Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Devedor Bom, Devedor Mau.

por naomedeemouvidos, em 11.04.19

O Banco de Portugal está alarmado. Ou alguém por lá. Em princípio, não será o caríssimo Carlos Costa, pois, como é sabido, o senhor regula, mas pouco. Em geral, não conhece, não vê, não sabe, não tem memória e, quórum sim, quórum não, é capaz de assinar de cruz. Talvez. Se for absolutamente necessário. Também pode ser um problema de óculos; parece que os de 2004 não servem para 2013, ou qualquer coisa do género. O caso é que, de repente – que é como quem diz, quando se trata de devedores comuns, sem comendas nem condecorações honrosas, muito, pouco ou nada – soou um alerta: os projectos-lei apresentados pelo PS, PCP e Bloco de Esquerda, para uma Lei de Bases da Habitação parece que levantam reservas e "sérias preocupações" quanto ao seu impacto, nomeadamente, no que diz respeito à possibilidade de “qualquer um” poder entregar a casa ao banco, extinguindo, sem mais agruras ou delongas, o crédito à habitação e passando para o banco todo o risco da desvalorização do imóvel. O suficiente para preocupar o BdP. E a Associação Portuguesa de Bancos.

 

Suponho que a preocupação com a possibilidade de “qualquer um” entregar a casa ao banco seja manifestamente exagerada. Como “qualquer um” sabe, desde que leia jornais. O senhor comendador Joe Berardo, por exemplo, deve mil milhões de euros – mais milhar, menos milhar – a três bancos portugueses e, que se saiba, nem casa tem para entregar, o pobre. A Quinta parece que não é bem sua e, como tal, não serve; e as obras de arte moram cá, sem casa própria, mas a contra-gosto, que o comendador, se pudesse, já as teria despachado para o estrangeiro. O senhor Salgado também parece que deve imenso e, nem por isso, entregou a casa ao banco, pelo contrário, há uma casita à venda por vinte milhões de euros – mais milhar, menos milhar – e nem chega bem a ser dele, é da mulher, ou prima, ou cunhada, ou tia, ou qualquer coisa assim, que, por estes dias, ando bastante confusa com a temática familiar.

Como toda a gente sabe, os empresários, os banqueiros e os gestores, os de topo, de top,  ou pop, sofisticados e bem-relacionados, não possuem bens, de todo, de nenhum tipo, em nenhum lado, e dormem, nem sempre descansados, mas abnegados, mesmo que não saibam a quem pertence a casa em se deitam. A cama, essa creio que a conhecem sempre bastante bem; armam-na com carinhoso empenho e saber aguçado, não vá o diabo aparecer-lhes nos detalhes das coincidências alheias.

 

Aparentemente, os malfadados projectos também suscitam “preocupações quanto ao impacto prudencial na atividade e resultados das instituições de crédito”. Ora, o impacto prudencial na actividade não é, de facto, coisa de somenos. A prudência na actividade bancária tem, aliás, operado maravilhas na contenção de vontades megalómanas de alguns donos de tudo e mais alguns nadas. Sobretudo nadas. Nada de dívidas, nada de culpas, nada de responsabilidades. Há os que vivem acima das suas possibilidades e há os que vivem em cima de todas as promiscuidades. Os devedores são todos iguais, mas alguns serão mais iguais do que outros…

publicado às 20:19

O oportunismo é uma arte.

por naomedeemouvidos, em 06.03.19

Tomás Correia foi condenado pelo Banco de Portugal a pagar uma multa de 1,25 milhões de euros, por práticas irregulares no exercício do cargo de presidente da Caixa Económica Montepio Geral, actual Banco Montepio. É bom lembrar que Tomás Correia foi reconduzido, numa eleição que se imagina livre, à liderança da Associação Mutualista Montepio Geral já quando sobre ele pesavam suspeitas graves, gozando até do estatuto de arguido em alguns casos. Candidatou-se a essa renovação no cargo suportado por uma lista de individualidades de conhecido nome e suposta honra e ganhou, apesar da também conhecida possibilidade de vir a ficar impedido de exercer esse cargo caso resultasse, das investigações de que era (e é) alvo, alguma acusação.

 

Ora, Tomás Correia mostrou, como outros, que conhece bem as linhas com que se cose e a instituição a que preside. Homem prevenido vale por dois, ou mais, e parece que o senhor fez aprovar em Assembleia Geral e registar em acta uma espécie de seguro à prova de multas. Assim, numa AG que teve lugar em Março do ano passado, o expedito Tomás Correia apresentou uma proposta que parece obrigar o Banco Montepio a assumir os “custos em que possam incorrer os actuais ou antigos administradores e membros de outros órgãos sociais da Sociedade, relacionados com quaisquer processos ou procedimentos que sejam directa ou indirectamente relacionados ou resultantes da sua actividade na Sociedade e que resultem de contas de honorários passadas na devida forma ou de documentos emitidos por entidades oficiais”. Ou seja, por exemplo, aquele milhãozito e tal de euros de multa em que incorre o senhor Correia, como noticia o jornal Público, que também afirma estar na posse da acta dessa AG e que o documento nunca chegou a constar, como seria prática comum, no site oficial do banco.

 

As gentes da nossa terra têm fama de desenrascadas. Aquele jogo de cintura que falta a outras sociedades mais disciplinadas e organizadas, onde, quando ocorre um imprevisto não documentado que pára a linha de produção, ninguém sabe bem o que fazer, até chegar um português. É uma característica que dizem única. Será um exagero, enfim. Mas, é indiscutivelmente útil em muitos casos. Só se torna algo obscena quando dela se faz aquele hábito oportunista que fica no limiar da fronteira propositadamente dúbia entre o ilegal e o imoral. Tomás Correia será só um exemplo. Outro, é o médico oftalmologista Henrique Fernandes.

 

O doutor Henrique Fernandes foi despedido do Hospital Sousa Martins, na Guarda por exercer actividade clínica privada enquanto estava de baixa. Baixa falsa, portanto, ou, pelo menos, selectiva e atestada por um colega idóneo, talvez. Inicialmente, foi proposto o arquivamento do processo, mas o hospital recusou e acabou por demitir o médico. Este recorreu. O que motivou, no entanto, o recurso não foi a eventual injustiça ou erro na decisão de o demitir, como se poderia ingenuamente pensar. Foi um pormenor que resulta muito mais eficaz para quem percebe da tal arte do desenrasque: o processo disciplinar de que foi alvo e que levou ao seu despedimento foi promovido fora dos prazos legais previstos. Quando o doutor Henrique Fernandes foi notificado da sua demissão, tinham passado os trinta dias de que, legalmente, o Hospital dispunha para fazer essa comunicação ao senhor. Finalmente, que é como quem diz, oito anos depois, o Hospital foi obrigado a reintegrar o médico que pede, agora, uma indeminização de três milhões de euros, a pagar pelos do costume.

 

De modo que, cada um desenrasca-se com a arte que quer, pode e conhece. Deve ser por isso que o nosso mais famoso hacker tem algum receio de ser extraditado para Portugal. Talvez não seja um caso de vida ou de morte, que exagero. Mas é capaz de ser só um caso de justiça ou falta dela.

publicado às 13:09



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


Layout

Gaffe


Arquivo



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.