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Por falar em combustíveis.

por naomedeemouvidos, em 26.07.19

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Por algum acaso, perdi-me na novela da greve dos motoristas. Talvez porque, aquando da outra, não cheguei a sofrer qualquer transtorno, apesar de viver a minha vida normal e das imagens caóticas que passavam na televisão. Tive sorte, que é coisa de que, aparentemente, temos vindo a depender cada vez mais.

Entre acusações de vigarices à segurança social, denúncia de condições de trabalho precárias e falta de regulação da actividade do sector, em Abril, os respectivos sindicatos reclamavam o reconhecimento da categoria profissional e o aumento do salário - de 630 euros para 1200 euros. Ameaçadas as férias da Páscoa, ao terceiro dia, a greve acabou com a mais do que apropriada ressurreição de algum entendimento entre as partes: sindicatos e ANTRAM tinham chegado a um compromisso sério quanto ao horário de trabalho, quanto ao valor da remuneração, que se aproximava dos 1200 euros exigidos inicialmente - cerca de 900 euros, soube-se depois – e quanto a umas questões de saúde. A aleluia durou menos que um namoro do verão que tarda em chegar, com os sindicatos dos motoristas a acusarem a ANTRAM de já ter aceitado um acordo no que diz respeito aos aumentos salariais, e aquela a desmentir, pelos menos, os valores (não)acordados. O que vale é que já nos  habituaram e já nos habituámos a este tipo de (des)entendimentos.

No calor da discussão – quiçá animados pelo já antes exibido poder de parar, literalmente, o país – os sindicatos ameaçam com a possível falta de alimentos e outros bens nos supermercados. Segundo ouvi (não o tempo suficiente para perceber quem era) da parte de um distinto senhor na televisão, no limite, pode, até, estar em causa a vida. É sempre bom ter quem nos previna das desgraças futuras.

Entre pedidos sentidos de perdão e exultantes investidas de ameaças, Pedro Pardal Henriques foi à SicNotícias garantir que os serviços mínimos que o Governo vier a decretar serão integralmente cumpridos, dentro da lei, enquanto explicava como virá, eventualmente, a esquivar-se ao seu cumprimento. Também com base na lei, evidentemente. Lembrei-me de uma reunião de condomínio. Um condómino empenhado em exibir um parecer técnico sobre a ausência de relação causa-efeito que as suas obras ilegais são suspeitas de ter provocado sobre parte da estrutura do prédio, e a advogada sentada ao meu lado a dizer-lhe que, amanhã, arranjava-lhe outro parecer técnico a assegurar o contrário.

 

Por falar em material combustível, o ministro Eduardo Cabrita desentendeu-se com o presidente da Câmara de Mação. Vasco Estrela acusou o Governo de não ter aprendido nada, Eduardo Cabrita acusou Vasco Estrela de se comportar como um comentador político, cada um no seu próprio tempo e espaço, depois de terem estado juntos, no terreno, um atrás do outro, a carpir mágoas idênticas.

 

Dizem que tudo está bem quando acaba bem. É possível que, também eu, acabe por conseguir ir de férias descansada. Até pode ser que me eclipse. Tal como a oposição...

publicado às 00:26


7 comentários

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De Sarin a 26.07.2019 às 10:41

Também fiquei encantada ao ouvir Pedro Pardal Henriques... aquele zunido que nos diz estarmos numa realidade alternativa? Mas não, estamos apenas numa alternativa, e os camionistas bandarilham-nos para gáudio de alguns.

Não percebi ainda muito bem quem incumpriu no mal-entendido acordo; mas acredito haver greves que, mais do que reivindicações, são meras demonstrações de força. Com toda a justiça que as reivindicações possam ter, quiçá têm, algumas servem outros interesses que não a justiça social.

A greve tem de causar transtorno ao patronato, caso contrário não atinge o objectivo. Mas quando o patronato é o menos transtornado, talvez seja altura de rever as formas de reivindicação...
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De naomedeemouvidos a 26.07.2019 às 10:46

Também não percebi bem os incumprimentos de quem a quem ou a quê, mas talvez tenha um propósito. Já (quase) começo a acreditar em teorias da conspiração. Não te esqueças que "é ano de eleições" e há que "aproveitar". Quem é que filmou aquilo, já agora? Outra coisa que não cheguei a perceber.
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De Sarin a 26.07.2019 às 11:09

Seria interessante, se fossem teorias da conspiração. Infelizmente, temos assistido a bem mais prática do que teoria.

É pau, é pedra

E novas forças para-maçónicas.

Não gosto de sociedades secretas para membros com mais de 15 anos de idade. Mas Anita Garibaldi nunca deve ter descansado no túmulo; e se a História serve de aprendizagem, todas as peças parecem encaixar num padrão: novas carbonárias se avizinham.
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De naomedeemouvidos a 26.07.2019 às 12:21

É o fim do caminho? :)))

Não aprecio irmandades, a não ser a que partilho com a minha e, mesmo assim tem dias.
Já ouvi vários presságios sobre novas organizações que se avizinham e que muitos afiançam serem mais do que ambas as coisas. Ainda tento guardar alguma expectativa e confiança na Humanidade. Também sou mãe.
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De Sarin a 26.07.2019 às 14:17

Apenas outro patamar :)))
Que a humanidade pisou recentemente.


Compreendo-te. Não fui mãe também por isto.
Como tu, ainda tenho e guardo esperança. Mas não a uso na análise, e pela lógica não consigo ignorar os padrões. Movimentos inorgânicos, chamam-lhes. Não concordo. Penso-os muito orgânicos, até - adormecidos, pacientes, adaptáveis, a aguardar as condições ideais para florescerem. Bastam um ou dois elementos em cada corpúsculo.

Evoluímos tecnicamente, mas em cada convulsão apenas nos desviamos ligeiramente do nosso eixo. Há muitas recorrências nas civilizações... somos animais de hábitos.
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De naomedeemouvidos a 26.07.2019 às 16:01

Mas és tia. Esmerada, esmeralda, preciosa. Não te safas com tanta ligeireza.
Também sou analítica, sou das Químicas, mas preciso de esse outro papel. Não sei o que vai sair, mesmo misturando os reagentes nas quantidades estequiométricas, mas vou tentando acertar na receita. Assim, também se progride.
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De Sarin a 26.07.2019 às 16:30

Claro que sim, que se progride - a tentativa e erro fazem parte do método científico. Não me referia ao indivíduo, mas às sociedades... a progressão é em espiral.

Não, não me safo. Não me safaria, mesmo não sendo tia: amo o meu semelhante, respeito os seres não tão semelhantes. As pessoas é que me irritam e desgostam sobremaneira. Felizmente há excepções :)

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“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

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