Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Porto de abrigo.

por naomedeemouvidos, em 05.08.19

DSC02721.jpg

DSC02725.jpg

 

O Porto destes dias não é o mesmo Porto da minha infância e juventude. Ou, não é exactamente o mesmo. Tive um professor na faculdade que insistia em lembrar-nos que todo o progresso tem um custo e esse custo, por vezes, é elevado. Não sei, ainda, avaliar o que o progresso baseado num turismo de massas e alojamento local epidémico irá custar à cidade do Porto. Imagino que o mesmo que já custou a outras tantas cidades, a outros locais, cá dentro e lá fora, onde já pouco sobra da genuinidade e genialidade da gente, do povo que dá cor, vida e alma ao ar que se respira, às pedras que murmuram histórias, às ruas que nos embalam em abraços sentidos. 

 

DSC02624.jpg

DSC02625.JPG

DSC02632_1.jpg

 

Mas, vim encher-me de mimos, rodear-me de outros imensos afectos. Ainda pude, ainda posso. Deixei cá parte de mim. A minha irmã, o meu sobrinho. Os meus pais. Sempre eles, são um pilar robusto, inamovível, que resiste a todas as intempéries. E o meu pai conhece o Porto como poucos. Posso perder-me e encontrar-me em todas as ruelas, as mais escondidas, as mais improváveis, as mais autênticas, onde os mais velhos ainda me chamam menina. No Porto, é possível ser menina toda a vida.

 

DSC02634_1.jpg

DSC02635.JPG

DSC02636.JPG

 

Apesar das obras em série, da proliferação de gruas e da emergência de hotéis a cada esquina, claro que a cidade ganhou com o turismo, nunca se perde tudo. Há zonas, outrora votadas ao abandono, que renasceram, dinamizaram-se e oferecem, agora, mais do que quadros sujos e deprimentes. Em contrapartida, o trânsito parece mais desordenado, caótico, com hordas de turistas, maioritariamente, nacionais e estrangeiros, a cruzar as ruas, em bando, sem qualquer respeito pelos sinais luminosos ou outros, toureando a sorte para desespero de quem conduz.

 

congregados.PNG

DSC03183.JPG

DSC03175.JPG

DSC03178.JPG

avenida.PNG

DSC03206.JPG

 

Em cada canto, a cidade fervilha carregada de memórias que imagino diferentes das das páginas da poetisa, de memórias seguramente diferentes das minhas e, no entanto, há cores e cheiros que perduram, um casario que ainda encanta, que ainda resiste, que vive para além dos contos.

Há a cidade do rio, de onde se mira Vila Nova de Gaia e a Serra do Pilar, em frente ao velho casario que se estende até ao mar, da calçada da Ribeira, o Porto de encantos,  de luzes e sombras, o Porto que desperta e atormenta os nossos sentidos.

 

DSC02605.JPG

DSC02606.JPG

DSC02607.JPG

DSC02608.JPG

DSC02609.JPG

DSC02610.JPG

DSC02611.JPG

DSC02813.JPG

DSC02888.JPG

DSC02889.JPG

DSC02890.jpg

 

Ainda persiste, todavia, um Porto de outrora, o do tempo que se perde ganhando, entre amigos, o Porto que se pega à pele, o que se bebe, o que alucina.

 

DSC02691.JPG

DSC02695.JPG

DSC02696.JPG

DSC02700.JPG

DSC02701.JPG

DSC02706.JPG

DSC02709.JPG

Batalha.PNG

DSC03040.JPG

 

E, depois, há o Porto do património religioso, imperdível, insubstituível, o que arrebata e apazigua, o que exalta e silencia.

 

DSC02781.JPG

DSC02838.JPG

DSC02857.JPG

DSC02858.JPG

DSC02861.JPG

DSC02883.JPG

DSC02908.JPG

DSC02909.JPG

DSC02914.JPG

DSC02922.JPG

DSC02936.JPG

DSC02923.JPG

 

DSC02980.JPG

DSC02996.JPG

DSC03002.JPG

DSC03003.JPG

 

O turismo é bem e mal, é anjo e demónio, é salvador e é voraz, cobra o seu preço, impõe as suas regras. Que bom seria se não nos deslumbrássemos para lá da conta que venha a valer a pena pagar.

 

DSC02809.JPG

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:17

"Fuzilem-nos."

por naomedeemouvidos, em 05.08.19

Fuzilem-nos.PNG

“ - Quando temos 15 000 pessoas a entrar, e temos centenas e centenas, e temos dois ou três agentes de controlo de fronteira, bravos e magníficos. E, não esquecer que não os deixamos, e não podemos deixá-los, usar armas. Não podemos. Outros países fazem-no, nós não podemos. Eu nunca faria isso. Mas, como paramos esta gente?

- Fuzilem-nos!

- Só em Panhandle se sai impune com uma afirmação dessas.”

 

Parece que, ali, a coisa tem graça e merece aplausos.

Entretanto, não sei se já contabilizaram quantos mexicanos foram abatidos a tiro nos dois últimos massacres nos EUA. Quase 30 mortos em 13 horas, numa carnificina instigada pelo ódio que não é de hoje, é certo, mas que, hoje, volta a ter espaço tolerado e tolerável, assente em slogans promovidos pelo mais alto (ir)responsável da nação americana: “lock her up!”, “build that wall!”, “send her back”. Porque não "shoot them!", são só palavras, certo?

 

É absurdo fingir que não há um problema sério com as migrações em massa. Não sei bem como se resolve, mas, preferia que não fosse à custa de nos tornarmos exterminadores em série, escarnecendo de quem foge da miséria ou da guerra, como se a vida fosse coisa que pudéssemos eliminar como as ervas daninhas que empestam a harmonia bela e tranquila do nosso exuberante jardim.

 

Trump nunca usaria armas para impedir os criminosos e violadores mexicanos de entrar nos EUA. Não precisa. Tem quem o faça por ele. Basta pedir. Ou melhor, basta sugerir.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:36



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


Layout

Gaffe


Arquivo



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.