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A palermice plena e a Terra que não é plana.

por naomedeemouvidos, em 19.02.19

Parece que há cada vez mais gente a acreditar que a Terra é plana. Dizem que a culpa é de um vídeo que anda a circular no YouTube. Agonia-me, mas não me estranha. Decidir “não acreditar” na ciência virou uma espécie de moda requintada.

 

As vacinas provocam autismo. Não interessa nada que esteja mais que provado que o suposto "estudo" que suportava tão erudita ideia não passou de uma fraude encomendada, bem paga e que o seu mentor tenha sido impedido de continuar a exercer medicina.

 

A água tem memória. E, nessa suposta memória, cabem as curas milagrosas que os promotores das águas açucaradas homeopáticas vendem aos mais frágeis, comprometendo, tantas vezes irremediavelmente, a saúde dos doentes. Não sei é considerado crime, mas devia.

 

O Homem nunca pôs os pés na Lua. Nos la colaran, que é como quem diz, enfiaram-nos o barrete, já dizia o Casillas, que é famoso, logo, percebe imenso de tudo o que importa perceber. A fama, aliás, tornou-se requisito necessário e mais que suficiente para atestar a fiabilidade de uma qualquer teoria da conspiração. É tudo uma enorme patranha. Qual Lua. É só olhar para a bandeira, esticadinha, e, isso toda a gente sabe – até os pindéricos dos cientistas – na Lua não há ar. E, claro, o aquecimento global, simplesmente, não existe. Já viram o frio que se tem feito sentir? Principalmente, na América? Se tiverem dúvidas, perguntem a Donald Trump, não se esqueçam que o homem até tem, ou tinha, um tio que era cientista, com bons genes, fantástico e que percebia imenso de ciência.

 

Alguns cientistas parecem defender que se deve promover mais a ciência. No caso da suposta planura da Terra, por exemplo, publicar mais vídeos e outros recursos que provam que a Terra é uma esfera, mais ou menos, pois ligeiramente achatada nos pólos, sendo o raio equatorial um pouco superior. É tão absurdo e improvável que a confusão venha daí - não faço a menor ideia - como de outra coisa qualquer, mas é absolutamente indiferente para quem quer achar o que quer que lhe apeteça.

Pergunto-me se valerá a pena o esforço. De promover a ciência junto destas sumidades. Esta gente, que desdenha das evidências científicas, está-se nas tintas para o conhecimento. Se quiserem acreditar que, afinal, é o Sol que gira à volta da Terra, fá-lo-ão sem quaisquer hesitações ou pruridos. É só levantar o nariz, não se está mesmo a ver o Sol a mexer-se, e não a Terra? Qual “e no entanto ela move-se”, que tamanha idiotice. Vamos, mas é, refazer os manuais de ciências. E de história, já agora. Resolve-se tudo de uma penada.

 

Uma coisa, no entanto, podíamos fazer. Não dar palco a estas imbecilidades e, muito menos, espaço partilhado para discutir, em pé de igualdade, ciência e crendice (às vezes, fraude intencional) como se fosse possível comparar o que não é comparável. Daqui a pouco, voltamos às teorias criacionistas nos bancos das escolas…parece já ter faltado mais.

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publicado às 15:58

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Não quis que me acontecesse o mesmo que me aconteceu quando o nosso Salvador Sobral ganhou o festival Eurovisão da Canção: já toda a gente tinha ouvido o rapaz, em delírio, e eu nem sequer conhecia a música. Nem o artista, que miserável vergonha. Continuo a não ser fã do moço, mas, como gosto de ter opinião – não necessariamente válida, como é notório – sobre tudo e mais alguma coisa, não queria permanecer na ignorância.

 

Dizia eu que, como não queria que me acontecesse o mesmo, lá fui ouvir a música desse tal outro rapaz que, pelos vistos, tem grande probabilidade de vir a representar Portugal no próximo festival da Eurovisão. É assim, não é? E sei que chego tarde outra vez, não tenho emenda. Ou tenho, mas não uso.

 

Conan Osíris, nome artístico de Tiago Miranda, anda nas bocas do mundo. Bom, não será bem (ou sim?), mas, de momento, anda nos jornais, nas revistas, nos blogues, no Facebook, e nas bocas (dessas também) e conversas, incluindo nas de café, de uma data de gente (toda) em Portugal. De modo que, lá fui ouvir a canção.

 

Como, aparentemente, ainda vivemos num país livre, creio poder dizer o que penso, mesmo quando isso não interessa a ninguém, que é capaz de ser o caso.

Gostei da voz do Tiago. Não apreciei o Conan. Tirava-lhe aquela roupinha toda – salvo-seja – e mudava-lhe a letra da música. Que diabo, vou partir o telemóvel, o telele, vou escangalhar o telemóvel e se não atenderes já sabes o que vai acontecer, e mais não sei o quê?

É claro que, muito provavelmente, sem aquela performance – de que a roupa (mas, não só) faz parte – e sem aquela letra, talvez a qualidade do artista não chegasse para agitar multidões. Vivem-se tempos estranhos. Se não se conseguir extremar emoções, atiçar as gentes, desencadear radicalismos – uma espécie de democratização moderna e algo leviana do sangue, suor e lágrimas – morre-se sem chegar a desabrochar, como uma formiga esmagada, inadvertidamente, desprezada na sua azáfama zelosa, porque mundana e vulgar. Não há nada como ser cigarra e seguir a corrente da ultra-modernidade.

 

Ora, não gostar destes telemóveis de Conan Osíris, não me faz odiá-lo, algo que também se tornou moderno e chiquérrimo. Já não chega não gostar, é imperativo odiar, humilhar, visceralmente, para não perder a onda. Não é que eu não seja chique, mas, sou mais do tipo vintage. No meu tempo, valha-me deus se existir, não gostar não chegava para desencadear uma guerra mundial, ou quase. No meu tempo, até se podia discordar, pasme-se!, sem com isso provocar convulsões.

 

Enquanto uns se esforçam por ser radicalmente diferentes, outros intentam exactamente o contrário, a bem, não sei bem de quê; dizem que dessa coisa que chamam de inclusão.

Entre as alucinações dos novos tempos – nessa saga idiota de normalizar, higienizar, unificar e mais um ror de coisas que há-de tornar-nos completamente acéfalos, mas, integrados e felizes, graças a deuses, esses do politicamente imbecil que se presumem correctos –, as escolas francesas ponderam substituir, nos formulários escolares, as designações “mãe” e “pai” por qualquer coisa como “progenitor 1” e “progenitor 2”. É verdade que o termo “parent” (em francês, as novas designações propostas são "parent 1 e parent 2") é menos fastidioso que o inócuo progenitor, sugerido na tradução para português. Mesmo assim, prevejo tumultos na escolha da ordem. Afinal, ser o progenitor 1 talvez se revista de maior importância do que ser o progenitor 2. É capaz de ser melhor encontrar, também, uma numeração alternativa e à altura do acontecimento. Como é que era com a super-inclusiva, nova e mui moderna designação de vagina? Buraco da frente, ou lá o que era. Limpo e sem confusões. Espera…

 

Adiante. O que realmente importa é que havemos de ser todos normais. Ainda que seja à força e contra a nossa vontade…

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publicado às 11:39



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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