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Do Porto, com amor.

por naomedeemouvidos, em 08.07.19

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Lembro-me das coisas que me espantavam quando vim viver para Lisboa. Das confusões com os nomes dos bolos (não, um mil-folhas não é napoleão, e, não, não há bolas de berlim sem creme), aos cadeados que, afinal, são aloquetes , dos moletes aos carapins de que ninguém ouvira falar, era um corropio de mal-entendidos que, inevitavelmente, acabavam em enorme galhofa.

Quando me perguntavam de onde eu vinha e eu respondia do Porto, nunca percebia a dúvida: "sim, do Porto, mas de onde?". Como, de onde? Do Porto! Até perceber que quando ouvia alguém dizer que era de Lisboa, podia não ser da cidade de Lisboa. Eu própria não vivo na cidade de Lisboa. Mas, sim, sou da cidade do Porto. Inteiramente.

Gosto de muito de Lisboa, mas amo o Porto. As gentes do Porto. Aquelas conversas de ocasião com que, completos desconhecidos, enfrentamos as filas de espera e outras inevitabilidades mundanas. Quando aqui cheguei, já lá vão muitos anos, sentia uma saudade imensa dessas conversas sobre tudo e sobre nada, só para passar o tempo de forma alegre, prazenteira. Demorei um pouco a habituar-me. Ou melhor, a que os outros se habituassem. Não fico calada demasiado tempo. 

Vou ao Porto menos vezes do que gostaria. Se pudesse, talvez vivesse metade do ano lá e metade do ano cá. Quem sabe?

Até lá, aproveito o melhor dos dois mundos. Quando volto, volto de alma saciada de memórias, de abraços, de afectos salpicados do mar salgado da Foz. Uma amiga pediu-me para aí entregar saudades suas. Deixei-as a trepar às árvores e a baloiçar no vento...

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publicado às 15:57

A propósito de Alhos e Bugalhos.

por naomedeemouvidos, em 08.07.19

Por motivos que não interessam nada, estive sem ler ou ouvir notícias quase 48 horas. Sei que, para muita gente, é uma preocupação estranha; mas eu gosto de ler notícias, mais, até, do que as ouvir. Manias. Ontem, já ao fim da tarde, ao abrir o Público online, deparei-me com um texto de Manuel Carvalho intitulado “A propósito do texto de Maria de Fátima Bonifácio”, e pareceu-me logo coisa séria, que é como quem diz, cheirou-me a esturro. De modo que, fui ler a Maria de Fátima, antes de continuar a ler o Manuel Carvalho.

Não sei qual dos dois textos me espanta mais. Não é a primeira vez que leio um artigo de opinião daquela historiadora e, nem sempre comungando das suas palavras, não a tinha por capaz de escrever um texto de teor tão racista, cheio de clichés rasteiros e, mais absurdo ainda, aí plasmar um pobre, deplorável, exemplo pessoal para ratificar o seu douto veredicto.

Mas, não vou falar do texto de Bonifácio. Até porque estou convencida de que muitos dos indignados de serviço e do costume resmungam entre amigos o que ela teve, pelo menos, a coragem (vamos chamar assim) de escrever. Digo, apenas, que lamento que, para debater um tema bastante sério e muito menos consensual acerca da existência ou não de “quotas étnico-raciais”, nos vários sectores que constituem o tal “espaço público” nas suas diferentes vertentes, a reputada historiadora Maria de Fátima Bonifácio, não tenha conseguido ir muito além do "não fazer parte de uma entidade civilizacional e cultural milenária que dá pelo nome de Cristandade". Podia, e devia, ter-se ficado pela, a existir, possível corrupção de outros critérios tão sérios como o tema que se propunha discutir. Por exemplo, podem, as quotas, por princípio, criar situações aberrantes, em que a obrigação de diversificar e integrar a qualquer custo venha a sobrepor-se ao mérito? A abertura do acesso ao ensino superior a todos os alunos “independentemente da sua nota final” no 12.º ano (contra o que se insurge Fátima Bonifácio) vai, efectivamente, criar condições para uma maior integração das minorias, ou, pelo contrário – como Bonifácio sugere – vai apenas promover uma diminuição da exigência e um aumento do facilitismo, nas universidades portuguesas? E, todas estas apreensões -legítimas, com toda a certeza! - resultariam exclusivamente de abrir portas aos “analfabetos”? Tudo isto e muito mais pode e deve ser discutido seriamente, com melhores argumentos, sem desabafos miseravelmente sarcásticos.

 

Já o texto de Manuel Carvalho tem bastante mais que se lhe diga. Principalmente, nestes tempos, em que o bom jornalismo agoniza à mercê dos charmosos influenciadores que habitam as redes sociais, num esforço diário, permanente, de gestão entre o não ficar para trás e o não vender o corpo e a alma à mole de censores virtuais famintos de causas e cousas com que se entreter. Os romanos tinham os gladiadores a esventrarem-se nas arenas dos imponentes coliseus, nós temos a turba de justiceiros de moral de barro lamacento a chafurdar nos sites do mundo virtual.

Mas, o texto, senhores, o texto de Manuel Carvalho.

A vantagem de não sermos opinadores, influenciadores, informadores, ou outros predicados da soberba importância que, por vezes, nos atribuímos reside no abençoado poder de pensarmos pela nossa cabeça. Podemos estar totalmente enganados, mas falamos por nós, caímos por nós, levantamo-nos por nós. Sem isso, não creio que nos reste muito. Por isso, ler o texto de Manuel Carvalho é, no mínimo, deprimente. Se já sabiam que o texto em causa “está nos limites do ódio” e, entre outras coisas, “usa linguagem insultuosa para diferentes minorias”, o Público e, no tal limite que fica sempre bem, o seu director decidiram, ainda assim publicá-lo porquê? Não sei se percebi a explicação. O que é que correu mal, afinal? Mudaram de opinião em relação à gravidade do que lá se dizia? Não tiveram a coragem necessária para recusar a publicação do artigo? Ou, simplesmente, cederam à indignação generalizada e, cobardemente, vêm, agora, fingir-se arrependidos de ter mal avaliado as reacções viscerais que tal artigo, inevitavelmente, produziria?

Não sei como se concilia a garantia de que “o PÚBLICO é um espaço plural de opinião onde com muita frequência se publicam textos que estão longe dos valores que defendemos”, com “um cometer um erro de avaliação e análise”, um dia e muita incontida cólera depois. A não ser que dito erro tenha sido cometido na avaliação e análise das reacções que se soltaram a seguir. Seria um pouco assutador, no mínimo.

 

Não é a primeira vez que o director de um jornal sente a obrigação de vir explicar-se quanto à autorização de publicar um texto polémico. Não há muito tempo, José Manuel Fernandes já tinha necessariamente esclarecido a publicação de um texto que versava sobre contos de fadas e bons casamentos. Não será a última. E, quando Manuel Carvalho fala das consequências que tem de merecer para o futuro a opção de publicar o artigo de opinião da Fátima Bonifácio, temo que essas consequências acabem de vez com o tal espaço de opinião plural...

publicado às 13:59



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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