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Sobre gaguezes.

por naomedeemouvidos, em 11.10.19

Quando Ricardo Araújo Pereira entrevistou Joacine Katar Moreira, no seu programa "Gente que Não Sabe Estar", começou pelo óbvio: a sôtora gagueja. Ao que a própria respondeu: eu gaguejo quando falo, há os que gaguejam quando pensam. Cito de memória, pelo que, posso ter cometido alguma imprecisão, mas, a ideia é esta e não podia ser mais acertada, como, aliás, se tem vindo a verificar.

 

Não sei se vamos estar à altura de Joacine. O tempo que ela permanecer no Parlamento o dirá. O mais curioso (na verdade, não exactamente) é haver gente mais preocupada com o seu desempenho como deputada do que a própria.  Afinal, a gaguez de Joacine incomoda.

Entretanto, aproveito para subscrever isto e mais isto. E acredito que haja por aí muitas outras opiniões idênticas. Subscrevo-as também.

"Mas vai ser bonito. Isto sempre foi uma guerra para pessoas como eu", palavra de Joacine. 

 

 

publicado às 09:21


19 comentários

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De Gaffe a 11.10.2019 às 10:06

É assustador.

Joacine gagueja e aparece com a bandeira "errada".
Maldita.

Depois passamos impávidos por isto:

A “família natural” é a “garantia de identidade civilizacional” e “apenas nela pode residir a certeza de que o Homem não regressa à selva”.
Há que entregar cheques-família para incentivar a natalidade, mas só quando “ambos os pais tenham naturalidade e nacionalidade portuguesa”.
Há que reverter o “suicidário Pacto para as Migrações”.
Há que defender “uma política comum de defesa contra a invasão maciça dos países do sul do mediterrâneo”.
Há que procurar “um novo tratado europeu na linha defendida pelo Grupo Visegrado em termos de fronteiras, soberania nacional e respeito pelos valores da cultura europeia”.
Portugal é um país com “uma insegurança crónica” e há que fomentar um país ‘securitário’”.
Há que reaver a prisão perpétua.
Há que retirar "todos os privilégios nas prisões para [os] imigrantes ilegais”. Há que abolir o conceito “de ‘crime de ódio’”.
Há que firmar que “qualquer imigrante que tenha entrado ilegalmente em Portugal estará incapacitado, para o resto da vida, de legalizar a sua situação.”
Há que “abolir as autorizações de residência para ‘protecção humanitária’”.
Há que “estabelecer uma lista de países seguros na origem”.
Há que negar aos refugiados a possibilidade de "obter nacionalidade portuguesa e residência enquanto o seu país de origem se mantiver em guerra.”.
Há que impedir que o Estado atribua “habitação social a estrangeiros - imigrantes, migrantes ou refugiados”.

Tudo embrulhado na bandeira "certa".
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De naomedeemouvidos a 11.10.2019 às 10:43

É exactamente isso.

O tempo que durar este Parlamento também vai servir para nos confrontarmos com os nossos monstros. "Nossos", enquanto país aí representado.
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De Luísa de Sousa a 11.10.2019 às 11:11

Acho que a deputada Joacina está a incomodar muita gente, por isso a necessidade de "deitá-la abaixo" por causa da sua gaguez!!!


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De naomedeemouvidos a 11.10.2019 às 12:14

Pela gaguez e não só. Joacine consegue a proeza de reunir vários atributos maléficos...
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De amarquesademarvila a 11.10.2019 às 12:11

Grata pelo link!
Concordo, como sabes, com o que dizes. A gaguez dela incomoda, assim como o ser mulher e negra. É uma chatice quando as convenções em que nos fizeram acreditar toda uma vida estejam a ser quebradas... pelo menos assim pensa quem com ela goza e quem assina petições para que ela não possa entrar no parlamento. Não votei nela. Mas Joacine faz falta, e aprova disso é tudo o que está montado à sua volta. Venham mais Joacines e o mundo está salvo (atenção que não me refiro às ideias políticas dela. Não é disso que se trata!).
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De naomedeemouvidos a 11.10.2019 às 12:38

Grata a ti.

Percebi perfeitamente o teu ponto de vista. E sou absolutamente insuspeita porque também não votei nela. Mais, quando a ouço, não sou imune ao "incómodo" que a sua gaguez provoca. Aflijo-me. Penso que é por ela, mas, provavelmente, é só por mim. Por desconhecimento, por imbecilidade. Eventualmente, por essas convenções de que falas, não sei. Aprendo todos os dias. Por isso, rendo-me à sua coragem e agradeço-lha.

Quanto ao circo que uns imbecis resolveram montar à volta dela, parece-me que a Joacine é menina para aguentar com aquilo :)) Resta saber se "nós" também.
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De amarquesademarvila a 11.10.2019 às 13:00

A tua humildade comoveu-me e agradeço-te por isso. De verdade! É tão raro as pessoas assumirem as suas fragilidades e todos nós temos tantas... é tão bom não ser perfeito, não saber tudo, poder aprender todos os dias! Assumi-las é de uma inteligência e abre as portas ao conhecimento.

E tua última frase pôs-me a pensar... esse é o perigo. Será que "nós" aguentamos?... até que ponto comunicação social e fake news não "nos" vão minar?
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De naomedeemouvidos a 11.10.2019 às 13:08

Ensinaram-me que só reconhecendo o perigo nos poderemos defender dele. Acho que isso também se aplica ao reconhecimento das nossas fraquezas, dos nossos medos, das nossas certezas. É como dizes, não somos perfeitos.

Obrigada. Desejo-te um resto de bom dia.
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De Rui Pereira a 11.10.2019 às 20:13

Já não posso ouvir falar dela...
Deixem a mulher em paz!
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De naomedeemouvidos a 12.10.2019 às 09:03

Isso vai ser difícil.
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De cheia a 11.10.2019 às 21:35

Se incomoda!
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De Maria Araújo a 12.10.2019 às 14:24

Força, Joacine!
Deixe os cães ladrarem.
Eu estou consigo, Joacine.

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De O ultimo fecha a porta a 12.10.2019 às 15:27

ora bem, vou ser um pouco contra-corrente do post e comentários anteriores.

A gaguez da joacine foi o que despertou a sua atenção nestas eleições. Não foi tanto as suas ideias, ou o facto de ser mulher ou negra.Penso até que tirou vantagem política dessa sua característica (que acredito que com os nervos seja ainda mais evidente - as câmaras e a pressão das televisões devem afetar...). Agora o importante são as suas ideias e o que defende.
Não conheço ao detalhe. Do que ouvi concordo com umas coisas, com outras não, de todo. Tem pensamentos inclusivos e feministas que concordo, mas tem outros extremistas que não fazem sentido.
O tempo dirá o que valem as suas ideias.

PS: Vêem-se muitos vídeos e paródia da sua gaguez, mas outros temas mais sérios ng fala nem comenta. Ontem morreu mais uma mulher de violência doméstica. Isso passa ao lado das redes sociais. Um vídeo sobre ela rende mais likes e visualizações.
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De naomedeemouvidos a 12.10.2019 às 16:36

Não creio que seja tão contra-corrente quanto isso.

Eu não partilho de nada ou praticamente nada do que o LIVRE propõe. Isso pode e deve ser discutido. Também acho que pode ser discutido se a escolha de Joacine teve algo de aproveitamento político menos genuíno, digamos assim. Nenhuma destas duas coisas me impede de, primeiro, achar uma imbecilidade quem se insurge contra ela pela bandeira, nacionalidade, gaguez, etc, menos o tal projecto político, segundo, tirar-lhe o chapéu pela coragem. A não ser que, neste último caso, se considere que o feito está ao alcance de qualquer um nas mesmas condições, apenas por ambição política. Eu, pessoalmente, não acho.

Inclusivamente, acho que se pode ter dúvidas legítimas, sem qualquer traço de gozo, ou intolerância, ou o que quer que seja, sobre as limitações reais que a gaguez profunda da Joacine pode representar no desempenho do seu cargo. Mas, isto, só o tempo dirá.

Quanto ao problema dramático que vivemos em relação à violência sobre as mulheres, já o escrevi mais do que uma vez, já o vivi de perto e, por curiosidade ou talvez não, estou a meio de um texto em que também falo disso. Infelizmente, os problemas não se esgotam num único tema.

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De Sarin a 12.10.2019 às 16:59

Sou realmente insuspeita, porque:
Não votei no Livre
Fico aflita perante gagos. Não sorrio, e quase me imobilizo porque todas as minhas energias não vitais parecem concentradas em controlar o meu impulso natural - o de ajudar a pessoa a terminar a palavra com gestos de incentivo. Tenho consciência de que podem ser inibidores, e por isso controlo todos os gestos que faço, o que chega a ser esgotante.

Posto isto, devo dizer que Joacine é uma das mulheres mais corajosas da nossa arena política - é uma arena! - e que usarem a sua gaguez para a tentarem condicionar é rasteiro e vil. Um deputado não tem de saber botar faladura, tem de saber pensar no país.
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De naomedeemouvidos a 12.10.2019 às 17:24

Eu partilho dessa “aflição”. Sou capaz de discordar ligeiramente de ti em relação à tua última frase, porque penso que ser capaz de apresentar um discurso fluido, claro, é uma das competências mais poderosas de um deputado. Claro que a eloquência não deve ser vazia; nesse caso, será apenas um embuste. O que realmente não é admissível, ou melhor, rasteiro e vil, como dizes bem, é atacar um deputado pelas suas características pessoais. Esse será (também) um grande desafio para o próximo Parlamento. Não é que seja algo novo, mas será muitíssimo mais visível.
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De Sarin a 12.10.2019 às 17:31

E pode apresentar discurso fluído e claro - basta que a AR tenha um funcionário que leia as intervenções a quem pedir: ela ou quem for mudo, estiver afónico ou com dor de garganta. E que esse funcionário saiba Língua Gestual Portuguesa, porque os surdos também têm direito de assistir aos trabalhos nas galerias e têm o direito de ver a ARTV.
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De naomedeemouvidos a 12.10.2019 às 17:36

Tens razão. Mas não creio que seja essa a intenção, no caso concreto da Joacine. Até porque ela consegue controlar melhor o discurso quando está menos nervosa. Será um processo.
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De Sarin a 13.10.2019 às 12:11

E porque duvido que queira quem fale por ela - ser gago dificulta a comunicação oral mas não a inviabiliza. Talvez, como dizes, seja uma forma de a AR e os portugueses pensarem as dificuldades de comunicação de uma outra maneira.

[continuo na minha: LGP deveria ser ensinada a partir do ensino básico! Como as regras básicas para garantir a mobilidade - contrariar mochilas no chão, pés fora da mesa, obstrução de saídas, etc]

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