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Porquê (não) permitir comentários?

por naomedeemouvidos, em 30.04.19

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Penso que devemos dar às coisas a importância exacta que merecem. Nem mais, nem menos. E tenho a certeza que, às vezes, muitas vezes, isso é mais fácil de dizer do que de fazer.

Quando criei este blog, não tinha qualquer outra intenção que não fosse escrever, escrever, escrever, sobre tudo o que me apetecesse, sem limites, a não ser os meus próprios: a minha vontade, a minha disposição, os meus resmungos, os meus arrebatamentos, os meus devaneios. Era - e é - uma brincadeira que me dava - e dá - muito prazer, embora, muitas vezes, me falte o tempo a mais que gostava de lhe dedicar. Mas, o blogue era exclusivamente meu, só meu, muito meu, de mim, para mim. É um pouco absurdo, eu sei, já que tudo o que vai parar a esse (já pouco) novo mundo virtual deixa de ser apenas nosso, mesmo que, eventualmente, a culpa  não seja nossa. Não é bem o caso. O blogue é da minha responsabilidade e autoria, com a pequena-grande ajuda do Sapo e daquela menina que dá pelo nome de Gaffe; e, muito no início, tinha aberto o espaço de comentários porque eu nem sabia que o podia fechar. Mas deixou de ser só meu, a partir do momento em que passou a haver gente se que dá ao trabalho de me ler assiduamente. Pode ser só uma, podem ser duzentas, é indiferente para a grande consideração que me merecem. E, sobretudo, é pouco cordial - para não dizer algo idiota - não permitir comentários e, no entanto, ir por aí comentar noutros blogues, ainda que não o faça em muitos.

De modo que, agradeço aos que por cá se perdem, de quando em vez, e, por isso, se quiserem, digam - ou escrevam - coisas, muito, pouco ou nada, se, por acaso, cometerem a imprudência de me dar (poucos, pouquíssimos) ouvidos.

publicado às 11:44

Para remissão dos pecados.

por naomedeemouvidos, em 30.04.19

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Há uma floresta isolada do mundo exterior, à margem de qualquer contacto com a civilização moderna. Os habitantes são contidos naquela ilha lacrada à custa de uma espécie de fábula do lobo mau: há criaturas perigosas, horrendas, que intentarão contra a vida daquele ou daquela que ousar transpor os limites da vila. Usam mantos vermelhos, cravejados de espinhos. O vermelho é a cor proibida, a cor do pecado, a marca dos indecorosos.

 

A farsa – que disso se trata –, montada por alguns dos habitantes mais velhos, resgatou a inocência e os bons costumes e suspendeu no tempo e no medo a vida de famílias eleitas, apostadas em eliminar todo Mal, abolir o pecado do seu mundo e criar, assim, uma sociedade perfeita, etérea e imaculada.

 

Este é o ponto de partida para uma (ir)realidade imaginária e imaginada na forma do filme de M. Night Shyamalan, "A Vila", que vi já lá vão alguns anos. E de que tenho vindo a lembrar-me recorrentemente a propósito dos vários intentos de embelezar as chagas que fazem parte da História que é de todos. Voltei a lembrar-me ao ler este texto da Sarin. Ainda não tinha chegado à censura do Dumbo, mas, é claro que (já) não espanta; o que não quer dizer que não se pasme com o absurdo.

 

Apagamos, corrigimos os contos infantis para eliminar a violência, o sexismo e mais outro tanto de interpretações instantâneas; deixamos de atirar o pau ao gato, ou de matar coelhos a uma cajadada, em nome da honra e defesa dos bichos e dos limites das figuras de estilo, pois que tudo passou a ser acéfalo e literal; não dizemos senhoras e senhores, meninos e meninas, homens e mulheres, em solidariedade piedosa com os que não sabem quem são, o que são, ao que vão e de onde vêm. Vamos, assim, desinfectando a fundo, frenéticos, alisando, escrupulosamente e sem admitir desvarios, todos os cantos obscuros ou incómodos da Humanidade lida, contada, cantada, vivida, sofrida, um lifting obtuso, prepotente e ignorante, tapando as marcas do tempo à espera de renascermos livres de todos os vícios, de todas as rugas, estéreis e despojados de identidade. Talvez, um dia, consigamos silenciar, disciplinadamente, o riso de todas as crianças, alinhá-las numa parada ordeira, global e harmoniosa, de cores suaves e adequadas, agitando flores de plástico, irrepreensíveis e precisamente cronometradas. Teremos, enfim, atingido a perfeição.

 

 

publicado às 07:40

Que tempos são estes?

por naomedeemouvidos, em 29.04.19

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O New York Times pede desculpa por publicar um cartoon "anti-semita"? Desculpa? Anti-semita? Está tudo doido?

publicado às 23:22

Con Rivera no?

por naomedeemouvidos, em 29.04.19

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Espanha foi às urnas em peso: mais de 75% dos espanhóis acudiram à chamada democrática e fizeram-se ouvir. O PSOE de Pedro Sánchez ganhou sem garantir a maioria parlamentar, como previam as sondagens, e os apoiantes socialistas, eufóricos, gritaram-lhe “con Rivera no”. Entre o “ha quedado bastante claro” de Sánchez e o primeiro discurso de Rivera, parece não haver grande margem para o entendimento que garantiria mais do que os 176 assentos da maioria absoluta parlamentar. Para quem percebe pouco ou nada de política, como eu, parecia a fórmula ideal, já que, à partida, seria mais fácil negociar a dois do que a sete (PSOE, Unidas Podemos, Compromís, Partido Nacionalista Vasco, Coalición Canaria-PNC e Partido Regionalista de Cantabria), para não contar com os partidos independentistas – mesmo assim, falta um escaño para os 176. Não parece fácil.

 

Independentemente da solução de Governo que venha a ser apresentada nos (não tão) próximos dias, ontem, houve muito para uma noite só. E, apesar do Vox ter ficado longe das suas expectativas, passa a fazer parte do Congreso de los Diputados: elegeu 24 destes. É capaz de não ser grave. Afinal, Nuno Melo já nos sossegou, afirmando que o Vox não é um partido de extrema-direita; está ali, mais ou menos, como a Aliança para o PSD. Às vezes, não sei se me ria, se chore. Pelo sim, pelo não, deixo aqui, para memórias futuras, as “100 Medidas para la España Viva” do partido que talvez venha a integrar a mesma família política europeia que CDS e PSD

 

 

 

publicado às 08:00

Ainda sobre liberdades.

por naomedeemouvidos, em 26.04.19

 

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O meu filho olha para mim, entre o espanto e a vontade de fazer o mesmo. Afinal, é, ainda, uma criança e há várias, na sala, a mexer em tudo o que podem, desde os pequenos microfones – cada um com o seu interruptorzinho vermelho ao lado – aos teclados de computador que surgem mais ou menos escondidos nas bancadas. Há algumas piadas, alguma algazarra e alguns adultos idiotas, já que, as crianças estão apenas a ser crianças; dos adultos que as têm à sua responsabilidade, espera-se que os ensinem e eduquem, de preferência, pelo exemplo. Para muitos, o exemplo foi portarem-se como num recreio, pior do que os mais pequenos. Surpreendeu-me que alguns dos, supostamente, responsáveis pelo espaço não tivessem o cuidado de alertar para os possíveis excessos. Provavelmente, estarei errada.

 

A sala é a das "Sessões", a do nosso Parlamento no Palácio de São Bento. E sei bem que os próprios deputados são os primeiros, demasiadas vezes, a não honrar aquele local. Mas, ainda assim, sinto-me incomodada. O meu filho já sabe, antes de eu proibir o que quer que seja, que terá que se conter. Por momentos, sinto-me uma péssima mãe. Todos podem brincar, e ele não. Permito-lhe que, pelo menos, se sente numa das cadeiras, enquanto admiramos o espaço, bem mais pequeno do que nos parece, nos aparece, nos écrans de televisão.

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Nunca tinha entrado no Palácio de São Bento, nem na “Sala das Sessões”. Fisicamente, pelo meu próprio pé, não virtualmente, pelos écrans de televisão, no correr do telejornal, na azáfama dos directos. Fomos lá ontem. Por acaso, porque sim, num ímpeto de vontades, e se fôssemos? E fomos. Mais de uma hora e meia numa caminhada leve e lenta, até passar o detector de metais e entrar, finalmente, no Palácio, com o pequeno a cismar que já não entraríamos, afinal, a visita livre terminava às 18.00 h. Mas entrámos. E valeu a pena. Palavra, também, do meu filho.

 

No interior, visitámos outros espaços da Assembleia da República. Como estava muita gente, não deixo aqui mais registos fotográficos próprios. 

publicado às 14:02

25 de Abril

por naomedeemouvidos, em 25.04.19

 

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Nunca deixo de me emocionar quando ouço o Hino Nacional; e acho que tem vindo a piorar. Não sei se porque estou mais velha ou mais piegas. Possivelmente, uma acumulação das duas. Sou uma cidadã do mundo algo reles, já que, ao contrário de outros que ouço às vezes, aquieta-me o regresso a Casa. Portugal tem inúmeros e desditosos vícios. Mas, também tem grandes virtudes. A maior de todas é a Liberdade que tomamos como garantida, inabalável, e que, há 45 anos, não existia. Como seria não poder ler o que queremos? Não poder falar sem medir as palavras? Não poder escrever, criticar, reflectir, discordar sem medo de ser perseguido, eventualmente, encarcerado? Não estarmos autorizados a pensar contra a corrente?

 

Não sou feita da mesma massa dessa gente que se levanta com ousadia desmedida e lúcida contra a opressão de regimes autoritários, sem medo de sofrer as consequências, empenhada em defender essa liberdade que se estende para lá do nosso conforto miudinho. É tão adequado e tranquilo vociferar contra tudo e contra todos, com razão ou sem ela, sem receio de desaparecer nas malhas do sistema político, perseguidos pela polícia, atirados para trás das grades pelo atrevimento de dizer "não". Por isso, sou grata aos que foram capazes de saber quem eram e, sobretudo, o que faziam exactamente ali, naquele 25 de Abril de 1974. É bom não esquecer.

publicado às 09:47

Resmungos.

por naomedeemouvidos, em 24.04.19

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Benjamin Netanyahu vai nomear uma nova cidade nos Montes Golã after Trump. Os dois devem estar radiantes. O primeiro, porque ninguém, talvez, tenha feito tanto – na História recente – por minar, mais ou menos intencionalmente, qualquer tentativa ou desejo de estabelecer os tais dois Estados que teimam em não lograr uma coexistência pacífica. O segundo, porque, sendo um narcisista incorrigível e peçonhento, vai poder, enfim, pavonear-se por algo um pouco mais palpável (e se o homem gosta…) que o crescimento da economia americana. Talvez não ganhe um muro, mas ganha um monte, uma cidade, pelo menos; poderá visitá-la, em deliciado e delicioso êxtase, rebolar de júbilo e adorar-se. Só lhe falta a derradeira união pacífica q.b. com o talentoso Kim, outrora visceral inimigo, mas, isso não interessa nada, que o tempo é de paz. E, a propósito, sem esquecer o Nobel, que o Donald quer muito. Ah, que relação fantásticamelhor que um filme de ficção científica. Podem arrumar-se os foguetes e, ainda assim, o tempo continuar de festa. Escrevem-se novos capítulos da História que os mais incautos – incrédulos copiosos, pavorosos – não viram chegar. Quem disse que a democracia não pode ser suspensa por seis meses, ou mais, a bem de reformas necessárias, ou de uma ordem qualquer que importe repor? Impor. Eles andavam aí, e a Manuela, calhando, nem desconfiava…

 

A vizinha Espanha vai a votos no próximo Domingo. “Não minta”, “a política espanhola a trumpificar-se”, “você é um fake”, e outros mimos, uns mais normais que outros em debates políticos televisivos. Talvez não importe tanto quem ganhou ou perdeu cada um dos debates, mas, sim, que solução governativa se apresentará depois de Domingo, se o PSOE de Pedro Sánchez ganhar sem maioria, como indicam as sondagens. Depois de Andaluzia, chegou a hora de ter Vox no Parlamento Espanhol? Apesar do que eles dizem, ou, pelo contrário, em favor do que defendem? E o que defendem, exactamente? Entre a América Great Again, o Brasil acima de tudo e a Espanha Viva, haverá lugar a comparações legítimas e úteis?

 

Já que os programas não são para cumprir, chegou a vez da política feita exclusivamente de slogans. Dizem que Steve Bannon lançou a semente e Trump inaugurou a moda no mundo dito civilizado. Talvez Matteo Salvini venha a seguir o conselho e faça do Papa Francisco um inimigo a combater, a bem da Itália. Não sei se já escolheram o slogan.

 

Entretanto, Sérgio Moro pegou-se com o nosso ex-primeiro ministro. Diz que não debate com criminosos. Pela televisão, pelo menos. Um pulinho da magistratura para funções governativas, há pouco mais que quatro meses, e Moro já esqueceu o princípio da presunção de inocência. Há quem diga que não é de agora. Como há quem, há muito, não veja em José Sócrates nada de inocente; nem na forma presumida. Eu, por acaso, pertenço a este último e infame grupo...

publicado às 12:45

Valores Tradicionais.

por naomedeemouvidos, em 23.04.19

Brunei.PNG“As sentenças penais para o apedrejamento até a morte e amputação, impostas por crimes de roubo, adultério e sodomia têm um limiar de evidência extremamente alto, exigindo não menos do que dois ou quatro homens com altos valores morais e piedosos para a exclusão de todas as forma de evidências circunstanciais”, como tal, parece que o sultão do Brunei, Hassanal Bolkiah, resolveu endereçar, ao Parlamento Europeu, um apelo - na forma de carta - à “tolerância, respeito e compreensão” pela lei islâmica, a sharia, na sua versão mais radical.

 

Para sossegar os espíritos mais sensíveis, afiança-se, nessa mesma carta, que raramente serão aplicadas penas com a violência descrita, uma vez que, actualmente, é difícil encontrar esses tais dois ou quatro homens com altos valores morais e piedosos, afinal, a tradição já não é o que era. Talvez venha a ser resgatada, agora que se pretende apenas prevenir, e não punir. Educar, deter, reabilitar e nutrir. Aliás, como explica quem muito entende do assunto, a sharia "não criminaliza nem tem qualquer intenção de vitimizar alguém com base na sua orientação sexual ou crença, incluindo relações entre o mesmo sexo. A criminalização do adultério e da sodomia é para salvaguardar a santidade da linhagem familiar e do casamento de muçulmanos individuais, especialmente as mulheres”. Que alívio. Por momentos, cheguei a temer o pior...

publicado às 17:18

Caminhos cruzados.

por naomedeemouvidos, em 22.04.19

   

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    O cego vai batendo com a bengala nas pedras que dão forma à calçada bordada no passeio estreito e iluminado pelo radioso sol primaveril. Parece um pouco aflito, confundido, procurando algo que não se acha ali, mas devia, e, nessa ligeira angústia, roda sobre si próprio, ora à esquerda, ora à direita, sem nunca se distanciar demasiado daquele ruído metálico que a calçada devolve.

  Do outro lado da rua, um homem atenta no desassossego urgente do cego. Encaminha-se para ele.

     -Precisa de alguma coisa?

    -Estou à procura da lavandaria, mas, parece-me que não é por aqui… - a bengala batucando, ágil e certeira, no chão e no rebordo do passeio, soltando notas, compondo sílabas desencontradas.

    -Há aqui uma lavandaria, um pouco mais à frente, eu levo-o até lá – e pega-lhe no braço, suavemente, orientando-o no caminho adiante.

   Não chegam a meia-dúzia de passos. O cego sobressalta-se, olhando em frente, atento ao diálogo que arranca do chão a golpes firmes, experimentados. Estaca, teimoso, no passeio, “não, não é por aqui”, enquanto o homem insiste, “está logo ali, a lavandaria, já lhe vejo a porta de entrada”. Mas, o cego não vacila, não duvida, “não é por aqui”, e logo volta atrás, arredio e decidido.

  -Ó amigo, tenha calma. Eu levo-o aonde o senhor precisar de ir. Diga-me, exactamente, que lavandaria é essa, porque, aqui, não conheço outra além desta…

     E o cego explicou, apaziguado, confiando no seu instinto e na bondade do homem.

    -Eu saio do autocarro, viro à direita, caminho uns poucos de metros à minha frente, viro, novamente, à direita e encontro logo a lavandaria…há dois degraus à entrada…

   Então, os dois homens voltam atrás, juntos. Retomam o caminho a partir da paragem do autocarro e vão seguindo a memória do cego. A bengala vai à frente, matraqueando, marcando o passo, astuta e ligeira, materializando acordes que apenas o cego pode ler e decifrar.

   -Ah, parece-me que, agora, sim, já vou no caminho certo – alegra-se o cego, estugando o passo. O homem segue-o, expedito, suspendo daquela melodia, a que não é totalmente surdo, mas que nunca chega a compreender.

    Só mais uns passos, à esquina direita da rua, e, lá está ela, “sim, agora vou bem!”, a lavandaria com os seus dois degraus à entrada. De fora, não se percebe que há uma lavandaria no interior, porque a loja tem várias secções. O cego conhece-a bem, o homem nunca antes havia reparado nela.

    -Obrigado!

  -Ora essa…boa tarde! – e o homem volta à sua rotina, uma admiração alegre e prazenteira estampada no rosto.

 

publicado às 15:31

Sem tempo para chorar os mortos.

por naomedeemouvidos, em 22.04.19

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As tragédias sucedem-se sem dar tréguas. É a Natureza que grita, enfurecida e implacável. São templos que ardem. Extremistas religiosos, dementes, instrumentos de uma fé furiosa e vingativa. Supremacistas fanáticos, tão inebriados pelo ódio como os inimigos que elegem em nome da existência de um povo e de um futuro onde não há lugar para todos. Hoje uma igreja, amanhã uma mesquita, assim e alternadamente até não sobrar pedra sobre pedra, nem lágrimas para chorar. A violência ávida, insana, alastra, contamina, entorpece. A matança de inocentes, de todos os credos, de credo nenhum, materializou-se na intolerância extrema, saltou das páginas dos Evangelhos, usurpadores e usurpados reclamam o direito à ira, à sua, a única, a legítima, arrancada a sangue frio, numa orgia desvairada de vontades furiosas. No rescaldo do delírio, um rasto miserável de auto-imposta (involuntária?) indiferença face ao horror abundante e rotineiro. Se não for assim, como nos permitiremos sobreviver?

 

Em Amesterdão, no Museu do Holocausto, quatro fotografias tiradas em Auschwitz, em 1944, por Alberto Herrera - um judeu em cativeiro - e que mostram prisioneiros a caminho da câmara de gás e a queima de cadáveres, foram tapadas. Parece que se levantam questões éticas perante o horror e a falta de respeito pelos mortos assim exibidos nas imagens, o que também contraria o carácter pedagógico da exposição. Poupam-nos ao horror passado, enquanto, todos os dias, assistimos ao desfilar impune do horror presente, entre as pausas de um quotidiano cada vez mais insalubre.

 

Em Paris, no último sábado, alguns oprimidos do movimento “gilets jaunes” gritaram “suicidez-vous”, contra os agentes da polícia na rua. Desde o início do ano, terão sido já 28 os polícias franceses que cometeram suicídio. Há imagens impossíveis de tapar.

 

publicado às 10:38

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“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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