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Bem ou mal, tudo o que aqui está escrito é da autoria de naomedeemouvidos, salvo citações e/ou transcrições devidamente assinaladas, embora, alguns textos "EntreLetras" se baseiem em lendas ou histórias conhecidas.
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Há cerca de um mês ou dois, fui buscar o meu filho à escola, numa rotina normal. Vinha de um teste de português e, assim que entrou no carro, disse-me “adivinha lá, se não estivesses sempre a dizer que, com livros, nunca estamos sozinhos, não tinha conseguido completar as cento e (qualquer coisa) palavras do texto de opinião”.
Acho que já o escrevi por aqui. E também já escrevi que obrigo o miúdo a ler. Dizem que não é assim que se faz. As crianças não devem ser obrigadas a coisa nenhuma, muito menos, a ler. No meu tempo (valha-me Deus…), os meus pais não nos obrigavam a ler, a mim, ou à minha irmã. Enchiam-nos as estantes de livros, na sala e no quarto. Eles liam e nós também líamos. Mas, nesse tal tempo, as distracções não abundavam. Não havia telemóvel (qual telemóvel, até me lembro de não ter telefone, nem televisão…), nem ipad, nem PS-não-sei-quê, nem horas intermináveis de televisão com mais canais do que aqueles que temos paciência para ver. De modo que, líamos. E conversávamos.
Em geral, o meu filho gosta de ler. Sempre gostou de livros, dos que serviam para ler no banho, em bebé, dos que emitiam sons, dos tridimensionais, dos que contavam histórias sozinhos, enfim, os livros sempre estiveram (e estão) presentes nas suas rotinas, mas, tendem a perder terreno para a concorrência, audaz, feroz e altamente competente; os jogos electrónicos são, quase diabolicamente, atractivos, e não só para os miúdos. Se o deixasse, acho que era capaz de jogar um dia inteiro. Mas, se o deixasse, raramente ajudaria a levantar a mesa ou a fazer a cama. Se o obrigo a lavar os dentes, a arrumar a secretária e a trocar a toalha de banho, que ele ainda julga que se muda sozinha, também o posso obrigar a ler. Faz parte do que se chama educar. Se tem tempo para poder jogar playstation, por maioria de razão e necessidade, há-de poder arranjar tempo para ler. Não há educação sem livros e a educação pelo exemplo já não é, temo, suficiente, num tempo em que os miúdos o passam mais longe de nós do que connosco, mesmo que façamos muito mais do que o possível para que a qualidade supere a quantidade.
Vem isto a propósito de livros, mas não só. Porque ler, é mais do que nunca estar sozinho. E, mesmo que fosse só isso, acho que seria suficiente.
Um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência veio, agora, divulgar que “os alunos que escolhem cursos do ensino superior da área da Educação e esperam, portanto, vir a ser professores, estão entre os que têm pior desempenho a Português”. É capaz de não ser preocupante. A não ser, quando nos apercebemos dos erros constantes e cada vez mais comuns entre aqueles que têm, por obrigação, pelo menos, profissional, escrever bem, comunicar bem. Já não é raro ver legendas de filmes com erros ortográficos de palmatória, ou rodapés de noticiários televisivos com hífens a apunhalar terminações verbais elevadas, contra vontade própria, à categoria de pronomes. Escreve-se de ouvido, mas de ouvidos moucos. Por que há-de um professor de matemática, ou de física e química, saber falar e escrever bom português, não é? Afinal, a matemática, por si só, já é complicada que chegue. A não ser que o problema da matemática, ou da física e química, (também) seja o português, aquele maldito diabo que se esconde nos mais inusitados detalhes.
Se calhar, não nos faz falta ler “Os Maias”, mas, se, ao menos, nos obrigássemos a ler mais do que as mensagens do Whatsapp…
Por imperativos programáticos, escolares, o meu filho acabou de ler a “A Odisseia de Homero, adaptada para jovens”, de Frederico Lourenço. Tomou-lhe parte do tempo de férias de Natal, tempo esse de que não pôde dispor para experimentar um novo jogo, com que andava a sonhar há vários meses. Achou uma seca. Pois. Como é que se diz? Temos pena…há males maiores. E adoro o meu filho.
Acreditar que Donald Trump está preocupado com uma crise humanitária, é o mesmo que acreditar no Pai Natal, e eu já tenho mais de 7 anos. Apesar do tom quase cordato com que manifestou a sua inquietação, o que Trump quer, já toda a gente sabe, como diria alguém, era escusado a Sala Oval, o outfit e as fotos de família.
O que fazer, realmente, com os milhares de pessoas, entre elas, crianças, que fogem dos seus países em busca de algo mais do que sobreviver? Não podemos acudir a todos, socorrer todos, ajudar a todos. Mas, são pessoas. Como nós. Era tão simples, se fossem diferentes de nós. Piores do que nós. Bastava construir um muro, escorraçá-los como aos cães vadios, devolvê-los à sua pátria, reduzi-los à sua miséria, como bem mereciam. Se não fossem como nós. E, aí, acabava-se com a delinquência, com o crime, com o tráfico de drogas, com as doenças, enfim, com todos os males que trazem os que não são iguais a nós. Seríamos, finalmente, felizes para sempre. Grandes, outra vez. Basta acreditar...

No tempo que levo de vida, liberdade de expressão, democracia, esquerda, direita, comunismo, fascismo, racismo, verdade, mentira e outras coisas (vamos dizer assim) do género, sempre foram complicadas, profundas (porque o são, de facto), mas, não eram obtusas. Felizmente, nunca vivi em ditadura (acabou quando eu era muito pequena) e o mais próximo que estive de um regime “opressivo” foi no tempo em que vivi em Marrocos, já lá vão vinte anos. Aí, fui seguida na rua, se entrava num táxi, não raras vezes o motorista sabia onde eu morava sem que eu abrisse a boca, gente que eu não conhecia e que nunca tinha visto, perguntava-me que tal estava o meu marido. Cheguei a esquecer-me de um saco de compras no mercado e alguém, diligentemente, mo levou a casa, sem que eu chegasse a saber quem (ficou na portaria do prédio), nem como sabiam onde vivia. Houve mesmo uma vez em que um polícia me parou, numa fila enorme de carros, para me informar, amavelmente, que os “meus amigos”, afinal, não iriam para aquela praia, mas para outra…parece mentira, é incrível, mas vivi-o, eu e o meu marido, e é rigorosamente verdade. Há sempre alguém que sabe tirar partido das situações mais insólitas. Os amigos, afinal, não eram nossos – como imaginámos logo –, só o carro é que era parecido. Nunca cheguei a sentir-me, propriamente, insegura, mas a sensação de constante vigilância, mesmo num país mais ou menos liberal como aquele, é esmagadora, para quem só viveu em liberdade. Continuo a amar Marrocos, a visitar Marrocos e ainda lá tenho amigos.
Actualmente, vivemos esmagados entre dois extremos. Ou tudo é demasiado intenso, ou, pelo contrário, demasiado ligeiro. Não se pode chamar fascista a um fascista, porque pode vir um fascista pior e, então, não saberemos o que lhe chamar. A coberto de todas as liberdades, incluindo a de expressão, temos que saber ouvir, sem levantar o sobrolho, alguém dizer que o aquecimento global é um mito e que os planos de vacinação são, na melhor das hipóteses, apenas e só um diabólico instrumento das indústrias farmacêuticas para ganhar milhões, na pior, a principal causa de autismo nas crianças. Os jornalistas são substituídos, sem dó nem piedade, pelos entertainers do momento, ou pelos influencers dos milhões de visualizações, e os meios de informação ditos sérios, sem saber o que fazer, juntam-se à orgia. Havia um tempo em que, para vender colchões milagrosos a incautos velhinhos e não só, uns rapazes e raparigas de bom ar vestiam umas batas brancas e colocavam uns estetoscópios ao pescoço; não eram médicos, mas pareciam. Às vezes, basta parecer. Outras vezes, nem ser, plenamente e com alma, é suficiente. São tempos muito confusos.
Seguramente, não é a proibir um imberbe de falar que defendemos a democracia. Ou a ciência. Não será por calar um escroque que evitaremos que as suas ideias se propaguem. Muitos defendem que a liberdade de expressão é exactamente isso: deixar falar quem quiser falar, independentemente do que tenha para dizer. Mesmo que as ideias sejam “perigosas”, não devem ser caladas, devem ser debatidas e, eventualmente, combatidas. É absolutamente verdade. Toda a gente deve ter a legitimidade para defender aquilo em que acredita e isso não devia incomodar os verdadeiros democratas. Mas, onde fica, então, a fronteira entre a liberdade de expressão e o insulto? Entre a ciência e a crença? Entre a realidade e a ficção? Podemos discutir as supostas vantagens da ditadura com os saudosistas de Salazar. Mas, como é que se discute com alguém que mata, a pontapé, porque não gosta da cor ou da raça? Podemos discutir as dificuldades de integração e convivência que existem entre comunidades diferentes. Mas, como é que se discute com quem defende a esterilização dos pobres como forma de acabar com a criminalidade violenta? Podemos discutir sobre a civilidade ou falta dela dos espectáculos tauromáquicos. Mas, como é que se discute com quem rejubila com a morte de um toureiro?
Se calhar, devemos dar palco à barbárie para a podermos combater. Só tenho medo de que, à custa de tanto a respeitar, a barbárie deixe de nos afectar. De nos indignar.
Não vi o programa, pelo que, ainda me resta a esperança de que se trate de uma espécie de inverdade. Se não é, a Cristina (ou a amiga) tinha razão, quando disse, em entrevista, que uma amiga lhe confidenciara que, a sua saída da TVI, era mais ou menos o mesmo que a morte da Princesa Diana: o país não estava preparado...

Entretanto, vou tomar um calmante...há tantos politicamente não sei quê, que, assim de repente, fiquei bastante confusa...mas, também é capaz de ser só inveja porque o senhor Presidente não me telefonou a mim...ainda não decidi.
Mas, de uma coisa estou certa. Para telenovela, tem a virtude de ser mais alegre do que a de Tancos e não envolve, acho eu, saca-cilindros e carrinhos de mão, nas cenas dos últimos capítulos...
"Atenção professores: seu aluno que inicia agora o 1º ano do ensino médio não precisa saber sobre feminismo, linguagens outras que não a língua portuguesa ou história conforme a esquerda, pois o vestibular dele será em 2021 ainda sob a égide de pessoas da estirpe de Murilo Resende.”
Eduardo Bolsonaro, no Twitter
Depois do "menino veste azul e menina veste rosa" proclamado à laia de refrão pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo de Bolsonaro, haja ironia, agora é o filho do Presidente a doutrinar sobre a "nova era" brasileira.
Ontem, comentadores, cronistas e telejornais comentaram, escreveram e noticiaram a presença de um criminoso, racista, adepto de Salazar – de Hitler, também – num programa da TVI. Entre indignações, labaredas, incêndios e guerras de audiências, houve esmolas para todos os santos. Ainda assim, houve tempo para repartir – pelo menos, na televisão – com outro acontecimento da maior importância para o país: a saída de Rui Vitória do Benfica, uma espécie de já morreu, mas ainda não sabe. Pois lá soube, finalmente, e, desde anteontem, tal como há um mês, altura em que falecera, foram horas e horas e horas de análise e opinião requentadas e servidas, em horário nobre, semi-nobre e assim-assim.
Deixo o futebol para quem dele gosta e dele percebe. Neste momento, preocupa-me um pouco mais a guerra de audiências, o jornalismo e essa entidade abstracta a que chamamos liberdade de expressão, e a coberto da qual é possível transformar convictos promotores do ódio em fazedores de opiniões polémicas.
Dizem as más línguas que o motivo por que Manuel Luís Goucha convidou (ele diz que não foi ele, o que, para o caso, é de somenos) para o seu programa um adepto da caça ao preto e, já agora, aos gays – é bom chamarmos os bois pelos nomes, pois, pese embora as inquietações da PETA e do PAN, Goucha já deixou claro que o politicamente correcto é perigoso – dizem as más línguas, dizia eu, que o motivo é a aquela rica menina da Malveira, que se mudou para a SIC, desferindo um rude golpe nas audiências da TVI. Como em tempo de guerra, mesmo de audiências, não se limpam armas, cada um usa os truques mais rentáveis e eficazes para abater o inimigo. Dizem que foi qualquer coisa assim.
O ilustre convidado do senhor Goucha cumpriu pena de prisão efectiva, entre outros crimes, por envolvimento na morte de Alcindo Monteiro, um cabo-verdiano de 27 anos. Alcindo Monteiro, é bom lembrar, foi morto por ser preto e porque Machado e os seus comparsas não gostam de pretos. Alcindo foi pontapeado na cabeça, estômago, peito e testículos, com botas de biqueira de aço. Tufos do seu cabelo ficaram presos na sola de uma das botas. Os valentes, brancos e hetero skins só pararam quando lhes apeteceu, saciados. Talvez o Goucha não se tenha lembrado que, aquele bando, liderado pelo não seu convidado, também não gosta de gays. Mas, é importante não branquear conversas, e o politicamente correcto é muito perigoso. Não posso estar mais de acordo. Como estamos todos em sintonia, a TVI emitiu um educado, delicado e democrático comunicado onde, entre outras coisas, fala “das opiniões e visão histórica de Mário Machado” e assegura que “o debate entre diferentes correntes de opinião, por mais criticáveis que as mesmas sejam, faz parte de uma sociedade democrática, plural e tolerante, comprometida com o respeito pelas liberdades individuais”, aproveitando “a oportunidade para reafirmar simultaneamente a importância da liberdade de expressão para o projeto editorial da TVI e o compromisso editorial desta com o respeito pela dignidade da pessoa humana e com a condenação do racismo e da xenofobia”. Muito bem dito. E, no entanto, é por aqui que me perco um pouco. Não percebo bem como é que dar palco a um criminoso, racista, cruz suástica ao peito (ou tatuada no braço), perseguindo negros, matando por ódio, se enquadra na liberdade de expressão e na pluralidade democrática e tolerante.
Há quem defenda que Donald Trump e Jair Bolsonaro chegaram sem que déssemos por eles, precisamente, porque os subestimámos. Ignorámos o perigo que podiam representar, para a democracia, desprezámo-los como se isso bastasse para que caíssem por si, pelo seu ridículo absurdo. Não foi assim, pelo contrário. Talvez por isso andemos tão perdidos.
É possível que, como escreve João Miguel Tavares, “aquilo que um dia pode empurrar Portugal para os braços de populistas da extrema-direita ou da extrema-esquerda” seja “os deputados que dizem que estão no Parlamento e não estão”; “as líderes de juventudes partidárias eleitas apesar das fraudes nos currículos; “as PGR competentes afastadas por serem incómodas para o poder político”; “os políticos condenados que demoram anos a ir para a prisão”; “os políticos corruptos protegidos pelos partidos”; “as leis que faltam para combater a corrupção”. Mas, para combater extremismos precisávamos de um jornalismo mais sério e de uma informação que fosse além dos sensacionalismos de ocasião e dos resultados da bola. E que se esteja nas tintas para as audiências.
O homem de branco vai subindo a colina envolta em chamas negras de morte. Enquanto caminha, em pesarosa e digna penitência, arrasta, no seu enlaço, outros mártires em resignada aflição, calados que são, agora, os que jazem tombados em agonia. Impelido a ascender ao topo da colina por entre os corpos dilacerados, o homem caminha em direcção à imponente cruz, para aí se prostar, ajoelhado, sob os impiedosos braços abertos em desgraça. Nunca foi amado pelos seus pares. Foi chamado de herege por apelar à conciliação entre os povos e por perdoar os pecadores, os mesmos que outros, antes de si, repudiaram e renegaram. Não era por isso que sofria. Sabia, aliás, desde o princípio, a sorte que o esperava. Entregara-se à vontade de Deus que, finalmente, o reclamava, tal como o avisara a última dos pastorinhos.
No céu, nuvens enfurecidas formavam cavalos negros, outros, vermelhos, cujas crinas compunham um manto espesso, sacudindo as estrelas, que caíam sobre as sete colinas, como bolas de fogo ardente. A lua avermelhou. Uma mancha de sangue espesso e fedorento que engoliu uma parte do Sol, enquanto, das entranhas da Terra, se abria um imenso abismo e dele emanando o calor de uma fornalha infernal e inclemente. Os cavalos, no ar enegrecido e putrefacto, multiplicavam-se e espalhavam-se em todas as direcções, como gafanhotos, exalando fumo, fogo e enxofre.
No cimo do monte, o homem de branco vai rezando pelas almas dos mortos e dos ainda vivos. Jaz, no chão, caído debaixo da Cruz, de joelhos prostrado sob a espada empunhada, em chamas, pela mão esquerda do anjo que comanda o exército divino, soldados armados de setas e balas que disparam, uns atrás de outros, certeiros e sem piedade. Quando todos sucumbem, enfim, os anjos recolhem o sangue dos mártires, embalados ao som das trombetas. No seu ventre, a terra acalma-se e o céu ilumina-se e abre-se, como as páginas de um livro.
Tão precipitadamente como se destapou, num tremendo terramoto, fecha-se o abismo, para sempre selado, aprisionando as almas dos pecadores para a agonia eterna.
Na pequena Capela, o artesão contempla, saciado, a sua obra, ainda pura, Cristo de pé, chamando os eleitos, rodeado dos apóstolos, dos mártires, das virgens, dos anjos, dos homens. Já não ouve as cornetas dos anjos, enquanto o barqueiro empurra as miseráveis almas condenadas ao fogo eterno. Por trás, um maravilho céu lápis-lazúli renasce, agora, das cinzas, agraciando o mestre.
De repente, o Brasil transformou-se numa espécie de gigantesco templo dessa seita que dá pelo nome de Igreja Universal do Reino de Deus, onde digníssimos pastores andam de jacto privado, instrumento maravilhoso para a evangelização do mundo, pois até Jesus Cristo não andaria hoje montado no burro, se estivesse fisicamente na Terra. É capaz.
Seja como for, o santíssimo, devotíssimo e duas vezes messiânico Bolsonaro, esse proclamado e aclamado mito, tomou, finalmente, posse como 38º Presidente do Brasil. Ontem, juntamente com a amantíssima mulher, desfilou num descapotável, sob a graça de Nosso Senhor, ela de Grace Kelly, ele igual a si próprio, logo, medonho, sem alfaiate que lhe valha, porque é uma fealdade também superlativa que brota de dentro e jorra, putrefacta e incontida, conspurcando tudo em seu redor. Bolsonaro é a voz do povo brasileiro, que lhe deu 58 milhões de votos para a defesa dos valores da pátria e para “restabelecer os padrões éticos e morais que transformarão nosso Brasil”. O de alguns, pelo menos. “Bíblia, Boi e Bala”, a nova Santíssima Trindade, em nome da qual Jair baptizou o novo Brasil, resgatado do Inferno, da corrupção e, principalmente, das malhas do PT. Os fiéis exultam, os impuros definham, como merecem.

Um pouco mais acima, ainda assim, abaixo de Deus, outro patriótico Salvador elogia o discurso. Pelo menos dois homens valentes e corajosos empenhados em construir, cada um, uma nação à sua imagem e semelhança, “sem discriminação ou divisão”, o primeiro, despedindo e insultando todos os que se lhe opõem, o outro, provavelmente, disparando as armas que simula empunhar, pelo menos, até que a evocação da “Ordem e o Progresso” legitime, de vez, o direito à legítima defesa por parte do “cidadão de bem”. E não há cidadão de bem que não apoie Bolsonaro, que foi eleito com a “campanha mais barata da história”. Imagino que, se houver dúvidas, ou dívidas, os acertos de contas ficarão a cargo da nova primeira-dama, não fosse o novo presidente um homem irrepreensivelmente impoluto, que não tem tempo de sair e, sobretudo, não quer esconder nada, não é essa a intenção.
Abraham Lincoln disse, um dia, que quase todos os homens são capazes de suportar a adversidade, mas, que se alguém quiser testar o carácter de um homem, deve dar-lhe poder. Pois, chegou o tempo de testar, não o carácter de um homem, mas o de nações inteiras. E a resistência de um regime que deixou de ser o melhor, senão para todos, para muitos. Demasiados.
"Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito a viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos porque se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade, e a hiperexcitação." Fernando Pessoa
Idade - Tem dias.
Estado Civil - Muito bem casada.
Cor preferida - Cor de burro quando foge.
O meu maior feito - O meu filho.
O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.
Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.
Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.
Imprescindível na bagagem de férias - Livros.
Saúde - Um bem precioso.
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