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Bem ou mal, tudo o que aqui está escrito é da autoria de naomedeemouvidos, salvo citações e/ou transcrições devidamente assinaladas, embora, alguns textos "EntreLetras" se baseiem em lendas ou histórias conhecidas.
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A luta pela independência da Catalunha já fez correr muita tinta, e não vai ficar por aqui.
Não se pode ficar indiferente à sentença proferida pelo Supremo Tribunal Espanhol que condenou a penas de prisão políticos catalães, na sequência do processo iniciado pela convocação e realização do fatídico referendo em Outubro de 2017. O referendo foi considerado ilegal, decorreu de forma caótica, num clima de crispação e afronta irracional e com consequências dramáticas e ainda não acabadas de contabilizar. Na altura, Carles Puigdemon estendeu a armadilha a um impreparado Mariano Rajoy, “atirando” velhos e crianças para a frente de batalha, com plena consciência de que, se algo corresse inesperadamente mal, seria bom para atiçar os ânimos ainda mais. No meio da confusão, com muitas dúvidas em relação à fiabilidade dos resultados, o sim à independência ganhou com 90% dos votos, num contraste aflitivo com as manifestações que se seguiram: naquela altura, a Catalunha parecia bastante dividida na vontade de ser independente, em Maio deste ano, 48,6% dos catalães rejeitava a independência da Catalunha frente a "Espanha", e, logo a seguir ao referendo de 2017, foram várias as empresas e bancos que ameaçaram mudar e mudaram as suas sedes para outros locais. Num processo continuamente atabalhoado, Puigdemon prometeu declarar a independência catalã, adiou-a, declarou-a para suspendê-la imediatamente a seguir e, quando se viu encurralado nos seus intentos, fugiu. No culminar deste processo, judicialmente falando, há políticos presos a quem muitos preferem chamar presos políticos, rasgando as vestes em protesto contra a ignomínia.
É sempre difícil encontrar consensos depois de se extremarem posições. Fala-se na necessidade de resolver politicamente o problema, mas, ninguém parece saber muito bem como, porque não é fácil. Os independentistas catalães mais radicais não querem ser confundidos com “espanhóis”. Sentem-se-lhes algo superiores, em vários aspectos, nomeadamente, na língua, na cultura, no trato. Daí que, a questão para aqueles não se prende com ter mais autonomia face à Espanha que desprezam; trata-se de se livrarem dessas amarras que entendem como uma invasão, literalmente. Por muito chocante que seja a condenação dos nove políticos catalães que foram sujeitos a julgamento, qual era a alternativa? Não é apenas na Catalunha que existem vontades independentistas, como conciliar, portanto, as leis de um estado democrático com a violação dessa mesma legalidade democrática?
À vontade de independência catalã, contrapõe-se o “nacionalismo espanholista”, que recusa, dizem, a hipótese de um Estado plural; federal, como o alemão, que é visto por muitos como uma solução para o longo conflito Barcelona-Madrid. Numa Catalunha bastante dividida entre o sim e o não, é possível que o federalismo seja suficiente para afastar o desejo de independência?
É desolador ver como, ultimamente, as manifestações pela democracia facilmente resvalam para a violência mais selvagem. O direito de contestar e ser ouvido subvertido a um campo de batalha campal, onde sobra a destruição pura e bruta, a intimidação, o terror. Barcelona está transformada num cenário de guerra, como já esteve Paris, como já esteve Hong Kong, e ainda não acabou.
Precisamente, há alguns dias, o programa “Toda a Verdade” mostrava os bastidores das manifestações pró-democracia em Hong Kong. Abordava-se, também, a forma como os protestos pacíficos deram lugar a actos mais violentos, como a invasão do edifício do Conselho Legislativo e a sua vandalização como consequência do falhanço das acções pacíficas, até aí. Os manifestantes reforçavam a necessidade de vandalizar os símbolos da autoridade política como a única alternativa para se fazerem escutar, ao mesmo tempo, que fixavam cartazes a pedir para não vandalizar os livros da biblioteca, ou, as antiguidades e se apelava ao pagamento das bebidas que se consumissem nos espaços ocupados, porque não eram ladrões. Nada disto diminui, no entanto, o choque com que se olha para aquelas imagens, como não diminui o perigo de mergulhar na barbárie dos ataques violentíssimos de parte-a-parte. Depois de começar, de estar lá, no terreno, de fazer parte, é difícil não seguir o rebanho.
Não tenho qualquer simpatia por manifestações violentas de vontades; ainda que democráticas. Acho que nos afastam sempre da urbanidade sana de que precisamos para nos mantermos à tona, não à toa, da enxurrada de escombros que resulta do confronto entre duas partes que, mesmo quando se pretendem cordatas e razoáveis, deixam de ser capazes de se ouvir. A dada altura, deixa, igualmente, de ser necessário procurar entender quem tem razão. Urgente é encontrar uma base de entendimento e, imperiosamente, uma solução, antes que seja tarde demais.
Idade - Tem dias.
Estado Civil - Muito bem casada.
Cor preferida - Cor de burro quando foge.
O meu maior feito - O meu filho.
O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.
Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.
Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.
Imprescindível na bagagem de férias - Livros.
Saúde - Um bem precioso.
Dinheiro - Para tratar com respeito.
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