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Entre Tancos e Tangas

por naomedeemouvidos, em 27.09.19

Tiago Barbosa Ribeiro: “Parabéns pela recuperação do armamento, grande alívio…! Não te quis chatear hoje.”

Azeredo Lopes: “Foi bom: pela primeira vez se recuperou [sic] armamento furtado. Eu sabia, mas tive de aguentar calado a porrada que levei. Mas, como é claro, não sabia que ia ser hoje.”

Tiago Barbosa Ribeiro: “Vens à AR explicar?”

Azeredo Lopes: “Venho [sic] mas não poderei dizer o que te estou a contar. Ainda assim, foi uma bomba.”

 

O assalto aos paióis de Tancos já era, por essa única circunstância, um caso gravíssimo. Os contornos absurdamente ridículos que se foram acrescentando ao crime ultrapassaram, porém, o domínio da anedota. É tudo demasiado. O furto que, no limite, pode não ter havido, o esbulho guardado em casa da avó, a farsa do “achamento” do material roubado, as cassetes de vídeo substituídas com rigoroso brio e acertado compasso num sistema de videovigilância que se sabia não funcionar, e um ministro da Defesa que troca SMS com um deputado amigo como se fossem dois adolescentes no torvelinho de um desabafo.

 

Não há a mínima noção do ridículo. Nem de vergonha. Já nem falo dessa coisa, que se tornou obsoleta, de servir o País, do sentido de Estado.

publicado às 13:39

A tragédia das armas de Tancos.

por naomedeemouvidos, em 22.07.19

Já não tem graça. Nunca teve, na verdade, mas o riso brota, muitas vezes, como purga do absurdo. Como se, rindo, fosse possível espantar o inenarrável episódio da mais caricata e inacreditável incompetência de uma suposta elite que se converteu num molho de bobos patetas e patéticos. E o espectáculo tem dado para todos os gostos, do roubo que se calhar não o foi, das armas que se calhar já não o eram tanto, do ver que se não descortina, do esconderijo na casa da avó, do carrinho de mão às cassetes que se trocavam vazias para cumprir protocolo, da ressurreição ensaiada das armas à suspeitada bênção de Azeredo Lopes, da qual há muito se desconfia. Provavelmente, não acaba aqui.

Estamos, portanto, no mais recente capítulo da mirabolante telenovela do assalto a Tancos, em que o Ministério Público afirma ter indícios de que o ex-ministro da Defesa Nacional estava a par de grande parte do guião. Nomeadamente, Azeredo Lopes é suspeito de ter conhecimento, desde o início, da trágica farsa montada para encenar uma recuperação das armas roubadas e, assim, como nunca o poderia ser, tentar restaurar alguma da dignidade perdida das nossas Forças Armadas. O que é bastante diferente, a propósito, de afirmar que Azeredo Lopes sabia do encobrimento, apesar de quase todas as primeiras notícias sobre o assunto o afirmarem exactamente assim, nos seus títulos. Mas isso dá, e tem dado, para outros textos. Assim como a tourada habitual em torno da violação do segredo de justiça, de que ninguém quer verdadeiramente saber, a não ser para seu próprio refúgio, quando convém. A leviandade é tanta e tamanha que já dou por mim a desconfiar da presumível inocência só pelo nome dos ilustres advogados de defesa e da invocação do sacro-e-pouco-santo segredo de justiça; o que, não só é terrível, como perigoso.

Marcelo Rebelo de Sousa, por várias vezes, afirmou que o Ministério Público deve investigar Tancos de alto a baixo, doa a quem doer. E há quem defenda que, se doer a Azeredo Lopes, forçosamente, há-de doer a António Costa e ao próprio Presidente da República, numa inevitável cadeia de infâmia, ela própria do mais baixo ao mais alto escárnio da hierarquia que rege um Estado de Direito Democrático.

 

A ser verdade a suspeita que esmaga o ex-ministro da Defesa, partindo do princípio de que a verdade chegará, inequívoca, algum dia, pergunto-me até onde pode chegar a falta de responsabilidade da gente que nos governa. Já não falo de Sentido de Estado, que é coisa que já desapareceu do dicionário da língua e da saúde democráticas portuguesas. Nem da seriedade que já só assiste aos tolos.

publicado às 13:30

Não nos envergonhem mais!

por naomedeemouvidos, em 11.10.18

         Azeredo Lopes indignou-se com Rui Rio, pela comparação do caso Tancos com a guerra de Solnado. Pois bem, eu indigno-me com este ministro burlesco que, em qualquer país decente, há muito já teria posto o seu cargo à disposição. O caso Tancos, há muito ultrapassou o patamar da anedota para passar ao do nojo e da vergonha! António Costa defende o importante “activo”; dá-se ao luxo de fazer comentários jocosos no Parlamento, tão à-vontade está no vazio de uma oposição digna desse nome, porque a falta de coragem é concubina do poder mesquinho e miudinho e ninguém quer perder o estatuto, por mais miserável. Entretêm-se, antes, a debater banalidades, atirando insultos como rebuçados, sem qualquer respeito pelas instituições que juraram honrar e representar. Compactuam com a fraude do outro para garantir o direito à fraude própria, quando a vez chegar. Dormem com quem ontem tratavam por inimigo, sem sobressaltos, sem insónias, sem dores de barriga ou de consciência, dormem sem pesadelos, ainda que sem explicar onde deixaram, entretanto, a verticalidade das convicções, a verdade dos credos, a seriedade das propostas, a honradez dos compromissos, a validade das palavras. Os argumentos políticos convertidos em contorcionismos linguísticos ao nível das conversas de café, o entretém do circo, a minha ironia é melhor do que a tua, casamentos e carochinhas varrendo indolentemente a dignidade de todos e nós, João Ratão, ardendo no caldeirão do escárnio.

         Por favor, não nos envergonhem mais!

publicado às 11:17



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

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