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Especulação Imobiliária, Sim ou Não?

por naomedeemouvidos, em 16.08.18

   Uma grande amiga minha diz, com alguma graça e sempre que acha que bebeu um golinho para lá da conta, “agora, já estou só para perguntas de sim e não”.

   Um destes dias senti-me mais ou menos assim, mas sem o golinho a mais, até porque era ainda manhã cedo e o meu pequeno-almoço costuma ser bastante mais pacífico e saudável e, claro, profundamente mais aborrecido. Aconteceu ao reunir-me com um agente imobiliário para tentar perceber melhor as condições de um novo projecto em construção, muito próximo da zona onde vivo, e, daí a achar que um de nós não estaria no pleno uso das suas faculdades mentais, foi um instante.

   Diga-se, em pleno e rigoroso abono da verdade absoluta, que já imaginava que estaríamos a falar de valores assim um nadinha para o elevado (no fim da reunião, o adjectivo que me ocorria era mais assim para o obsceno…); no prédio onde vivo há cerca de 20 anos, o preço de um T3 aumentou mais de 100%, nos últimos 4-5 anos. De modo que, imaginei que uns apartamentos novos, de uma tipologia superior, classificados como sendo de luxo, pudessem estar um pouco acima do orçamento previsto, mas, não há nada como perguntar e conhecer para decidir. Ou, mais exactamente, neste caso, para perceber que devo ser miserável e substancialmente mais pobre do que pensava.

   O projecto ainda não saiu do papel (o empreendimento estará concluído em finais de 2020), pelo que, toda a qualidade e excelência aparentes não são, ainda, possíveis de comprovar a não ser confiando, ou não, na reputação da empresa de construção responsável pelo mesmo. Quanto à localização, penso que pode vir a ser um amargo de boca, porque, sendo no coração de uma bela vila portuguesa altamente valorizada, a fachada principal do empreendimento fica virada para uma escola secundária cujas instalações são provisórias vai para uns trinta anos, se não estou em erro. Se calhar, é desta que a escola fecha portas, definitivamente, não sei. O caso é que um T4, duplex, com boas áreas, (mini-)piscina privada (embora o empreendimento tenha piscina colectiva) e dispondo de entre três a oito(!) lugares de garagem pode custar entre um milhão e setecentos mil euros e dois milhões e oitocentos mil euros. Preços excelentes, neste momento, e com tanta procura que já não são muitos os apartamentos disponíveis, neste momento. Na realidade, o ideal é termos uma decisão entre hoje e amanhã, porque, agora está disponível, mas daqui a pouco, pode já não estar…o que, aliás, já me tinha sido eloquentemente mencionado na conversa telefónica prévia. Foi nesta fase que me lembrei das perguntas de sim e não da minha amiga. Com a diferença que, no  momento da reunião, nenhum dos dois estava ébrio; eu é que estava pobre, pelos vistos, e, ao contrário da embriaguez, amanhã talvez ainda não me tenha passado.

   Descontando a típica conversa de vendedor, quem é que decide, de um dia para o outro, se compra ou não um apartamento cujo valor pode chegar aos quase três milhões de euros? Teremos mesmo mercado para alimentar esta loucura ou estaremos, antes, a vender o país a retalho apenas a quem puder pagar mais?

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