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Casario.

por naomedeemouvidos, em 16.06.19

Não é nada como a outra ilha vistosa e chique que todos os guias de viagem recomendam, apesar de as duas não estarem assim tão afastadas; geograficamente falando, claro. Na realidade, são três as que enfeitam o conhecido Golfo. Mas, desta, diz-se que é um segredo bem guardado. E colorido. Colorido e quente, como a soberba palete de um apaixonado artista, onde a miscelânea atrevida de cores começa a ganhar forma, de mansinho, à medida que os barcos se aproximam do pequeno cais. Já, antes, tinha sido bastante complicado encontrar o porto de onde partem muitos desses barcos, que aguardam, sobretudo, os habitantes locais, por entre a estafa animada da azáfama rotineira. Os turistas, esses costumam rumar a outros destinos mais populares, à ilha exuberante e caprichosa, delicada mas não tanto sob o sol de Agosto, prenhe de viajantes ansiosos, sequiosos, irrequietos na busca estéril e apressada de souvenirs.

Esta, não. Esta é lenta como uma memória antiga, forjada na alma do poeta e da sua amada de tranças negras como a areia vulcânica da praia graciosa, onde o sol se põe mais cedo tingindo de verde esmeralda as águas calmas e cristalinas.

As vielas estreitas erguem-se, magníficas, assomando à varanda primorosa, arrojada, de respiração suspensa sobre o belo casario, tão belo como o da minha infância, namoriscando o mar imenso que, ora vem, ora vai, embalando suavemente as pequenas embarcações, agora mesmo, ociosas e benevolentes.

Por ali se perderam, por ali se encontraram, primeiro, o carteiro e outro poeta, depois, o jogador de raros talentos, impostor e endiabrado, uns e outros seduzidos pela beleza calma e ensolarada da ilha da jovem Graziella, a filha do pescador por quem se encantou, perdidamente, um também jovem escritor francês.

 

Vale a pena conhecê-la.

 

Procida_.PNG

 

 

publicado às 17:42


7 comentários

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De naomedeemouvidos a 17.06.2019 às 00:43

A ilha de Procida foi palco de algumas cenas do filme "O carteiro de Pablo Neruda" :)

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“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

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