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O mundo nunca foi perfeito. Nem sequer igual.

por naomedeemouvidos, em 28.03.19

Não vou falar da nova (outra) histeria colectiva sobre a suposta afronta (não sei bem a quê) que representa a colecção de roupa unissexo (termo que não vem de hoje, nem de ontem, e que, tanto quanto me lembro, tem gerado pouca ou nenhuma polémica) que a Zippy resolveu lançar sob o nome “Happy”. Até porque, sobre o completo absurdo que representa a indignação de alguns (ou algumas, que isto de roupas de criança, pelos vistos, é com as mães) contra o facto de os meninos, meninas e outros poderem vestir o que lhes der na real gana, independentemente da côr e não só, esta magnífica rapariga já escreveu muito do que eu gostava de ter escrito se fosse capaz.

 

O que aqui me traz é outra coisa. Só se junta a esta – embora, apenas no que diz respeito a este texto – pelo extremar de posições e opiniões sobre saber se sexo é ou não é o mesmo que género, se o género é ou não é uma construção social, se é ou não é permitido continuar a falar no masculino e no feminino. E pela coincidência de ter lido esta notícia a meio de uma pequena pausa imprevista, que as minhas quintas-feiras costumam ser particularmente longas, e as polémicas são como as cerejas; as palavras acabaram perdidas por aí, desde que passou a ser normal escolher execráveis chefes de Estado apesar do que eles dizem.

 

A nova – polémica – estalou com um desabafo de Bernardinho que chamou homem a Tifanny. Bernardinho é um “lendário treinador brasileiro de voleibol” e Tifanny é uma atleta transexual que joga numa equipa de voleibol feminina. O suficiente para eu ficar indignadamente confusa. O caso é que aconteceu a Bernardinho o mesmo que a Corbyn quando se irritou com May e o momento do insulto foi captado pelas câmaras. Daí ao levantar da respectiva onda de indignação foi um instante e Bernardinho acabou por pedir desculpa, dizendo que se “referia ao gesto técnico e ao controle físico que ela tem, comum aos jogadores do masculino e que a maior parte das jogadoras não tem”.

 

Há alguns meses, uma atleta transgénero ganhou uma prova de velocidade numa competição feminina de ciclismo. Inevitavelmente alvo de críticas – nomeadamente, da atleta que ficou em terceiro lugar e que considerou a vitória injusta – e, claro está, de mensagens de ódio mais outros mimos idênticos, Rachel McKinnon veio dizer que “são todos  uns fanáticos transfóbicos”.

 

Tenho sentimentos bastante confusos em relação aos chamados direitos da comunidade LGBT. Sobretudo, porque não tenho quaisquer dúvidas em relação à imbecilidade dos pais e mães que vão deixar de comprar roupa na Zippy porque a marca lançou uma colecção sem género. Como não tenho dúvidas sobre a “igualdade” consagrada na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas, custa-me bastante fazer a ponte entre isso e a realidade da Tifanny e da Rachel McKinnon, independentemente de todo o respeito que me merecem ambas. Serei eu uma daquelas almas que não é homofóbica, mas...?

 

 

(P.S. Tenho reflectido sobre ter ou não ter caixa de comentários, por vários motivos. Já tive e deixei de ter, muito pelo que, curiosamente, se escreve hoje neste texto. Mas não só. Hoje não tenho tempo para mais. Voltarei amanhã.)

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publicado às 16:44




“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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