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As novas Carochinhas.

por naomedeemouvidos, em 12.03.19

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A guerra de audiências faz-se (também) de amor. Um amor modernaço, ensaiado por psicólogos e outros especialistas, em casa ou no carro, por mães ufanas à procura de noras roliças e boas em casa, ou, por homens do campo, honestos e trabalhadores, sem tempo e demais virtudes para procurar a esposa ideal, eles e elas ansiando por um final mais feliz do que morrer cozido e assado no caldeirão e moedas de ouro suficientes para sobreviver aos cinco minutos da fama que importa aguentar a troco do disputado share.

 

Nada me move contra estes programas, simplesmente, não aprecio o género. Devo ter visto um programa e meio do revolucionário, à época, Big Brother e chegou para perceber que me falta a inteligência necessária para alcançar a profundidade da dimensão humana que alguns atribuem a este formato televisivo que, na minha limitada opinião, seguramente ignorante, não passa, efectivamente, de lixo servido em horário dito nobre. Mas, só vê quem quer. E, claro que admito que possa estar enganada, uma vez que não vi um único programa dos mais recentes (nem dos outros) e amorosos reality shows, de que só conheço os nomes e as polémicas que, como se pretende, suportam a necessária e desejada publicidade. E, por aqui ficaria. Cada um tem o absoluto direito de ver o que mais lhe agrada, e os programas de televisão não devem constituir excepção.

 

Acontece, porém, que, aparentemente, os dois recém-estreados programas, em que moços casadoiros procuram menina-e-moça na mesma condição e melhor estado, motivaram queixas junto da Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Os críticos apontam peçonhentos vícios aos dois formatos: ora são degradantes para as mulheres, ora diminuem determinadas classes sociais. Seja, não faço ideia. Mas, parece-me, ninguém – mulheres, eventualmente mães, e agricultores incluídos – foi obrigado a participar no concurso, ou o que lá o que seja. Tratar-se-á de gente adulta, pessoas capazes e conscientes dos seus actos e da exposição pública a que escolheram sujeitar-se. Daí à indignação contra a  suposta promoção de estereótipos de género, de classe e de mais um ror de coisas, em defesa de alegadas vítimas vai um campo de milho. Ou mais, se o agricultor for mesmo bom. O que realmente me indigna é comparar as vítimas destes programas com as vítimas reais, aquelas que são violentadas e agredidas, diariamente, humilhadas contra a sua vontade e, às vezes, demasiadas vezes, mortas.

 

A TVI e a SIC querem promover programas onde algumas mulheres e homens aceitam ser avaliados  - como gado, jarra decorativa, robot de cozinha, seja o que for, não interessa - a troco de dinheiro ou, quem sabe, de um final (que tem tudo para não ser) feliz. Há protagonistas e há audiências, a rodos, pelos vistos. Não sei como é que proibições, imposições e outras limitações arremessadas - mesmo que com esmerado zelo e excelentes intenções - a canais de televisão, mais ainda, privados, podem educar, se é isso que se pretende. O caminho é árduo, mas não se fará por aí.

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publicado às 12:35

Memórias.

por naomedeemouvidos, em 12.03.19

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    O menino dorme um sono tranquilo, enrolado na manta branca e macia. Está esgotado da viagem. As chamas bailam, insubmissas, moldando os toros de pinheiro acabado de rachar e o calor vai emprestando ao ar da sala um suave odor a resina, enquanto a madeira geme baixinho em estalidos secos e quentes que embalam a conversa solta e fora de horas. É um tempo de recordação e memórias, de lembrar um passado que se fez de mais de um século e que finda agora como, daí a pouco, a chama amarelecida da lareira que, por ora, afaga suavemente a face apaziguada do menino.

    Dizem as gentes da terra que já não há mulheres assim. Daquelas que dão à luz sozinhas, parindo nada mais chegar do campo, com uma ligeira indisposição, talvez seja a hora, vou a casa, ver se isto passa ou se, pelo contrário, aqueço, antes, a água na panela, enquanto ato, numa pressa, um lençol grande a duas cadeiras, para ajudar a amparar a menina, para o caso de estar mesmo a chegar. E o caso é que lá chegou, assim foi, num enorme pranto, cheia de vida acabada de colher no meio da sala, num lençol limpo, não demasiado esticado, é preciso uma tesoura, escaldada, pelo sim, pelo não, também lá está, logo ali à mão, e a menina sozinha com sua mãe, como se, à época, fizesse falta qualquer outra coisa mais. Talvez a parteira, que já não veio a tempo, é certo, mas, ao menos, só para ter a certeza que as duas estão bem de saúde. Está tudo como deve ser. E a dorzita passou, afinal. Calhando, amanhã, ainda volto ao campo… 

    Seguramente, ainda haverá mulheres assim. Era bom que já não houvesse, que fôssemos todas iguais.

 

    O menino ainda dorme, sob o olhar amoroso. Não acredita em anjos. Se acreditasse, talvez fosse fácil imaginá-los assim, aquecidos pelo lume da lareira, ouvindo, num sono quieto e venturoso, histórias de encantar.

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publicado às 11:05



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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