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Entre Tancos e Tangas

por naomedeemouvidos, em 27.09.19

Tiago Barbosa Ribeiro: “Parabéns pela recuperação do armamento, grande alívio…! Não te quis chatear hoje.”

Azeredo Lopes: “Foi bom: pela primeira vez se recuperou [sic] armamento furtado. Eu sabia, mas tive de aguentar calado a porrada que levei. Mas, como é claro, não sabia que ia ser hoje.”

Tiago Barbosa Ribeiro: “Vens à AR explicar?”

Azeredo Lopes: “Venho [sic] mas não poderei dizer o que te estou a contar. Ainda assim, foi uma bomba.”

 

O assalto aos paióis de Tancos já era, por essa única circunstância, um caso gravíssimo. Os contornos absurdamente ridículos que se foram acrescentando ao crime ultrapassaram, porém, o domínio da anedota. É tudo demasiado. O furto que, no limite, pode não ter havido, o esbulho guardado em casa da avó, a farsa do “achamento” do material roubado, as cassetes de vídeo substituídas com rigoroso brio e acertado compasso num sistema de videovigilância que se sabia não funcionar, e um ministro da Defesa que troca SMS com um deputado amigo como se fossem dois adolescentes no torvelinho de um desabafo.

 

Não há a mínima noção do ridículo. Nem de vergonha. Já nem falo dessa coisa, que se tornou obsoleta, de servir o País, do sentido de Estado.

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publicado às 13:39

Ainda temos Tancos.

por naomedeemouvidos, em 26.09.19

Este caso, mói-me, dói-me, envergonha-me. A todos nós, suponho.

Espero que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não tenha qualquer tipo de envolvimento nisto. O mesmo em relação ao Primeiro-Ministro, António Costa. Pelo menos, estes dois cargos, pelo menos.estes seus dois representantes.

 

Que toda a verdade se apure, efectivamente, até às últimas consequências e doe a quem doer, como já anteriormente disse o Presidente da República. Não pode ser de outra maneira.

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publicado às 13:43

Juízos Destituídos.

por naomedeemouvidos, em 26.09.19

EUA_Ucrânia.PNG

 

Ontem, num jornal da noite, um especialista em política norte-americana dizia que, na sua opinião, o que Donald Trump fez não é caso para tanto, leia-se, a mais recente voluntariedade do senhor, o telefonema em que pede ao presidente da Ucrânia para investigar Joe Biden não é motivo para que os Democratas venham pedir a destituição do presidente dos EUA. Na sua análise ao caso, o especialista defendeu que o comportamento de Donald Trump pode ser pouco ético, embaraçoso, mas, não é nada que qualquer um de nós não faça quase todos os dias, que é, procurando um amigo que nos deve um favor, recordar-lho, lançando a pista “vê lá se fazes isto por mim”. Bastante próximo disto. Pasmei.

 

É possível, no entanto, que Donald Trump ainda venha a ganhar com o caso do "telefonema perfeito", na versão do próprio. Afinal, o homem tem o dom de não sair beliscado de nenhum dos actos de arruaça que comete ao serviço de si mesmo, ao serviço de uma nação que usurpou para proveito próprio. O presidente da maior democracia do mundo comporta-se como um autêntico mafioso, um arruaceiro com tiques de novo-rico, de insulto solto e brejeiro, e, aparentemente, há muito quem aprecie o estilo. Admiram-lhe a audácia, a autenticidade que ele forja dia-a-dia, tuite-a-tuite, desdizendo-se a cada instante, alternando factos, bajulando outros líderes prepotentes, enquanto se entretém a adular-se como um narciso, a rasgar acordos entre os aliados, a insultar quem ousa contraria-lo e a promover o ódio a todos os que lhe são estranhos. A indecência passou a ser a norma, e passou a ser ditada directamente da Sala Oval, com a bênção dos Republicanos que se venderam à grandiosidade (pífia), não da América, mas de um marialva cujo sonho maior deve ser substituir a Casa Branca por uma Trump Tower estilizada e a Estátua da Liberdade pelo seu orgulhoso e gorduroso busto.

 

O bom senso diria que Donald Trump deve cair como se ergueu: pelo poder do voto democrático; não fosse o bom senso ter deixado de servir.

Foram muitos os que, a recuperar do espanto da eleição de Donald Trump, ainda acreditaram que haveria uma mudança no seu comportamento, seria uma questão de tempo, a dignidade própria do cargo esmagaria a miséria do homem. Se tal, porém, não viesse a verificar-se, como não veio, Trump esbarraria na sua própria desgraça; e a ideia de impeachment pairou sempre como uma ameaça prestes a devolver a ordem à política americana. Mas, depressa se percebeu que a tentativa de destituição poderia servir para alimentar a besta, em vez de a exterminar, convertendo o presidente dos EUA numa espécie de um justiceiro destemido, um renegado adorado pelo povo e perseguido pelos seus, supostamente, viscerais inimigos. Esperou-se. Desvalorizou-se a bazófia e a incapacidade. Até agora.

É capaz de ser perigoso dar-lhe (mais) palco para se lamentar, evocar uma “caça às bruxas”, queixar-se de “presidencial harassment”. Mas, talvez não seja possível continuar de escândalo em escândalo, de infâmia em infâmia, fingindo que Donald Trump pode ser presidente de um país como os EUA sem, com isso, pagar-se (não só a América) um preço demasiado elevado.

Não, ao presidente de um país democrático não está permitido cobrar favores a presidentes de outro país, democrático ou não, para investigar adversários políticos, por muito incómodos. Mas, isso, talvez fosse noutros tempos.

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publicado às 11:32

Mau ambiente.

por naomedeemouvidos, em 25.09.19

greta thunberg.PNG

 

O reitor da Universidade de Coimbra talvez seja um pouco demagogo (concordo), nem aparece no Google quando se pesquisa reitor+carne+vaca+(nome)+reitor; alguns estudantes de Coimbra são umas "bestas quadradas, sem ofensa" (e é capaz, se foi mesmo isto que ouvi - e estou bastante segura de que foi), porque querem substituir horas de aulas por horas de pesquisas no Google, e Greta Thunberg foi malcriada e é capaz de merecer uns tabefes. Isto, assim para começo de conversa, porque calhei em ouvir as causas de José Miguel Júdice, ontem à noite, e o senhor parecia bastante agastado.

Devo dizer que não partilho da comoção que atacou os mais altos representantes das nações na sequência do discurso de Greta Thunberg, em Nova Iorque. Sem qualquer cinismo, pasmo com a coragem de Greta, rendo-me à sua vivacidade, invejo-lhe a ousadia de levantar a voz a favor de uma causa em que acredita e posso comover-me com a sua capacidade de mover multidões; afinal, é desta massa que se fazem os líderes – bons ou maus, é verdade – e o mundo precisa de gente capaz de dar um murro na mesa e dizer “basta!”, eventualmente, gritando, se os outros teimam em fingir-se surdos. O que me incomoda, como quase sempre, são os extremos que cedem à histeria bruta: de um lado, aqueles que, de repente, tiveram uma epifania, uma visão do anjo anunciando a salvação da Terra e a excomunhão de todos os pecadores; do outro lado, os que se decidiram a apedrejar a mensageira, arremessando-lhe os insultos mais reles e desbragados que a indecência permita. Há, por isso, uma turba de gente medíocre que se entretém, por exemplo, a lembrar-nos, freneticamente, que a miúda tem problemas mentais, concentrando na pirralha manipuladora e manipulável toda a escabrosa fúria erguida contra os que se atrevem a acreditar que também somos nós os responsáveis pela agonia do nosso habitat. Se a miúda está tão errada, seria suficiente atirar-lhe com argumentos científicos que a contrariem, em vez de tentarem humilhá-la, mas, claro que isso dá um ror de trabalho: implicaria compilar estudos científicos credíveis, comparar posições, discutir pontos de vista diferentes, procurar soluções. Demasiado, portanto. E muito menos suculento.

 

Também não chego a partilhar da opinião de que a miúda foi malcriada e merecia os tais tabefes (dois, se não me falha a memória), mas parece-me algo idiota, de facto, ver líderes mundiais embarcarem na onda purgatória, uns, com descaramento, outros, com leviandade. Não todos, é claro. Igual a si próprio, o presidente dos EUA ficou do lado da chacota, e publicou o inevitável tuitezinho de escárnio. Greta converteu a tentativa de gozo do bobo na sua nova marca de perfil no Twitter. E eu continuo a gostar da miúda.

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publicado às 15:17

Sobre morrer em valetas.

por naomedeemouvidos, em 24.09.19

Se calhar, não é preciso tanto. Pode morrer-se apenas às mãos da democracia, onde ela ainda vai funcionando. Logo veremos; no imediato, aqui, aqui e aqui. Certo mesmo é que o Brexit continua embrulhado entre vários capítulos, os próximos e os outros. 

 

Por cá, também tem havido experiências políticas de quase morte. Como o debate televisivo de ontem, por exemplo. Mas, de momento, estou sem tempo...

 

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publicado às 14:05

"We're really gonna miss you."

por naomedeemouvidos, em 22.09.19

steve kroft.PNG

 

Lembrava-me bem da reportagem que Steve Kroft escolheu para fim do programa “60 Minutos” que lhe foi dedicado em especial homenagem: a Ilha de Eigg, na Escócia.

Eigg já fora propriedade de um inglês abastado com tiques de aristocrata caído em desgraça e, depois, de um alemão louco com manias de conceituado artista e professor até se revelar um impostor falido. Fartos de senhores incompetentes, os habitantes decidiram organizar-se em torno de um objectivo comum e assumir as rédeas do controlo e gestão da ilha. Cada um deles é uma figura única. Maggi Fyffe é a secretária da ilha; fecha os olhos azuis quando ri, um riso rouco e malandro que lhe ilumina o rosto e a faz parecer uma miúda traquina apanhada em flagrante. Charlie Galli é o taxista de serviço, único, um falso bruto bem-humorado, de barba farta e grisalha pintalgada de fios dourados, que conhece de cor a vida toda que cabe na ilha e lhe entra na alma. Dean Wiggin é o mecânico de serviço, arranja praticamente tudo o que ainda tenha conserto. Sarah Boden gere a quinta do tio e convenceu o namorado, um dos músicos mais populares da Escócia, a morar na ilha. Johnny Jobson edita uma publicação desportiva, trouxe a família, agora que há electricidade, e os amigos Stu McCarthy e Gabe McVarish, cansados de beber zurrapa de produção em série, meteram mãos ao barril e acabaram a produzir as oito qualidades da cerveja artesanal com que se animam as festas em Eigg.

Não há propriamente um presidente, não há polícia, não há tribunal, não há edifício prisional. Não há crimes, não há desacatos que mereçam cuidados. O que não se sabe onde está, acabará achado, devolvido, sem descuidos, sem escalas, sem reservas.

Há uma escola básica, uma mercearia, um pub de paredes brancas, junto ao cais, um médico que faz visita às terças-feiras, e um mar imenso, caprichoso, que a Natureza quase selvagem urdiu com uma esmerada insolência, mais do que suficiente para não admitir mordaças.  

 

Steve Kroft, trinta anos de boas histórias ao serviço de um jornalismo maior, retira-se de cena, deixando um rasto de reportagens arrojadas, magníficas, entrevistas intensas a políticos, celebridades, mafiosos, criminosos, vigaristas, atletas. De tudo um pouco se preencheu a sua sólida e respeitada carreira. Apontam-lhe o sentido de responsabilidade, o rigor do trabalho de investigação, a deleitosa escrita, o enorme sentido de humanidade, a capacidade rara de revelar com desconcertante clareza as histórias mais intrincadas. E, claro, o humor; um traço de humor elegante que encontra sempre o seu espaço, a seu tempo. Afinal, “it´s all about the story”, que é como quem diz, serão quase quinhentas contadas com a mestria de Steve Kroft, para continuar a recordar.

 

Uma excelente conversa com a colega Lesley Stahl, uma última entrevista do lado oposto da sala, embalada por um reconhecido e carinhoso respeito.

"60 Minutes" will be fine, just fine, palavra de Steve Kroft.

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publicado às 22:30

Verdade (s)em rede.

por naomedeemouvidos, em 20.09.19

Tenho este artigo guardado há vários dias. Uma espécie de (mais um) ponto de partida para outra reflexão, já não tanto sobre o que é ou não verdade, mas sobre a verdade que importa, ou, talvez mais urgente e aterrador, se realmente importa que não seja verdade.

No artigo, fala-se sobre a possibilidade de a linguagem constituir um meio válido, confiável, de identificar notícias falsas, e pensei imediatamente nos títulos medonhos de alguns sites de informação manipulada que o polígrafo costuma recolher para, professoralmente, classificar de verdadeiro; verdadeiro, mas…; impreciso; falso; pimenta na língua. Só faltam as percentagens, mas salvaguarda-se o enquadramento; porque, a “verdade não é branca ou negra”. Só pela megalomania dos títulos, raramente me engano no “isto não pode ser verdade!”, embora possa não ser capaz de chegar ao rigoroso “pimenta na língua”. A questão é que, por vezes, como é também e tão bem sabido, a realidade atropela a ficção, esmaga-a sem apelo nem agravo, e nem sempre o meu radar acerta, é um facto.

Trata, dizia eu, aquele artigo, de dar conta de trabalhos de pesquisa realizados nos últimos anos com o objectivo de tentar, primeiro, encontrar um padrão de linguagem passível de ser mais frequentemente associado a fontes de informação (em bom rigor, desinformação) intencionalmente enganosa, segundo, recorrer à tecnologia de inteligência artificial para caçar esse padrão numa informação manipulada, de modo a alertar-nos para o logro.

Entre outros exemplos, refere-se, na informação viciada, a linguagem tende a ser excessivamente emocional, abundam termos relacionados com morte, sexo e ansiedade, o recurso aos superlativos (o mais; o pior), adjectivos sonantes (terrível; brilhante) e o uso frequente da segunda pessoa do singular. Nada disto é, no entanto, vinculativo, evidentemente, e, em particular, no que diz respeito ao pronome “you” (“tu”, ou, talvez traduzindo melhor, neste contexto, por “você”), tentou chegar-se um pouco mais longe no estudo, comparando artigos retratados e não retratados do jornalista Jayson Blair. Ainda assim, não é possível precipitarmo-nos em conclusões, mas, talvez possamos estar mais atentos. Sempre e cada vez mais atentos.

 

Entretanto, acabei por ler um outro artigo ligado, mais ou menos, à mesma temática. A nova ameaça não é tanto uma questão de sermos capazes de identificar ou não a verdade, é termos consciência de que, afinal, somos cada vez menos capazes de concordar com aquilo que classificamos, ou encaramos, como verdade. Claro que não é bem, nada!, uma novidade;  mas, não se trata tanto do já esgotado e esgotante pensamento insalubre acerca da planura da Terra, da negação plácida das causas antropológicas para o aquecimento global, do autismo das vacinas-free ou dos milagres da homeopatia. É mais do que isso, mais perigoso e mais assustador, porque tem a ver, também, com o facto de grande parte da verdade subjacente à indignação que inunda os meios de comunicação social, vertendo, posteriormente, para as colunas de opinião, programas de entrevistas televisivas, grandes ou pequenas reportagens estar cada vez mais condicionado, não pelos acontecimentos em si mesmos (ou, pela sua gravidade) mas, pela forma como esses acontecimentos são relatados e enquadrados e, pior, manietados pelo poder das redes sociais.

O exemplo mais próximo de nós, aqui neste recanto que continua a encantar estrangeiros e a transtornar nacionais, é, talvez, o recente caso do assassinato e violação de Maria Antónia Guerra de Pinho (a ordem macabra dos acontecimentos parece ser exactamente esta), a irmã Tona, a que o Eduardo Louro fez pertinente referência neste texto, e cuja notícia passou despercebida porque parece que "não entrou nas redes"

 

Os especialistas não se cansam de nos dizer que nada disto é tão novo como parece e que já corremos os mesmos riscos no passado. É possível. Mas, como também parecemos empenhados em apagar esse passado e, não podendo, em embelezá-lo e corrigi-lo de todas as imperfeições que possam atrapalhar a escalada de sucesso viral das melhores instastories, é possível que não estejamos preparados para tamanho sucesso. 

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publicado às 11:45

Estou a criar um feminista.

por naomedeemouvidos, em 19.09.19

feminismo.PNG

"Mas, porque é que os homens têm que abrir a porta do carro às mulheres? Isso não faz sentido, parece que (elas) são umas coitadinhas, que não conseguem abrir uma porta..."

 

Logo eu, que ainda aprecio um gesto fugaz e elegante de cavalheirismo...

Isto são coisas do pai, de certeza!

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publicado às 15:38

A geringonça é portuguesa, com certeza.

por naomedeemouvidos, em 18.09.19

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Parece já não haver alternativa: Espanha vai novamente a votos em Novembro.

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publicado às 09:54

Boas histórias.

por naomedeemouvidos, em 18.09.19

laRepubblica.PNG

"Foi uma questão de ser honesto, como a minha família me ensinou".

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publicado às 09:11

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“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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