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A propósito dos fracos.

por naomedeemouvidos, em 29.12.18

 

    “Um político deve ter a habilidade de prever o que irá acontecer amanhã, na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano. E a habilidade de explicar, depois, por que nada disso aconteceu", Winston Churchill.

    E, no entanto, há políticos a quem falta, não só a habilidade para prever, como a competência para gerir, e a decência para assumir o que podem, seguramente, explicar porque aconteceu, como aconteceu.

    Em entrevista à TSF, António Anselmo, presidente da Câmara de Borba, declarou-se orgulhoso enquanto português. Parece que o senhor presidente de câmara nem sempre se orgulhou de tal e até já duvidou, noutras ocasiões, do Estado. Ninguém diria. Mas não desta vez. E esta é a vez em que o Estado decidiu avançar com as indemnizações às famílias das vítimas da previsível e fatídica derrocada da estrada 255.

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imagem aqui

    Há um tipo de pobreza que enoja. É a pobreza indecente do tipo da do senhor António Anselmo que, para vergonha minha, enquanto portuguesa, é presidente de uma Câmara do país a que chamo meu. O senhor que se orgulha da atitude do Estado, é o mesmo que ignorou o alerta de perigo que a estrada representava, mesmo depois de lhe terem explicado porquê. Segundo esta notícia do Público, de acordo com a acta da assembleia municipal de 27 de Dezembro de 2014, “António Anselmo deixou clara a intenção de organizar uma reunião alargada”, sobre a situação que veio a revelar-se trágica. Mas a reunião não chegou a ser convocada. O senhor Anselmo ainda não olhou para os documentos. Di-lo "sem qualquer tipo de desculpa" e, acrescento eu, sem qualquer tipo de vergonha. Com a mesma aviltante pobreza, pensou que, se realmente “houvesse perigo”, a Direcção Regional da Economia do Alentejo – responsável pelo memorando que alertava para isso – tê-lo-ia “avisado novamente”. Tal-qual. Isto, apesar de, já em 2006, um estudo referir uma fracturação da jazida de mármore por onde serpenteava, inocente, a EN255. O senhor presidente Anselmo parece que também desconhece o estudo. Ninguém lho mostrou. E, orgulhoso que está, mantém a decisão de não se demitir. Hoje, como há pouco mais de um mês, quando a sua ignorância abriu a porta à desgraça que matou, estupidamente, cinco pessoas, António Anselmo afirma que a demissão é “própria dos fracos”. E, fraco, é coisa que o senhor Anselmo não é. Afinal, dos fracos não reza a história, e eu gostava que a história rezasse deste, e não apagasse tragédias como as de Borba. Para que, se não o respeito, pelo menos o pudor e a decência, obrigassem os políticos, entre eles, os presidentes de câmara, a desempenhar os seus cargos com lisura.

    Infelizmente, ao contrário do senhor Anselmo, não estou tão orgulhosa deste estado português. Mas, era capaz de me orgulhar, se os Anselmos da vida política portuguesa desaparecessem do mapa, como por escandalosa incúria fizeram com a estrada de Borba.

 

publicado às 20:04

Considerações Avulsas.

por naomedeemouvidos, em 26.11.18

    “Les «gilets jaunes»”. Soprado ao ouvido, de mansinho, podia ser o título de um belo conto infantil. Mas, não. O movimento “pacifista” iniciado nas redes sociais transformou, nos últimos dias, a mais bela avenida do mundo num campo de batalha. A cidade da luz rendeu-se às trevas de uma manifestação violenta que já pouco deve ter que ver com o aumento dos combustíveis ou da carga fiscal em geral. A “culpa é de Macron”. Se fosse fácil encontrar culpados, seria, talvez, mais fácil encontrar soluções. Para uma maioria de vontades, pois que nunca conseguiremos atender a todas.  

 

    O Conselho Europeu aprovou a saída do Reino Unido da União Europeia. Theresa May terá, agora, a tarefa de defender o “bom acordo” perante o Parlamento britânico. É possível que o texto cumpra com o que os eleitores votaram no referendo que disse “SIM!” ao “Brexit”. Mas, quantos britânicos ainda o subscrevem? O que aconteceu aos protagonistas mais empenhados em promover a retirada? Como vão ser as relações entre o Reino Unido e a União Europeia? O que significa, exactamente, a vitória (pequena?, grande?) de Espanha no que diz respeito à questão de Gibraltar? Afinal, o que foi que os britânicos votaram?

 

    A CMTV deve estar prestes a inaugurar um novo modelo de reality show. Um daqueles em que os inquéritos aos vários arguidos, em inúmeros processos mediáticos, passam a ser transmitidos em directo. Uma espécie de “o juiz decide”, mas sem juiz. Ou melhor, em que o juiz somos nós, sentadinhos no sofá da sala.

    Em rodapé, passará a constar os números de telefone em quem votar, consoante a simpatia e/ou o melhor desempenho. Para votar no/a procurador/a ligue o número tal; se prefere o advogado, ligue este número; se o seu favorito é o arguido, ligue aquele. O que a justiça passará a poupar em tempo e em honorários!

 

    Borba continua a chocar-nos. É mais uma desgraça que resulta da incúria que nunca, por cá, tem responsáveis, menos ainda, culpados. Olhamos para as imagens e pensamos como é possível, como foi possível? E há algo de indecoroso na beleza macabra daquela paisagem quando nos alheamos da tragédia, porque ela é nossa, enquanto país, mas, inevitavelmente, não nos fere a todos da mesma maneira.

    Não há “evidência de responsabilidades do Estado”, disse António Costa, sobre o absurdo desastre, mais ou menos, anunciado – o que torna tudo mais aviltante. Já não é só optimismo que é irritante, é a audácia. Não sendo tempo de férias, o primeiro-ministro pode fazer como Graça Fonseca e rumar a Guadalajara para não ter que ver jornais portugueses. Quando voltarem, pode ser que o país esteja bem melhor, quem sabe. O hábil monstro da política não sucumbe, nunca, às misérias das pessoas que compõem a imagem do país moderno que António Costa gosta de exibir para (já não só quem é) inglês ver.

 

    O mundo ficou a saber que, nos EUA, mortes por encomenda são aceitáveis, se praticadas por Estados com muitos, muitos dólares para gastar. Às urtigas a diplomacia estrangeira, os serviços secretos, investigações, relatórios e outros levianos entraves ao bom desenvolvimento das nações. Se Donald Trump pudesse “presidenciar” por mais de dois míseros mandatos, talvez chegasse o tempo em que não fosse necessário falsificar vídeos para afastar jornalistas incómodos; ou ficar acordado até altas horas da manhã para mandar uns tuites aos adversários políticos. Mas, ao ritmo a que normalização do absurdo tem evoluído, oito anos são capazes de ser suficientes…

 

    A sonda InSight aterra hoje em Marte, se tudo correr bem. Se houver vida noutros planetas, que seja mais inteligente do que a nossa.

publicado às 12:20

Desgraças que nos confundem.

por naomedeemouvidos, em 20.11.18

   

    A estrada ruiu entre Borba e Vila Viçosa e, na ruína, arrastou uma retroescavadora e dois automóveis e a morte de, pelo menos e de momento, duas pessoas. Também há desaparecidos, feridos, possivelmente, mais mortes e, como habitualmente, todas as críticas a uma desgraça anunciada. . Começa, mais uma vez, o circo de especialistas e contra-especialistas que, muitas vezes, na posse das mesmíssimas informações, conseguem a extraordinária proeza de tirar conclusões completamente antagónicas. Eu sei que é possível. Na última reunião de condomínio a que assisti, e também a propósito de umas obras, uma advogada dizia a outro condómino presente: “não preciso de ver (um parecer jurídico que aquele lhe tentava mostrar); amanhã, podia entregar-lhe outro a dizer exactamente o contrário”. Incrível, não é? Se há testemunhos da fragilidade do estado da estrada, também há quem garanta a sua perfeita segurança. Como se viu.

    Depois da tragédia, das mortes estúpidas, banais, insignificantes, uns senhores mais ou menos doutos e mais ou menos engravatados vêm (mais hão-de vir) tentar explicar o inexplicável; outros tantos, fazer o jogo do eu avisei. Toda a gente via e sabia e ninguém quis ver o suficiente e nem saber de mais nada. Morre-se tantas vezes por incúria, por ignorância, por incompetência, por despachos assinados das nove às dezasseis, por falta das verbas que parecem nunca falhar na hora de renovar frotas e gabinetes dos representantes da nação espoliada. Não será comparável, mas é nos detalhes que ele costuma estar. Os infortúnios mais ou menos previsíveis, principalmente os alheios, podem sempre esperar por dias melhores. No caso deste, a contagem ia, pelo menos, em 4 anos. Teria ou não sido evitável este acidente? Vamos ter o direito a conhecer alguma verdade, a pedir responsabilidades, se as houver?

    Nos próximos dias, abrir-se-ão inquéritos, pedir-se-ão relatórios e exigir-se-ão, eventualmente, demissões. Ou não. Há desgraças mais merecedoras do que outras. É provável que o nosso popular Presidente venha reconfortar os familiares das vítimas, exigir respostas e prometer justiça doa a quem doer. Dói sempre aos mesmos e nunca ninguém tem culpa.

    Há cerca de oito meses, a revista Visão denunciava uma situação de urgência na execução de trabalhos de manutenção da Ponte 25 de Abril, cuja segurança podia estar em causa. O LNEC avisava o Governo que, na ausência de obras, poderia vir ser necessário restringir-se o tráfego de pesados e de comboios de mercadorias, na ponte. O mesmo LNEC veio, depois do alarme que a notícia gerou, sossegar-nos, não era bem, bem uma questão de risco, de colapso iminente. Era uma necessidade um pouco mais que poucochinha. Pelo sim, pelo não, foi anunciada, na altura, uma verba de 18 milhões de euros para proceder a obras urgentes. Que não começaram ainda. Vejamos se a urgência, que tanto se apregoa e sempre se atrasa, chega a tempo de prevenir outra calamidade.

publicado às 07:32



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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