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A “ideologia do género” é uma expressão que passou a fazer parte do léxico comum. A “disforia do género” também.

No Canadá, um bebé de oito meses (8 meses!) recebeu um cartão de saúde sem definição de género. A “mãe” é uma “pessoa não-binária transgénero” (confuso?) e, na sua traumática experiência, os médicos, quando a própria nasceu, olharam “para os meus genitais e assumiram aquilo que eu iria ser, e essas presunções perseguiram-me a vida inteira”. O bebé terá, por isso, a liberdade de escolher de que género quer ser… Quando quiser e se quiser.

Não consigo imaginar, nem pretendo, o enorme sofrimento que representará para alguém não se identificar com o sexo, com o género?, com que nasceu. Ser um homem refém de um corpo de fêmea, sentir-se mulher aprisionada num corpo de homem. Terrível, seguramente.

A minha ignorância neste tema é tremenda e absoluta. Assumo-o, com toda a franqueza e humildade. Mas não tenho muitas dúvidas quanto à leviandade com que se pretende tratar de coisas sérias, como esta.

Os sexos masculino e feminino não são construções mentais ou experiências académicas. Os médicos não presumem que uma criança é do sexo masculino ou do sexo feminino. A ambiguidade da identidade sexual não é a regra, é a excepção. E a “excepção” não é o certo nem o errado. É a excepção. Simplesmente. Colocar a Assembleia da República a discutir um projecto-lei que, no limite, permite a um adolescente de 16 anos pedir para mudar de sexo e de nome, e processar os pais caso não lho permitam é perigoso e é leviano. Que conhecimento científico têm os deputados, por mais eruditos, para decidir sobre questões da área da saúde e da medicina? A ciência, em geral, e a medicina, em particular, deixaram de ser instrumentos para obter conhecimento através do estudo e da prática? Observar e experimentar para descrever e explicar fenómenos naturais passou a ser obsoleto? As nossas ideologias, os nossos achismos, as nossas modas, vão passar a substituir o método científico? Vamos alterar, por decreto, uma realidade para abarcar todas as liberdades?

A liberdade de escolha e o direito que todos temos de ser tratados com respeito dentro das nossas opções individuais, naquelas que não representam violações do direito do outro, evidentemente, não pode obrigar-nos a negar o que somos. E, fisiologicamente, anatomicamente, somos meninos e meninas, rapazes e raparigas, somos homens e somos mulheres. Não podemos, simplesmente, ignora-lo ou ter vergonha ou receio de o reclamar. A solução para integrar, respeitar e aceitar a diferença não pode passar por uma reeducação em massa, pretendendo que não seja “normal” um menino sentir-se menino, uma menina querer ser menina, uma mulher achar-se fêmea e um homem presumir-se macho.

Não podendo haver, e não devendo haver, um domínio absoluto da biologia sobre a nossa identidade sexual e, sobretudo, sobre a nossa liberdade sexual, deturpar essa realidade e teorizar sobre experimentalismos socio-culturais a “bem” da “liberdade” de uma criança poder decidir que quer mudar de sexo antes de se lhe reconhecer maturidade para votar ou conduzir é assustador.

“Aos 16 anos, toda a gente sabe o que é e o que quer”, afirmou um médico e sexólogo clínico, ao Observador, acerca desta temática. Sabe? Fazendo minhas as palavras de Henrique Monteiro, há dias, no Expresso, devo ser eu, que sou mais do género estúpido…

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20 comentários

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De Chic'Ana a 20.09.2017 às 14:20

Acho que depende muito das crianças / jovens.. Há pessoas muito determinadas e convictas logo desde pequenos, há outros que necessitam de um maior amadurecimento para lidarem com decisões.. ainda por cima uma decisão desta envergadura...
Beijinhos
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De naomedeemouvidos a 20.09.2017 às 14:32

Eu também acho que depende muito da pessoa em causa e deve ser assustador (no sentido de não se saber bem lidar com, apenas isso) para os pais ou para os cuidadores ouvirem uma criança dizer que não quer viver como menino/menina tendo nascido como tal. Precisamente porque é um assunto sério é que deve ser tratado como tal. Mas tenho sempre muito medo da homogeneidade de pensamento imposta por decreto...

Beijinhos.
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De HD a 20.09.2017 às 18:51

Com 16 anos... alguém sabe o que é a vida? :s
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De naomedeemouvidos a 20.09.2017 às 19:42

Haverá quem, com 16 anos, já tenha uma enorme maturidade. Trabalho diária e directamente com jovens a partir desta idade idade ou próxima. Há os muito imaturos, ainda, e há os que têm ideias muito claras e definidas. Penso é que estamos a inverter realidades de forma muito ligeira. O que não significa que o tema não deva ser discutido e que não haja jovens e adultos em sofrimento. Insurjo-me mais contra esta espécie de hiegenização da opinião é do pensamento...
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De HD a 20.09.2017 às 22:40

Faz todo o sentido, terá que haver uma decisão muito ponderada, para cada caso...
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De O ultimo fecha a porta a 20.09.2017 às 19:05

é um assunto que não me parece ser o mais crítico nesta altura. Ainda há muitas barreiras bem mais graves no bem estar da sociedade que deviam ser debatidas.
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De naomedeemouvidos a 20.09.2017 às 19:35

A questão é sempre crítica para quem passa por ela, não é? O sofrimento impõe -se, não fica à espera da melhor oportunidade... só não sei se estamos, enquanto sociedade, a lidar bem com o assunto.
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De O ultimo fecha a porta a 20.09.2017 às 19:54

Sinceramente não me parece ser o mais critico, mas é a minha opinião :)
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De naomedeemouvidos a 20.09.2017 às 20:59

E isso é que é importante! Ter opinião! E opiniões diferentes, para que possam crescer debates saudáveis! Obrigada por partilhares
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De A rapariga do autocarro a 21.09.2017 às 11:44

Quando soube que ia a discussão no Parlamento a possibilidade dum filho processar um pai por querer mudar de sexo, fiquei perplexa, é isto que é urgente mudar neste país??? Qual será a próxima, processar a mãe porque não fez um aborto pois o filho é um falhado social???
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De naomedeemouvidos a 21.09.2017 às 11:53

Quem sabe... Andamos a tratar com muita ligeireza assuntos demasiado sérios. Depois, perguntamo-nos como pôde um homem (sem ofensa para os homens) como Donald Trump chegar a presidente de um país como os EUA...
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De A rapariga do autocarro a 21.09.2017 às 12:03

Pois, sobre isso acho mesmo que é um case study, mas vendo a amostra de americanos que aparecem na tv nos mais variados Reality shows ( tatoos, cozinha, decoração, efeitos especiais etc..) agora compreendo melhor. Boa parte parecem-me completamente acéfalos!!! Completamente desfasados da realidade!
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De naomedeemouvidos a 21.09.2017 às 12:20

O que é mesmo assustador, atendendo à dimensão daquele país, a vário níveis...
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De A Hipster Chique a 21.09.2017 às 23:08

Um assunto demasiado discutível... não acho que aos 16 anos saibam mesmo o que querem, mas todas as pessoas são diferentes.
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De Anónimo a 22.09.2017 às 08:45

É verdade. É um assunto muito sério e difícil de gerir.
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De Sofia a 23.09.2017 às 21:12

Quando, a minha colega me mostrou a notícia, eu fiquei parva!
Não, sei o que o Bloco tem na cabeça, tens boas ideais e depois, têm ideias perfeitamente estúpidas, que em nada favorecem o país, ainda não acredito como, foram á assembleia com este tema e perder tempo, enfim...
Já, vi vários documentários, que provam que há crianças, que realmente desde muido cedo não se sentem bem, no seu corpo, mas não me digam, que ao 16 anos, têm a maturidade mental, para passar por um processo, se mudança de sexo?!
Se, até um adulto, tem que ser avaliado por vários profissionais, passar por tudo um processo complexo, muitos, não chegam até ao fim, um jovem de 16 anos, tem?!
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De Sofia a 23.09.2017 às 21:16

E falta dizer. não há temas bem mais importantes, a serem discutidos e urgentes?!
Podemos, começar com o que se passa, com o actual serviço nacional de saúde, vai de mal a pior.
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De naomedeemouvidos a 24.09.2017 às 00:12

Olá, Sofia. Pois, é um pouco absurdo. Não o sofrimento de quem passa por isso, evidentemente, mas a forma como se pretende "resolver"... como se fosse tão simples.
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De Sofia a 24.09.2017 às 11:05

Aqui, nem se mete em questão o sofrimento, das pessoas, tal como disse já vi vários documentários e é claro, para mim o sofrimento das pessoas e por ser uma matéria sensível, não é para banalizar e tratar como, fosse a coisa mais simples do mundo.
O Bloco, com esta atitude ainda se vai queimar, á beira das Autárquicas, acho que o tiro lhe vais sair pela colatra,,,
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De naomedeemouvidos a 24.09.2017 às 14:58

Sim, concordo contigo. Absolutamente.

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