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por naomedeemouvidos, em 10.12.18

"Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer
a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso
que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."

José Saramago, Ensaio sobre a cegueira.

 

 

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publicado às 08:49

Cobaias, paparicos e provérbios.

por naomedeemouvidos, em 08.12.18

    Augusto Santos Silva fez saber, aos socialistas europeus, e não só, que “não podemos ser ambíguos para com regimes autoritários, venham da direita ou esquerda, sejam da Europa, América Latina, África ou asiáticos”. Isto, depois de quase termos prestado vassalagem a Xi Jinping, incluindo na nova e útil modalidade de cobaias entusiasticamente oferecidas numa espécie de dote.

    Fiquei um pouco confusa. Ou o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros não sabe bem onde fica a China, ou desconhece os meandros do tipo de regime que por lá se pratica. Possivelmente, andou à conversa com Bernardino Soares, que percebe imenso de regimes políticos, principalmente, asiáticos. Parece que, por lá, as democracias possuem algumas peculiaridades que escapam aos mais incautos.

 

    Donald Trump voltou a exibir o seu delicado encanto e apelidou de “dumb as a rock”, em português erudito, burro como um calhau, o seu ex-secretário de Estado. Parece que o senhor, que não Trump, claro, afirmou, numa entrevista, que o Presidente lhe terá pedido para fazer umas coisas que violavam a lei. Ninguém diria. Trump não gostou e, como é hábito quando algo não lhe corre de feição, partiu para o insulto pessoal. Via tuites, que, tal como no futebol, em equipa que ganha não se mexe. Além de burro,  Rex Tillerson também seria um preguiçoso dos diabos, pelo que, Trump deixou claro que Mike Pompeo está a fazer um great job e, além disso, é bastante mais prestável e inteligente que o seu predecessor. Será, pelo menos, pelo tempo que Pompeo se mantiver útil e obediente no cargo; se vier a incompatibilizar-se com o endiabrado Donald, terá direito aos mesmíssimos nada alternativos mimos com que o Presidente agracia todos os seus ex-colaboradores, salvo aqueles que mantêm, mesmo à posteriori, o ritual do beija-mão. Quem não está com Trump, está contra Trump. E Trump não perdoa, não esquece e não conhece misericórdia.

           

    Depois das linguagens inclusivas nas suas variantes mais bizarras, de que, por cá, o “camaradas e camarados” de um desastrado Pedro Filipe Soares foi o último golpe, eis que pretendem agora corromper-nos os sábios provérbios dos nossos antepassados. Já não vamos poder matar dois coelhos de uma cajadada, nem pegar o touro pelos cornos, porque, para um punhado de iluminados, há um risco pronunciado e não absurdo de podermos vir a confundir a linguagem metafórica com malévolas acções reais, levadas à prática num acto de demência anunciada e colectiva. Sair pela calada da noite, atirando paus aos  indefesos gatos, embalados pela melodia que teima em não sair do ouvido; esmagar, sadicamente, um pássaro na mão, livrando-nos da tentação de arrojados actos. Se não por isso, por respeito aos bichos...e os loucos somos nós.

    Por higiénica e escorreita prudência, nem beijinhos aos avós, nem princesas a arfar diante de sapos, não vão virar príncipes, nem géneros atirados biologicamente, nem músicas infantis mal-intencionadas, nem ditos populares animalescos. Tudo a bem da harmonia dos povos que brilha em amarelo vivo nas imagens que, há quatro semanas, nos enchem os écrans de televisão, enquanto as gentes, fartas de desgovernos, se agitam contra estorvos um tudo ou nada mais comezinhos.

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publicado às 22:44

Inadvertências.

por naomedeemouvidos, em 07.12.18

    Inadvertidamente, algumas deputadas validaram as presenças de outros colegas deputados. Desconhece-se se o género, aqui, é importante; se no Parlamento, os inadvertidos serão todos femininos e os fantasmas masculinos ou é ao contrário. Ou nenhuma das duas. Os anjos, sabemos que não têm sexo, mas, quanto ao género, há imensas dúvidas e não consta que o Parlamento tenha anjos. Nem virgens, em nenhum dos géneros, que, sobre isso, já fomos contundentemente esclarecidos. Adiante.

    Absolutamente seguro de que não terá cometido, nunca, qualquer inadvertência, mesmo não sendo virgem, eventualmente, Carlos César garantiu que, no PS, não há lugar para deputados fraudulentos. Até para praticar fraude, é preciso arte. Em não se sendo competente artífice, pode sempre ter-se a sorte de nascer nas ilhas. Mas, uma vez mais, não está ao alcance de todos. No PS, não há espaço para deputados fraudulentos. O facto de se receber subsídios por viagens de avião que não se fizeram parece que não é bem fraude. Podia ser eticamente reprovável, mas não inadvertidamente, não sejamos deselegantes.

    Não sei se porque pintam as unhas, aproveitam para pôr o sono em dia, ou para discutir as últimas do futebol, muitos são os deputados e deputadas distraídos durante os trabalhos parlamentares. De modo que, inadvertidamente a deputada que carregou no botãozinho por Feliciano Duarte, também já o fez "muitas vezes por vários outros colegas". Inadvertidamente, aposto. E, aparentemente, não é exclusivo da bancada do PSD, "que atire a primeira pedra quem não sabe que isto acontece". Vejam lá, não vão, inadveridamente, acertar nas virgens. Entretanto, a mesma deputada que, inadvertidamente, claro está, validou ausentes presenças de Feliciano Duarte no Parlamento faz parte do Conselho de Jurisdição do PSD, que tem a responsabilidade de analisar estes casos. Portanto, em princípio, manter-se-ão as virgens e não deverá haver arremesso de pedras. Ou ao contrário, e teremos uma hecatombe inadvertidamente anunciada.

    Mas, desengane-se quem pensa que só por cá há desatentos crónicos. Em terras de sua majestade, Boris Johnson admitiu não ter declarado em devido tempo uns milhares de libras de rendimentos com livros e artigos em jornais. Pediu desculpa e explicou que o fez inadvertidamente. Nove vezes ao longo dos últimos 12 meses…mas, por lá, parece que também já houve quem jogasse "candy crush" enquanto se discutiam problemas do reino, por isso...dizem que o jogo é viciante.

    É evidente que, mesmo no que a inadvertências diz respeito, não somos todos iguais (suponho que o mesmo se passe com o irrevogável). Aqui há uns anos, tranquilamente, fui de férias e, inadvertidamente, esqueci-me de entregar a tempo a minha declaração periódica de IVA. Prontamente mo lembraram. Com uma multa de quase 200 euros que, infelizmente, lá tive que pagar…

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publicado às 09:18

Greves Existenciais.

por naomedeemouvidos, em 06.12.18

Greve dos enfermeiros, greve dos funcionários judiciais, greve dos guardas prisionais, greve dos professores, greve dos auxiliares, greve dos comboios, greve dos estivadores, greve dos técnicos de diagnóstico e terapêutica, greve dos bombeiros, greve ... 

 

Menos mal que Portugal nunca esteve tão bem...e eu, que nunca fui grevista...

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publicado às 11:00

    Além de um bom amigo que lhe financia, ou financiava, um estilo de vida de fazer inveja, José Sócrates também tem um “primo muito querido e muito próximo” que lhe empresta casas de luxo.

    Admito. Cada vez que ouço falar o nosso ex-primeiro preciso de escrever cinquenta vezes, à laia de penitência e de forma compulsiva: “toda a gente é inocente até prova em contrário”. Não havendo prova, apenas lata descomunal, é preciso acreditar piamente na bondade dos homens. De alguns. Principalmente daqueles que, qual Madre Teresa, facilmente abdicam de desprezíveis e desprezáveis bens materiais em favor das aflições do próximo, animados da mais pura e assombrosa abnegação. Não é bem fazer o bem sem olhar a quem, pois que, quanto sabemos, olham sempre ao mesmo, mas sempre é mais altruísta do que não olhar a ninguém. Tenho sempre uma enorme admiração por quem é capaz de tão despudorado desapego às coisas mundanas!

    O primo, amoroso, emprestou a Sócrates um apartamento de luxo, na Ericeira. Sócrates, encarniçado, não gostou que o jornalista lhe fizesse perguntas sobre o assunto. Com o fastio que lhe é caro, salvo seja!, e habitual, dissertou sobre essa mania que os jornalistas têm de perguntar como é que vivem como vivem antigos ex-primeiros-ministros acusados de crimes de corrupção e branqueamento de capitais, entre outros, mais ainda, quando os primos e amigos, muito próximos e muito queridos, também acumulam a condição de arguido, que há gente para quem a solidariedade, de facto, não tem limites.

    Onde será, realmente, que os jornalistas vão buscar a ideia de que têm o direito de fazer perguntas e incomodar as pessoas sobre actos banais da vida privada? Desconfio que os jornalistas pensam que Sócrates não é bem o que chamamos uma pessoa, os seus actos não serão exactamente banais e o modo como sustenta a sua a vida privada é capaz de ser assunto de interesse público. E, sabemos bem, os jornalistas enganam-se demasiadas vezes.

    A contragosto, José Sócrates lá foi respondendo, à SIC e sem exemplo, embora as perguntas lhe revelem o nível de jornalismo que se faz e que, seguramente, não estará ao nível da governação que o próprio fez e, isso, talvez o irrite ainda mais.

    Cansado da devassa da sua vida privada, José Sócrates denunciou, ali mesmo, a repugnância que lhe provoca o jornalismo português. Ainda bem que, aparentemente, só isso repugna o senhor ex-primeiro-ministro. Não apreciasse ele outras características portuguesas, quiçá desagradáveis a outros quantos de nós, e há muito que as suas indignações ficariam circunscritas aos pátios prisionais desta bela República, eventualmente para lá da cela que poderia adornar com alguns dos quadros que o Tribunal, entretanto, lhe devolveu.

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publicado às 09:09

Justiça e (ou?) violência.

por naomedeemouvidos, em 04.12.18

   

    “A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.”

Jean-Paul Sartre.

 

    Mesmo que, nas mãos do povo, alguém a alcunhe de justiça, a violência não devia ser secundada, muito menos, atendida. E, às vezes, parece não haver outra alternativa.

    Em França, os “gilets jeunes” conseguiram, de momento, que Macron voltasse atrás no aumento do imposto sobre os combustíveis. Ao Governo francês não parecia restar muito mais, a não ser que houvesse demissões. Pode ser que isso seja suficiente para conter a próxima onda de horror que já começa a ganhar forma nas redes sociais; uma ameaça em crescendo, pronta para mais um sábado de anarquia e destruição bárbara. Pode ser suficiente, mas eu duvido. Quem se manifesta vestido como quem vai para a guerra, não estará forçosamente interessado no aumento ou diminuição de taxas, mesmo que as exigências, entretanto, já tenham ultrapassado o vulgar aumento dos combustíveis. Dizem que a violência é mais ou menos comum nos franceses e que nós, não-franceses, estaremos mais chocados do que eles. É possível, mas, não deixa de ser condenável e aterrorizador.

 

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imagem aqui

    Entretanto, não percebi bem o que tentaram, por cá, ensaiar os bombeiros que se manifestaram ontem, em Lisboa. Mas não apreciei o “Deixa arder” e dispensava a simbologia das chamas, na concentração. Apenas para que o nojo não se cole à nobreza de alguns homens e dos valores que eles defendem, não vamos, nós também, perder a lucidez. E, sobretudo, para que não nos confundam, que os tempos já são suficientemente insanos.

 

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imagem aqui

 

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publicado às 12:39

Amarelo vivo, amarelo negro.

por naomedeemouvidos, em 03.12.18

    Nas ruas de Paris, milhares de vândalos soltaram a raiva e esventraram a França. Calçadas queimadas, carcaças de automóveis consumidos pelas chamas, barricadas, tochas, edifícios queimados, esmoucados, pilhados. Homens e mulheres preparados para a guerra, caras tapadas, alguns com máscaras antigás, provocatórios, violentos, focados num único objectivo: destruir; instalar o caos. Na selvática loucura, estropiaram os símbolos da República cuja protecção reclamam à mercê das suas vontades. Marianne assombra-se com horror, esburacada, esbofeteada às mãos dos bárbaros, talvez os mesmos que ajoelham em profano respeito pelo soldado desconhecido. Na fúria, pintaram de infâmia, em palavras de ordem, de rude e vulgar desordem, o Arc de Triomphe, avisando, jurando, manter a França a ferro e fogo, vilmente usurpada, até à capitulação daquele a quem culpam pela barbárie.

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imagem aqui

    Mas, afinal, o que querem esses a quem chamamos “coletes amarelos"? Aparentemente, começaram por não querer o aumento do imposto sobre os combustíveis, organizando-se pelas redes sociais, num protesto onde – diziam camionistas portugueses (bloqueados nas estradas contra a sua vontade) – não havia franceses. Agora, querem muito mais, eventualmente não demasiado e, seguramente, a razão assiste-lhes. Aliás, dizem que é o povo quem protesta. Não são maquinações extremistas, nem de direita, nem de esquerda, hordas de javardos empenhados em semear o caos. Não. São gente normal, sofrida, esmagada pelos impostos, cujos ordenados teimam em ter menos dias do que aqueles que compõem um mês, e que já não suporta mais um presidente dos ricos. E, talvez assim seja; mas, é difícil de acreditar quando estarrecemos, incrédulos, ante o rasto de destruição. Pode gente normal, gente pacífica, manifestar-se de forma tão ultrajante, violentando o país a que orgulhosamente pertence? Saramago imaginou, pelo menos, uma vez, que sim; que podemos, em desespero, sucumbir à mais baixa condição. Descreveu-o, violentamente, no seu magnífico ensaio sobre essa cegueira que nos torna inumanos perante as piores agruras.

    Talvez, então, seja avisado olharmos. Dar ouvidos ao mal-amado arauto e, em podendo olhar, vermos. E, em pudendo ver, repararmos.

    Aproximam-se eleições – um ano é quase nada – e, na ânsia de agradar, se não a todos, aos que dão votos porque são muitos, os mesmos partidos (hoje são estes, amanhã serão os outros) que nunca se entendem nas coisas fundamentais para o país – como a educação, a saúde e a justiça – conseguem sempre entender-se no esbulho da pátria, esmifrando aqueles que alimentam os cofres do Estado com os seus impostos, muitos sem empregos garantidos e sem poder, nunca, recuperar o tanto que perderam. Seremos, os portugueses, mais civilizados e pacíficos que os franceses, ou, apenas, por mais tempo? Asseguram-nos que a austeridade acabou e que podemos virar a página das privações e, no entanto, parecemos prestes a cometar os mesmos pecados que já antes nos arruinaram. 

    A França recupera, em choque, da vontade do povo e, entretanto, Portugal é, outra vez, o melhor destino do mundo. Mas, é bom estarmos alerta.

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publicado às 07:28

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“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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