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Não quis que me acontecesse o mesmo que me aconteceu quando o nosso Salvador Sobral ganhou o festival Eurovisão da Canção: já toda a gente tinha ouvido o rapaz, em delírio, e eu nem sequer conhecia a música. Nem o artista, que miserável vergonha. Continuo a não ser fã do moço, mas, como gosto de ter opinião – não necessariamente válida, como é notório – sobre tudo e mais alguma coisa, não queria permanecer na ignorância.

 

Dizia eu que, como não queria que me acontecesse o mesmo, lá fui ouvir a música desse tal outro rapaz que, pelos vistos, tem grande probabilidade de vir a representar Portugal no próximo festival da Eurovisão. É assim, não é? E sei que chego tarde outra vez, não tenho emenda. Ou tenho, mas não uso.

 

Conan Osíris, nome artístico de Tiago Miranda, anda nas bocas do mundo. Bom, não será bem (ou sim?), mas, de momento, anda nos jornais, nas revistas, nos blogues, no Facebook, e nas bocas (dessas também) e conversas, incluindo nas de café, de uma data de gente (toda) em Portugal. De modo que, lá fui ouvir a canção.

 

Como, aparentemente, ainda vivemos num país livre, creio poder dizer o que penso, mesmo quando isso não interessa a ninguém, que é capaz de ser o caso.

Gostei da voz do Tiago. Não apreciei o Conan. Tirava-lhe aquela roupinha toda – salvo-seja – e mudava-lhe a letra da música. Que diabo, vou partir o telemóvel, o telele, vou escangalhar o telemóvel e se não atenderes já sabes o que vai acontecer, e mais não sei o quê?

É claro que, muito provavelmente, sem aquela performance – de que a roupa (mas, não só) faz parte – e sem aquela letra, talvez a qualidade do artista não chegasse para agitar multidões. Vivem-se tempos estranhos. Se não se conseguir extremar emoções, atiçar as gentes, desencadear radicalismos – uma espécie de democratização moderna e algo leviana do sangue, suor e lágrimas – morre-se sem chegar a desabrochar, como uma formiga esmagada, inadvertidamente, desprezada na sua azáfama zelosa, porque mundana e vulgar. Não há nada como ser cigarra e seguir a corrente da ultra-modernidade.

 

Ora, não gostar destes telemóveis de Conan Osíris, não me faz odiá-lo, algo que também se tornou moderno e chiquérrimo. Já não chega não gostar, é imperativo odiar, humilhar, visceralmente, para não perder a onda. Não é que eu não seja chique, mas, sou mais do tipo vintage. No meu tempo, valha-me deus se existir, não gostar não chegava para desencadear uma guerra mundial, ou quase. No meu tempo, até se podia discordar, pasme-se!, sem com isso provocar convulsões.

 

Enquanto uns se esforçam por ser radicalmente diferentes, outros intentam exactamente o contrário, a bem, não sei bem de quê; dizem que dessa coisa que chamam de inclusão.

Entre as alucinações dos novos tempos – nessa saga idiota de normalizar, higienizar, unificar e mais um ror de coisas que há-de tornar-nos completamente acéfalos, mas, integrados e felizes, graças a deuses, esses do politicamente imbecil que se presumem correctos –, as escolas francesas ponderam substituir, nos formulários escolares, as designações “mãe” e “pai” por qualquer coisa como “progenitor 1” e “progenitor 2”. É verdade que o termo “parent” (em francês, as novas designações propostas são "parent 1 e parent 2") é menos fastidioso que o inócuo progenitor, sugerido na tradução para português. Mesmo assim, prevejo tumultos na escolha da ordem. Afinal, ser o progenitor 1 talvez se revista de maior importância do que ser o progenitor 2. É capaz de ser melhor encontrar, também, uma numeração alternativa e à altura do acontecimento. Como é que era com a super-inclusiva, nova e mui moderna designação de vagina? Buraco da frente, ou lá o que era. Limpo e sem confusões. Espera…

 

Adiante. O que realmente importa é que havemos de ser todos normais. Ainda que seja à força e contra a nossa vontade…

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publicado às 11:39

Reformar o sistema eleitoral?

por naomedeemouvidos, em 18.02.19

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O primeiro acto eleitoral livre, em Portugal, ocorreu em 1975. A 25 de Abril de 1975, mais de 90% dos eleitores exerceram o seu direito de escolher, em liberdade e consciência, imagina-se, os 250 deputados da Assembleia Constituinte, com o principal objectivo de escrever uma nova Constituição, que viria a ser aprovada a 2 de Abril de 1976. A 25 de Abril desse mesmo ano realizavam-se as primeiras eleições legislativas. E depois?

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publicado às 08:30

À esquina da memória.

por naomedeemouvidos, em 18.02.19

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(imagem própria)

 

O tempo não volta para trás. Mas, podemos sempre evocá-lo, sem pressa, como um suave sussurro soprado ao ouvido.

 

 

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publicado às 08:00

A arrogância da vida.

por naomedeemouvidos, em 17.02.19

E, às vezes, nem mesmo o vento se ouve passar.

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(imagens próprias)

 

 

 

 

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publicado às 18:27

E o amor é...

por naomedeemouvidos, em 15.02.19

 

...isto, também.

 

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O Museu de História Natural desvendou as cinco fotografias preferidas do público no maior concurso de vida selvagem do mundo. A vencedora mostra dois leões num momento emotivo raro.

 

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publicado às 12:19

Estados, Sentidos e Segredos.

por naomedeemouvidos, em 15.02.19

Ainda o Estado. Sem sentido e com segredos. É no sítio do costume 

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publicado às 11:34

Do direito à greve ao dever de decoro.

por naomedeemouvidos, em 14.02.19

     

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      Há greves indecorosas. A dos enfermeiros, com recurso a crowdfunding, e a que um leviano e desbocado Mário Nogueira ameaça fazer em nome dos professores (será de alguns) são dois exemplos desse tipo de greves que deveriam envergonhar os profissionais sérios que dizem representar.

    Já muito se disse sobre estas duas greves em particular. E, sim, já sabemos que, quando se faz greve, alguém deve sair prejudicado, pois, de outro modo, torna-se difícil fazer ceder a outra parte. O que repugna é o total desprezo pelas consequências perversas que algumas greves imprimem à vida das pessoas que dependem directamente desses serviços em greve. Os enfermeiros grevistas acham aceitável que como consequência da sua greve – que, com o engenhoso esquema que engendraram de angariação de dinheiro (por muito legal que seja), podem prolongar ad eternum – milhares de cirurgia (só para usar um exemplo) sejam adiadas. Culpa-se o Governo, por intransigente, e mantém-se a consciência tranquila, porque a culpa do outro é maior que a minha. Os professores representados por Mário Nogueira acham aceitável suspender as avaliações de um ano lectivo inteiro e deixar alunos de 12º ano sem aulas no terceiro período. Mais uma vez, a culpa é do Governo, portanto, também nada pesará na consciência dos grevistas: "Há uma forma de evitar um final dramático de ano letivo que é o de o Governo negociar esta matéria, como está obrigado por lei, ainda no 2.º período. Se o fizer penso que o ano pode estar salvo". E, a negociação de que fala Mário Nogueira é a recuperação, sem qualquer reserva, dos nove anos, quatro meses e dois dias de tempo de serviço. O custo dessa espécie de slogan, é indiferente e marginal.

    Vamos por partes. O argumento dos professores é, à partida, uma daquelas verdades evidentes: têm tanto direito como os outros trabalhadores da administração pública de ver contabilizado integralmente o seu tempo de serviço e de progredir por antiguidade, independentemente do mérito. Só isto, deveria chegar para mostrar algum pudor, senão no teor das reivindicações, pelo menos, na forma. Quantos dos funcionários não-públicos sobem na carreira por antiguidade? Quantos são promovidos automaticamente? Quantos têm garantia de emprego para a vida, mesmo que alguns se revelem os maiores incompetentes? Porque há funcionários públicos incompetentes, inclusive professores, como há profissionais incompetentes em qualquer área, não advém daí qualquer afronta à classe. Como há professores excelentes que nunca vêem o seu mérito reconhecido, no que à carreira diz respeito, sem ter que esperar, com sorte, por esse admirável estatuto que é a idade profissional (se o professor calha em ser vaidoso, nem isso lhe vale). Nenhum professor medíocre ou incompetente deixa de progredir na carreira, como nenhum professor contratado competente pode, só por isso – que deveria ser o factor diferenciador – ficar colocado à frente de outro completamente inepto, mas, claro, com mais tempo de serviço. Mas, isto não incomoda o senhor Mário Nogueira e seus discípulos, porque, como se sabe, todos os professores são “Bons”. Só não são todos “Muito Bons” e “Excelentes” porque há um problema qualquer com as quotas; parece que não chegam. A qualidade dos professores não é indiscutível, como aquele se esforça por garantir a gritos. Só o chegará a ser, verdadeiramente indiscutível, quando houver promoção e progressão de carreira por mérito. Até lá, os professores – como todos os funcionários públicos – são uma classe privilegiada. É um facto, não necessariamente um drama; isso vem depois, associado ao abuso.

    A questão que aqui me traz não tem a ver, no entanto, com os privilégios em si mesmos. Eu também já fui funcionária pública, também já fui professora e, os que me conhecem sabem que sempre pensei exactamente o mesmo, em relação à carreira e às greves; aliás, nunca participei em nenhuma. A questão é saber se é legítimo, para quem nunca sofre as consequências das crises da mesma maneira que o sector privado, se é legítimo, dizia, fazer greve a qualquer custo (há quem questione o fazer greve, sequer), ameaçar com medidas que comprometem brutalmente a vida académica dos alunos. Dos alunos do ensino público, claro, os do ensino privado continuam a poder usufruir da tranquilidade e do privilégio de um corpo docente estável e alheio a greves.

    Disse Mário Nogueira: "Porque o ano letivo termina e a legislatura acaba. Tudo está em cima da mesa. É o que for necessário porque este governo não se pode ir embora e deixar a casa desarrumada tal como a tem neste momento". Fica o recado.

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publicado às 08:00

Há um porco à solta em Bruxelas.

por naomedeemouvidos, em 12.02.19

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    “Um porco passeia por Bruxelas e é o fim da Europa como a conhecemos”.

    O porco, sim, percorre, sobressaltado, as ruas de Bruxelas, perante o ar de espanto dos transeuntes, e é o início do romance (mais ou menos) “A Capital”, de Robert Menasse. E o Eça é capaz de lhe perdoar.

    Comecei a ler o livro ontem e, por falta de tempo, ainda não passei da página 70. Mas, li a entrevista com o título que usurpei, descaradamente, para a primeira frase deste texto e uma ou outra crítica mais antiga, uma vez que o livro ganhou o Prémio Alemão do Livro de 2017. Claro que não vou fazer qualquer análise ou crítica à obra; nem agora, que o não li ainda, nem quando acabar, até porque não percebo da arte. Um livro é um livro, um autor é um autor e cada um é tocado de formas diferentes, indiferentes, subtis ou esmagadoras, perante as mesmas letras impressas, mesmo que as páginas pareçam imutáveis. Fiquei, apenas, curiosa pela inusitada abordagem do escritor na forma como se propõe olhar para o que, na sua opinião é um fracasso anunciado: “a UE não pode funcionar no seu objectivo de união”, pois “Uma união onde um país tem mais poder do que outro país não é uma união real, verdadeira”. Pelo menos, “da maneira como as instituições estão organizadas.”

    Parece que os porcos dão boas metáforas, embora, de momento, eu ainda saiba quase nada acerca do triunfo deste.

 

    A verdade é que a Europa parece ter perdido o rumo (será que o teve, alguma vez?). Um gigante navio em alto-mar que deixou de ter mão no leme. É a Jangada de Pedra de Saramago estilhaçada, multiplicada, uma Joana Carda a cada esquina, mais a sua vara de negrilho, o risco agoirento no chão, mas, desta vez, sem mancha de culpa. O sempre pode não durar para sempre, mas, o que tem de ser, tem de ser e, às vezes, os olhos de um pessimista, como o mundo, estão cheios de coincidências. Já não é só a ibérica península que se desagrega, é um continente inteiro à deriva e, nele, a desunião crescente que mina o entendimento entre os seus povos, um novelo de lã azul, medonho e ameaçador, que não termina de se desfazer.

 

    Aproximam-se as eleições europeias. Os cidadãos querem, exigem, ser ouvidos. Enquanto as elites foram ignorando, com odiosa soberba, esse povo que dizem representar, mas de quem têm algum incontido asco, outros aguardaram com paciência, dando colo aos infortúnios, acicatando o fastio, à espera do melhor momento para soltar os demónios e vergar as raivas à sua vontade e propósito. Brotaram os demagogos. Ergueram-se os nacionalistas. Acordaram os fascistas que, dizem, não se podem chamar assim, é preciso não abusar das palavras. É o que dizem. E, enquanto nos preocupamos em rebaptizar o que está à vista de todos, o descontentamento grassa, as exigências tornam-se cada vez mais audíveis e agressivas, o cansaço estraçalhou a boa vontade dos que ainda resistem e acreditam e, aproveitando as fraquezas – como o fazem sempre os cretinos – os ódios soltaram-se dos esquálidos e fedorentos armários, trazendo para as ruas o pior de que somos capazes quando nos sentimos ameaçados. Resta saber se a Europa vai resisitir.

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publicado às 10:19

O estado do Orçamento.

por naomedeemouvidos, em 11.02.19

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Fui espreitar o Orçamento para 2019 e ver se percebia o estado em que se encontra a desditosa fera. Se quiser fazer o mesmo, é já aqui:

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publicado às 09:00

Olha que boa ideia.

por naomedeemouvidos, em 08.02.19

“Mas porque é que ninguém põe as frases dos políticos em cartazes por aí, onde toda a gente as veja e ninguém as possa apagar?”

 

E um crowdfunding para isto?

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publicado às 20:32




“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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