Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




"Qual é o peso da consciência?"

por naomedeemouvidos, em 20.08.17

Mamã, qual é o peso de consciência daquela senhora? A pergunta é, outra vez, do meu filho (a honestidade simples das crianças é algo que nunca pára de me surpreender) e a senhora é mãe do rapaz que manchou, de dor e luto, uma avenida pulsante de vida e, com ela, um país inteiro. A senhora está na televisão apelando ao seu filho para que se entregue à polícia e algo nela faz o meu murmurar “coitada...”.

As crianças fazem perguntas difíceis e eu tenho um medo enorme de não estar, de não estarmos, à altura delas.

Eu não sei qual é o peso de consciência daquela senhora. Sei que o meu seria demasiado denso para que pudesse suportá-lo sem alguma culpa. Acho que, depois do choque, a primeira interrogação seria onde é que falhei? O que fiz, o que deixei de fazer, que me tornou incapaz de transmitir ao meu filho a diferença entre o bem e o mal? Porque é de mal que se trata, naquilo que o mal tem de mais perverso, de mais abjecto, de mais amoral. Será que a culpa é, ainda que em parte, dos pais?

Diz-se que o exemplo não é uma maneira de educar, é a única. Acho que é isso que torna a tarefa assustadora. Porque somos humanos. Porque falhamos. Porque, em algum momento do nosso dia-a-dia mais ou menos rotineiro, mais ou menos fastidioso, tecemos um comentário, fizemos uma observação, tivemos uma atitude que nos pareceu menor, inofensiva, na altura, e ali está aquela criança a observar-nos, ávida de aprender, de crescer, a beber toda a nossa existência e, com ela, o nosso maldito exemplo.

Uma amiga minha costuma dizer (ainda eu não era mãe): se queremos ver o que fazemos de errado, basta prestar-lhes atenção. Eles são os nossos filhos. Porque, afinal, “a educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo”. Com ela podemos enfrentar o medo ou sucumbir ao medo. Porque o medo tornou-se omnipresente, tomou de assalto as nossas vidas, e o meu filho interroga-me, observa-me, os olhos enormes, imensos de curiosidade. E eu sinto o peso, a obrigação, de não o educar no ódio. Já basta todos os outros erros que hei-de cometer pelo caminho…  

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:21


10 comentários

Imagem de perfil

De HD a 20.08.2017 às 18:54

As crianças têm algumas perspetivas que nos põem a pensar...
Imagem de perfil

De Triptofano! a 20.08.2017 às 22:08

É incrível como as crianças fazem perguntas que nós adultos já não perdemos tempo a pensar nelas, talvez porque seja-nos muito incómodo enfrentar certas respostas.
De certeza que farás o melhor no desenvolvimento emocional e intelectual do teu filho, mas nenhum de nós é perfeito, o segredo é dar-mos o nosso melhor todos os dias.
As crianças são realmente uma tábua rasa e duvido que uma criança que tenha nascido apenas com amor de um dia para o outro se converta num transportador de ódio. Como dizes, às vezes basta uma conversa, uma pequena atitude que pensamos não serem captadas por uma criança mas a realidade é que elas absorvem tudo por osmose!
Imagem de perfil

De naomedeemouvidos a 21.08.2017 às 00:16

Tento acreditar nisso o mais possível. Uma pessoa não se torna má de um dia para o outro, acho eu. O problema é que somos prisioneiros do tempo. Do pouco tempo. Porque os nossos filhos passam mais tempo fora de casa, do que em casa e é preciso estabelecer regras e limites e eles não vêm com livros de instruções e, pior!, deles não nos podemos "divorciar"
Imagem de perfil

De Andreia a 21.08.2017 às 19:23

É por isso que as crianças são o melhor do mundo.
Que reflexão poderosa... Que palavras inocentes, mas carregadas de significados e de perguntas que nos deixam a pensar...
Imagem de perfil

De naomedeemouvidos a 21.08.2017 às 22:25

Acredito que, se prestarmos atenção, as crianças ensinam-nos muito :)
Imagem de perfil

De O ultimo fecha a porta a 21.08.2017 às 21:31

pergunta pertinente que nos faz parar. A "consciência" daquele jovem radicalizado é a de que fez o correto, mas voz de mãe, é voz de mãe.
Mas com muita crueza digo: não sei se o melhor para ele seria entregar-se. Se se entregasse teria um futuro muito mais penoso do que a morte "rápida" que teve.
Imagem de perfil

De naomedeemouvidos a 21.08.2017 às 22:26

É muito complicado, de facto. Penso que seria difícil encontrar alguma paz, mesmo que o arrependimento, eventualmente, surgisse...
Imagem de perfil

De O ultimo fecha a porta a 21.08.2017 às 22:29

o problema seria o que iria encontrar na prisão...
Sinceramente acredito que a consciência daquele rapaz já estaria tão radicalizada, que não haveria arrependimento.
Imagem de perfil

De naomedeemouvidos a 21.08.2017 às 22:34

Achas que a maldade não ter retorno? Eu também acho que não...

Comentar post




“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


Layout

Gaffe


Arquivo



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.