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naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

Ronaldo. Cristiano Ronaldo

The man is not human… É um dos comentários que li na sequência daquele que poderá ser (dizem os entendidos) o melhor golo da carreira de Cristiano Ronaldo.

Não sou fã de futebol. Muito menos, dos seus protagonistas onde cabe um pouco de tudo o que de pior se pode encontrar na sociedade reles: má-criação, agressividade desmedida e, às vezes, criminosa, violência verbal ao nível dos piores arruaceiros, falta de seriedade e de profissionalismo e um nível de intelecto comparável aos twittes desse fenómeno americano que dá pelo nome de Donald Trump. Mas, mesmo para quem não sabe sequer nomear os principais jogadores do seu clube (como é o meu triste e embaraçoso caso), é impossível não reconhecer a qualidade de um profissional como Cristiano Ronaldo. O trabalho compensa e Cristiano Ronaldo é o exemplo, vivo e a cores, dessa máxima que muitos tendem a desprezar. O trabalho compensa, como compensam a dedicação, o sacrifício e a vontade, essa força motriz mais poderosa que o vapor, a electricidade e a energia atómica, segundo esse outro notável, Albert Einstein.

Cristiano Ronaldo é a magnífica encarnação da sua própria força de vontade. Não é apenas o esforço físico, as horas penosas de treino suado e sofrido, a dedicação a uma carreira que será, seguramente, a sua primeira paixão. É a sua colossal vontade. Uma vontade soberba, arrogante, de querer sempre mais, de provar sempre mais, de calar bocas, de mostrar que é capaz, que é o melhor entre os melhores. Essa vontade teimosa e pedante que dá ao not human Cristiano Ronaldo a assombrosa capacidade de transformar as críticas em sucessos, o desdém em triunfos, a inveja em êxitos atrás de êxitos, os insultos em aclamação, batendo recorde atrás de recorde. Não está, de facto, ao alcance de todos.

Ontem, Cristiano Ronaldo fez mais do que protagonizar um golo magnífico: materializou, num breve instante, todas as qualidades que fazem dele um profissional e atleta fora de série. Em poucos segundos, usou e abusou das leis da Física, espantou e encantou, desfilou técnica, destilou elegância e exibiu uma eficiência majestosa, letal e implacável. Mas, fez mais ainda. Soube ser humilde, virtude que nem sempre lhe assiste. Soube agradecer a admiração de todos os que se lhe renderam e, ao lado de Gianluigi Buffon, mostrou o que, afinal, devia ser o futebol: competição sim, mas com graça, desportivismo, excelência e aquele respeito pelo adversário de que só os melhores são capazes. A grandiosidade (também) está nos pequenos gestos.