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Desventuras

por naomedeemouvidos, em 13.12.19

André Ventura é um oportunista vaidoso. Dança conforme a música e defende os “princípios” que lhe forem mais úteis a cada tempo: se for o de escrever uma tese académica, defende os direitos humanos e repudia "a discriminação das pessoas com base na sua origem e nas suas características étnicas e religiosas"; se for o tempo de se eleger como deputado na Assembleia da República, defende que os ciganos pertencem a um grupo de auto-excluídos da sociedade que vivem à custa de subsídios e há que ter a coragem, a dele, de acabar com a pouca-vergonha; se, já eleito, tropeçar em inconveniências do seu programa eleitoral, inverte-o.

A questão é que, para os devidos (d)efeitos, o homem foi eleito democraticamente e a democracia tem (ou tinha) regras. Ferro Rodrigues pode desprezar o cardápio, abominar a criatura que o vende a saldo e sentir-se tentado a educá-la nas boas práticas que convêm à não perturbação de vícios instituídos – já que vergonhas há muitas, não sejamos palermas – mas não pode destratar André Ventura como quem repreende um adolescente atrevidote. O problema de tentar desvalorizar – ou mesmo humilhar – estes santos de pau oco é que essa estratégia se converte, frequentemente, na sua canonização em vida.

O populismo vende como castanhas quentes porque há sempre, na vida de cada um de nós, um momento em que sentimos algumas destas coisas como verdade, justa ou injustamente. O pior que podemos fazer é fingir que não. Ou mandar calar o André Ventura.

Indignem-se menos e questionem-no mais.

publicado às 09:27

Apesar de...

...até à derrota final?

por naomedeemouvidos, em 27.11.19

Tenho ouvido os argumentos de quem vota em não-democratas (travestidos de políticos sérios anti-regime) apesar de. Os brasileiros de quem gosto e com quem falo (o meu universo é algo limitado, pelo que, não são muitos e, claro, a amostra não é representativa; mas são “gente boa”, realmente, o que me preocupa ainda mais), votaram e/ou apoiam Bolsonaro apesar do que ele diz, porque estavam – estão – fartos da corrupção do PT, nomeadamente, do PT de Lula, e da violência bruta, gratuita, que manda nas ruas das principais cidades, onde a polícia está, ou a mando do poder dos gangues, ou impotente para impor a ordem necessária. A pergunta mais urgente entre quem tem filhos pequenos é como reagiríamos se os nossos filhos não pudessem andar na rua em segurança, se se fizessem transportar em carros blindados (os que podem) e, ainda assim, não sabermos se vão chegar a casa, ao fim do dia. Parece difícil argumentar contra isto. Recordo, apenas, que, nos EUA, foi esta uma das recentes campanhas de regresso às aulas, realizada por pais das vítimas dos tiroteios de 2012 na escola primária Sandy Hook. Mais um. Sem contar os que já ocorreram depois disso, mais os respectivos mortos. Mas parece que a economia americana tem crescido a bom ritmo. Ao mesmo ritmo a que passamos a tolerar o intolerável, a bem da prosperidade dos impolutos anti-sistema que hão-de salvar o mundo. O seu.

 

Adiante. Na outra ponta da defesa de Bolsonaro apesar das besteiras que ele diz está a sua aparente incapacidade para implementar as tais reformas que o país precisa. Eles não deixam. Eles são os membros do Senado, empenhados em boicotar todas as tentativas do capitão para tornar o Brasil um país livre dos pecados do PT. No limite e em desespero, é, por isso, preciso uma quase ditadura mais ou menos assumida, um chove-e-não-molha de imposições de força e passagens bíblicas, para levar os cidadãos brasileiros ao bom caminho. Reposta a ordem, resgatar-se-á a democracia, com ou sem Messias, dependendo do grau de conversão até lá.

 

Não pretendo saber o que é melhor para o Brasil. Seria igualmente arrogante e absurdo. Às vezes, nem sei bem o que é melhor para Portugal, que percebo eu dos dramas de viver naquele país, que visitei uma única vez, em férias, já lá vão mais de doze anos. E, apesar das discussões acesas, não sou a favor de Lula. Mas, sou contra, absolutamente contra, tudo o que representa gente como Jair Bolsonaro, Donald Trump, Viktor Orbán, e os outros todos da lista onde só não incluo, de momento, o nosso Ventura, porque não sei bem se o homem é tão perigoso como o pintam. Para ser vil, perigoso e constituir uma ameaça séria à Democracia, é preciso parecer isso tudo, e o André está mais próximo de uma espécie de experiência. Uma aventura. Eu sei…não teve graça.

Incluo, porém, nessa lista negra Santiago Abascal, o líder do Vox, para quem, aparentemente, a violência não tem género e, por isso mesmo, pela primeira vez em catorze anos, em Espanha, não houve unanimidade institucional para aprovar declarações de condenação contra a violência sobre as mulheres, por altura do 25 de Novembro. Podia ser só um pormenor – um mais – para não ser levado a sério. Afinal, esta gente só diz besteiras. Não querem fazer mal, só querem afrontar o poder instituído e acabar com as injustiças sociais. No processo, por vezes, excedem-se no verbo, sempre sem intenções infestas.

 

Creio que ninguém ignora que essas injustiças sociais existem. A nossa conivência – por actos ou omissões – com esse estado de coisas também é uma afronta à Democracia, um atentado contra a Liberdade que queremos defender com unhas e dentes, de preferência, sem levantar o rabo do sofá. É, obviamente, desse conluio confortável com os abusos de poder que se aproveitam estes estrategas da “desacreditação”, da negação do óbvio e da verdade dos factos que substituem por todas as alternativas necessárias para que a sua mensagem passe. Resta saber quanto tempo vai a nossa liberdade resistir à usurpação dos nossos ressentimentos em prol de uma guerra que já deixou de ter regras. Acredito que a manutenção da nossa democracia (também) depende disso.

publicado às 11:48

Chega!

por naomedeemouvidos, em 09.10.18

        O ponto de exclamação é meu, mas “Chega” parece que é o nome do próximo novo partido político português. André Ventura, para quem as ideias de Bolsonaro são “refrescantes”, não suportou o calor, talvez, do PSD de Rui Rio e vai avançar com uma “nova força política ao centro-direita”.

     De momento, André Ventura ainda vai “apenas” pela defesa do fim do casamento homossexual, pelo regresso da prisão perpétua para homicidas e violadores e pela castração química de pedófilos, além da diminuição (para 100) do número de deputados na Assembleia da República. Assim de repente, com excepção da primeira, até parecem causas simpáticas e de encontro ao desamor e descontentamento do povo. É capaz de ser suficientemente radical para um país de brandos costumes, embora bem abaixo da fresca vitalidade do companheiro Jair. Por enquanto.

       Também por enquanto, André Ventura estará muito longe de Marine Le Pen e de Matteo Salvini que, ontem, apelaram a uma “revolução” nas próximas eleições europeias, em Maio de 2019. Mas, talvez fosse melhor não subestimarmos aqueles que vêem o futuro, nomeadamente, o da Europa, sem os valores democráticos que tanto custaram a construir. Por muito insignificantes ou ridículos que nos pareçam à primeira vista, porque já vimos até onde isso nos pode levar.

        Matteo Salvini, segundo li num jornal de referência, saudou a vitória de Jair Bolsonaro na primeira volta das eleições presidenciais no Brasil. Que palavra teremos nós a dizer?

publicado às 12:23



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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