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Apesar de...

...até à derrota final?

por naomedeemouvidos, em 27.11.19

Tenho ouvido os argumentos de quem vota em não-democratas (travestidos de políticos sérios anti-regime) apesar de. Os brasileiros de quem gosto e com quem falo (o meu universo é algo limitado, pelo que, não são muitos e, claro, a amostra não é representativa; mas são “gente boa”, realmente, o que me preocupa ainda mais), votaram e/ou apoiam Bolsonaro apesar do que ele diz, porque estavam – estão – fartos da corrupção do PT, nomeadamente, do PT de Lula, e da violência bruta, gratuita, que manda nas ruas das principais cidades, onde a polícia está, ou a mando do poder dos gangues, ou impotente para impor a ordem necessária. A pergunta mais urgente entre quem tem filhos pequenos é como reagiríamos se os nossos filhos não pudessem andar na rua em segurança, se se fizessem transportar em carros blindados (os que podem) e, ainda assim, não sabermos se vão chegar a casa, ao fim do dia. Parece difícil argumentar contra isto. Recordo, apenas, que, nos EUA, foi esta uma das recentes campanhas de regresso às aulas, realizada por pais das vítimas dos tiroteios de 2012 na escola primária Sandy Hook. Mais um. Sem contar os que já ocorreram depois disso, mais os respectivos mortos. Mas parece que a economia americana tem crescido a bom ritmo. Ao mesmo ritmo a que passamos a tolerar o intolerável, a bem da prosperidade dos impolutos anti-sistema que hão-de salvar o mundo. O seu.

 

Adiante. Na outra ponta da defesa de Bolsonaro apesar das besteiras que ele diz está a sua aparente incapacidade para implementar as tais reformas que o país precisa. Eles não deixam. Eles são os membros do Senado, empenhados em boicotar todas as tentativas do capitão para tornar o Brasil um país livre dos pecados do PT. No limite e em desespero, é, por isso, preciso uma quase ditadura mais ou menos assumida, um chove-e-não-molha de imposições de força e passagens bíblicas, para levar os cidadãos brasileiros ao bom caminho. Reposta a ordem, resgatar-se-á a democracia, com ou sem Messias, dependendo do grau de conversão até lá.

 

Não pretendo saber o que é melhor para o Brasil. Seria igualmente arrogante e absurdo. Às vezes, nem sei bem o que é melhor para Portugal, que percebo eu dos dramas de viver naquele país, que visitei uma única vez, em férias, já lá vão mais de doze anos. E, apesar das discussões acesas, não sou a favor de Lula. Mas, sou contra, absolutamente contra, tudo o que representa gente como Jair Bolsonaro, Donald Trump, Viktor Orbán, e os outros todos da lista onde só não incluo, de momento, o nosso Ventura, porque não sei bem se o homem é tão perigoso como o pintam. Para ser vil, perigoso e constituir uma ameaça séria à Democracia, é preciso parecer isso tudo, e o André está mais próximo de uma espécie de experiência. Uma aventura. Eu sei…não teve graça.

Incluo, porém, nessa lista negra Santiago Abascal, o líder do Vox, para quem, aparentemente, a violência não tem género e, por isso mesmo, pela primeira vez em catorze anos, em Espanha, não houve unanimidade institucional para aprovar declarações de condenação contra a violência sobre as mulheres, por altura do 25 de Novembro. Podia ser só um pormenor – um mais – para não ser levado a sério. Afinal, esta gente só diz besteiras. Não querem fazer mal, só querem afrontar o poder instituído e acabar com as injustiças sociais. No processo, por vezes, excedem-se no verbo, sempre sem intenções infestas.

 

Creio que ninguém ignora que essas injustiças sociais existem. A nossa conivência – por actos ou omissões – com esse estado de coisas também é uma afronta à Democracia, um atentado contra a Liberdade que queremos defender com unhas e dentes, de preferência, sem levantar o rabo do sofá. É, obviamente, desse conluio confortável com os abusos de poder que se aproveitam estes estrategas da “desacreditação”, da negação do óbvio e da verdade dos factos que substituem por todas as alternativas necessárias para que a sua mensagem passe. Resta saber quanto tempo vai a nossa liberdade resistir à usurpação dos nossos ressentimentos em prol de uma guerra que já deixou de ter regras. Acredito que a manutenção da nossa democracia (também) depende disso.

publicado às 11:48

Problemas para além da comunicação.

por naomedeemouvidos, em 25.11.19

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A política é, afinal, amor. E arrufos. Parece que não temos mais. Futebol. Eventualmente, temos futebol. Não sou votante do LIVRE. Nem sequer simpatizante. Gosto de ler as crónicas do Rui Tavares, no PÚBLICO, o que não significa que concordo ou gosto sempre daquilo que escreve (hoje, gostei muito pouco), mas nada disso me impediu de simpatizar com a coragem de Joacine Katar Moreira, ou de me solidarizar com a sua pessoa, nomeadamente no que diz respeito aos ataques pessoais de que foi alvo. Quando alguém se revela absolutamente imprestável para a tarefa a que se propõe, deve ser bastante fácil para outro alguém medianamente inteligente apontar-lhe as falhas, sem necessidade de recorrer ao insulto pessoal. Exige maior esforço, mas eleva o debate acima da conversa de sarjeta. E precisamos disso, cada vez mais.

 

Não me lembro bem quando “conheci” a actual, única, deputada do LIVRE, mas, recordo duas frases que proferiu no programa de entretenimento do Ricardo Araújo Pereira, antes das últimas eleições. Joacine disse que gaguejava quando falava, mas, que muitos havia que gaguejavam a pensar; disse, também, que não esperassem que, confrontada a vida toda com a circunstância de ser mulher negra, escondesse a evidência (eventualmente, a vantagem - estava implícito, num tempo de exaltação das chamadas minorias) desse facto. Cito mais ou menos de memória, pelo que, as palavras não serão exactas, mas, o essencial era isto. Não me era difícil entender a mensagem que Joacine queria passar, como não me era difícil simpatizar com a sua força de vontade e, já o disse, coragem. Quando Joacine foi, finalmente, eleita, tive algum receio que não estivéssemos à altura de lhe prestar o devido respeito. Não pelo seu facto de ser mulher, negra, guineense e gaga, mas, por juntar tudo isso à importância de chegar a exercer um cargo na Assembleia da República, com a responsabilidade que esse cargo representa. Já tivemos os corninhos de Manuel Pinho e o manso é a tua tia, pá dessa figura nacional que é José Sócrates, de modo que, nunca há receios demasiados absurdos.

 

Não sei se esta crise(?) do LIVRE merece a importância que lhes estamos a dar. Mas, o meu apreço pela coragem da Joacine foi algo defraudado. Como assim, foi eleita sozinha? Como assim, o partido nunca a apoiou? Como assim, votou contra ela própria?

Há algo muito pouco claro no meio disto tudo, e não parece ser bem uma questão de falta de comunicação.

Achei que Joacine Katar Moreira se movia por algo mais do que ambição política pessoal. Ainda não tenho bem a certeza se me enganei ou não. Mas, tão grave como insultá-la pela sua condição de mulher negra, guineense e gaga, é insultá-la fingindo que, por causa disso, não é criticável na sua conduta política. A Democracia, moribunda, precisa de mais.

 

Num mundo cada vez mais global, onde estamos todos “ligados”, permanentemente “ligados” (às vezes, para lá do aceitável), falar de dificuldades em trocar sms, e-mails, chamadas telefónicas, etc e mais um par de botas – de cano alto, a meia-perna, de salto alto ou ao estilo sabrina – entre uma deputada – a única deputada – e a direcção do seu (ainda?) partido é uma desculpa bastante amadora, para ambas as partes. Para circo, já temos que chegue.

publicado às 15:30

Mulheres do Mundo.

por naomedeemouvidos, em 25.11.19

Marie Curie.PNG

Imagem aqui

 

50 Mulheres que mudaram o mundo.

publicado às 14:00

"O Mundo das Mulheres".

por naomedeemouvidos, em 25.11.19

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"O Mundo das Mulheres"

publicado às 12:30

Madeleine Albright disse, um dia, que “há um lugar especial no Inferno para mulheres que não ajudam outras mulheres”. Na altura, referia-se à selva que podia imperar no local de trabalho, onde, para sobreviver num mundo de homens, as mulheres estabeleciam entre si mais laços de rivalidade do que de entreajuda. Não falava propriamente da violência bruta, predominantemente física, de alguns homens sobre algumas - demasiadas - mulheres. Ainda assim, desejo que haja, também, um lugar especial para esses homens (nunca são realmente homens) que fazem das mulheres o seu saco de pancada, onde descarregam todas as suas frustrações e traumas, porque só os velhacos mais repugnantemente cobardes podem sentir qualquer espécie de poder ou prazer na subjugação física e psicológica de outro alguém sobre quem se sentem superiores. Não é amor. Nunca é amor. É sempre abuso, raiva, ódio e, demasiadas vezes, sensação de impunidade.

 

Os números continuam a ser obscenos: no mundo, uma em cada três mulheres sofre violência sexual ou física. Cerca de 38% das mulheres assassinadas são-no às mãos dos maridos ou namorados. Em Portugal, só este ano, morreram trinta e duas pessoas em contexto de violência doméstica; vinte e três eram mulheres. Umas foram baleadas, outras espancadas, esfaqueadas, estranguladas. Por ciúme ou por amor. Esse amor egoísta e corrompido que serve apenas e sempre o mesmo monstro e que nada tem, nada!, desse sentimento avassalador que, no limite, leva alguém a dar a vida pelo outro, não a tirá-la da forma mais selvagem. Como a menina de dois anos asfixiada pelo próprio pai. Ou os oito homens igualmente vítimas destes carrascos poderosos, no que o poder tem de mais asqueroso e fanfarrão.

Não gosto particularmente de “dias de”. Que bom que pudéssemos eliminar este de vez.

 

publicado às 10:14

Sobre tecnologias.

Uma espécie de continuação do post anterior.

por naomedeemouvidos, em 21.11.19

“Agora há uns assim, livres-pensadores educados abruptamente no espírito da descrença, do negativismo e do materialismo. Antigamente (…), o livre-pensador era por vezes uma pessoa educada a princípio nos conceitos da religião, da lei, da moral, só depois chegando sozinha ao livre-pensamento, pela luta e pelo trabalho; mas agora surgiu um novo tipo de livres-pensadores ingénitos que crescem sem ouvirem sequer que existem leis da moral, da religião, que havia autoridades. Crescem espontaneamente com os conceitos da negação universal impregnados neles, ou seja, selvagens”.

 

Costumo usar as férias grandes para satisfazer vícios de leitora compulsiva. Leio ou releio com avidez, com a plena entrega que não alcanço tão frequentemente fora dessa época, porque sou incapaz de ler de qualquer maneira. Não leio na cama, não leio para descontrair – pelo contrário, preciso de estar no pleno uso dos meus sentidos, alerta como um vigilante – e sou incapaz de ler naqueles dez ou quinze minutos perdidos numa pausa entre labores; eventualmente, uma ou outra notícia de jornal, mas só. Caprichos. Como não beber vinho num copo sem pé, nem tomar café num copo de plástico. Mas isto não interessa nada. Interessa é que, contrariamente ao costume, estamos a caminho do final de Novembro e ainda me sobrou um livro de férias. Em minha defesa, este Verão, abusei de feiras do livro, de promoções e descontos, e decidi não deixar para outro ano o que andava há muito para ler e não li. Cumpro, por isso, a minha penitência antes dos livros de Outono-Inverno.

 

O excerto que transcrevi lá em cima é, claro, do livro de Lev Tolstói, Anna Karénina, escrito entre 1872 e 1877. “Todas as famílias felizes são parecidas” e, aparentemente, não só elas. Há resmungos, não só parecidos, como intemporais. Com as devidas adaptações, vamos ouvindo discursos quase idênticos ao longo dos tempos, uma espécie de ode ao pessimismo da gente mais conservadora e avessa ao progresso. Nos nossos dias, podemos transpô-lo para as críticas mais ferozes em relação à vertiginosa e omnipresente evolução tecnológica; em particular, na relação entre a verdade e a mentira, entre a liberdade de expressão e a faculdade de construir e espalhar boatos, falsidades aburdas, com intencional dolo, faculdade essa ao alcance de qualquer sonso, sem qualquer escrutínio, minando qualquer tentativa de debate, porque a pressa já não é só inimiga da perfeição: tornou-se, paradoxalmente, num empecilho útil à proliferação de todas as demagogias, dos chiliques instantâneos com as misérias alheias, ao ataque cerrado e cirúrgico às regras do jogo democrático.

 

A liberdade de expressão tem servido de respaldo a todos os perseguidos por livre-pensarem a sociedade que lhes apetece, a gente que lhes apetece, o mundo que lhes apetece, independentemente de qualquer razão, excepto a sua própria, inquestionável, inviolável, à prova de qualquer discussão, porque, obviamente, não é esse o objectivo. Mas, quando o chorrilho de vontades alternativas por medida ou encomenda atinge o despudor criminoso de incitar à morte, à violação, à perseguição de outro ser humano, sobra pouca tolerância para a liberdade dessa expressão.

 

De entre os que se insurgem contra tais revolucionários de pacotilha -  nem por isso menos perigosos - erguidos sobre os escombros de todos os nossos descontentamentos e ressentimentos, há que os que consideram que, ainda assim, a solução não passa pela censura dos conteúdos partilhados como pólvora. Associam a censura, de qualquer tipo, a um calamitoso acto de condicionamento da nossa expressão máxima de liberdade, receando que, a reboque e a coberto desses limitações apocalípticas, acabemos, afinal, quase todos amordaçados. Não digo que seja infundado receio. Não tenho uma opinião definitiva sobre o assunto. Sabemos o resultado de tentar calar vozes incómodas. Mas, já não é bem disso que se trata, pois não? 

 

publicado às 16:14

Expectativas.

Pensamento do meu dia.

por naomedeemouvidos, em 20.11.19

O facto de não nos comportarmos como a maioria, ou de não reagirmos à mesma coisa como os outros o fazem e, (também) por isso, o esperam, é capaz de não fazer de nós ou das nossas implacáveis omissões algo que valha a pena catalogar. Por nenhuma das partes. Não devemos satisfações dos nossos actos a tanta gente, se é que a alguém mais que a nós próprios. E haveria menos choro e ranger de dentes.

publicado às 14:00

Ainda sobre os direitos das crianças

porque há números que nos envergonham.

por naomedeemouvidos, em 20.11.19

Para ler, pensar, ponderar, discutir e, sobretudo, procurar soluções. Eventualmente, participar nas soluções.

 

https://www.publico.pt/2019/10/30/sociedade/noticia/mil-criancas-ficaram-orfas-causa-violencia-domestica-mostram-dados-mai-1891785

https://www.dn.pt/pais/crimes-sexuais-contra-criancas-na-internet-aumentaram-40-entre-janeiro-e-outubro--11527299.html

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/ministerio-publico-quer-que-as-criancas-expostas-a-violencia-domestica-sejam-ouvidas-em-tribunal

https://sarin-nemlixivianemlimonada.blogs.sapo.pt/pelo-direito-a-defesa-da-134507

 

E, obviamente, não se esgota aqui.

publicado às 11:46

Dia Internacional dos Direitos da Criança.

por naomedeemouvidos, em 20.11.19

De todos os Estados-membros das Nações Unidas, os EUA são o único país que ainda não ratificou a Convenção dos Direitos da Criança, depois da Somália e o Sudão do Sul o terem feito em 2015.

Entre as determinações salvaguardadas pela Convenção está o respeito pelo “direito da criança, separada de um ou de ambos os pais, de manter regularmente relações pessoais e contactos directos com ambos, salvo se tal se mostrar contrário ao seu interesse superior”. 

Ontem, recordei a inacreditável história do bebé que, com apenas 4 meses, foi separado do pai nada mais entrarem nos EUA, não por assalto, trepando muros ou fugindo do controlo aduaneiro, mas, por vias legais, com base num pedido de asilo. O pai permaneceu preso durante 4 meses, em solo americano, regressou à Roménia sem o filho que tinha sido, entretanto, entregue a uma família de acolhimento americana. Quando, finalmente, o bebé regressou para junto dos pais, com 9 meses, 5 meses depois do início do pesadelo, não é difícil imaginar a violência do drama: o bebé não reconhecia os pais, pedia o colo da “mãe” de acolhimento, e cada um chorava as suas mágoas em circunstância que nem me atrevo a imaginar, se é que há imaginação ao alcance daquela realidade demente.

É verdade que não é sobre o actual presidente dos EUA que cai a responsabilidade da não ratificação da Convenção dos Direitos da Criança. Essa responsabilidade é, primeiramente, dos seus antecessores no cargo, nomeadamente, George W. Bush e Barack Obama. Os opositores ao tratado falam de usurpação da soberania americana; receio da emergência de possíveis acções judiciais desencadeadas pelo não cumprimento dos direitos sociais e económicos; grupos de pais que se insurgem contra o que vêem como uma ameaça à sua autoridade no que toca à educação dos filhos, nomeadamente, no que diz respeito à educação sexual e religiosa. No entanto, nunca, como agora, se tinha assistido à separação impiedosa, bárbara, de pais e filhos como uma forma tortuosa e torturante de castigar os que se atrevem a sonhar com o paraíso americano, sendo certo que não são novas as denúncias sobre as condições desumanas (no mínimo) em que estão encarcerados milhares de jovens nos EUA.

Obviamente, os EUA têm a braços um problema gigantesco, de difícil resolução, no que diz respeito à imigração ilegal. Não se pode fingir que é ilegítimo ou imoral querer regulá-la. Mas é imoral, obsceno, abjecto, mais do que desumano usar a ameaça do drama da separação de uma criança - bebés, às vezes - dos seus pais como medida intimidatória para reprimir a imigração ilegal. No caso do pai daquele bebé que recordei ontem (e hoje também), não era o caso sequer: Vasile entrou nos EUA por um ponto de entrada legal para pedido de asilo e, embora - segundo a reportagem do The New York Times - tivesse antecedentes criminais por fraude, inclusive, envolvendo roubo, não pode valer tudo em nome de uma política de tolerância zero. Para afirmar, sem remorsos, "se trouxer uma criança às escondidas, processá-lo-emos, e essa criança poderá ser separada de si, tal como a lei exige".

Donald Trump foi obrigado a assinar uma ordem executiva que impede a separação das famílias, um juiz federal considerou as separações inconstitucionais e ordenou a célere reunião das famílias separadas. Mas, não há ordem executiva que sare o trauma que tantas crianças sofrem às mãos de déspotas.

publicado às 08:51

Portugal e o futebol.

por naomedeemouvidos, em 18.11.19

Uma amiga brasileira disse-me estar espantada com número de horas que as televisões portuguesas dedicam ao futebol, o que me espantou a mim. Não porque eu não partilhe da sua opinião, partilho e acho quase um escândalo, mas porque nunca imaginei que tal espantasse quem vem de um país onde o futebol é rei. Se dedicamos mais horas ao futebol do que o Brasil, no que diz respeito à programação televisiva, o circo ainda é pior do que eu pensava.

Não tenho nada contra quem gosta de futebol. O meu pai adora e, eu e a minha irmã, íamos muitas vezes ao estádio das Antas, quando o futebol ainda era futebol. Agora, não sei bem o que é e interessa-me pouco, na verdade, excepto, quando o futebol toma o país de assalto e nos torna reféns do tal circo que volta a iniciar-se hoje.

publicado às 11:25

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“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

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