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Sobre tecnologias...

...e os novos velhos do Restelo.

por naomedeemouvidos, em 16.11.19

 

 

Ando um pouco curta de opiniões publicadas. Não porque me escasseiem os achismos diários. Tenho-os em catadupa, muitas vezes, ansiosa e tresloucadamente, como os restantes mortais. Simplesmente, tem-me faltado tempo, paciência e engenho para apanhar os cacos com que se faz o alarido mediático e imediato de todos os novos dias e convertê-los em coisas escritas que façam algum sentido. Pelo menos, para mim. Antes de mais, para mim. Agradeço a todos os que perdem algum do seu tempo a ler o que escrevinho, mas, receio sempre que me levem demasiado a sério. Escrevo, essencialmente, porque me apetece. Foi para isso que criei este blogue, e não para educar, informar, influenciar, ou qualquer outra coisa igualmente séria. Eu sei que se percebe, mas, pelo que tenho visto e ouvido, nunca é demais recordá-lo.

 

Ainda assim (ou, por isso mesmo), se, por vezes, posso partilhar algo que encontra eco desse lado, seja qual for o tema (ou, se calhar, não), goste-se ou não, concorde-se ou não, não quero deixar de o fazer. Ainda não. E, como, recorrentemente, se fala da maldição das tecnologias, do seu uso e abuso, da forma como nos deixamos influenciar e manipular, por mais atentos e informados, e de como o problema não está exactamente na (ben)dita tecnologia e na sua estrondosa capacidade de abrir caminhos, não só desconhecidos, mas, de outra forma interditos a uma fatia considerável da população, hei-de vir aqui falar da nova série documental baseada em algumas reportagens do jornal norte-americano The New York Times que o canal Odisseia estreou na passada terça-feira. Já vi o primeiro episódio, “A Toca do Coelho”. 

publicado às 12:36

Política, Amor e Beijos.

por naomedeemouvidos, em 14.11.19

 

"Por mim, preferia que políticos e comunicação social se focassem na discussão sobre os problemas do país e a melhor estratégia para os enfrentar, e deixassem de lado assuntos de tabacaria, carpintaria, alfaiataria, estágios e sobrenomes. Bem sei que a política sem picardia é coisa sem a paixão necessária para o efeito; como aqueles beijos técnicos dos romances de Hollywood: parece que é, mas não é bem. Mas, a Assembleia da República devia servir para avaliar quem tem os melhores projectos ou a melhor retórica?"

 

Este pequenino texto fazia parte de um rabisco que deixei na gaveta por altura do segundo dia de debate no Parlamento aquando da discussão do programa de Governo. Parecia-me ter tanto para dizer sobre o assunto, na altura, quando, de repente, houve uma data de gente que se deu conta de que, afinal, a Joacine gagueja com incontornável e incontrolável zelo, como se tivessem acordado naquela altura (João Miguel Tavares chegou, inclusive, a dizer que, no programa de Ricardo Araújo Pereira, tal facto não teria sido assim tão evidente, e fiquei na dúvida se teríamos visto o mesmo), amuei e deixei as ideias e o texto em suspenso.

Com tanta coisa a acontecer, e eu sem tempo para (me) perder, numa pausa mais curta do que aquilo que mereço, esbarrei no dito rabisco e reparei, com alguma graça (ou não), que, também a mim, a política, por algum motivo, já me tinha levado ao lado (pouco) romântico da coisa...enfim, ainda agora comecei e já estou a precisar de férias.

publicado às 11:45

Silêncios ensurdecedores.

Nem sempre pelos mesmos motivos.

por naomedeemouvidos, em 13.11.19

ft.PNG

Mazar-i-Sharif, Afeganistão, 1991, Steve McCurry.

Para ouvir mais.

publicado às 10:42

Nem bons ventos, nem bons casamentos...

...e, que tal, sinais de alarme?

por naomedeemouvidos, em 11.11.19

abascal.PNGSantiago Abascal. ÁLVARO GARCÍA VÍDEO: EPV

Falo de Espanha, obviamente. Concretamente, da subida – esperada, desejada, temida, meteórica, há adjectivos para todos os estados de desassossego – do Vox de Santiago Abascal, que passa a terceira força política do novo “Congreso de los Diputados”, quando, há um ano tinha zero escaños. É obra.

Lembrei-me do nosso André Ventura. Há um mês, prometeu tornar, em oito anos, o seu partido no maior de Portugal, e, de repente, pareceu-me mais absurdo naquela altura. É verdade que Ventura não é Abascal. Não tem a mesma pinta, nem a mesma opulência de discurso, é certo; possivelmente porque ainda vive atormentado entre as coisas da ciência, que lhe sustentam a tese académica, e as coisas da opinião,que lhe garantiram e amparam, por fim, um lugar no Parlamento. Mas, Portugal também não é Espanha. Não temos ímpetos independentistas que mereçam tributos e tribunas, oposições pungentes e compromissos políticos. Mas temos quase tudo o resto que faz falta para elevar ao próximo patamar o populismo de que se alimentam todas as desilusões exacerbadas pelos oportunistas. Aliás, o rol é tão amplo, tão dispare, que serve todos os desígnios. Se não tivermos mais, temos a corrupção mais ou menos instalada, entre um mal menor generalizado e pacificamente aceite e o mais descarado conto do vigário de que Sócrates é o exímio narrador participante, personagem principal, secundário e quase (crê) omnisciente, tudo em um inigualável logro que pretende impingir-nos à força e à bruta, passando por todos os outros artistas, da política à banca.  

Abascal disse que o Vox conseguiu abrir todos os debates proibidos. Se calhar, conseguiu mais do que isso. Y ahora qué?

publicado às 13:44

Portugal numa conta de Instagram.

por naomedeemouvidos, em 07.11.19

Acontece-me frequentemente. Os mais incautos – impressionados pelo aparato da minha máquina fotográfica, mais as objectivas que mudo mais a torto do que a eito, mais os sacos, mais as bolsinhas para os cartões, mais os velhinhos rolos em que, por vezes, ainda me atrevo, e sabe-se lá mais o quê, que é como quem diz, tudo e mais algumas das coisas com que finjo que sou uma fotógrafa de mão cheia – lá se decidem, dizia, a pedir-me que lhes faça a fotografia da praxe, sem desconfiarem que, não raramente, quase nem sei mexer noutra máquina que não a minha. Quando não consigo esquivar-me, pois com certeza, lá tiro a bendita, o melhor que posso; mas, sempre que posso mais do que isso, passo a tarefa ao meu marido.

Não gosto de tirar fotografias por cortesia. Não por falta dela, mas porque, na maioria das vezes, não vejo o mesmo que os outros vêem. Nem sequer vejo o mesmo em dois momentos diferentes embasbacada ante o mesmíssimo cenário, e isso aflige-me quando a fotografia há-de pertencer a outros. Talvez por isso também, raramente me fotografo e raramente me fotografam (que eu me dê conta, pelo menos). Os instantes urgentes que preciso de resgatar são, essencialmente, paisagens, cenários, sejam eles a volúpia omnipresente da Natureza – na sua magnificente beleza ou avassaladora desgraça –, a fachada de um prédio, os detalhes de um museu ou de uma igreja, o leito prateado de um  rio, ou a exuberância do céu, azul de luz quieta ou estrelado, que se ergue sobre mim. Raramente, muito raramente, edito as minhas fotografias e, quando o faço, é, quase sempre para aligeirar um ângulo que, no momento do disparo, salvo-seja, não pôde ser corrigido. Não altero cores, nem definição, nem sabe-se lá mais o tanto que se pode fazer, aparentemente, com o mínimo de competência em Photoshop e outras aplicações do género, e não disponho de nenhuma das coisas. Preciso que o meu registo seja o mais fiel possível ao que vejo. Ao que vi. Sem adulteração dos meus sentidos.

 

Vem isto a propósito de várias notícias que tenho lido sobre guerras de Instagram. Fotografias magníficas que não passam, afinal, de fraudes embelezadas, conspurcadas, por uma necessidade estapafúrdia de fingir uma beleza perfeita e inquinada que não existe para além daquela indigente mentira, a troco de mais uma ronda de seguidores, laiques e chiliques em delírios assolapados e, nalguns casos, dinheiro em caixa, em conta, nas contas que engordam à conta das coisas que não deveriam contar para nada e contam para quase tudo. Como a camisola de 700 euros PaddyCosgrave-like que esgotou como pão para famintos, ou os bilhetes a 1500 euros cujo exemplo o advogado de Julian Assange usou para esbofetear o brilho tosco da feira anfitriã mais a sua ampla plebeia. Ou plateia, ou lá o que é. Era. E tudo isto, por sua vez, vem a propósito da outra coisa que aqui me traz.

A Web Summit está para Portugal como o pedaço de vidro sob o iphone está para o lago no Templo Lempuyang: não existe. São dois truques. Não direi baratos porque, pelo menos, num caso, não é o caso, de todo. Como os influencers fingem o espelho de água junto aos Portões do Céu em Bali, o ávido deleite do pequeno-almoço que ninguém prova ou a exuberância do céu repleto de balões na Cappadocia, a nossa pequena República finge-se sofisticada, próspera, eventualmente, tecnológica. Serve apenas aquela janela minúscula de oportunidade com que muitos sonham e outros fingem (e os restantes, dizem, invejam com indisfarçável desdém). Quando desviamos os olhos, quando afastamos a câmara, quando a feira acaba, a pobreza descarada continua. Nos milhares de pobres que ainda temos, nos hospitais  obrigados a encerrar por turnos, nos números vergonhosos das mortes por violência doméstica, nos bebés abandonados em caixotes do lixo. De desventura em desventura, escondida e, no entanto, ali mesmo à vista, cultivada e consentida, até ao limite da indignidade.

publicado às 18:47

Yvette Lundy

por naomedeemouvidos, em 04.11.19

Yvette Lundy.PNG

(The Guardian;  Yvette Lundy was made a grand officer of the Légion d’honneur in 2017. Photograph: François Nascimbeni/AFP/Getty Images)

 

Tenho um profundo respeito, mais do que respeito, mais do que admiração, por quem é capaz de arriscar a vida a favor da dignidade e da sobrevivência de outra vida humana, sem olhar a meios, assumindo-se “apenas” contra o intolerável com imensa coragem, altruísmo e um amor ao próximo genuinamente abnegado e completo; talvez, a única forma de amor capaz de nos salvar.

 

publicado às 16:07



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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