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por naomedeemouvidos, em 12.10.19

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Estou aqui a perguntar-me o que se terá passado na redacção do PÚBLICO...

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publicado às 09:15

Sobre gaguezes.

por naomedeemouvidos, em 11.10.19

Quando Ricardo Araújo Pereira entrevistou Joacine Katar Moreira, no seu programa "Gente que Não Sabe Estar", começou pelo óbvio: a sôtora gagueja. Ao que a própria respondeu: eu gaguejo quando falo, há os que gaguejam quando pensam. Cito de memória, pelo que, posso ter cometido alguma imprecisão, mas, a ideia é esta e não podia ser mais acertada, como, aliás, se tem vindo a verificar.

 

Não sei se vamos estar à altura de Joacine. O tempo que ela permanecer no Parlamento o dirá. O mais curioso (na verdade, não exactamente) é haver gente mais preocupada com o seu desempenho como deputada do que a própria.  Afinal, a gaguez de Joacine incomoda.

Entretanto, aproveito para subscrever isto e mais isto. E acredito que haja por aí muitas outras opiniões idênticas. Subscrevo-as também.

"Mas vai ser bonito. Isto sempre foi uma guerra para pessoas como eu", palavra de Joacine. 

 

 

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publicado às 09:21

Em dia de Nobel da Paz.

por naomedeemouvidos, em 11.10.19

O Prémio Nobel da Paz será entregue hoje. Aparentemente, a lista de candidatos é extensa, para vários gostos e espantos. Mas, ouvir o nome do actual presidente dos EUA, logo ali ao lado do do Papa Francisco, como aspirante a tal desígnio causa-me um certo, tremendo, não-sei-quê difícil de descrever, quanto mais classificar. Quase me tinha esquecido.

Para o quadro de paranóia ficar completo, só faltava que este prémio, este ano, se escrevesse com aquelas letras. Imagino que não possa ser possível,  que absurdo!, excepto que pensava o mesmo nas últimas eleições presidenciais americanas...

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publicado às 08:46

Turistas.

por naomedeemouvidos, em 10.10.19

O barco desliza tranquilo sobre o leito de água manso e morno de final de tarde. O Sol desmaia no horizonte, afagando o dorso púrpura do mar estreito, soprando reflexos metálicos, de ouro e prata, que devolvem um brilho leitoso, a contraluz, salpicado de borbotos salgados e crus onde as gaivotas mergulham em voos planados, à espreita, à espera, enquanto o céu se incendeia esgalhado em fúrias policromáticas, uma imensa tela impressionista, viva, volátil, que se tece e se desmancha como as malhas finas de um croché rico e inacabado. Ao fundo, nuvens coradas a vermelho-laranja, densas, insurretas como a lava dilacerante acabada cuspir do ventre caprichoso da terra, irrompem em estampidos mudos, preenchendo o céu na linha submissa do ocaso.

 

Para trás, ficou o esfrangalhado tumulto da outra parte da cidade. A que desagua, miserável, no outro continente, longe da ousadia cosmopolita e moderadamente europeia. E, enquanto regresso ao caos mais organizado e desesperadamente consentido, guardo a memória da beira-mar desordenada, prenhe de cadeiras de plástico, outrora branco, onde se amontoam vidas cheias e simples, num marasmo vulgar de fim-de-tarde. Há famílias inteiras que se passeiam em burburinhos compassados, enchendo o passeio e os bancos improvisados, os mais pequenos comendo gelados e algodão doce azul, os graúdos escorropichando, incautos, cascas de mexilhão recheadas de arroz pastoso servidas em doses manhosas que circulam de mesa em mesa, descontadas que são e foram as que serviram para saciar a fome ou, apenas, uma curiosidade afoita e descuidada.

 

As gaivotas prosseguem na sua escolta elegante e inusitada. Há uma mulher sozinha, decentemente tapada, como ditam os costumes locais. Entretém-se a ler um livro cujas margens vai adornando de rabiscos confusos, e faço um esforço descarado para tentar perceber se, o livro, também o dita os costumes, ou, pelo contrário, é um acto de rebeldia mais consciente e pleno do que a melena de cabelo preto que teima em escapar-se-lhe do aprumo decoroso do véu.

 

O barco acaba de recolher os passageiros da última paragem. Na minha frente, sentam-se um casal absurdamente jovem com uma bebé de colo e uma velha muito velha que não consegue desviar os olhos de mim, nada mais acomodar-se. Não percebo o que diz, mas, percebo que faz a viagem sozinha, provavelmente, de regresso a casa. Reparo que fala com casal, mas, tenho a certeza de que lhe são estranhos.

Há já algum tempo que se levantou uma aragem fria, e vejo como aconselha a mãe a tapar a cabeça da criança. Há hábitos maiores em si mesmos. Continua a olhar para mim, e começa a inquietar-me. Não percebo o que diz, e essa manifesta incapacidade irrita-me, incomoda-me. Segreda qualquer coisa à rapariga, sem despegar-me a vista de cima e percebo, abruptamente, a palavra turista, no meio da salgalhada àspera em que se distraem. Quando, subitamente, se decide a interpelar-me já sei o que me vai perguntar ainda antes de a ouvir, pela segunda vez. Aceno um sim desajeitado e, agora, tenho absoluta certeza de que a ouço dizer à rapariga: viu, eu disse; turistas!

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publicado às 11:53

“Tal como já afirmei antes, e quero apenas reiterar, se a Turquia fizer algo que eu, na minha grande e inigualável sabedoria, considerar fora dos limites, irei destruir totalmente e obliterar a economia da Turquia (já o fiz antes!)”, palavra do senhor, possuído que está por um complexo de Deus que encarnou no seio, cabeça, tronco e membros de presidentes megalómanos que subiram à presidência dos seus países por obra e graça de uma democracia útil, mas, que se torna pestilenta e descartável assim que as criaturas, perdão, os deuses, se instalam na cadeira do poder.

 

Parece que a inigualável sabedoria de Trump começa a enervar alguns senadores republicanos. Resta saber até que ponto. Até que ponto se pode continuar - sem vendar a alma ao diabo - a normalizar, aceitar e apoiar essa sua outra qualidade inigualável (agora, sim): a demência narcisista e oportunista, que ameaça varrer tudo à sua passagem.

 

(adenda)

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publicado às 13:27

Joker

por naomedeemouvidos, em 07.10.19

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Vou muito menos ao cinema do que noutros tempos. Embirro com as pipocas, e, durante muito tempo – o tempo que demora uma criança a tornar-se menos dependente de nós (ou nós dela, não sei bem) –, aconteceu-me como com os festivais: era mais o do Panda (por acaso, pouco, que o meu filho deve ser a única criança à face da Terra que nunca apreciou o género) e filmes para menores de seis ou por aí.

A maior parte das vezes, acabo a ver os filmes em casa, já depois da época, mas com imensa pena de não poder deixar-me envolver pela ilusão vibrante da sala de cinema. Pode ver-se e viver-se na mesma, mas, não é a mesma coisa.

Relativamente imune às sábias críticas dos inúmeros especialistas – nos filmes, como nos livros, quem manda sou eu: ou aquilo me devora, ou não presta para nada, independentemente do que me digam – tinha, apesar disso, imensa curiosidade em assistir ao "Joker", de Todd Phillips. No cinema. Li tanta coisa estapafúrdia sobre o filme, ainda antes de estrear – desde o inspirar discursos de ódio, a uma espécie de manifesto alt-right, com uma certa colagem ao neurótico universo dos auto-denominados Incel, homens heterossexuais celibatários involuntários, que se vêem como vítimas de uma sociedade dominada pelos "machos alfa" e miseravelmente desprezados pelas mulheres atraentes, passando pelo aparato policial na estreia do filme nos EUA - que me via irremediavelmente consumida. Se era para efeitos de publicidade, da minha parte, objectivo conseguido: fui ontem ver o filme.

Obviamente, não vou fazer qualquer crítica, nem saberia como, e estou, muitas vezes, em contra-corrente. Não gostei de “Assim Nasce uma Estrela”, nada, e não fui arrebatada pela onda de entusiasmo e memória em torno do "Bohemian Rhapsody", não vá alguém vir aqui ao engano.

O "Joker" é um filme, de facto, violento. A vários níveis, em vários sentidos da coisa (aliás, fiquei com bastantes dúvidas quanto à classificação etária, mas, devo ser eu, desactualizada). Mas, não é isso que aqui me traz: é a interpretação soberba de Joaquin Phoenix. Simplesmente magnífico! Se por nada mais, pelo privilégio de vê-lo na pele daquele Joker. Aliás, talvez o contrário seja um retrato mais genuíno, mais rigoroso. Há filmes de um homem só, de um actor só, de uma actriz só. Este é um desses.

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publicado às 13:30

E agora, António Costa?

por naomedeemouvidos, em 07.10.19

O Parlamento Português renovou-se. Não sei se é a melhor notícia, mas é uma boa notícia. A pior foi a chegada, finalmente, de André Ventura às cadeiras do Hemiciclo. A uma, de momento; Ventura promete tornar o seu partido no maior de Portugal, em oito anos. Era difícil que Portugal se mantivesse imune ao fenómeno que ameaça toda a Europa, e André Ventura entusiasmou-se. Parece absurdo, mas o absurdo há muito que tomou conta (também) da política.

 

Na próxima legislatura serão 86 as mulheres no Parlamento, entre elas, Joacine Katar Moreira que já prometeu continuar a ser uma voz incómoda.

O aumento da representatividade no feminino é outra boa notícia. Não chega aos 40%, mas talvez chegue para fazer a diferença. Até porque não podemos continuar a perder tempo.

 

O Iniciativa Liberal chegou, viu e venceu. Mais ou menos. Na primeira vez em que se apresentou a eleições legislativas o partido conseguiu eleger um deputado. Prometem resistência, fazer diferente, defender a “liberdade individual e política”. Gosto do Carlos Guimarães Pinto. Veremos como se sai João Cotrim Figueiredo.

 

Assunção Cristas sai de cena. Deixa a liderança do CDS, depois do resultado desastroso do partido. Assumiu sempre, ou quase, o orgulho de ter participado num Governo de que os portugueses têm má – péssima! – memória e assinou o fim do seu ciclo. Resta saber se o partido resiste. Essa coisa a que chamam destino pode ser maquiavelicamente irónico.

 

Rui Rio talvez se aguente como líder do PSD. Quem diria. Até percebo a alegria exaltada de ontem. E há-de haver quem pense como teria sido, afinal, se o próprio partido não tivesse boicotado o seu próprio dirigente. O homem não é isento de pecados vários, mas, continua a fintar as sondagens. Prometeu não ser um empecilho ao desenvolvimento do país, colocar o interesse nacional à frente de interesses próprios e partidários, que é como quem diz – e o já o disse – se António Costa precisar de um parceiro para levar a cabo as tais reformas estruturais que tantos prometem, mas nunca cumprem verdadeiramente, Rio pode ser o tal.

 

Pedro Santana Lopes morreu há algum tempo e ainda não sabe. Se calhar, soube ontem.

 

António Costa quer continuar a geringonçar, desta feita, também com o PAN e com o LIVRE. Vai ser interessante ver Costa em acção, novamente, com o BE igual a si próprio e o PCP a rejeitar, para já, os acordos escritos de que, aparentemente, os eleitores comunistas não gostaram.

Os ventos agitam-se e os tempos mudam-se, às vezes, a contra-gosto, e não sei até quando continuaremos a ser a aldeia de Astérix. O bom-humor não chega e, definitivamente, não estamos sozinhos.

 

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publicado às 09:05

Sobre o secretismo do voto, e outras miudezas.

por naomedeemouvidos, em 06.10.19

"- Minha senhora, por favor, eu vejo mal; pode dizer-me onde é que está o partido fulano-de-tal?

- É o quarto…

- Obrigado."

 

Para que conste, isto não é propaganda política. Por vários motivos. O mais relevante de todos, só me lê gente que pensa pela própria cabeça. São poucos, mas bons. Os melhores.

 

Bom Domingo. Votem. Bem ou mal, mas votem.

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publicado às 12:18

Das condutas democratas. E democráticas.

por naomedeemouvidos, em 03.10.19

Mike Pompeo acusou os Democratas de manobras de intimidação, de bullying, e de tratar de forma imprópria profissionais distintos. Em causa, na causa do senhor secretário de Estado, estarão procedimentos desencadeados pelo Partido Democrata relativamente ao processo em curso da possível(?) destituição de Donald Trump, nomeadamente, a intimação interposta pelos Democratas a cinco funcionários do Departamento de Estado. Mike Pompeo indignou-se com o atrevimento e quis deixar claro que não irá tolerar tais tácticas

Eu percebo. Deve ser assaz perturbador, ultrajante, para alguém habituado a lidar com a elevada classe e a diplomacia irrepreensível do homem que ocupa, actualmente, o cargo de Presidente dos Estados Unidos da América, ver-se envolvido em tais artifícios malévolos, presumivelmente, indecentemente, atentatórios da honra e da dignidade de terceiros; de cinco que sejam.

Por solidariedade com tal demonstração de lealdade e dever de honra, fui rever as últimas intervenções desse estadista soberbo que tanto orgulho merece a Mike Pompeo. Aqui ficam para a posteridade, que é como quem diz, até ao próximo desabafo do senhor presidente (é possível que já tenha tido lugar no sítio habitual e eu nem reparei).

A propósito da denúncia do teor da chamada telefónica com o presidente da Ucrânia:

“Quero saber quem foi; quem foi a pessoa que passou a informação ao denunciante? Porque está bastante próximo de um espião. Sabem o que costumávamos fazer, nos velhos tempos, quando éramos espertos? Certo? Os espiões e a traição, costumávamos tratar disso de forma um pouco diferente do que fazemos agora.”

(“I want to know who’s the person, who’s the person who gave the whistleblower the information? Because that’s close to a spy. You know what we used to do in the old days when we were smart? Right? The spies and treason, we used to handle it a little differently than we do now.”)

Disciplinando um jornalista fake e corrupto, como o são, aliás, todos os que ousam perguntar a Trump o que Trump não quer ouvir, menos ainda, responder. Também há very fine people entre os jornalistas, claro, great reporters, mas, esses, em concreto, são os que dão a Trump o que Trump quer. Não era, decididamente, o caso:

“Está a falar comigo? Não me ouviu? Faça uma pergunta ao presidente da Finlândia! Está aqui o presidente da Finlândia, faça-lhe uma pergunta! Não me ouviu! Faça-lhe uma pergunta, a este senhor! Não seja indelicado!”. Mais ou menos isto, mas, fica aqui o original. Vale sempre a pena.

 

 

Magnífico. Deve ser magnífico trabalhar com alguém, para alguém, com tamanho sentido de Estado.

 

À laia de post scriptum, em honra (já que de honra se fala) dos mais distraídos que, pontualmente, tropeçam com estrondo neste blogue: eu não odeio Donald Trump, que a criatura não me merece tanto. Desprezo, frequentemente com esmerado zelo e algum nojo – mea culpa, vou ali esbofetear-me e já volto –, tudo o que Donald Trump representa. Acredito que a sua eleição, mesmo que democraticamente (eventualmente), abriu um caminho sombrio; um livre-trânsito perverso para que se soltassem, de novo, sem pudor nem receio, várias fúrias andrajosas, até aí adormecidas, ou, pelo menos, estancadas por normas de civilidade e cidadania que muito prezo. Ao contrário, há uma escalada de confronto demente e perigoso que Trump e o seu dedicado séquito atiçam com insaciável gula e calculada cobiça.

Em prol, porém, do presidente dos EUA, importa dizer que a criatura não está sozinha nas minhas preces. Também rezo – às vezes rosno – com ardor idêntico, pelo Messias Bolsonaro, e por outros anjos de bondade gêmea que por aí proliferam. Para que não mais possam voltar a ocupar cargos que não merecem. Nem democraticamente.

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publicado às 22:21

Diogo Freitas do Amaral.

por naomedeemouvidos, em 03.10.19

Ouvi a notícia ao início da tarde. Quase todos os meios de comunicação social, assim como a maioria das homenagens que têm sido prestadas por gente que conhecia Diogo Freitas do Amaral apontam, evidentemente, o desaparecimento do último dos fundadores do nosso regime democrático. Pela coincidência das datas, pelos desafios que a democracia continua a enfrentar, não queria deixar passar em branco esse registo, esse contributo.

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publicado às 19:30

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“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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