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Estamos, de novo, no início de (mais) um ano escolar. Tema que me interessa por motivos pessoais e profissionais. Entre novas escolas, novos programas, novos professores, novos exames nacionais e a mesma ansiedade de sempre, muito há a pensar, a repensar, a definir, a fazer, enfim, muitos desafios a superar.

No que diz respeito, nomeadamente, aos exames nacionais- e não bastando todo o trabalho, stress, questões que avaliam tudo menos o que efectivamente importa, algum factor “sorte” e as eternas (e sempre desvalorizadas) “gaffes” científicas- tivemos, dizia eu, uma “diversão” acrescida nos últimos: a fuga de informação relativamente a alguns conteúdos que viriam a ser avaliados na prova de Português. Se calhar, já ninguém se lembra.

Alexandre Homem Cristo, no Observador, chama hoje à nossa memória esse episódio. Mais exactamente, recorda-nos que, até hoje, nada se sabe em concreto sobre as medidas que foram(?) ou vão(?) ser tomadas para responsabilizar e punir os protagonistas dessa fuga. Ao mesmo tempo, o cronista faz o paralelismo com outra história idêntica, mas ocorrida no Reino Unido e, claro está, com consequências bem diferentes para todos os intervenientes.

Independentemente de concordarmos ou não com todas as decisões, de um ou de outro lado, há várias coisas que chocam na “nossa” história. A primeira de todas, é a de sempre: a “culpa” morre solteira. Outra vez. Sempre que acontece algo verdadeiramente sério, grave, muitas vezes com consequências dramáticas, salvo raríssimas excepções (não que me lembre de alguma, nem mais, nem menos exemplar, é mais por uma questão de justiça e salvaguarda…), ninguém tem responsabilidade alguma. Em nada. Ninguém sabe, ninguém ouviu, ninguém tem competência, ninguém deixou de fazer o que lhe competia. Devíamos instituir essa nova personalidade jurídica.

Voltando à “nossa” história. Parece que a professora responsável pela fuga foi identificada e também parece que aliava às suas competências na elaboração de provas de exame nacional a função de explicadora na mesma área… Quando penso no que já deixei de fazer por ética profissional e no que isso me custa, literal e monetariamente falando, sinto que só me falta a palavra PARVA escrita na testa. Para ver todos os dias ao espelho e meditar.

De modo que, de facto, torna-se difícil educar. Educar para quê. Responsabilizar para quê, quando não há consequências. Para ficarmos bem de consciência? Infelizmente, consciência começa a ser assustadoramente fora de moda, no que o fora de moda tem de pior. E é por isso que quando digo ao meu filho que, felizmente, temos liberdade para fazermos (quase) tudo o que quisermos, desde que conheçamos bem as consequências dos nossos actos e estejamos preparados para viver com elas, ele olha para mim, meio incrédulo, como se eu tivesse acabado de aterrar de Marte…

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3 comentários

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De P. P. a 13.09.2017 às 00:11

Muito bem.
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De naomedeemouvidos a 13.09.2017 às 08:42

Uau! Vejo que te atreveste a "dar a cara"!
Desejo-te um bom dia!
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De P. P. a 13.09.2017 às 21:37


Obrigado.
Posso não ser eu :)
No outro, no wordpress, "dei a cara" de forma bem nítida :)

Que este tenha sido um bom dia.
Abraço.

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