado de fora”, e ainda rimos como parvos quando o meu sobrinho, 10 anos de traquinice pegada e arrojada, atira com um “olha, ficou com o lado maior!”, e a galhofa continua, que é tempo de tolice e ingénua aventurança, sem momentos correctos ou incorrectos, apenas genuínos.

    As horas escorrem vagarosas e férteis em afectos e empatias. Se o Natal deve ter algum significado, que seja o de sermos, realmente, plenamente, família. Há que passar o tempo para abrir os presentes que não trouxe o Pai Natal, que escândalo!, e que não chegará à meia-noite, mas quando quisermos, como quisermos, presos apenas à nossa identidade e à nossa circunstância.

    O meu filho arruma as piadas e traz o Dixit, um jogo que lhe foi apresentado por uma amiga que não tem televisão em casa. Porque pode. Tem amigos especialmente estranhos, o meu filho. Ou será estranhamente especiais? As cartas do Dixit têm ilustrações magníficas. Cada jogador analisa as suas, cada narrador apostado em dizer o suficiente, nunca em demasia, com a subtileza suficiente, a inteligência suficiente, para descrever algo sem dizer tudo, apostando nas meias-palavras, no que nos conhecemos, uns e outros, no que já vimos, no que já imaginámos, nas histórias que partilhamos no antes e no agora, um apelo à imaginação e à criatividade, ao pensamento dentro e fora da caixa, estas para descrever vias de comunicação

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estas, para o principezinho

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estas, para a sofrer de depressão

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estas, para enigma

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e, em cada conjunto, apenas uma é a acertada.

    É preciso experimentar. Pelo menos, uma vez. A magia da época. Amanhã, o meu filho faz 12 anos e é o meu milagre de Natal. Logo eu, que não acredito em milagres.

 

    Amanhã, passo por cá, e desvendo cada carta.

publicado às 16:22

Fiascos de várias cores.

por naomedeemouvidos, em 21.12.18

Depois de uma sangria desatada de artigos, notícias, entrevistas e muitos desejos amarelos, a manifestação que ia parar Portugal, travou-se a si mesma, esfumou-se mesmo antes de começar.

Não sou capaz de dizer o que terá frustrado - estrondosamente - a tentativa de protesto. Palpita-me que não saber bem o que se pretende para o país, enquanto país, longe dos chavões tão gastos quanto vazios, tenha ajudado. Gritar muito e muito alto tem, mais ou menos, o mesmo efeito que chorar: alivia mas dificilmente resolve qualquer coisa.

No entanto, era prudente e sensato que a comunicação social dita de referência fizesse um bocadinho mais do que informar por antecipação, criando (ansiando por) notícias antes dos factos. Para isso, já temos outros protagonistas de maior arrojo e competência, dispensam-se imitadores medíocres. Se o bom jornalismo sucumbir à orgia da desinformação inflamada a troco de auditório fácil e fecundo, a democracia talvez passe ao regime mais dispensável do mundo...

 

 

publicado às 20:02

"Stupid you!"

por naomedeemouvidos, em 20.12.18

    Há uns anos, a propósito da discussão ainda não esgotada (infelizmente) sobre a igualdade entre homens e mulheres, nomeadamente, no mercado de trabalho, alguém dizia que só teríamos igualdade quando a uma mulher incompetente fosse permitido ocupar um lugar de topo numa empresa.

    Na altura, lembro-me de achar a afirmação um pouco forçada, mas percebi a intenção. Uma mulher tem sempre mais a provar. Talvez, menos hoje do que ontem e menos amanhã do que hoje, mas a realidade ainda é esta. Se, além disso, a mulher é atraente, terá de provar o dobro, até ser possível, como devia ser normal, avaliá-la exclusivamente pelo profissionalismo (ou falta dele, também), em vez de se lhe apreciar o ar saudável ou os trapinhos que veste. Continua a acontecer, não vale a pena negar, como não vale a pena choramingar. Contraria-se, com firmeza, não permitindo abusos, muito menos, retrocessos.

    Apesar de todos os progressos que fomos fazendo, ainda há características que significam coisas diferentes, consoante se apliquem a um homem ou a uma mulher. E, isto, falando de países “privilegiados”, onde as mulheres não são diminuídas e humilhadas por decreto, como acontece por esse mundo fora, mas que não é ao que venho. Se, num homem, teimosia e arrogância, por exemplo, podem chegar a qualidades dignas de elogios - absolutamente imprescindíveis, até, em alguns casos - numa mulher serão quase sempre encaradas como defeitos. No limite, e em sentido contrário, um homem teimoso e arrogante pode até ser antipático; mas, uma mulher teimosa e arrogante facilmente atinge o estatuto de histérica. O insulto, ou a sua intenção, também tem género. Se um homem se torna impertinente ou arrogante para lá da conta, ninguém lhe atira com um “deves ter falta de sexo”, coisa que as mulheres impertinentes e arrogantes, à falta de “paciência” e de argumentos mais inteligentes, ouvem com relativa frequência e facilidade.

    Ontem, Jeremy Corbyn irritou-se com Theresa May e, na tal impaciência que se permite a alguns homens, incapacitado de melhor argumento, verbalizou a raiva em surdina chamando stupid woman à sua primeira-ministra, a ultrajante deselegância implacavelmente denunciada pela magnífica dicção britânica, tornando ridiculamente cobarde a tentativa de substituir woman por people para justificar a inacreditável boçalidade.

    Já há mulheres incompetentes a ocupar cargos de topo. Talvez, é certo, sejam dispensadas mais prontamente do que os homens. Daí que, é possível que alcancemos a plena igualdade entre homens e mulheres apenas e quando chegarmos à suprema igualdade na forma do insulto.

 

P.S. Entretanto, depois de publicar isto, li isto, escrito com a elegância e a eloquência do costume.

publicado às 15:45

A profecia (continua).

por naomedeemouvidos, em 19.12.18

    Na pequena Capela, os cardeais escutam, em absoluto silêncio, o juramento solene que o carmelengo vai desfiando, como um rosário, sob a viva encarnação do dilúvio que de novo ameaça precipitar-se em apoteótica e anunciada vingança. Os mantos escarlates agitam-se ao de leve, acusando a inquietude dos homens; sob a ténue luminosidade do lugar, lembram uma macabra poça de sangue, do sangue dos mártires recolhido debaixo da cruz, de braços abertos sobre a colina onde, como previsto, tudo se virá a extinguir.

    O carmelengo procede, agora, à ordeira e solene avocação, cada cardeal prometendo, obrigando-se, jurando, assim o exige o momento, assim o impõe a tradição. Os homens caminham com inusitado pesar, de um lado, Moisés morrendo, magnífico, às mãos de Signorelli, do outro, Pedro, ajoelhando, aceitando de Cristo as chaves do Céu, no tecto, recostado, jaz Adão em indolência, recebendo de Deus o princípio da vida, que ironia. Uma brisa fantasmagórica sopra, suave e doce, acariciando a túnica e os cabelos brancos do Pai que abriga e abraça a amorosa figura feminina, em acalentada espera, rodeada de anjos sobre o perturbador emaranhado de dobras do imenso manto.

    Decorrerão, ainda, dias até que cada um deposite, com agravo, o nome do escolhido na bandeja de prata, levada à boca do vaso de vidro, não sem antes o lavrar num pequeno rectângulo de papel, de branco imaculado, eligo in summum pontificiem, o epíteto numa caligrafia clara e elegante. Em frente, atrás do altar, a terrível advertência do juízo final, sublime, maravilhosa, um turbilhão de anjos e a ressurreição dos mortos.

    Quando a fumata branca anunciar, finalmente, aquele que é o eleito, não haverá um único daqueles homens que não cisme na visão profética do santo, tantos anos antes.     

publicado às 20:17

    Aos três efes que alguns dizem caracterizar Portugal, estamos prestes a colar um quarto; o de falência, que também pode ser de fraude. E se há quem se confunda quanto a quem realmente terá promovido a designação dos três primeiros, este, entra-nos pelos olhos, rompe-nos pela casa adentro, deslumbrados, enquanto escancaramos a porta ao popular e entusiástico empreendedor Paddy Cosgrave mais os seus apóstolos e aos turistas carinhosos, ruidosos, que nos escolhem como o melhor destino de mundo, pelo segundo ano consecutivo. Ao mesmo tempo que revolucionárias startups enlouquecem e brotam como cogumelos pró-milionários, bilionários, alucinados e alucinantes, e que hordas de turistas descobrem, finalmente, onde fica Portugal, o país apodrece, por dentro, às mãos ávidas, promíscuas e incompetentes dos muitos que, em não nos governando, indecentemente, muitas vezes, se governam em banquete.

    Os turistas e os empreendedores não terão, ainda, percebido o logro. O de um país maravilhoso por fora e miseravelmente abandonado por dentro. No país que admiram, não se adivinham estradas engolidas pelas assombrosas pedreiras, magníficas, que visitam nas férias de verão, como não se imaginam caminhos calcinados e vidas devoradas pela pavorosa gula das chamas insubmissas, que incendeiam, grotescas, estradas nacionais onde não abundam transportes de recreio; não se suspeita Tancos, nem paióis, nem comparações jocosas com sagas radiofónicas; não há, no país da moda, helicópteros de socorro desaparecidos por quase duas horas, apenas aqueles que se usam, eventualmente, pontualmente chiques e arrojadamente elegantes, para experiências panorâmicas. Perdidos, maravilham-se. E nós com eles. “Eu consigo encontrar uma trotinete por GPS nas ruas de Lisboa e não consigo encontrar um helicóptero do INEM”, eis a nossa maravilhosa e imbatível modernidade.

    Tal como em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão – provérbio mais ou menos inócuo até PAN ou PETA, em contrário – quando todos, em (in)consciência, nos falham de forma estrondosa e leviana, atacam-se com raiva e sem decoro, prosseguindo a injúria, ministros e sindicatos, civis e militares, protecção civil e bombeiros…não há quem se não apresse em acusar, em deturpar, em concluir.

    Embrutecido o povo, desvalorizadas as tragédias, insultados os mortos, há uma parte do país que se esgota em agonia. 

publicado às 19:14

A profecia (continuação).

por naomedeemouvidos, em 16.12.18

(início)

    Enquanto ali estava, no topo de uma das colinas sobranceira à cidade, contemplou o pequeno enclave murado, embalado pelo calor suave e acobreado do pôr-do-sol. O cansaço da viagem, os dias imensos de abnegação, as privações impostas pela dura travessia em extremada devoção, tudo pesou demasiado e sucumbiu, enfim, em agitado pranto ao inesperado assombro. Chorou em consentido silêncio, sem saber por quanto tempo. Tão-pouco soube se tinham passado apenas algumas horas ou, ao invés, ter-se-iam sucedido os dias, imperturbados, alheios à sua fatídica circunstância. Soube, apenas, que estava incumbido de levar a cabo a ominosa missão, para a qual se exigia a firmeza da sua virtude, a pureza do seu credo, a grandeza da sua fé.

    Levantou-se, resoluto, não recordando como caíra, adivinhando-se desfalecido em transe e em tormento.

   Tanto não tardou no regresso. Estugando o passo e a vontade, depressa retomou o caminho de casa, sem mais delongas.

    De volta à recolhida austeridade dos aposentos, tomou a pena com urgência e iniciou a anunciada lista, desfiando as cento e doze vidas, cento e doze prenunciadas vindas, Ex castro Tiberis, Inimicus expulsus, Ex magnitudine montis, Abbas suburanus,.. Ia prestando atenção aos velados sussurros que agitavam a luz bruxuleante das velas, para que nenhuma identidade se desvanecesse, nenhuma se confundisse, até que, finalmente, os sussurros cessaram, sedebit Petrus Romanus, já as velas eram cera morta, derramada em martírio sobre a mesa e sobre o soalho gasto, enquanto o lume da lareira definhava  em apaziguados estalidos, carpindo as mágoas do piedoso arcebispo.

publicado às 11:31

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“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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