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Verdade sem consequência.

por naomedeemouvidos, em 12.10.18

            “Torne a mentira grande, simplifique-a, continue a repeti-la e, eventualmente, todos acreditarão nela.”

          Assim construiu Adolf Hitler uma demente ideologia para tornar a Alemanha grande outra vez; assim se começa, hoje, a fazer política para ser levada a sério, quase oitenta anos depois do sanguinário e tresloucado genocídio de (maioritariamente) judeus sob o regime nazi.

          Podia ser exagero, estabelecer comparações radicais entre a Alemanha de Hitler e a América de Trump, ou o Brasil que há-de ser de Bolsonaro; ou a Hungria de Viktor Orbán; ou a Venezuela de Maduro; ou os apelos nacionalistas de Le Pen e Salvini, o Brexit do Reino Unido, a subida da extrema direita na Suécia e na Europa, em geral. Podia ser exagero, não fosse dar-se o caso de – cada vez mais – a verdade ser descartável. Já ninguém se interessa pela verdade, até porque a verdade muda ao sabor do momento e o momento tornou-se instantâneo, fugaz como a chama de um fósforo, exuberante e fogosa, a princípio, para depressa definhar, enegrecida e em agonia. A verdade passou a medir-se pela ousadia do insulto fácil e popular; pela capacidade de vitimização dos tiranos, pela dimensão da fama e poder dos abusadores, pela falta de recato das vítimas, pelo oportunismo de ambos, pela assertividade e elegância da retórica cheia de nada, mas que enche almas desesperadas e exalta multidões cegas e esvaziadas de qualquer capacidade de pensar e reflectir.

            Nos dias de hoje, a política do pão e circo já não precisa da imponência do Coliseu, do desassombro e da perícia dos gladiadores ou do confronto violento entre animais selvagens. Basta um “estadista” imberbe com o despudor suficiente para ridicularizar o outro, seja uma pessoa com deficiência, um militar morto em combate, um apresentador de televisão ou uma mulher abusada. O povo aplaude, goza e rejubila. Já não faz falta debater ideias. Chamar um opositor político de “marmita de corrupto preso” faz mais pelo divertimento das massas do que discutir problemas reais, discordar e tentar encontrar soluções. A urgência dos tempos e das modas choca de frente e violentamente com a lentidão do apuramento da verdade, porque, essa, demora, não é efémera. E a negação da verdade mutila a justiça, que, se já não era completamente cega, foi impiedosamente esmagada pelas circunstâncias do acusado e do acusador, independentemente do crime. As provas deixaram de ser necessárias, foram substituídas por autos de fé. Há quem minta descaradamente no conforto da não existência de qualquer “prova”, mesmo que a história que conta seja absurda e há quem esteja absolutamente certo, quer da inocência, quer da culpabilidade de alguém apenas pela conjuntura do momento, pelo que fez ou deixou de fazer, pelos méritos ou deméritos alcançados até à data. Amar ou odiar, sem apelo nem agravo ou espaço para indagar.

publicado às 12:10

Sai um idiota fresquinho, se faz favor!

por naomedeemouvidos, em 20.07.18

Não sei se me ria se chore:pesquisa-idiot-e-aparece-trump

Abomino tudo aquilo e mais alguma coisa que Donald Trump representa, mas isto é assustador. Será que podemos e devemos lutar com as mesmas armas que repudiamos?

 

publicado às 12:42

A bondade não enche jornais.

por naomedeemouvidos, em 23.08.17

A maior parte das vezes, assistir ao telejornal ou ler a imprensa escrita é um exercício deprimente. Entre incêndios vorazes e, muitas vezes, criminosos que ceifam vida em todas as suas formas, sangrentos ataques terroristas que, além de ceifarem mais vidas, estimulam mais reacções vingativas e perversas, e essa admirável administração Trump que promete salvar a America First (eu diria a America Only) nem que para isso “paralise” o governo federal e seque os cofres dos serviços secretos, ler ou ouvir notícias, dizia eu, não é para qualquer um.

No entanto, no meio do caos e da loucura, a bondade dos homens também faz das suas. Infelizmente, não vende tanto como a violência gratuita e, portanto, a comunicação social não lhe dá o devido destaque nem a mesma atenção.

Vem isto a propósito de duas notícias (ou, mais exactamente, duas breves passagens…) que eu já tinha lido e que a Laurinda Alves destacou na sua crónica de ontem, no Observador.

Fernando Álvarez, nadador espanhol em competição numa prova que se realizava em Budapeste, permaneceu sozinho, em silêncio, durante um minuto, em homenagem às vítimas dos atentados de Barcelona. Cumpriu a homenagem sozinho, mandando a competição às urtigas, depois da recusa da organização do Mundial de Masters de Budapeste em “perder” mais um minuto que fosse e, digo eu, no que quer que fosse!

Harry Athwal, turista britânico de origem indiana, permaneceu (também ele) sozinho, de joelhos no chão de Las Ramblas, velando um menino (da idade do seu próprio filho) que tinha sido colhido pela demanda, cega, demente e assassina, de Younes Abouyaaqoub. Apesar das ordens da polícia para abandonar o local e do medo que sentia, com certeza!, recusou perder a humanidade e recusou-se a abandonar o menino em agonia: "He looked like my son, I didn't want to leave him". O menino acabaria por morrer, mas Harry não consentiu que morresse sozinho!

Por que não se dá o mesmo destaque a este tipo de notícias? O Homem é, na sua essência, mais perverso e mau do que bom e, portanto, há menos casos de bondade para documentar ou, simplesmente, a maldade vende mais, fascina mais, logo, rende mais?

A minha singela homenagem a estes dois homens, porque representam, de facto, senão a única, seguramente a arma mais eficaz de combater o terrorismo, qualquer que seja a sua forma.

publicado às 10:55



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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