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Alienações.

por naomedeemouvidos, em 14.12.18

Leu, algures, uma indignação profundamente sentida, incontida, contra aqueles que se preocupam mais com a violência das paredes esventradas e dos monumentos históricos violados do que com o sofrer das gentes, com a miséria do povo, com as humilhações, a fome, a exclusão social, o domínio dos mais fortes sobre os mais fracos. A impossibilidade de arranjar tempo para dar vida aos sonhos, pois que todo o tempo se esgota na labuta diária, servindo um capitalismo sôfrego, bárbaro, que promove uma nova forma de escravatura de que as classes populares se fartaram. Afinal, o que são carros incendiados, vidros partidos, casas espoliadas, ruas calcinadas, quando comparados com o desamparo de quem trabalha de sol a sol sem que, ainda assim, o dinheiro chegue, ao menos, para comer dignamente, quanto mais, para levar os filhos ao cinema, ao jardim zoológico, para almoçar fora ou ir de férias? Era repugnantemente verdade e foi acometida por profundo sentimento de vergonha. Também ela se indignara com o que não se poderia indignar. E, no entanto, fosse por culpa da alienação das massas, da informação manipulada e tóxica, da bolha de conforto e ignorância saloia em que vegetava, ou por pura e descuidada cegueira, também ela não vira, ali, essa aviltante desgraça. Olhava e continuava a não ver, ali, naquela circunstância exacta, essa gente que, esmagada, sofre miseravelmente. Seguramente, não via mulheres iguais àquela que pobre fora toda a sua vida, porém, quase sem queixume. Aquela que parira dezena e meia de filhos, quando essa era a regra, que amara para lá o admissível um homem que toda a vida a mal-tratou, como também se esperava que fizesse, e que, teimosamente, já que insurgência maior não podia, a cada agrura juntava uma esperança nova; a cada lágrima, um sorriso, a cada fraqueza, uma força redobrada. Sempre se deixara comover por aquela alegria encarniçada e insana; sempre admirara a sua capacidade de resistir, enfurecidamente, furiosamente, contra todas as contrariedades; a desconcertante faculdade para continuar a sorrir e a sonhar, irritantemente, para lá do tolerável.

Também leu que só quem nunca conheceu a miséria se permite pensar ser mais grave a barbárie de danificar um monumento histórico do que a impossibilidade de sonhar, viver e alimentar a família. Soltou uma gargalhada cínica e deu por si a pensar que até na pobreza e na miséria, a dignidade, como a falta dela, se pode viver de forma tão desconcertantemente diferente...

publicado às 10:42

Conspirações.

por naomedeemouvidos, em 14.12.18

"Hoje em dia imperava o medo, o ódio e a dor, mas não a dignidade nas emoções, nem desgostos profundos ou complexos."

George Orwell, 1984.

publicado às 09:10



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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