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Joker

por naomedeemouvidos, em 07.10.19

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Vou muito menos ao cinema do que noutros tempos. Embirro com as pipocas, e, durante muito tempo – o tempo que demora uma criança a tornar-se menos dependente de nós (ou nós dela, não sei bem) –, aconteceu-me como com os festivais: era mais o do Panda (por acaso, pouco, que o meu filho deve ser a única criança à face da Terra que nunca apreciou o género) e filmes para menores de seis ou por aí.

A maior parte das vezes, acabo a ver os filmes em casa, já depois da época, mas com imensa pena de não poder deixar-me envolver pela ilusão vibrante da sala de cinema. Pode ver-se e viver-se na mesma, mas, não é a mesma coisa.

Relativamente imune às sábias críticas dos inúmeros especialistas – nos filmes, como nos livros, quem manda sou eu: ou aquilo me devora, ou não presta para nada, independentemente do que me digam – tinha, apesar disso, imensa curiosidade em assistir ao "Joker", de Todd Phillips. No cinema. Li tanta coisa estapafúrdia sobre o filme, ainda antes de estrear – desde o inspirar discursos de ódio, a uma espécie de manifesto alt-right, com uma certa colagem ao neurótico universo dos auto-denominados Incel, homens heterossexuais celibatários involuntários, que se vêem como vítimas de uma sociedade dominada pelos "machos alfa" e miseravelmente desprezados pelas mulheres atraentes, passando pelo aparato policial na estreia do filme nos EUA - que me via irremediavelmente consumida. Se era para efeitos de publicidade, da minha parte, objectivo conseguido: fui ontem ver o filme.

Obviamente, não vou fazer qualquer crítica, nem saberia como, e estou, muitas vezes, em contra-corrente. Não gostei de “Assim Nasce uma Estrela”, nada, e não fui arrebatada pela onda de entusiasmo e memória em torno do "Bohemian Rhapsody", não vá alguém vir aqui ao engano.

O "Joker" é um filme, de facto, violento. A vários níveis, em vários sentidos da coisa (aliás, fiquei com bastantes dúvidas quanto à classificação etária, mas, devo ser eu, desactualizada). Mas, não é isso que aqui me traz: é a interpretação soberba de Joaquin Phoenix. Simplesmente magnífico! Se por nada mais, pelo privilégio de vê-lo na pele daquele Joker. Aliás, talvez o contrário seja um retrato mais genuíno, mais rigoroso. Há filmes de um homem só, de um actor só, de uma actriz só. Este é um desses.

publicado às 13:30

E agora, António Costa?

por naomedeemouvidos, em 07.10.19

O Parlamento Português renovou-se. Não sei se é a melhor notícia, mas é uma boa notícia. A pior foi a chegada, finalmente, de André Ventura às cadeiras do Hemiciclo. A uma, de momento; Ventura promete tornar o seu partido no maior de Portugal, em oito anos. Era difícil que Portugal se mantivesse imune ao fenómeno que ameaça toda a Europa, e André Ventura entusiasmou-se. Parece absurdo, mas o absurdo há muito que tomou conta (também) da política.

 

Na próxima legislatura serão 86 as mulheres no Parlamento, entre elas, Joacine Katar Moreira que já prometeu continuar a ser uma voz incómoda.

O aumento da representatividade no feminino é outra boa notícia. Não chega aos 40%, mas talvez chegue para fazer a diferença. Até porque não podemos continuar a perder tempo.

 

O Iniciativa Liberal chegou, viu e venceu. Mais ou menos. Na primeira vez em que se apresentou a eleições legislativas o partido conseguiu eleger um deputado. Prometem resistência, fazer diferente, defender a “liberdade individual e política”. Gosto do Carlos Guimarães Pinto. Veremos como se sai João Cotrim Figueiredo.

 

Assunção Cristas sai de cena. Deixa a liderança do CDS, depois do resultado desastroso do partido. Assumiu sempre, ou quase, o orgulho de ter participado num Governo de que os portugueses têm má – péssima! – memória e assinou o fim do seu ciclo. Resta saber se o partido resiste. Essa coisa a que chamam destino pode ser maquiavelicamente irónico.

 

Rui Rio talvez se aguente como líder do PSD. Quem diria. Até percebo a alegria exaltada de ontem. E há-de haver quem pense como teria sido, afinal, se o próprio partido não tivesse boicotado o seu próprio dirigente. O homem não é isento de pecados vários, mas, continua a fintar as sondagens. Prometeu não ser um empecilho ao desenvolvimento do país, colocar o interesse nacional à frente de interesses próprios e partidários, que é como quem diz – e o já o disse – se António Costa precisar de um parceiro para levar a cabo as tais reformas estruturais que tantos prometem, mas nunca cumprem verdadeiramente, Rio pode ser o tal.

 

Pedro Santana Lopes morreu há algum tempo e ainda não sabe. Se calhar, soube ontem.

 

António Costa quer continuar a geringonçar, desta feita, também com o PAN e com o LIVRE. Vai ser interessante ver Costa em acção, novamente, com o BE igual a si próprio e o PCP a rejeitar, para já, os acordos escritos de que, aparentemente, os eleitores comunistas não gostaram.

Os ventos agitam-se e os tempos mudam-se, às vezes, a contra-gosto, e não sei até quando continuaremos a ser a aldeia de Astérix. O bom-humor não chega e, definitivamente, não estamos sozinhos.

 

publicado às 09:05



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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