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A idade dos porquês.

por naomedeemouvidos, em 15.04.19

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“Porque é que países do Leste Europeu estão a ultrapassar Portugal em termos de desenvolvimento? Porque é que Portugal está a crescer menos do que a Espanha, do que Chipre e do que a Irlanda? Porque é que as previsões de crescimento da Grécia são superiores a Portugal?”

 

As interrogações carregadas e com um ligeiro toque de escândalo são de Cavaco Silva, em entrevista à Rádio Renanscença.

Pasmo sempre com a capacidade de indignação mais ou menos (in)contida dos políticos reformados. Ou de alguns, pelo menos. Daqueles que, depois de largarem os cargos onde raramente fazem o que podem pelo país sem esmorecer jamais na demanda de fazer mesmo o que não podem pelos seus, vêm insurgir-se contra todos os pecados de onde beberam e que os próprios ajudaram a construir e a perpetuar…A idade dos porquês abespinhados tem, para aqueles, dois momentos: ou quando estão na oposição, ou quando se reformam. A previdência e a omnisciência falha-lhes sempre que estão em posição de fazer a diferença. 

 

É verdade que o serviço público não se esgota nos cargos. E que a obrigação de criticar, de apontar o que se julga errado e de contribuir para a discussão pública não se esvazia, nem deve, no exercício do poder. O que é lamentável, miseravelmente, é o rasto que esta gente, entretanto, vai largando, sem sentir vergonha das consequências. É nesse sentido que temos tendência a considerar - às vezes, injustamente - que "são todos iguais". Mas, a verdade, é que já nem parece haver uns mais iguais do que outros.

publicado às 15:22



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

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