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Por falar em liberdade...

por naomedeemouvidos, em 10.06.19

… João Miguel Tavares pôde proferir, perante os mais altos representantes do País, este discurso. Nele falou, entre outras coisas, de projectos megalómanos falhados, da amnésia fraudulenta, descarada e consentida, que varre os curricula (pouco) brilhantes dos gestores e supervisores de topo, pagos a peso de ouro para de nada guardarem memória, ou outro qualquer atributo que preste para os cargos em que caíram por obra e graça de espíritos mais ou menos santos; da corrupção real, grave e disseminada, da justiça que tarda em responder-lhe e da classe política, mesmo ali ao lado, pouco afoita a enfrentá-la. Do mérito que, ora não chega, ora não faz falta, dependendo da igualdade com que nascemos, das amizades que cultivamos. Do país que ameaça falhar aos que vivem à margem das elites daninhas, omnipresentes no aparelho do Estado, independentemente dos eles que nos governam.  

 

Podemos olhar com mais ou menos interesse para a prosa, dela retirar poucas ou nenhumas conclusões, distinguir ou desprezar o seu autor. De momento, importa-me, apenas, celebrar o privilégio de viver num país onde é possível dizer em voz alta, sem temer represálias, o que disse João Miguel Tavares. Se, além disso, nos permitirem - nos permitirmos - algo mais em que acreditar, talvez possa haver esperança num futuro melhor. Será?

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publicado às 22:34


6 comentários

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De Maria a 11.06.2019 às 01:21

Parabéns, um post excelente!
Não ouvi o discurso, Mas pelos comentários que li, fiquei curiosa, um dos comentaristas dizia que JMT, estava a apelar o regresso ao fascismo.
Afinal disse a verdade, ou não (conforme a cor). Mas o fantástico ,ela não referiu. É que aqui tão bem realça, O poder dizer o que disse e saber que não há represálias.
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De naomedeemouvidos a 11.06.2019 às 07:46

Obrigada, Maria.

Não sei bem onde se pode ver, ali, um apelo ao fascismo, mas, creio que, actualmente, valem todas as teorias.
Acho muita gente se poderá rever em muitas das coisas que disse JMT. Eu revejo-me em algumas. Portugal também “não falhou” comigo (apesar de António Costa nunca me ter telefonado a oferecer serviços de babysitting:)); também não sei se o meu filho poderá vir a dizer o mesmo.

Uma boa semana.
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De cheia a 11.06.2019 às 22:50

É preciso agitar as águas, há muito conformismo, os partidos não nos dão liberdade, quem discorda é imediatamente expulso, a corrupção aflige-me.
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De naomedeemouvidos a 12.06.2019 às 07:29

A mim também. Sobretudo, pela banalização sistémica, como se não houvesse outro remédio e como se ser honesto fosse uma vergonha, ou, então, uma idiotice desnecessária e antiquada.
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De Sarin a 13.06.2019 às 11:52

Não vi li ouvi o discurso.
Mas pelo que te li, e à Maria no comentário, percebi que teria sido interessante. Depois li 3 postais do jpt n'O Flávio e percebi que terei de arranjar tempo para o ver ler ouvir. Finalmente, li a análise da Rute Sousa Vasco e compreendi que terei de o ver ler ouvir com todos os sentidos alerta.
O que por ti supus não ir além de uma bonita atitude na leitura de um texto claro e rico, descubro por outros ser um barril de pólvora :)
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De naomedeemouvidos a 13.06.2019 às 15:19

Ainda falta o de Cabo Verde, que, pelos vistos, foi mais polémico ainda, como se diz agora, por tudo e por nada. Esse, ainda não li nem ouvi.

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É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

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