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Ronaldo, futebóis, brilhos e os mosquitos...

por naomedeemouvidos, em 02.08.17

Começo por dizer que, normalmente, não perco tempo com futebol. Acho obsceno o dinheiro que se move nessa espécie de submundo, a alienação dos adeptos, a violência, a falta de desportivismo, enfim, a quase total ausência de razão. No entanto, raramente, muito raramente, vibro com a alegria que o futebol também pode trazer, de facto, como aconteceu com a nossa vitória no último europeu de futebol. E, muito menos raramente, admiro quem se dedica a 110% à profissão que escolheu, seja ele um cantoneiro ou um desportista de topo, porque acredito que se nos pagam para desempenhar uma determinada tarefa devemos desempenhá-la com brio.

Dito isto, tenho uma enorme admiração pelo que Cristiano Ronaldo representa como profissional. A dedicação, a competência, o esforço físico, o espírito de sacrifício, o querer sempre mais e melhor são características que o distinguem, com diferença, da maioria dos colegas de profissão, independentemente de o apreciarmos como pessoa. Cristiano Ronaldo é um atleta fora de série e na base desse fenómeno está, sem dúvida, ele próprio, a sua teimosia, a sua resiliência e a sua vontade, essa que, como dizia Einstein, é mais forte do que o vapor, a electricidade e a energia atómica! Se não fosse a vontade de Cristiano Ronaldo, ele não teria chegado onde chegou, não haverá sobre isso a mínima dúvida. O que conseguiu não está, de facto, ao alcance de qualquer um. E por isso, por ter atingido o que muitos nem sonham, fica-lhe mal a arrogância descabida de achar que é pelo seu nome ou pelo seu “brilho” que deve prestar constas, quando essas contas lhe são exigidas por quem de direito.

Convenhamos, porque não somos todos parvos, que todos sabemos a parafernália de esquemas que pululam de forma mais ou menos regular, mais ou menos lícita ou mais ou menos amoral, para que alguns possam pagar menos impostos. Alguns, evidentemente, porque tais esquemas também só estão ao alcance de alguns, neste caso, não tanto pela mão do prestígio ou da glória. O que não sabemos, efectivamente, é em qual dos esquemas é que Cristiano Ronaldo estará envolvido. Pode ser um esquema perfeitamente legal; mas o senhor, por mais notável e heroico que seja, não está acima de suspeita e, desde logo, não está acima da lei. Vir dizer que é pelo seu “brilho” que o perseguem e, portanto, pela “inveja” que se tem aos “ricos”, já não pega, a não ser aos lorpas. Como muito bem já disse noutras ocasiões, quem não deve não teme. Se Cristiano não deve, que se cale, que se mantenha firme na sua defesa, mas não se arme em Deus, nem se julgue acima dos “reles mortais”, embora, a bem da verdade, seja fácil embriagar-se nessa fama que o carrega ao colo: basta ver o circo que se montou à porta do tribunal em Madrid para ouvir o craque que nem se dignou a aparecer…

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1 comentário

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De Triptofano! a 03.08.2017 às 09:07

Mais ou menos talento, mais ou menos dinheiro, mais ou menos fama somos aos olhos da lei todos iguais, por isso todos devemos ser tratados da mesma forma, para o bom e para o menos bom! Se realmente ele não deve não tem que temer!

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"Nada na vida dever ser temido, apenas compreendido." Marie Curie

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