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"Dormindo com o inimigo"

por naomedeemouvidos, em 07.03.19

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Ana Paula Fidalgo foi morta ontem, em Vieira do Minho, pelo marido, que acabou por se entregar à polícia.

 

A cabeça de uma mulher decapitada deu à costa, hoje, em Leça da Palmeira.

 

O ano de 2019 começou com um número alarmante e vergonhoso de mulheres assassinadas pelos companheiros, indivíduos a quem – por falta de termo alternativo adequado e para não recorrer ao insulto – se chama homens, mas, que jamais o poderiam ser, como é evidente, já que os homens dignos dessa designação não espancam mulheres, muito menos, até à morte. Aqueles são assassinos que, por acaso, nasceram do sexo masculino.

 

O horror já quase não choca. É só mais um caso. Atrás de outro. Por isso, quando ouço gente inteligente insurgir-se contra a onda de contestação (e gozo; merecido, lamento) que se levantou contra o juiz Neto de Moura, dá-me volta ao estômago. Não falo das mensagens de ódio instantâneo que transbordam, verdes de asco, nas redes socias sempre que a turba de indignados-porque-sim se manifesta e que não merecem, sequer, o tempo que se perde a olhar para lá. Falo dos argumentos que se esgrimem em defesa da suposta liberdade dos juízes para aplicarem a lei e que não pode andar a reboque da pressão mediática e social, sob pena de, perniciosamente, tirar à justiça o que é da justiça.

 

Pois, com certeza, que a aplicação da justiça não pode ficar refém da opinião pública ou dos indignados-mor da pátria. Mas, penso que, no caso do juiz Neto de Moura, o risco que se corre não é o do atentado à liberdade de aplicação da lei. É o de não ser admissível que uma fundamentação jurídica, plasmada num acórdão que se pretende, precisamente, livre e soberano, se faça à custa do preconceito retrógrado e pessoal do juiz que a redige. Quem falha na sua independência é o juiz que escreve, sem sobressalto e em pleno uso das suas (in)competências profissionais, considerações arcaicas e levianas, como, por exemplo, que as mulheres adúlteras carecem de probidade moral. Isso dirão(?) alguns padres e, eventualmente, aquela senhora do CDS que gosta de receber bem e não se importa de ganhar menos do que o marido, mais a juíza Maria Luísa Arantes, que estava ao lado de Neto de Moura apenas para assinar de cruz, mais ou menos como Carlos Costa nos Conselhos de Crédito da CGD: era só para assegurar o quórum. Serão coisas totalmente diferentes, mas, o diabo, como se sabe, está nos detalhes.

 

Agora que o juiz Neto de Moura vai deixar de julgar casos de violência doméstica não se pense que o problema deixou de existir. Continua a haver acórdãos aberrantes. Como aquele em que um crime de violação é desvalorizado com base em considerações sobre a “sedução mútua”, apesar de, no momento do acto abjecto, a vítima estar quase inconsciente.

 

Amanhã é Dia da Mulher. E os senhores juízes e as senhoras juízas promovem um workshop de maquilhagem. Se alguém ousar oferecer-me flores, é capaz de levar com elas na cabeça.

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publicado às 19:07



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

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Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

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