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Urgências Veterinárias.

por naomedeemouvidos, em 22.01.19

    Afinal, como é que nos afeiçoamos a ratos? O meu filho não gosta que eu diga ratos. São hámsteres, que é muito mais digno e os bichos merecem. Os bichos são dois, a Pirata e o Kelvin. Pois, a Pirata pregou-nos um susto tremendo. Ninguém da casa sabia que os hámsteres sírios podem hibernar se, por exemplo, tiverem frio. De modo que, quando o meu filho, acabado de chegar a casa, de um dia excepcionalmente mais longo do que o normal, cujos motivos não vêm ao caso, e a viu muito quieta, aninhada no seu tubo, suspeitou imediatamente de algo anormal. Daí à confusão absoluta, foi um instante. A Pirata quase não se mexia e, quando o tentava, tremia e desequilibrava-se. Colocamo-la dentro da sua casinha e começamos a temer o pior. O caso é que o pequeno adora os seus bichinhos (são demasiado fofos, na verdade) e, num instante, rebentou um enorme drama. Para complicar a coisa, às 9h da noite, num dia de semana, não abundam veterinários que acudam a um ratinho. Mesmo os números que anunciavam serviços de urgências, urgiam pouco ou nada. Além disso, uma consulta fora de horas fica mais cara do que comprar um hamster novo, não fosse dar-se o caso, lá está, de a Pirata ser especial. Ao cabo de uma boa meia hora, entre muitas lágrimas e um enorme desgosto anunciado, lá conseguimos que alguém nos atendesse, finalmente, o telefone. Falávamos de internamentos e observações, valha-me nosso senhor, quando a bichinha sai disparada da casinha, irrequieta e cheia de energia, alegre e ressuscitada como se nada fosse e não houvesse amanhã, mas por motivos mais elevados. E nós pasmados, um susto de ... (quase), já o miúdo ria, aliviado, entre o martírio e expiação, afinal, ela não vai nada morrer!

    Ficámos, então, a saber que a Pirata pode hibernar. É preciso aconchegá-la um pouco mais. O Kelvin, não sabemos. Há quem diga que os da sua marca não hibernam; apenas os sírios, e o Kelvin é um anão russo (o que se aprende entre as gotas e as voltas dos imprevistos), tão fofo e pequeno que cabe na palma de uma mão. O que lhe falta em tamanho, sobra-lhe em genica. No entanto, também há quem diga que sim, que podem hibernar, mas aguentam temperaturas mais baixas. Não sei bem o que se entende por temperaturas baixas, porque ambos estão dentro de casa, que não é propriamente fria. Adiante. O importante é que tudo acabou bem. Mas, urgências veterinárias…mais ou menos…, pelo menos, aqui pelas redondezas.

publicado às 14:00

O Estado, somos nós?

por naomedeemouvidos, em 22.01.19

    Eu gosto de citações. Concordando-se, ou não, com os autores, pelo menos, dão-nos a oportunidade de pensar e de discutir. De duvidar. Começo por uma tão conhecida que que se tornou uma espécie de clássico: “a democracia é a pior forma de regime, com excepção de todos os outros”. Não carece de assinatura, até porque, eventualmente, terá sido outro o autor original…na verdade, it has been said…”. Mas, isso é de somenos.

    Nos últimos tempos, temos assistido a uma certa degeneração, vou chamar-lhe assim, das virtudes desta forma de governo. Assusta-me que possa estar, como outrora, em declínio, de algum modo novamente ameaçada, porque parece-me haver, realmente, maior justiça num regime em que o povo tem o enorme poder de designar o governo e o poder legislativo por sufrágio livre e igual. Mas, o poder de que gozamos, enquanto povo, reveste-se de tremenda exigência e de minucioso labor. Distribui direitos, porém, também demanda incontáveis e incontornáveis deveres que, se levados a sério, vão além de praguejar – com imensa vontade e maior razão, tantas vezes – contra todos os que se aproveitam das vantagens da democracia, declinando as suas imperfeições sempre e quando convenha. E não convém sempre o mesmo a toda a gente, muito menos, no mesmo instante. A democracia, agora, faz-se de instantes. De repente(?), abriu-se um vazio abismal entre os valores que a democracia defende e a indiferença com que esses mesmos valores são estropiados, todos os dias, uma miserável catadupa de atropelos, onde a liberdade e a igualdade vão sendo moldadas, deturpadas, ao sabor de cada momento. Outros valores mais altos se levantam, prontamente e em contra-mão.

    Talvez a democracia nos falhe porque não somos exigentes o suficiente. Com ela; e, por arrasto, connosco. Como se, compactuando com a fraude do próximo, ganhássemos, nós próprios, o direito à complacência para com a nossa própria fraude. Uma espécie de troca-por-troca viciada e bolorenta. Resignamo-nos por ignorância ou por comodismo? Insurgimo-nos contra o abuso por princípio ou por despeito, se dele não podermos usufruir? Ou, talvez, apenas nos tenhamos habituado a olhar a política como algo peçonhento. Como se nada pudesse ter de belo. Enjeitamo-la pelo nojo com que a vemos esventrada e submissa a vontades viciadas e indigentes. Não sendo possível suspender a democracia quando convém, aceitá-la implica regras, e há regras que custam a cumprir. Exigem algum grau de sacrifício e, por vezes, umas gotas de hipocrisia a que, elegantemente, chamamos diplomacia. Terá, aquele, deixado de ser o melhor de todos os regimes? O que conta mais, no momento de decidir? E o que estaremos dispostos a sacrificar, nessa procura de um melhor Estado, de coisas, de causas, de governo?

    A imposição de um desastrado, e adulterado, politicamento correcto, que nos tornou refém das palavras e minou os debates políticos e sociais, esvaziou-nos, ao mesmo tempo, da capacidade de pensar e de duvidar. Pior. Ameaça deixar-nos tomados pelo medo, encolhidos, entregando, porventura, com alívio, o nosso poder de decisão a outros, que ousem assumir as rédeas das nossas fragilidades, como sociedade, guiando-nos como cordeiros em dia de procissão...

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publicado às 08:01

Arrancou.

por naomedeemouvidos, em 22.01.19

O Rasurando. Nos próximos dias, acharemos coisas mais ou menos interessantes, ou nem por isso, sobre o Estado em que vivemos. A democracia ainda é o melhor regime do mundo?

Deixo já aqui uma amostra. Mas, se passar por lá, há mais.

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publicado às 08:00



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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