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São notas, senhor, são notas.

por naomedeemouvidos, em 23.01.19

    Numa pequena cidade ribatejana não muito longe de Lisboa, há um pequeno centro comercial – se assim se lhe pode chamar, em comparação com os que pululam pela capital e não só – e, nele, uma pequena loja de flores. A florista, que nunca vi, distribui os ramos de orquídeas, os vasos e os bouquets das mais variadas formas e feitios pelo pequeno hall que separa a entrada da loja do seu acesso principal e, também, pelo lanço de escadas coradas e a cheirar a jasmim e rosmaninho, que nos acompanha da rua ao interior do edifício.

    A porta, pequena como a loja, tem um pequeno recorte no fundo, onde estaca sem tocar no chão, mas apenas com a abertura suficiente para empurrar, para o interior, as notas e/ou moedas que perfazem o total indicado no preço elegantemente desenhado num pequeno pedaço de cartão, que se prende e desprende com uma minúscula e adorável molinha de madeira, à película que adorna vasos e arranjos florais. Escolho o meu, verifico o preço, baixo-me ao nível da improvisada caixa registadora e deposito o pagamento no interior, no chão, com a maior elegância que me permitem a minha saia justa e os meus saltos de 10 cm. É difícil, mas estou habituada. A usar salto alto e a pagar o que devo, mesmo quando não há ninguém a ver e, portanto, aparentemente fácil usar de desvios e estratagemas para ludibriar e pagar menos, ou não pagar de todo. Mas, há valores que não justificam tamanhas vergonhas e trapaças. Se não nós próprios, outros haverá a apontar-nos o dedo chamando-nos pelo nome à altura da ocasião. Essa, que dizem que faz o ladrão. Eu acho que não. O ladrão faz-se a si mesmo, com engenho e arte, com pouca vergonha, e menor ainda quando valores maiores se levantam.

    Ontem foi um dia magnífico. Por vários motivos e todos diferentes, mas cada coisa ao seu lugar. Um deles mostrou-nos que há mais vergonha em não pagar, à socapa, um ramo de flores, por exemplo, do que em não pagar os impostos que nos são devidos. O melhor do mundo fez o que outros fazem. Ele, que se orgulha de ser diferente de todos, único, inigualável, de outro mundo. Largo sorriso, elegante, confiante, namorada a tiracolo, para completar e compor o bom ar. Magnífico. Há imagens que valem por milhões (talvez sejam perto de dezanove) de palavras. Cá fora, esperam-no os admiradores (é um grande atleta, não há a menor dúvida), indiferentes a fugas que não sejam às selfies ou aos autógrafos. Pois, há tempo para dar autógrafos. Hoje, ontem, é dia de dar autógrafos.

    Ao melhor do mundo deram-se honras e condecorações, como manda o protocolo que se faça aos grandes representantes da nação, que ironia. Aguardam-se, agora, informações de fonte segura e suprema para decidir quais as voltas que se hão-de dar aos louros, entregues e recebidos. Mas, é capaz de ser só inveja. O homem tem o mundo e não só aos seus pés, que necessidade tinha de fugir ao que quer que fosse, não é assim que é costume dizer-se? E, mesmo que tenha fugido, não o fazem todos? Vergonha, vergonha é roubar rosas…

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publicado às 15:45



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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