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Por falar em liberdade...

por naomedeemouvidos, em 10.06.19

… João Miguel Tavares pôde proferir, perante os mais altos representantes do País, este discurso. Nele falou, entre outras coisas, de projectos megalómanos falhados, da amnésia fraudulenta, descarada e consentida, que varre os curricula (pouco) brilhantes dos gestores e supervisores de topo, pagos a peso de ouro para de nada guardarem memória, ou outro qualquer atributo que preste para os cargos em que caíram por obra e graça de espíritos mais ou menos santos; da corrupção real, grave e disseminada, da justiça que tarda em responder-lhe e da classe política, mesmo ali ao lado, pouco afoita a enfrentá-la. Do mérito que, ora não chega, ora não faz falta, dependendo da igualdade com que nascemos, das amizades que cultivamos. Do país que ameaça falhar aos que vivem à margem das elites daninhas, omnipresentes no aparelho do Estado, independentemente dos eles que nos governam.  

 

Podemos olhar com mais ou menos interesse para a prosa, dela retirar poucas ou nenhumas conclusões, distinguir ou desprezar o seu autor. De momento, importa-me, apenas, celebrar o privilégio de viver num país onde é possível dizer em voz alta, sem temer represálias, o que disse João Miguel Tavares. Se, além disso, nos permitirem - nos permitirmos - algo mais em que acreditar, talvez possa haver esperança num futuro melhor. Será?

publicado às 22:34


6 comentários

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De Sarin a 13.06.2019 às 11:52

Não vi li ouvi o discurso.
Mas pelo que te li, e à Maria no comentário, percebi que teria sido interessante. Depois li 3 postais do jpt n'O Flávio e percebi que terei de arranjar tempo para o ver ler ouvir. Finalmente, li a análise da Rute Sousa Vasco e compreendi que terei de o ver ler ouvir com todos os sentidos alerta.
O que por ti supus não ir além de uma bonita atitude na leitura de um texto claro e rico, descubro por outros ser um barril de pólvora :)
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De naomedeemouvidos a 13.06.2019 às 15:19

Ainda falta o de Cabo Verde, que, pelos vistos, foi mais polémico ainda, como se diz agora, por tudo e por nada. Esse, ainda não li nem ouvi.

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