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Bem ou mal, tudo o que aqui está escrito é da autoria de naomedeemouvidos, salvo citações e/ou transcrições devidamente assinaladas, embora, alguns textos "EntreLetras" se baseiem em lendas ou histórias conhecidas.
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Da última vez que verifiquei, ainda era um dos “dez mandamentos de Deus”. Não invocar o seu santo nome em vão. Mas, os tempos andam estranhos, entranham-se, mais ou menos, nas nossas novas rotinas, nas novas verdades, nas novas denominações do bem e do mal, do certo e do errado, do normal e do absurdo. O tempo é de guerra. Não se limpam armas, descarregam-se, antes, com fúria e sem remorsos, sobre aqueles que nos ameaçam, que com fastio nos maçam, sobre os que se atrevem a atentar contra identidades e supremacias. Brancas. Sejam quais forem. E, se não for isso, uma outra coisa qualquer coisa, uma outra causa, um novo ardil erguido pelo punho do mais puro ódio, arremessado contra todos os impostores que ousem atravessar-se, incautos ou conscientes, nesse louco caminho pela busca de um impiedoso sentido, sem sentido algum.
Pois, no delírio de alguns, Deus deve estar prestes a descer à Terra. Pela segunda vez. Desta feita, encarnado, salvo-seja, no meio da política, interna e externa, a Norte e a Sul, no seio de homens devotos e justos, como o Jair e o Donald, como Ele, empenhados em julgar os vivos, somando mortos, em nome da salvação de uma qualquer agenda há muito capturada pelos interesses (nada) obscuros dos que se dizem ao lado da liberdade e da democracia, as mesmas que profanam em enlevado pecado e sem decoro, enquanto acusam de fake todas as news que não reconheçam a sua imensa glória.
Professa, então, Mike Pompeo que esse Deus em que aquele acredita, amando-o e adorando-o sobre todas as coisas, como piedoso cristão, terá feito Donald Trump presidente dessa enorme, again, nação americana para que este possa salvar o povo judeu, protegendo-o do Irão, praise the lord. A sua fé tê-lo-á convencido desse bem-aventurado milagre da era moderna. Como que a prová-lo, Trump já reconheceu (pelo menos, até ao próximo tuite) a soberania de Israel sobre os Montes Golã – a vida são mais do que seis dias – e, entretanto, pelo sim, pelo não – não vá aquela danada miúda sueca surripiar-lhe o Nobel, que tanto trabalho lhe deu encomendar ao primeiro-ministro japonês – Trump também decidiu levantar, um dia depois, as sanções impostas à Coreia do Norte; o homem gosta do presidente Kim, quem diria… e, afinal, Deus também disse que devemos amar os nossos inimigos, o que já nem será bem o caso.
É reconfortante perceber o mundo, sabiamente guiado por abençoados líderes, à altura de todas as intempéries – ainda mais, agora, expurgada que está a miserável farsa do aquecimento global –, mundo esse que entra, finalmente, no bom caminho, nem por isso longo, pois que há-de terminar, logo ali, na Antártida, em frente ao muro de gelo onde o Terra termina, para glória de muitos, mas, principalmente, dos iluminados teóricos dessa coisa a que parece que chamam “conferência internacional da terra plana”. Seria em maiúsculas, se se desse o caso de valer pena a deferência. Bendita seja a liberdade de expressão, e benditas sejam todas as teorias que dela brotam, em arrojada clarividência.
Já é sábado. Pela décima nona vez, os "coletes amarelos" intentarão semear a violência e o caos pelas ruas de Paris. O protesto espontâneo (ou talvez não) contra o aumento do preço dos combustíveis - a que, rapidamente, se somou uma lista maior de reivindicações mais ou menos justas - converteu-se numa espécie de mini-guerra civil, onde uma turba de arruaceiros apostados em destruir tudo o que surgir no seu caminho, sábado após sábado, vai procurando esgotar o Governo de Macron. Ou, apenas, promover a desordem, a arruaça, espalhar outro pequeno inferno. Tudo a bem da luta a favor dos direitos dos mais desprotegidos, claro está. Afinal, o que são uns carros incendiados; uns monumentos esventrados; umas montras partidas; umas lojas pilhadas; uns quantos de mortos? Se forem ricos, tanto melhor.
Acho que é, também, um acto de inteligência respeitarmos o discernimento e seriedade de opiniões contrárias às nossas. E – para que conste e não restem dúvidas – refiro-me a opiniões, e não à manipulação de meias-verdades, “factos alternativos” e outras imbecilidades que muitos pretendem impor como direito a dizer todas as baboseiras que lhes apeteça, como a negação banal (e perigosa, mas a quem é que isso interessa?) de evidências científicas e outras coisas do género que, de momento, não vêm ao caso.
Habituei-me, por isso, a respeitar Adolfo Mesquita Nunes, mesmo não concordando sempre com a sua opinião e não partilhando da sua “côr” política, como é costume dizer-se. É, por isso, com alguma desilusão que o vejo aceitar o cargo de administrador não-executivo numa empresa como a Galp.
Será uma inevitabilidade. Parece difícil os políticos manterem-se afastados das empresas próximas do regime. É aquela porta que não pára, nunca, de girar entre o poder político e o poder empresarial e a que, aparentemente, nenhum político está imune.
Adolfo Mesquita Nunes tem, como disse o próprio, todo o direito de aceitar o cargo para que foi escolhido. Referiu, aliás, que o seu “projecto de vida não passa exclusivamente pela política”. Era o que mais faltava que não o pudesse fazer. Só é pena. E pressionado ou não, acabou por se demitir do lugar de vice-presidente do CDS. Suponho que era o mínimo. Claro que, como habitualmente, alguns dos que estão ao seu lado não veriam incompatibilidades caso Mesquita Nunes decidisse manter-se nos dois cargos; essas mesmas incompatibilidades que se denunciam, afoitamente e com escândalo, quando os protagonistas estão do outro lado da bancada. Enfim, o inevitável normal que nos leva sempre a pensar – quiçá, injustamente – que os políticos são todos iguais. Mesmo quando pareciam diferentes.
Espero estar a ser profundamente injusta.
...e, no entanto, é precisamente essa capacidade de sorrir e de se erguer perante a catástrofe que possuem alguns dos mais desamparados, que sempre me surpreende, que me comove e que me faz sentir pequena e fútil, tantas vezes.
Donald Trump quer que se investigue os programas de humor que passam nas estações televisivas americanas. É um exagero, eu sei. Não serão toooodos os programanas, de toooodas as estações. Na realidade, creio que só pretenderia, se pudesse, acabar com o "Saturday Night Live"...vá lá saber-se porquê. O presidente sabe. Acha que aquilo não tem piada, nem talento, e ataca apenas uma pessoa, ele próprio, e sem mencionar o outro lado. Deve ter confundido os programas. Tornar a América grande outra vez é bastante extenuante, compreende-se. Além disso, pelo que tenho visto, o outro lado é bastante mencionado...apenas não da maneira que Trump gostaria.
Há quase 18 anos, preparava-me para sair de casa quando a notícia do embate do primeiro avião contra uma das torres do famoso World Trade Center prendeu a minha atenção ao écran de televisão. Suponho que, como grande parte das pessoas que viam o que eu via, nesse tormentoso e confuso momento, pensei, apenas, num trágico acidente. Até ver o segundo avião esventrar a outra das torres gémeas, atravessando-a sem hesitações, temores de espécie alguma, ou qualquer tipo de compaixão pelos que acabariam por morrer pela vontade perversa de outros. Aí, o lado mais negro da minha alma – aquele que nos leva a pensar, cruelmente, na parte mais pérfida da mente humana, na tenebrosa e demente capacidade que alguns têm de odiar o próximo, o diferente, o outro – aí, dizia, tinha já a certeza absoluta – como muitos mais de nós – de que algo realmente terrível estava a acontecer.
O ódio instalou-se, definitivamente, nas nossas sociedades. Sob várias formas e já sem necessidade de aviões de grande porte, carregados de combustível, implacável e violentamente esmagados como insectos contra edifícios apinhados de gente inocente e maioritariamente alheia aos desígnios tresloucados daqueles que se julgam puros, santos, mártires ao serviço das mesmas causas – mesmo os que se julgam diferentes – que vão medrando no pior do que a humanidade tem para oferecer. O terrorismo deixou de ser islâmico. Converteu-se a todas as formas de intolerância. Democratizou-se. E tornou-se acessível a todos os loucos, inclusive, aos homens brancos comuns. Um terrorista é um terrorista. As palavras importam. Nunca importaram tanto. Eu não vejo qualquer diferença entre um supremacista branco (seja lá o que isso for) que mata, a sangue frio, muçulmanos recolhidos em oração e um muçulmano fanático que mata, com a mesma cobardia, outros inocentes. Como não vejo diferença entre aqueles e os que defendem que o primeiro só existe por causa do segundo. Os assassinos ao serviço do terrorismo podem ser diferentes em muitos aspectos, mas, na sua apodrecida essência, são exactamente iguais. Comungam dos mesmos vícios hediondos e não há um com mais razão do que outro. Não pode haver qualquer legitimidade em promover a morte para impor o nosso direito a, o nosso modo de vida, a nossa religião, a nossa ideologia…nós somos mais para além do eu de cada um.
Não imagino qual será a forma mais eficaz de combater este monstro voraz dos tempos modernos (ou nem tanto). Mas, prefiro o método Jacinda Ardern e os rituais maori dos neozelandeses ao riso e gestos de escárnio de um assassino, seja qual for a sua raça, cor, sexo, nacionalidade, religião, credo, nacionalidade, ou qualquer outro direito que se pretenda elevar pela força do ódio.
Hoje é dia do Pai. O meu – ao lado da minha mãe – ensinou-me a tentar ver sempre para lá desse preconceito cego e imundo que nos torna imunes à dor alheia. Espero continuar a resistir, sem ceder à raiva que, às vezes, ameaça apoderar-se de mim.

"Basta que um homem odeie outro para que o ódio ganhe a pouco e pouco a humanidade inteira."
Jean-Paul Sartre
Mais um ataque motivado apenas pelo ódio ao outro. Cristãos, muçulmanos, judeus, árabes, brancos, pretos, homens, mulheres, homossexuais, heterossexuais...parecemos condenados à igualdade, mas apenas no que devíamos ser mesmo, mesmo diferentes.
Boa, Greta Thunberg! Inspiraste outros jovens a marcar uma posição pela defesa do planeta!
Hoje é dia de greve. E, há muito tempo que uma greve não me deixava tão animada!
O padre Vítor Melícias, um homem de fé e da honra que apoia Tomás Correia no comando, ou desmando, do Montepio, veio dizer que não é "um secretariozeco ou um ministro" (zeco, imagino) que vai afastar o liderzeco (digo eu) que o senhor e outras sumidadezecas escolheram democraticamente, era o que faltava. Seria pecado, até. Ou pecadozeco, vá, que um padre também tem o direito de perder as estribeiras e, em vez de dar a outra face, como ensina a Bíblia, dar antes sermões…zecos.
Os espanhóis, sacanas, querem eliminar Portugal, se não do mapa, da história da circum-navegação, depois de os portugueses, aparentemente, terem tentado algo parecido numa primeira acostagem. Fernão Magalhães parece condenado a trair a pátria mesmo depois de morto, que há gente que não perdoa. Ao contrário dos padres.
O jornal ABC escandalizou-se com a ousadia portuguesa de candidatar a Património da Humanidade, junto da UNESCO, a famosa e histórica viagem de circum-navegação sem evidenciar o importante papel da coroa espanhola naquele feito e pediu um parecer à “Real Academia de la Historia” que confirmou que tudo na primeira volta ao Mundo foi espanhol.
A nossa ministra da Cultura já veio dizer que a polémica à volta do tema é artificial e o ministro dos Negócios Estrangeiros garante que Portugal e Espanha estão a trabalhar numa candidatura conjunta da dita viagem ao tal Património que é de todos. Eu, vergonhosamente, não sei História suficiente para saber quem está a enganar quem.
Depois do crowdfunding, as greves de fome. Algumas greves têm razões que a própria razão desconhece e, suponho, a barriga também. A greve de fome do enfermeiro Carlos Ramalho resistiu dois dias, tendo começado logo a seguir a um tranquilo almoço de lulas. Recheadas, que a coisa prometia, era “até cair de morto”, se fosse necessário. Veremos quanto dura a do presidente do Sindicato Unificado da PSP. Por agora, é por tempo indeterminado, que é como quem já disse até “ter problemas de saúde e ter de ser hospitalizado”. É bom ver este antigo método pacífico de resistência e protesto democratizar-se, elegantemente e sem histerismos, alargando-se a temas mais... comezinhos.
No Reino Unido ninguém se entende, ninguém diria. Afinal, quem é que ainda quer o Brexit? Além da esgotada Theresa May? Os ingleses não querem sair com acordo, não querem sair sem acordo e, provavelmente, não vão votar favoravelmente ao prolongamento do prazo de saída da União Europeia. John Bercow bem pode continuar a gritar “order, order!, numa tentativa de acalmar os deputados da Câmara dos Comuns, mas, o melhor era arranjar uns quantos-queres e pôr a malta a tirar à sorte o destino dos britânicos. Pelo menos, divertiam-se e a senhora May descansava um bocadinho. Anyway, tudo muito pouco british...
Haverá mais. Muito mais. O mundo não pára.
A guerra de audiências faz-se (também) de amor. Um amor modernaço, ensaiado por psicólogos e outros especialistas, em casa ou no carro, por mães ufanas à procura de noras roliças e boas em casa, ou, por homens do campo, honestos e trabalhadores, sem tempo e demais virtudes para procurar a esposa ideal, eles e elas ansiando por um final mais feliz do que morrer cozido e assado no caldeirão e moedas de ouro suficientes para sobreviver aos cinco minutos da fama que importa aguentar a troco do disputado share.
Nada me move contra estes programas, simplesmente, não aprecio o género. Devo ter visto um programa e meio do revolucionário, à época, Big Brother e chegou para perceber que me falta a inteligência necessária para alcançar a profundidade da dimensão humana que alguns atribuem a este formato televisivo que, na minha limitada opinião, seguramente ignorante, não passa, efectivamente, de lixo servido em horário dito nobre. Mas, só vê quem quer. E, claro que admito que possa estar enganada, uma vez que não vi um único programa dos mais recentes (nem dos outros) e amorosos reality shows, de que só conheço os nomes e as polémicas que, como se pretende, suportam a necessária e desejada publicidade. E, por aqui ficaria. Cada um tem o absoluto direito de ver o que mais lhe agrada, e os programas de televisão não devem constituir excepção.
Acontece, porém, que, aparentemente, os dois recém-estreados programas, em que moços casadoiros procuram menina-e-moça na mesma condição e melhor estado, motivaram queixas junto da Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Os críticos apontam peçonhentos vícios aos dois formatos: ora são degradantes para as mulheres, ora diminuem determinadas classes sociais. Seja, não faço ideia. Mas, parece-me, ninguém – mulheres, eventualmente mães, e agricultores incluídos – foi obrigado a participar no concurso, ou o que lá o que seja. Tratar-se-á de gente adulta, pessoas capazes e conscientes dos seus actos e da exposição pública a que escolheram sujeitar-se. Daí à indignação contra a suposta promoção de estereótipos de género, de classe e de mais um ror de coisas, em defesa de alegadas vítimas vai um campo de milho. Ou mais, se o agricultor for mesmo bom. O que realmente me indigna é comparar as vítimas destes programas com as vítimas reais, aquelas que são violentadas e agredidas, diariamente, humilhadas contra a sua vontade e, às vezes, demasiadas vezes, mortas.
A TVI e a SIC querem promover programas onde algumas mulheres e homens aceitam ser avaliados - como gado, jarra decorativa, robot de cozinha, seja o que for, não interessa - a troco de dinheiro ou, quem sabe, de um final (que tem tudo para não ser) feliz. Há protagonistas e há audiências, a rodos, pelos vistos. Não sei como é que proibições, imposições e outras limitações arremessadas - mesmo que com esmerado zelo e excelentes intenções - a canais de televisão, mais ainda, privados, podem educar, se é isso que se pretende. O caminho é árduo, mas não se fará por aí.
Idade - Tem dias.
Estado Civil - Muito bem casada.
Cor preferida - Cor de burro quando foge.
O meu maior feito - O meu filho.
O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.
Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.
Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.
Imprescindível na bagagem de férias - Livros.
Saúde - Um bem precioso.
Dinheiro - Para tratar com respeito.
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